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terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

86 milhões de dias

Às vezes ainda me surpreendo com o que pode ser escrito em abono ou contra os assuntos que se querem ver apoiados ou criticados. Não quanto às ideias ou argumentos que podem vir suportar essas teses, mas quanto ao modo imaginativo (!) como se pretende impressionar os que ainda não conseguiram apreender na íntegra os méritos ou defeitos das ditas.
Foi o caso do artigo de António Perez Metelo no DN Econonomia de 27 de Fevereiro onde, sob o título "Solidariedade e Rigor", este vem explicar as virtudes do modo como o complemento de reforma está a ser executado, sublinhando com euforia o anúncio do Primeiro Ministro sobre a antecipação do calendário de alargamento do suplemento.
Diz Perez Metelo que "este anúncio representa um ganho potencial de 86 milhões de dias para uma melhoria sensível do nível de vida dos concidadãos mais carenciados deste país"! 86 milhões de dias??? perguntarão, julgando que se trata de uma gralha. Também pensei o mesmo, li e reli, e receio perceber. É que, se dividirmos este número esmagador por 365 dias, encontramos os cerca de 230 mil eventuais beneficiários em causa! Somamos beneficiários e temos...dias! E o autor ficou tão impressionado que "perante isto", considera "irrisórias as críticas quanto à excessiva burocracia do processo de candidatura". De facto, o que são uns míseros milhões de horas e dias perdidos pelos mesmos milhares de cidadãos e centenas de funcionários, perante 86 milhões de dias de antecipação de bem estar? Nada. Visto assim, mesmo nada, salvo que a mesma defesa pode ser invocada em favor de mil e uma burocracias tão criticadas pelo mesmo autor.
Considera ainda o extraordinário escrito que este milagre só é possível porque as contas públicas de 2005 fecharam em muito bom estado - êxito indiscutível, que fica assim plenamente confirmado perante os espíritos mais cépticos...
Se nos lembrarmos que tempos houve em que PM considerava que qualquer défice acima dos 3% significaria o descalabro e que defendia, e bem, o rigor da informação, compreende-se a minha surpresa.
Não havia necessidade.

“Isto não é uma consulta médica. Não se automedique.”

A hipertensão arterial é muito prevalente e está na base de muitos problemas cardiovasculares em Portugal, a principal causa de morte. Todos os esforços são bem vindos no sentido de a prevenir e de a controlar. O consumo moderado de sal, o combate à obesidade e o estímulo ao esforço físico constituem algumas das medidas que podem contribuir para a sua redução. A par destas, os médicos recorrem ao uso de fármacos que, sendo cada vez mais eficazes, são capazes de propiciarem a diminuição das complicações cardiovasculares no futuro.
Para dar uma ideia mais precisa do que irá acontecer nos próximos dez anos, podemos afirmar que, dos dois milhões e quinhentos mil portugueses com idades compreendidas entre os 55 e os 84 anos, 430 mil estão em risco de virem a sofrer um acidente vascular cerebral. Se fosse possível actuar de uma forma mais eficiente poderíamos evitar 175 mil casos. Uma redução desta ordem de grandeza seria uma grande vitória para todos, mas principalmente para aqueles que infelizmente irão ter uma “trombose”.
Para que seja possível dar mais saúde aos portugueses é preciso medir e vigiar a pressão arterial. Hoje, nas consultas de rotina ou em quaisquer outras, a medição da pressão arterial é feita de forma sistemática possibilitando um melhor controlo. No entanto, a medição da pressão arterial exige alguns cuidados especiais, tais como a temperatura ambiente, a colocação da braçadeira, a posição do braço, não haver constrangimentos ou receios do médico, estar sossegado e confiante e, mesmo assim, ocorrem, com alguma frequência, erros ou variações nos resultados da medição (o caso do doente estar em frente de um médico desencadeia com alguma frequência elevação da pressão arterial, conhecida pela “hipertensão da bata branca”) que o médico sabe interpretar e tomar em linha de conta antes de proceder ao diagnóstico de hipertensão arterial.
Frequentemente, os médicos são confrontados com doentes que suspendem a sua medicação, porque ao medirem-na, usando os aparelhos pessoais ou indo à farmácia, verificam ou é-lhes comunicado que já está normal. Um erro muito grave. Se está normal, mais uma razão para continuarem a usar o medicamento ou os medicamentos prescritos. Só assim será possível melhorar o controlo.
Os profissionais de saúde têm o dever de vigiar a pressão arterial das pessoas, mas quando as induzem em erro, então a situação é muito grave. Por exemplo, medir a pressão arterial num ambiente não aconselhado pode provocar problemas, mas mais grave é quando certos simpáticos “tickets”, emitidos por alguns aparelhos colocados nas farmácias, fornecem ao utilizador informação do género: “Com base nos dados introduzidos a sua tensão deveria estar entre os valores seguintes: sistólica 114-163; diastólica 071-093 mmHg”. Já agora qual foi a medição dada pela máquina? “Sistólica 147 mmHg; diastólica 89 mmHg; Pulso 102 P/min”. Além do mais, o esclarecedor “ticket”, que até registou a pressão atmosférica àquela hora do dia (767 mmHg), apresentava a seguinte nota: “Isto não é uma consulta médica. Não se automedique. Consulte o seu médico.” O cidadão em causa tomou em consideração este aviso. Realmente não se automedicou, pelo contrário, deixou de tomar a sua medicação, porque a sua pressão arterial sistólica deveria estar entre os 114 e os 163 mmHg! Mas quem controla estas máquinas? Que raio de cuidados estão a ser prestados? Ah! Este caso ocorreu mesmo. Um colega teve a amabilidade de enviar cópia do “ticket” do aparelho da farmácia. Aqui está mais um problema que deve ser tomado em linha de conta na prevenção da hipertensão arterial em Portugal, como se os restantes não dessem já dores de cabeça aos responsáveis!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

A economia do Carnaval

Image hosting by Photobucket


Vão longe os tempos em que o Entrudo expressava a irreverência, por vezes o desmando, a crítica social e o saudável escárnio, a catarse alimentada pelo vinho novo como que anunciando a primavera. Hoje o Carnaval transformou-se num produto turístico que atrai às grandes festas do Rio, da Baía ou de Veneza, milhões de foliões que justificam o retorno de um investimento cada vez mais avultado.
Em Portugal, que exportou a festa para os seus antigos domínios, mantem-se uma inventada tradição que apenas as festas dos caretos de Trás-os-Montes parece justificar. No resto, Mealhada, Ovar, Loulé, Torres Vedras, e tantas outras vilas, o Carnaval tranformou-se no invocado produto turístico. Fala-se de alguns milhões de euros de "investimento" para financiar o corso, a importaçãode algumas escolas de samba e umas tantas mulatas despidas para dar cor a três dias de festa. O retorno é sempre garantido desde que a contribuição da autarquia seja a fundo perdido, a bem do turismo local.
Tão inestimável contributo para o desenvolvimento local, qual alavanca tecnológica, justifica que se abram os cordões à bolsa, mesmo que ao lado se degradem as escolas, se encerrem as fábricas ou que se arruine o património.
É Carnaval, ninguém leva a mal...

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Painting over hate




Rabbi Philip Lefkowitz paints over graffitti at the Agudas Achim North Shore Congregation on North Kenmore Avenue Sunday. The Uptown synagogue was vandalized last week.
(Tribune photo by Nancy Stone)
Feb. 19, 2006

Stress do casamento!

O stress é considerado como um factor muito importante no desenvolvimento de muitas doenças e perturbações comportamentais. Apesar do seu lado positivo – sem stress não teríamos evoluído – e que nos permite sobreviver em muitas circunstâncias, avolumam-se as situações geradoras de stress prolongado e contínuo. O stress agudo é indispensável, que o digam os nossos antepassados quando estavam ao alcance de um tigre dentes de sabre. Saltavam para a primeira árvore que encontravam, se encontrassem uma, claro. Hoje, em dia, não há tigres dentes de sabre, mas reagimos de um modo idêntico quando somos confrontados com a inspecção das finanças, uma intimação das autoridades, uma ameaça velada, ou não, enfim, as reacções fisiológicas são as mesmas só que as causas são diferentes daquelas que estiveram subjacentes à nossa evolução. Estamos a falar de stress dito agudo, mas o pior é a agressão crónica e contínua. Os seus efeitos persistem durante muito tempo acabando por deixar marcas muito importantes nos diferentes órgãos e sistemas, nomeadamente coração e diminuição da imunidade.
O trabalho é sem sombra de dúvida a principal causa de stress. As características de muitas situações subjacentes ao trabalho, nomeadamente exigências elevadas em termos quantitativos aliada a uma fraca capacidade de decisão e a um fraco suporte social dos trabalhadores das empresas são o caldo explosivo do stress. A estas situações temos que acrescentar o desemprego e o trabalho precário. A falta de estabilidade cria ansiedade, percursora de um futuro stressógeno. Deste modo, as doenças relacionadas ou desencadeadas pelo stress tenderão a agravar-se a curto e a médio prazo.
A segunda causa de stress, ou, segundo alguns autores, a terceira, já que a segunda é também o trabalho, reforçando a importância deste, assenta na família. Muitos são os problemas familiares desencadeantes de situações stressizantes. Enumerá-los não é complicado. Às modificações da família, à dificuldade no acompanhamento dos filhos, às múltiplas exigências próprias da vida moderna, associam-se outras menos conhecidas como o stress do casamento. Afinal, casar é positivo para o homem, que pode vir a ganhar mais 1,7 anos de vida. Nada mau! Mas para as mulheres, o caso muda de figura, já que correm o risco de, em média, perderem 1,4 anos de vida! Quanto às causas, o investigador alemão aponta para o trabalho de casa, a tendência para imitar os comportamentos masculinos, por exemplo, passando a fumadoras ou serem fumadoras passivas e, curiosamente, o facto da actividade sexual regular ser pouco benéfica para a longevidade das mulheres e muito benéfica para os homens! Mas mesmo assim elas vivem muito mais do que eles…

Os nomes que se têm



Conheces o nome que te deram,
Não conheces o nome que tens”

Livro das Evidências in Todos os Nomes
José Saramago


Já repararam na quantidade de nomes que vamos tendo ao longo da vida? Não, não me refiro àqueles que ninguém gosta de ouvir e que são usados por quem “vê o argueiro no olho do outro mas não vê a trave no seu”…Refiro-me aos que nos vão sendo dados com carinho, por brincadeira, com respeito, com desafio, com amor, com irreverência, sei lá! Há quase tantas variações como os grupos que integrámos, os meios em que vivemos, os papéis que desempenhámos, os amigos que fizemos…
O que é engraçado é que esses nomes correspondem ao modo como a nossa imagem ficou marcada nas pessoas que os adoptaram e que continuam a usá-los quando nos falam, embora não os utilizem quando falam de nós a outras pessoas que não partilham dessa memória comum. O Juca passa a ser o Arq. João quando o irmão fala com o colega do atelier, ou a Mariquita é a Maria dos Anjos para a família do genro…
Essa diversidade de nomes dá situações muito curiosas.
Uma vez houve um jantar para uma prima que já não encontrávamos há imensos anos e de quem nos lembrávamos como uma rapariga rebelde, que usava uma linguagem um tanto solta e que tinha decidido escandalizar a família ao querer ser pintora. Foi declarada imprópria para consumo quando pintou um quadro de uma das minhas irmãs, considerada uma criança lindíssima, e o quadro ficou tão feio que o pendurávamos à frente do espelho quando a queríamos ver furiosa. Essa tal prima era a Cilica Quando chegou ao jantar e ouviu “olá Cilica” ficou parada e disse “É incrível! Já não conheço ninguém que me chame por esse nome! Há muito tempo que não me sentia em família!” Nós, para não quebrar o ambiente, não lhe lembrámos o quadro.
Outra vez fui ao hospital visitar a Bé. A Bé era uma velhinha adorável, que criou uma legião de sobrinhos e sobrinhos netos, sempre com um pendurado nas saias e um sorriso doce que nunca esmoreceu até morrer. Acho que ninguém a conhecia sem ser por Bé. Acontece que fui ao guichet do hospital perguntar onde a podia encontrar e, do outro lado, ouço a pergunta espantosa:”-Qual é nome da senhora?” Respondi o óbvio: “-Bé, acho que é só Bé…” A mulher riu-se muito e adiantou com ar de quem faz uma maldade: -“É Maria Manuel, já disse isso não sei quantas vezes, com uma família tão grande e ninguém sabe o nome dela!” Quando contei à Bé ela fartou-se de rir.
Já a minha avó, temida pelo seu génio, era a Tia Strudes para os sobrinhos adultos, A Mana para os irmãos, a Dona Gertrudes para todos os que não fossem parentes em linha recta até ao 2º grau. Para o meu avô, era a Rabuja, a Razinza ou, nos momentos de menos tolerância, a Sarrazina (alturas em que ela já franzia o sobrolho com a impertinência). Ás netas, e só porque éramos meninas e ela já estava bem velhota, admitia Decas ou Déquitas, se não houvesse “pessoas de fora” a ouvir.
Há os casos opostos de falta de identidade, como o que li outro dia, em que no Japão, para os casamentos serem mais atractivos, os psicólogos recomendam aos maridos que, quando se dirigem às mulheres, as olhem de frente e as chamem pelo nome!
Nós somos todos os nomes, todas essas identidades. Pobre do que já não tem direito a que o chamem pelo nome.

Lideres, chefes, gestores e semânticas

A diferença entre um gestor e um lider é muitas vezes o factor que determina o sucesso ou o falhanço de uma escolha para um cargo dirigente. Conforme o que se pretende obter ou a natureza da organização a orientar, o perfil do seu dirigente vai certamente ditar o resultado. O que acontece muitas vezes é olhar-se a competência de uma pessoa com base no seu curriculo, nos cargos mais ou menos sonantes que ocupou ou nos seus títulos académicos e lá fica em segundo plano o tipo de atitude que requer a missão que lhe vai ser entregue. Daqui resulta com frequência que uma pessoa que é muito capaz de desenvolver com êxito um departamento estruturado que deve expandir-se, já é um falhanço total quando assume um sector que exige mudança profunda, precisa de novos objectivos ou conheceu tempos gloriosos e está em decadência.
As inúmeras teses que existem sobre a questão da liderança foram relegando para subespécies palavras que quase não mereciam discussão, como "chefe", "director" ou mesmo "gestor", abrindo um leque de especialidades cujo relevo é muito interessante.
É assim que, em termos muito genéricos, um chefe surge como um autoritário, que impõe comportamentos necessários para missões específicas, com disciplina rígida e pouca discussão.
O gestor administra, procura melhorar os métodos, não confronta mas deve convencer,define os processos e preocupa-se em fazer bem o que deve ser feito.
O lider questiona, inova, desafia, conquista as pessoas para o seguirem, causa rupturas em busca de soluções que não se encontram no horizonte dos que olham para o que é em vez de olharem para o que devia ser.
Estas características não são importantes só nos lugares de topo, bem pelo contrário, é essencial que um dirigente saiba ver nos seus colaboradores os que podem liderar um projecto novo ou os que darão boa conta de uma reestruturação para melhor atingir os resultados. E o engano, de quem escolhe ou de quem aceita o lugar, pode levar ao falhanço do projecto e à frustração do escolhido, perdendo-se um bom profissional só porque não se soube ler a sua habilidade.
E é curioso verificar que estas diferenças podem evidenciar-se logo na escola e ter importância no modo como se valoriza o comportamento dos alunos em função das suas atitudes em coisas tão simples como dar nas vistas, ser muito atilado, ser mandão ou ser rebelde...
Não será só uma questão de semântica, embora às vezes pareça!

Públlico e privado: tão iguais e tão diferentes


Fala-se da eficiência, qualidade e responsabilidade na administração Pública como se fossem atributos que nascem nas instituições por vontade dos seus funcionários ou que delas se arredam por incapacidade ou má vontade dos mesmos.
Mas o discurso é radicalmente diferente quando se fala das empresas, onde a tónica vai para a definição de estratégias, para a qualidade da gestão, para a liderança de equipas, com tudo o que isso significa em termos de motivação, de objectivos, de avaliação e resultados. E, se numa empresa a motivação e o envolvimento são imediatamente determinados pela necessidade de competir no mercado para manter os lucros e garantir os postos de trabalho, na Administração Pública a questão torna-se mais complexa, uma vez que não é o lucro que está em causa mas sim a eficiência dos meios, e os postos de trabalho não estão directamente ameaçados, mas o que fica sacrificado é a satisfação do interesse público. Ou seja, é ainda mais importante encontrar os factores de estímulo da qualidade e competência, é ainda mais difícil captar e manter os talentos, é essencial que os dirigentes sejam respeitados, tenham poder e responsabilidade e conheçam com transparência o que se pretende deles.
Por isso é bastante incompreensível que se assentem baterias no comportamento das pessoas que trabalham no Estado ao mesmo tempo que se ignora, com mais ou menos evidência, a descontinuidade das políticas nos diferentes sectores, a instabilidade nos cargos dirigentes, o abandono de projectos que mobilizaram equipas, o emaranhado legislativo que torna impossível uma decisão rápida e transparente.
Sobretudo, não é uma questão de culpabilizar seja quem for mas sim de responsabilizar, de induzir comportamentos e de os reconhecer como adequados ou criticáveis perante os parâmetros de qualidade que foram definidos. De definir um rumo, em suma.
É evidente que as pessoas que exercem a sua profissão nos serviços públicos têm que ter aguda consciência da natureza e importância do serviço que prestam e que, na generalidade, está na origem das regalias e ónus das suas condições de trabalho. Não podem acomodar-se ou encontrar desculpa nas vicissitudes por que passa a sua organização e têm que manter lealdade e esforço para um desempenho de qualidade. Mas só é justo pedir isso a quem conhece e compreende o que se lhe exige e que confia que quem vai avaliar o seu trabalho tem o poder e os instrumentos para o fazer de forma séria e estável, sem solavancos, sem arbitrariedades, com competência e respeito pela equipa e por aqueles a quem o serviço se dirige.
No sector público, como no privado, as questões são iguais, o modo como se olham é que são muito diferentes…

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Descaramento em triplicado!...

Ouvi hoje o Dr. Gilberto Madail, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, muito agastado com o facto de a construção da denominada “Casa das Selecções”, futuro Centro de Treino e Estágio das Selecções nacionais de futebol, não ter ainda arrancado, atribuindo a culpa à Câmara Municipal de Sintra.
Mas o que acontece, segundo em tempos foi publicado, é que a Federação não irá gastar um cêntimo com essa Casa das Selecções.
O custo, que de investimento não se trata, é da Câmara de Sintra, que a “ofereceu” ao futebol, com protocolo assinado publicamente e tudo, alegadamente em troca de publicidade ao concelho e eventuais efeitos favoráveis no turismo.
Muito bem.
O mesmo Dr.Gilberto Madail anunciou também, há cerca de uma semana, que o estágio da Selecção para o Mundial de Futebol 2006, em Junho, na Alemanha, será feito em Évora.
Mas o que acontece é que desse Centro de Estágio ainda nada existe e que o mesmo será construído de raiz e à pressa, para em Maio, daqui a 3 meses, acolher a selecção.
Trata-se, obviamente, de um custo a suportar pela Câmara de Évora.
Para o Europeu de 2004, a Selecção estagiou em Óbidos, a expensa da Câmara, como já estagiou em Rio Maior, como já estagiou no Algarve, como poderia estagiar em mais de uma dezena de Centros bem equipados espalhados pelo País.
Mas, pelos vistos, precisa de dois novos Centros, a construir onde nada ainda existe.
Não sei que mais admirar, se o descaramento do Presidente da Federação, se o descaramento dos Presidentes das Câmaras, que, pelos vistos, têm dinheiro a mais e não encontram alternativas de serviço público para o gastar.
Prejudica-se o cidadão, mas o Presidente é promovido e isso é que interessa!...

Pinks


Li hoje no Diário de notícias que Londres vai ter uma frota de táxis cor-de-rosa, só para senhoras e crianças. Num serviço de valor acrescentado, as taxistas vestem da cor dos táxis mas sabem bem defender-se e os carros têm GPS para não se enganarem no caminho. As clientes só saem de casa quando as chamarem e o táxi fica à espera de as ver entrar em segurança no local de destino. Tudo isto em nome da segurança, muito louvável portanto. O próximo passo devem ser táxis castanhos para os africanos, amarelos para os chineses, azuis claros para os rapazes até aos 18 anos, verdes para os sportinguistas que vão ao jogo do Benfica (não sei nomes dos clubes ingleses, peço desculpa aos entendidos) e vice versa, numa segmentação por perigosidade previsível que tem um grande potencial de negócio. Esperemos que o sucesso da ideia e a eliminação dos factores de risco que se venham a demonstrar não levem os zelosos governos a tornar obrigatório o uso desses tais táxis por segmento. Se queria ir em segurança, porque é que não foi num táxi para senhoras? É só telefonar, não ande na rua sozinha...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Os Epicenos do TLEBES

A Drª Maria do Carmo Vieira, Professora do 8º Grupo B (português e francês) publicou no Público de ontem um revelador artigo sobre o ensino do português.
Entre muitas novidades que me deixaram boquiaberto, aquela professora revelou as instruções recebidas sintetizadas na nova nomenclatura oficial TLEBES: Terminologia linguística para o ensino básico e secundário.
Deixo um ligeiro apontamento sobre os adjectivos e substantivos.
Antes do TLEBES havia os adjectivos qualificativos, mas isso é história.
Agora os ditos passam a ser adjectivos de possibilidade e adjectivos relacionais.
Os adjectivos de possibilidade, veja-se a definição, são adjectivos “derivados de uma base verbal” e podem ser parafraseados por uma expressão “que poder ser VPP”, sendo VPP “a forma do particípio passado da base verbal derivante”. Perceberam?
Por sua vez, os adjectivos relacionais, podem ter uma forma forte ou uma forma fraca.
Mas aqui a dita Professora confessou não saber como passar a sua definição aos alunos.
Quanto aos substantivos, com o TLEBES deram o último pio…Já não há…passaram a “nomes”.
E para além de nomes próprios, comuns ou abstractos, passa a haver nomes epicenos, agentivos e nomes de qualidade!...
E nestes, também, por que não, digo eu, nomes nobres ou plebeus, nomes masculinos ou femininos, masculinos com tendência feminina, femininos com tendência masculina, mistos, etc, etc…
Os Gabinetes de Estudos do ME servem para isto?
E os Ministros deixam passar isto tudo, em nome de quê?

O meu fascínio pela neve...

Arinsal, Andorra
... leva-me todos os anos a procurar um local muito branco e muito frio.
Estarei de volta lá para meados de Março.
Bom carnaval para todos!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

As soluções...

... do IPPAR!
Ainda o Túnel de Ceuta no Porto.
Afinal, o IPPAR aceitou o projecto que a Câmara Municipal do Porto queria executar.
Com uma grande alteração.
Uma enorme reformulação...
... passa a haver limitação da velocidade!
Mas qual velocidade? 30 km/hora!
Esta "grande alteração" não mexeu no projecto, nem modificou a obra.
E já sabemos todos que o resultado é um sinal de trânsito a limitar a velocidade... que também já sabemos não vai ser respeitado.
Então para que serviu esta "birra" do IPPAR?
Para defender o Museu Soares dos Reis, dirão o IPPAR e a Sra Ministra da Cultura.
Pela minha parte, estou cada vez mais convencido da inutilidade deste Instituto do Património.

Coincidências...

... a mais!
Primeiro Rui Rio foi constituído arguido por não ter respeitado o embargo à construção do Túnel de Ceuta.
Ficámos então a saber que o IPPAR já tinha formalmente desistido da queixa anteriormente apresentada.
Agora ficámos a saber que também foi constituído arguido em resultado de uma queixa de Francisco Assis que se sentiu caluniado na última campanha eleitoral.
Será que me está a escapar alguma coisa?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

O aproximar da noite...



O mercado está filosófico!...

Ouvi hoje na RDP, estação de serviço público, afirmar o positivismo do mercado, em comentário às cotações do Mercado de Valores Mobiliários.
Fiquei admiradíssimo, mas não deixei de saudar essa entrada triunfal da filosofia positivista nos corredores da Bolsa de Valores e nas mentes dos seus comentadores e jornalistas.
Através da RDP, fiquei então a saber que o mercado bolsista se passou a reger por uma filosofia caracterizada por uma ênfase sobre o experimentalismo como a única fonte do conhecimento científico, por uma forte hostilidade contra a filosofia tradicional, especialmente a metafísica, e consequentemente contra a religião, que está para além dos factos experimentáveis, princípios que caracterizam o positivismo.
Fiquei também a saber que a Bolsa tinha aderido à sociocracia de Augusto Comte e o seu Conselho de Administração teria passado a ser dirigido por cientistas, para unidade e progresso da humanidade ou, pelo menos, dos seus investidores.
No decorrer da notícia, vim desgraçadamente a perceber que estava enganado: o que o jornalista queria dizer com o positivismo da Bolsa era que as acções estavam em alta!...
Concluí então que filosofia positivista ou outra é título em forte baixa pelas paragens da RDP, estação de serviço público, que todos pagamos!....

Intimidação

Na sequência de uma conversa com um amigo jornalista acabei por reforçar a minha opinião sobre o crescendo de intimidação e limitação da liberdade de expressão que começa a ocorrer entre nós. Oficialmente vivemos num país livre, mas já foi mais livre. Os recentes acontecimentos ocorridos com um diário, o número de jornalistas que têm de se sentar no mocho acusados de crimes devido às suas actividades, a intimidação encapotada de natureza profissional ou económica a que muitas pessoas estão sujeitas, a proibição imposta sem qualquer pejo por altas autoridades para não comentarem determinados acontecimentos, o conluio e a subjugação voluntária de verdadeiros cata-ventos que conseguem estar sempre bem com deus e o diabo, a pressão de ameaça com a própria comunicação social pondo em causa a honestidade e a verticalidade de um cidadão que, num ápice, pode desaparecer, a fuga ao debate e às responsabilidades abrigando-se em silêncios comprometedores mas garantindo postos sociais e económicos vantajosos, o medo viscoso utilizado por mentes menos sãs, enfim, tudo isto e muito mais coisas constituem uma realidade que há poucos anos seria impensável.
Ao cidadão começa a ser fornecido não aquilo a que tem direito mas aquilo que é mais conveniente, não para ele, mas para os interesses de alguns que deste modo conseguem dominar e impor regras muito próprias. A espontaneidade dos comentários ainda vai acabar por ser substituída por silêncios amarelados ou por frases ocas e adocicadas de adjectivos subservientes.
A verdade como expressão de superioridade começa a apagar-se e a ser substituída por um cinismo de conveniência.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Movimento anti-560

Uma crónica publicada num diário do norte com o sugestivo título “tristeza” aponta para um drama que diariamente atinge cada vez mais os portugueses: o encerramento de unidades industriais com o consequente empobrecimento do país e despedimento de vários operários. Desta feita, a empresa dedicava-se à produção de material de desenho, única no país: a Molin.
O autor, engenheiro de profissão, conta a história de um aluno que levava sistematicamente com faltas porque não tinha dinheiro para comprar um estojo. O engenheiro disponibilizou um estojo da Molin, que já não usava, pensando ter ajudado o rapaz. Nada feito! A professora exigia que os alunos usassem um estojo marca Kern, logo, o dele não servia para nada. Teve conhecimento do facto, protestou, mostrou a sua indignação, mas, como é habitual neste país, ninguém lhe deu atenção. Na análise subsequente explica que não havendo procura de uma marca nacional é de esperar que tenha de encerrar as portas. Aqui está um exemplo de falência de uma empresa condicionada pela falta de procura em que, muito provavelmente, os professores, adeptos da Kern, tiveram a sua quota-parte de responsabilidade.
Logo a seguir, no mesmo jornal, é anunciada a falência dos estaleiros de S. Jacinto. Neste caso parece que havia procura por parte de países estrangeiros mas faltava o financiamento. Não sei se havia procura ou não, o que sabemos é que existe um agravamento exponencial de uma crise em que trabalhadores perdem os empregos, cerca de 150.000 pessoas podem perder o emprego a qualquer momento, o trabalho precário aumenta – nos últimos dois anos mais de 70% dos novos empregos enquadram-se nesta categoria – enfim, um desânimo bastante cinzento que nos faz meditar como encontrar soluções.
O esforço mediado por alguns compatriotas no sentido de estimular a economia nacional, comprando “português”, como é o caso do movimento 560, não deve ser aliciante, nem ter, pelos vistos, qualquer projecção, o que é pena.
Não sei quantas pessoas existem no nosso país e que apresentam condutas do tipo “senhora professora que exige material de desenho Kern”, nem sei se fazem parte de qualquer movimento anti-560! No caso da tal senhora professora estou convicto de que faz parte do movimento 76, os dois dígitos identificadores do código de barras da Suiça.
Tristeza de país.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Ensino Superior “à Bolonhesa”

A minha menor assiduidade no 4R tem um culpado: processo de Bolonha. Ainda mal refeito de dez anos de exercício de cargos políticos, dediquei-me de alma e coração a um autêntico processo de “reinserção social” no meio académico. Para além de ter retomado o ansiado contacto com os alunos, esperava dedicar o remanescente da minha agenda a investigar e a produzir alguma ciência de forma a recuperar nos próximos dois anos o que andei a desperdiçar em cerca de sete ou oito. Não seria uma missão impossível caso a vida académica não fosse além do que é fundamental: investigar, ensinar, formar. Só que a vida académica tem, cada vez mais, outros imperativos.
Em primeiro lugar, a responsabilidade de voltar a dirigir um departamento, cerzir um tecido macerado pelo conflito e pela dificuldade de cooperar cientificamente, dar despacho às resmas de papel e requerimentos que nos depositam diariamente na secretária, participar em dezenas de reuniões onde ouvimos os mesmos lamentos, detectamos os mesmos vícios identificados há dez ou vinte anos e de onde saímos com o sabor amargo do tempo perdido.
Em segundo lugar, o desafio da adesão ao processo de Bolonha, esse desígnio que uma vez mais a Europa nos coloca para que tenhamos a oportunidade de pormos a casa em ordem. As últimas semanas passei-as em reuniões onde se reconfiguraram currículos, distribuíram-se créditos, identificaram-se competências. Criaram e reconverteram-se cursos, disciplinas, áreas científicas, matrizes de 1.º e 2.º ciclos. Eu sei lá …
Depois de tudo isto não consigo ultrapassar os “mixed feelings” que me atormentam: parece que tudo tem de mudar para que tudo fique na mesma. É dramático!

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Um Ministro socialista e um socialista Ministro!...

Como noticiado, a taxa de desemprego atingiu os 8% no último trimestre de 2005, correspondendo a 450 mil pessoas sem trabalho.
De acordo com o Público de hoje, o Ministro do Trabalho, Vieira da Silva, referiu que “estes números do desemprego não são um revés para mim. São um revés para a sociedade portuguesa”.
Concordo com o Ministro, pois não compete ao Ministro do Trabalho, nem mesmo ao Governo, criar directamente empregos -quantos menos criar, tanto melhor.
Mas já lhe compete directamente, a si e ao Governo, criar um melhor contexto e um ambiente mais favorável para a expansão do investimento privado e para a melhoria de produtividade que favoreça as exportações, único meio, na actual situação portuguesa, de criar emprego.
Mas não posso deixar de dizer que muitas ouvi esse mesmo senhor Ministro, nomeadamente no Parlamento, a criticar, de forma desabrida e até grosseira, anteriores Ministros do Trabalho, responsabilizando-os directamente pelo que já então chamava revés da sua política, que levava ao aumento do desemprego.
Acontecendo que a política é basicamente a mesma, dei comigo a pensar como continuam bem diferentes estes Ministros socialistas dos socialistas que, há bem pouco tempo, se arvoravam em Ministros!...
São estas as atitudes que em nada credibilizam não só os políticos que seguem tal prática, o que é o menos, como descredibilizam a própria política, o que é o mais!...
.

Coragem para mudar...

... o panorama das freguesias em Portugal.
Quero aqui apoiar todas as iniciativas que visem acabar com esta absurda proliferação de freguesias - já são 4.251 - e espero que os partidos da oposição - entre os quais o meu PSD - sejam capazes de apresentar propostas sérias e corajosas que acompanhem o que foi anunciado pelo Governo.
Será aceitável que numa cidade como Lisboa existam 59 freguesias? E que entre estas haja uma que tem pouco mais de 100 habitantes e outra que já ultrapassa os 40.000?
E que um concelho como Barcelos esteja dividido em 89 freguesias?
Não! Não é aceitável e é urgente mudar.
Mas será que também não se justifica mexer nos municípios?
Porque é que Portugal tem 308 municípios, quando alguns deles nem sequer têm a dimensão de uma paróquia?

Supercentenários

Cada vez é mais frequente ler nos jornais as comemorações de aniversários de centenários. Há alguns anos lia com curiosidade a notícia. Mas com o tempo deixei de ligar, devido ao facto de começar a ser tão comum. De facto, o clube de centenários está a aumentar cada dia que passa. Contabilizam-se por duas centenas de milhares os que conseguiram atingir e ultrapassar a mágica fasquia dos cem anos.
Fruto de conquistas alcançadas através de uma melhor alimentação, higiene e cuidados médicos, aliadas a factores genéticos e a condições interessantes como ter sido o primeiro filho ou o facto de ter nascido em Dezembro (vantagem superior aos que nascem em Junho!), os seres humanos criaram uma quarta idade que tende a explodir e até uma quinta constituindo esta, naturalmente, um clube muito restrito, os dos supercentenários. Para alcançar este estatuto tem de atingir os 110 anos. Não é fácil, já que apenas um em cada 1.000 que faz 100 anos chega lá. O número de supercentenários ronda os 300 a 450, sendo na sua esmagadora maioria mulheres.
A vaidade em alcançar idades avançadas leva muitos a falsear a data de nascimento. Nalgumas partes do globo, Japão, por exemplo, quase que adquirem um estatuto de semideuses. Enfim, naquelas faixas etárias a vida corre mesmo com uma velocidade imprópria para cardíacos.
Quando se questiona quais os segredos, todos, sem excepção, apresentam a sua receita, desde os iogurtes ao azeite, passando pela aguardente e até o vinho do Porto. Neste último caso a mulher que mais tempo viveu até hoje, de uma forma documentada, Jeanne Calment (122 anos e 164 dias), era, como gostava de afirmar, “uma apaixonada pelo vinho do Porto”.
Saber quantos anos ainda nos resta de vida não é difícil de calcular. Um investigador californiano criou um “indicador de morte” baseado em 12 questões que, aplicado a pessoas com mais de 50 anos, permite conhecer a probabilidade de morrer nos próximos anos. Não é nova a ideia, já que muito frequentemente utilizamos tabelas para prever certos acontecimentos sobretudo na área cardiovascular. Alguns autores consideram que se trata de um bom instrumento que pode ajudar a melhorar a saúde dos velhos. Pessoalmente não vejo como, a não ser que o indicador dê uma probabilidade elevada de morte nos próximos anos, a ponto de o “condenado” começar a beber uns copitos, de preferência vinho do Porto, para esquecer a previsão, e, desta forma, quem sabe se não irá enganar as tais tabelas arriscando-se a entrar no clube de supercentenários, ou, então, dos centenários!
Gostava de saber quantos é que gostariam de afirmar "j'ai été oubliée par le Bon Dieu”, como dizia Jeanne Calment…

O ministro da saúde está bem?

Não consigo compreender o comportamento do ministro da saúde. Deve andar a delirar!
Se continuar nesta senda ainda vai acabar com o S.N.S. O melhor é acabar com o ministro e depressa.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Toca a içar o facho!...

Em entrevista ao Público de hoje, o Coordenador do Observatório dos Poderes Locais do Centro de Estudos Sociais de Coimbra -reparem só no gongorismo do nome!...-coloca reticências à extinção de freguesias.
É uma opinião legítima, não sei é se é correcta, mas isso não vem ao caso.
A questão importante é a solução que dá: “preferia o repovoamento, em vez de acabar com freguesias…”! …
Pois daqui lanço o urgente apelo:
Homens de Portugal, vá lá, toca a içar o facho do povoamento!...
Mulheres de Portugal, vá lá, toca a abrigar os ardores desse momento!...

Em expectativa

Sigo com o maior interesse os sucessivos anúncios sobre a prevista intervenção nos serviços públicos que fará, quase em simultâneo e até ao fim do ano, uma profunda reorganização estrutural, uma redução drástica de efectivos, uma revolução nas carreiras, uma "privatização" geral do sistema de emprego (salvo funções de soberania, MNE; MAI e MJ), e, vamos insistir, a aplicação do sistema de avaliação de desempenho.
Em termos de enunciado, nenhuma destas orientações é, em si mesma, criticável, pelo contrário.Mas já é muito duvidoso que seja possível e desejável intervir em tudo ao mesmo tempo. Há dias, eram centenas os serviços a extinguir e milhares os que iam para os disponíveis ou com propostas de rescisão amigável. Hoje, quer "antecipar-se a mobilidade" (Diário Ec.16/2) à prevista extinção dos serviços e fazer formação. E adianta-se que as leis orgânicas vão estar prontas até ao final do 1º semestre, que as estruturas (entenda-se: os quadros departamentais) serão depois e que é prematuro adiantar números.
Convém aqui lembrar que não houve praticamente Governo nenhum que não fizesse novas leis orgânicas dos Ministérios quando entrou em funções e essa é, de resto, uma das grandes razões da instabilidade dos organismos e da confusão de competências. Essa parte é fácil, embora trabalhosa, e traduz-se sempre por mudança de nomes dos serviços, fusões e divisões, algumas extinções logo anuladas pela criação de um novo organismo com nome diferente e conteúdo idêntico. O que é difícil - e muito mais demorado, tanto que muitas vezes não se chega a fazer - são os quadros respectivos, com a redistribuição das pessoas e a definição de excedentes. Esta parte, a difícil, é que marcará a diferença anunciada pelo Governo.
Novas leis orgânicas houve sempre, até demais, mas muitas nunca passaram do Diário da República. Não é daqui que virá a novidade, ainda que os propósitos possam ser os melhores. Há muito que os serviços se habituaram a ter leis orgânicas que não condizem com a sua realidade.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

A barbárie entre nós

Um testemunho chocante que não nos pode deixar indiferentes.
Ou a expressão de um problema que tarda a desaparecer para nossa incontida vergonha.
Esta é a mais insuportável miséria que nos rodeia.

Qual catástrofe?

O Sindicato dos Professores FENPROF veio classificar de "catástrofe" o anunciado encerramento de escolas degradadas, com elevadas taxas de insucesso escolar e número reduzido de alunos (menos de 10, ao que entendi). Não ouvi que alternativa propõem para as crianças nem nenhum desmentido sobre os factos que foram apontados como motivo para o encerramento. Portanto, não sei onde está a catástrofe, excepto a que existia até agora para os poucos meninos condenados a frequentar uma escola sem crianças.

Água na fervura

Não percebo o que pretende quem vem estranhar a ausência de uma posição clara do Primeiro Ministro sobre as extraordinárias declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros. Digo-o sem ironia nenhuma, porque me parece que grave que, nesta circunstância, se dê mais importância ao escândalo em si do que a defender o País de mais sequelas que daqui possam vir. De facto, ou o Primeiro Ministro vinha dizer exactamente o contrário e demitia o Ministro em seguida, ou tentava por tudo que os ditos passassem com o mínimo de estrilho para, em momento mais discreto, resolver o problema de fundo. Em plena “crise de caricaturas”, demitir o ministro parece-me delicado. Dar cobertura ao que foi dito, é impensável. Resta-lhe, como fez, tentar disfarçar o que foi dito, apelar à razoabilidade das reacções e lembrar a delicadeza política do momento que se vive. Não vejo como pudesse fazer diferente sem se tornar ele próprio parte do problema, sem que qualquer outro ficasse resolvido.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Os politiqueiros

O desemprego em Portugal atingiu o máximo de 8%.
Hoje ouvi as vozes da esquerda comunista, bloquista e sindical a atribuir culpas ao défice e a reclamar a alteração de políticas.
Concordo, mas num sentido absolutamente ao contrário.
Há que mudar de política, sim, mas diminuindo a despesa pública, já que esta que vem deixando nas empresas e nos particulares cada vez menos do rendimento aí gerado.
O Estado vem-se apropriando abusivamente de uma parte considerável da riqueza produzida, impedindo o investimento produtivo e de modernização e, consequentemente, o desenvolvimento económico e a criação de emprego.
Também ouvi as vozes da esquerda socialista dizer que é preciso tempo para se poder beneficiar das medidas tomadas.
É verdade!...
Mas também foi essa mesma esquerda socialista a primeira a vituperar com violência as medidas que a Drª Manuela Ferreira Leite queria tomar, e tomou algumas, no governo de Durão Barroso!...
Tivesse o PS uma atitude de estado, apoiando essas medidas, que agora está a pôr em prática, e elas estariam a fazer efeito, para regozijo do governo socialista e, sobretudo, dos portugueses.
Esta evidência comprova as causas da "desgraça" que actualmente nos atinge: a falta de estadistas e a sobra de muitos politiqueiros!...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Os cartoons de ...

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... com a devida vénia e desconhecendo o autor deste cartoon, decidi aqui reproduzi-lo em homenagem ao nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Senhor Embaixador do Irão.

Os estatutos do PSD - VI

... as quotas.
No início, o pagamento da quota era um acto voluntário.
Pagava quem queria.
Não havia multibancos ou sistemas de cobrança por vales postais.
O sistema era simples. Ia-se à secção do Partido - naqueles tempos duas a três vezes por mês - o tesoureiro abordava-nos - "cravava-nos" - e pagávamos a quota.
Depois o sistema evoluiu.
Passou a haver cobradores. Iam à nossa casa.
O dinheiro revertia sempre para a Secção.
Um dia, lá pelos anos 80, escreveram nos estatutos que só se podia votar se as quotas estivessem em dia.
Mas não havia problema.
No dia das eleições da Secção, pagávamos a quota e votávamos.
Então descobriram que havia manipulação dos cadernos eleitorais.
Que, nas Secções, havia pessoas que impediam outras de votar.
Faziam os cadernos eleitorais à sua medida.
Então, em 1996, tomaram duas medidas drásticas!
Os cadernos são elaborados pela Sede Nacional.
E as quotas são cobradas pela Sede Nacional, que fica com uma parte da receita para pagar o novo sistema.
E escreveram nos regulamentos que, para se poder votar, as quotas deviam estar pagas até ao dia da convocação das eleições - ou seja 30 dias antes destas.
Passámos a ter os senhores das malas que vinham à Sede Nacional com milhares de contos e pagavam as quotas de centenas ou milhares de militantes. Depois convocavam as eleições!
Afinal, tratava-se de um bom investimento... Quantos mais militantes, mais delegados à Assembleia Distrital e ao Congresso. Logo mais poder. Para já não falar do que se passava nos orgãos concelhios em matéria de escolhas e candidaturas às várias eleições locais.
Como é natural, estes "beneméritos" encarregavam-se de assegurar que a sua Secção era a maior do Distrito e de informar os militantes que lhes tinham pago as quotas...
O novo poder rapidamente se tornou uma ameaça.
Afinal, ganhava quem tinha mais dinheiro, porque pagava mais quotas e ficava com mais delegados.
Agora dizem que é necessário acabar com esta pouca vergonha.
Estou totalmente de acordo!
Mas será que ao deixarmos nas mãos de uns quantos senhores instalados na Sede Nacional do Partido todo o poder de controle dos cadernos eleitorais e do pagamento de quotas, estamos a criar um sistema mais transparente?
Quem garante que este sistema não é igualmente manipulado?
Gostaria de voltar às origens.
As quotas não devem ser obrigatórias.
Constituem receita das Secções.
Para se votar basta estar inscrito no Partido há mais de um ano.

Sintomático

O Embaixador do Irão em Lisboa, Mohammed Taheri, considera que «o ministro Freitas do Amaral teve uma posição que deve ser destacada. Disse coisas muito positivas e muito lógicas».

Pois ...

Sem surpresa

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Foi sem surpresa que se conheceram os últimos números do desemprego, relativos ao 4.º trimestre de 2005. No final do ano a taxa de desemprego ia já nos 8% (7,6% média anual de 2005) e as notícias dos últimos dias não deixam antever melhorias significativas. Mais em detalhe, importa registar que este aumento do desemprego afecta os grupos socialmente mais frágeis: as mulheres, os activos com idades entre os 35 e os 44 anos e os residentes no Norte do país, embora seja o Alentejo a região que apresenta maior taxa de desemprego.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Momentos


Um belo dia a anunciar a Primavera quase que nos obriga a procurar uns momentos de evasão para apreciar este renascer. E, como é certo que ainda virão muitos mais dias como os de ontem e hoje, aqui deixo uma sugestão para um passeio que nos reconcilia com cantinho em que vivemos.
Quartel-general em Évora, um preguiçoso passeio a pé pelas ruas labirínticas que inevitavelmente vão dar à Giralda. O roteiro gastronómico e as iguarias com que nos tenta quase nos desviam de explorar os arredores, mas vale bem a pena ir ver a Barragem do Alqueva e fazer uma paragem na novíssima Aldeia da Luz. Isto se resistirmos a parar em Reguengos ou a espreitar o ninho de águias que é Monsaraz.
Ao chegar aos novos domínios dos Luzenses há que parar no Café Restaurante do senhor Abel, cuja simpatia e vontade de contar a história de velha aldeia e das diferenças para a nova quase nos faz ficar por ali toda a tarde. Mas as casinhas alinhadas, novinhas em folha na sua traça tradicional, as laranjeiras ainda meio crescidas ao longo das ruas, a quietude do lugar estranhamente novo, valem bem um passeio exploratório. Ao fim da aldeia, logo a seguir a igreja e já muito próximo da água recém espalhada, o surpreendente museu. Moderno, estilizado, com muros de pedra semi enterrados que mal deixam perceber o que escondem, guarda a memória da velha aldeia e das suas origens.
Outra rota leva a Arraiolos, passando na Srª da Graça de Divor, outra aldeia que convive paredes meias com uma barragem. A Igreja, do séc. XVI, tem um curioso “alpendre” de mármore a proteger a porta principal e é impossível não sentar numa pedra lá no alto a deixar entrar o silêncio de carros e os mil cantares do campo que desperta.
Em Arraiolos nota-se uma azáfama de recuperação de casas e expansão da vila. No vale, seguindo por uma estrada empedrada e sinuosa, deslumbramo-nos com a Pousada da Srª da Assunção, com a sua capela forrada a azulejos contrastando com a modernidade clara do interior da pousada, com os claustros lindíssimos e os corredores largos a mostrar páteos sombrios e convidativos. Uma decoração sóbria, confortável, um espaço fantástico onde apetece ficar a ler ou a conversar baixinho, para não perturbar o silêncio e a harmonia do lugar.
Com as atribulações do dia a dia, quase nos esquecemos de como é bom passear apenas para nos deixarmos embalar pela beleza dos lugares e pela simpatia dos que vivem longe da confusão da cidade.
Uma boa semana!

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Abrandem a puberdade….

As modificações operadas a nível do desenvolvimento das crianças começam a ser preocupantes. Os excessos alimentares acompanhados de diminuição da actividade física são determinantes para o crescendo da obesidade mas também de um conjunto de particularidades que propiciam uma antecipação da puberdade. A associação obesidade e puberdade precoce é uma realidade. As meninas chegam à puberdade cada vez mais cedo, ao redor dos 10 anos, menos 18 meses que as mães e 24 que as avós. Claro que antes têm de passar por uma fase pré pubertária. Feitas as contas quase que poderíamos dizer que a entrada na escola coincide com este período em que começam a surgir várias transformações hormonais que se manifestam no próprio comportamento. A par destes, outros factores começam a ser responsabilizados como é o caso do stress. Se os factores de instabilidade familiar, fonte importante de stress, continuarem a aumentar, aliados às dificuldades no ajustamento às novas realidades pré e pubertária não é difícil de concluir que os jovens acabem por adquirir comportamentos e estereótipos nada saudáveis com todos os inconvenientes decorrentes para a saúde física e psíquica.
Os pais e educadores vão ter muitas dores de cabeça com este novo grupo de pessoas que nem são “carne nem peixe” mas sim qualquer “coisa” entre crianças e adolescentes com comportamentos próprios de uns e de outros exigindo direitos próprios dos mais velhos, correndo riscos de maternidade precoce, aquisição de estilos vida não saudáveis, abandonando prematuramente os estudos, comprometendo o seu futuro em termo de rendimentos e até do próprio país.
A projecção das consequências da obesidade infantil na vida adulta é uma realidade em termos de saúde, sem qualquer espécie de dúvida, mas as outras, as de carácter social e económico, deverão ser tomadas em consideração.
Importa, pois, tomar em linha de conta uma verdadeira e eficaz política de prevenção de cariz alimentar, mas também fomentadora de exercício, por exemplo, adicionando, desenvolvendo ou substituindo, inclusive, uma qualquer disciplina por uma de exercício físico de carácter obrigatório e prioritária no acesso ao ensino superior. Ficavam mais elegantes, mais saudáveis, mais solidários, mais responsáveis, mais produtivos e ainda podiam como efeito secundário dar-nos o prazer e a honra de ganharem algumas medalhas de ouro nas competições desportivas, melhorando a nossa estima e fomentando o orgulho nacional.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

A ler ...

Paulo Gorjão: "São todos a mesma merda".

Rui Branco: "A razão de PPereira e a barbaridade de Vitalino".

Rui Pena Pires: "Perplexidades".

André Azevedo Alves, no Insurgente, dá conta da publicação dos "cartoons" no Egipto, durante o Ramadão, sem que se verificassem os distúrbios que agora se tentam "compreender".

Francisco José Viegas: "Portanto".

João Gonçalves: "O Homem que chega sempre atrasado".


Espalhamento

Foi noticiado que, em Leiria, junto a uma escola, foram espalhados – com a licença de vossas senhorias – dejectos de porcos. A razão prende-se com o facto de evitar a sua acumulação através do recurso ao espalhamento. Claro está que os ditos dejectos, dotados de peculiaridade odorífica, empestaram o ar perturbando a vizinhança e as crianças. Imagino o que será viver, trabalhar ou estudar num ambiente daqueles. As queixas chegaram às autoridades de saúde de Leiria que informaram, soberanamente, pelos vistos, não haver problemas para a saúde. Provavelmente, o autor desta notável informação deverá sofrer de anosmia e ignorar que as partículas desses dejectos ao levantarem voo poderão aterrar nas vias respiratórias dos seres humanos com possíveis consequências.
A técnica utilizada pelos suinicultores é bem conhecida e consiste na diluição das substâncias tóxicas no meio ambiente. Este acontecimento fez-me recordar o caso do urânio empobrecido utilizado nas munições de alguns exércitos que, além de conferirem capacidades únicas, em matéria de destruição, permitem a eliminação dos resíduos radioactivos provenientes de actividades nucleares, ou, então, a técnica de eliminação de determinados resíduos industriais perigosos, como a que foi contada por um ambientalista. Segundo este, através de uma torneira semiaberta, um camião cisterna ia libertando e dispersando o resíduo ao longo das vias rodoviárias nacionais!
Num país caracterizado por tanta poluição, não falando da clássica, mas, sobretudo, política, desportiva, económica e social, nada melhor para resolver o problema do que a utilização da táctica dos suinicultores de Leiria, ou seja: espalhar, procurando diluir os diferentes poluentes por todo o país. E, já agora, poderíamos começar pela trampa dos suínos ou das vacas. Qualquer cidadão nacional tem, democraticamente, direito a “usufruir” dos interessantes aromas, e eu não me importaria nada em ajudar, com umas valentes pazadas, a colocar alguns quilos da mesma à porta de certas entidades. É que se “uns são mais iguais do que outros”, então merecem uma dose reforçada! E podemos sempre arranjar um certificado de que não faz mal à saúde!

A Dança das Laranjas - IV

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À medida que os dias vão passando entre OPA's e Caricaturas, os corredores social-democratas vão deixando passar sinais evidentes de movimentações:
1. Vasco Rato concretizou o que todos esperavam, depois da demissão de Pedro Passos Coelho, invocando divergências com a direcção política do PSD.
2. Menezes reinvindica a paternidade das directas, lembrando que a ideia não teve o apoio da actual direcção e anunciando participação activa no próximo Congresso.
3. Entretanto, alguns silêncios começam a ser abandonados em defesa da não revisão dos Estatutos. Vítor Reis tem-no feito aqui no 4R e do Norte longínquo surge a voz de José Eduardo Martins, a título pessoal, mas no meio de um anúncio de um debate entre Miguel Macedo e ... surpresa... Nuno Morais Sarmento. Se é mesmo debate e se o Miguel Macedo vai defender as directas para a liderança, o que irá defender Nuno Morais Sarmento? Não à revisão!
Quanto às propostas de alteração dos estatutos e exceptuando alguns foruns extra-partidários, um imenso vazio.
O baile continua e eu vou vendo, com muita atenção e algum gozo!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Presidência entreaberta

Jorge Sampaio: - Já posso sair?
Assessor: - Só um momento senhor presidente!
…………

Assessor: - Agora já pode, senhor presidente, não está ninguém. Depressa!
Jorge Sampaio: - Pronto! Minhas senhoras e meus senhores já estive em Nelas. Bom dia e muito obrigado. Oh pessoal toca a andar daqui para fora.

De novo a morte como ameaça

Quando em 1988 Salman Rushdie publicou pela primeira vez os Versículos Satânicos, não esperaria a reacção que os emergentes fundamentalismos islâmicos se traduzisse na sentença de morte que mudou por completo a sua vida. Passou a viver com a cabeça a prémio, perdeu a liberdade.
Com o caso das caricaturas de Mahomé parece passar-se o mesmo. O mullah Dadullah, um importante chefe talibã, anunciou a oferta de 100 kg de ouro a quem matar o autor das caricaturas, e "cinco quilos de ouro a quem matar um soldado dinamarquês, norueguês ou alemão".
Em qualquer país civilizado este anúncio é considerado crime.
Esta é a verdadeira natureza do fundamentalismo islâmico.

Os estatutos do PSD - V

... encontrei a Renovação.
Estava triste e desalentada.
Disse-me que já ninguém fala dela.
Que se sente ostracizada.
Pobre Renovação... como envelheceu!

Diplomacia do medo

Quando aqui escrevi - "Eu sei que os valores da liberdade, da tolerância, da heterodoxia
estão longe de serem aceites à escala global, mas teremos de aceitar o silêncio e a censura pelo medo?" - parecia que adivinhava a posição do Governo português. Por isso titulei aquela nota de "cenas dos próximos capítulos".
Coube a Freitas do Amaral o papel principal desta cena prevista. Primeiro com um comunicado em que critica a publicação das caricaturas de Mahomé e silencia qualquer expressão de solidariedade para com os Estados europeus que estão a ser vítimas de perseguições e ataques às suas representações em alguns países muçulmanos. Depois com declarações em que passa um atestado de estupidez ao cidadão comum, dizendo que tudo se traduzia num "grande mal entendido". Questionado sobre o seu silêncio sobre os ataques respondeu que "manifestou solidariedade aos países que foram alvo de violência, nomeadamente à Dinamarca, por via diplomática". Ou seja, publicamente repudia as caricaturas, no silêncio das vias diplomáticas expressa solidariedade.
Esta é a diplomacia do medo. Não é, não pode ser esta a diplomacia do meu país.
Por isso me associo à expressão de indignação que cidadãos livres e responsáveis não podem calar.

Os estatutos do PSD - IV

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... o sempre-em-pé.
Um boneco simpático que me recorda algumas das figuras do dito aparelho do PSD.
Foram balsemistas, motapintistas, cavaquistas, nogueiristas, marcelistas, barrosistas, santanistas. Agora são mendistas.
Estão sempre em pé!
Não se lhes conhece o pensamento. Só dizem aquilo que acham que os outros gostam de ouvir.
E andam sempre por aí!
Como é que uma revisão estatutária acaba com esta situação?
Alterando o modo de pagamento das quotas?
Acabando com as inerências?
Fazendo directas para o líder ou para os orgãos nacionais?
Abrindo o partido à sociedade?

Parar um momento


Num livro com o estranho nome de "Canja de Galinha para a Alma" encontrei um texto que diz que, quando confrontadas com o que teriam feito se pudessem começar tudo novamente, a maioria das pessoas fala do que teve pena de não ter chegado a fazer. Aqui reproduzo uma entrevista feita a uma senhora de 85 anos:

"Arriscar-me-ia mais da próxima vez. Seria mais flexível.
Seria mais tolo do que fui nesta viagem. Levaria as coisas menos a sério.
Aproveitaria as oportunidades.
Viajaria mais. Subiria mais montanhas e nadaria em mais rios.
Talvez tivesse mais problemas reais, mas teria menos imaginários.
Veja, sou dessas pessoas que vivem de forma sensata todas as horas, todos os dias. Oh, tive os meus momentos e, se pudesse começar novamente, teria mais alguns. Na verdade, tentaria não ter mais nada. Só momentos.
Um após outro, sem viver antecipadamente tantos anos cada dia.
Fui dessas pessoas que nunca vão a lado nenhum sem um termo, uma capa para a chuva e um pára-quedas. Se eu pudesse novamente, viajaria com menos peso da próxima vez.
Se eu pudesse viver novamente, tiraria os sapatos no começo da Primavera e ficaria descalço áté final do Outono.
Dançaria mais. Colheria margaridas"
Nadine Stair, 85 anos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Descartáveis

Experiência não é aquilo que acontece a uma pessoa. É aquilo que uma pessoa faz com o que lhe acontece
Aldous Huxley

O Diário Económico de hoje refere um estudo da Axa que mostra que metade dos portugueses que já se reformaram fê-lo voluntariamente e antes do limite mínimo de idade previsto na lei. Isto apesar de prepararem mal a reforma, pelo menos financeiramente, e de receberem pensões baixas.
No mesmo jornal, um artigo de Ricardo Reis intitulado “A Felicidade” , diz que outros estudos mostraram que as pessoas gostam de ter um emprego, mas que trabalhar é das actividades que faz as pessoas mais infelizes, apesar de encontrarem felicidade na relação com os outros.
As moderníssimas (ou se calhar nem tanto…) teorias de gestão dizem que a satisfação dos empregados e o seu envolvimento nos objectivos da empresa são factores essenciais da competitividade e reflectem-se claramente na capacidade de captar e fidelizar clientes.
Por outro lado, as inúmeras técnicas de avaliação de desempenho têm evoluído para formas cada vez mais sofisticadas e complexas de detectar insuficiências, necessidades de formação, adequação de perfis , etc, etc, tudo com o objectivo declarado de aumentar a produtividade integrando cada pessoa da melhor forma no seu posto de trabalho e preparando-a, em simultâneo, para o desejável reconhecimento ou progresso na carreira.
Então, de onde vem a dissonância? Porque é que cada vez mais assistimos à saída precoce de técnicos qualificados, ou de pessoal dedicado, que deram os seus melhores anos às empresas ou ao Estado, e que vão para casa ou se dedicam a trabalhos esporádicos para aproveitar o que sabem e ganhar um complemento de reforma?
É certo que a capacidade de reagir ao que nos acontece vai sendo menor com os anos e com a habituação a estatutos adquiridos, tornando fácil a marginalização ou o rótulo de excluído. Mas não é menos verdade que a gestão da mudança pode e deve estar atenta a estas dificuldades, evitando o desperdício de quem ainda pode ter muito a dar e, ao mesmo tempo, tornando credíveis as políticas de bem estar social e profissional.
Caso contrário, teremos algumas empresas muito produtivas e jovens e uma sociedade de gente amarga, desiludida e meio perdida na sua velhice precoce, a lamentar os anos desperdiçados num trabalho que nunca lhes conheceu o nome.
Uma sociedade de descartáveis.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Os estatutos do PSD - III

... ou a credibilidade versus a mediocridade.
Para quem ainda acredita que a revisão dos estatutos do PSD resolve alguma coisa, deixo dois registos, muito actuais, das posições políticas de oposição do meu PSD.
1º registo - "Governo recebeu o patrão da Microsoft, Bill Gates, com subserviência e provincianismo".
Quando ouvimos falar insistentemente na necessidade de acompanhar a globalização e as novas tecnologias, o que diriam os portugueses se a presença em Portugal de uma pessoa como Bill Gates, fosse ignorada.
2º registo - "(...) acusou o Governo português de subserviência perante Espanha". Só quem desconhece o que se passou na economia portuguesa durante os últimos 20 anos é que pode fazer semelhante afirmação. Esta acusação tanto pode ser dirigida a José Sócrates, como aos ex-primeiros-ministros Cavaco Silva e Durão Barroso. E é uma acusação sem sentido.

Podemos rever os estatutos do PSD.
Podemos passar o tempo todo a falar em credibilidade.
Mas o que fica é uma enorme sensação de vazio.
Uma enorme mediocridade.

Photocorynus spiniceps


Afinal, este é o vertebrado mais pequeno do mundo com 6,2 mm. O “resto” é a fêmea. O desgraçado anda a reboque, e para quem não saiba, apesar de ser tão pequenino, metade daquele corpo é só testículos!
A Natureza tem destas coisas…


Photocorynus spiniceps

Os estatutos do PSD - II

... continuação das interrogações e reflexões.
O meu post anterior recebeu dois comentários que são reveladores do estado de espírito em que se pretende enfileirar o PSD.
Quaisquer raciocínios ou perguntas que extravasem a sacro-santa "revisão estatutária" são logo apodados de "armas de arremesso contra a liderança" ou "raivinhas de facções".
Mas será que ainda alimentam a ilusão que a alteração dos estatutos do PSD vai dar credibilidade ao Partido? Ou que vai alterar a prática política dos seus dirigentes abrindo o Partido ao exterior?
Já se esqueceram que a realização de eleições directas para as Distritais introduzida pela alteração estatutária de 1996 em nada resolveu os vários problemas que então se referiam? E que hoje se repetem!
Já se esqueceram que a eliminaçao de uma parte significativa das inerências resultante da revisão estatutária de 1999, não modificou, em nada, o peso e o papel do dito aparelho partidário?
Será que os militantes do PSD aceitam participar num processo que só visa legitimar uma liderança partidária que nada pretende modificar nas práticas do dito aparelho partidário?

A OPA da SONAE sobre a PT

Dá para perceber que a procissão ainda vai no adro, mas registo o tom do anúncio e os esclarecimentos há pouco prestados pelos Azevedos: a lógica do mercado e da competição volta a um sector onde a orientação dominante era o monopólio (mesmo que o não fosse formalmente, a PT comportava-se como tal).
A OPA da Sonae não é só à PT é igualmente ao Estado que nunca escondeu a irresistível tentação de controlar a maior empresa nacional. Não obstante a disponibilidade para negociar a golden share, o desafio colocado pelos Azevedos é uma oportunidade única de remeter o Estado para onde ele nunca deveria ter saído.
Retenho igualmente o desafio de se avaliar objectivamente o que representou a operação dos móveis no Brasil a reboque da Telefónica. É bom que se saiba quem é que efectivamente pagou o risco do investimento.
Bons ventos...

[Actualização, 7.02.06 19.55]
A reacção dos partidos políticos à operação é muito bem sintetizada pelo Portugal Diário: "CDU é contra, PSD não fala, CDS elogia Sonae e BE exige explicações". São tão previsíveis!

Ai senhor doutor se me tira o sal eu não consigo comer!

A associação sal, hipertensão e doenças cardiovasculares está bem definida e dificilmente encontraremos algum português que não a conheça. Apesar de tudo o consumo de sal continua bastante acima do recomendável agravando ou dificultando quaisquer medidas terapêuticas e preventivas. Aliás, é muito comum ouvir a reacção de desagrado quando se aconselha alguém a comer muito pouco sal. Muitos ficam apreensivos com tamanho “castigo” e invocam de imediato que comem muito pouco, não comem muito, qual quê! – Ai senhor doutor se me tira o sal eu não consigo comer. - Ai que eu morro! – O que vou fazer à minha vida? As expressões são das mais diversas traduzindo nalgumas pessoas, e não são poucas, uma apetência louca para o mesmo. Há alguns que acatam as regras e não mostram grande desconforto. Sempre me intrigou o porquê desta dualidade que qualquer médico confronta no seu dia a dia. Reacções muito diferentes. Não será, como alguns pretendem explicar, que nos primeiros tempos de vida nos habituamos ao sal e depois não conseguimos passar sem ele. Afinal, parece que tudo começa na barriga da própria mãe. Ou seja, as crianças que nascem com baixo peso têm maior apetência para o consumo do sal face aos que nascem com peso normal. Este fenómeno foi muito bem estudado por um investigador que tem seguido muitas crianças ao longo de vida testando-as desde os dois meses de idade. Não é que, de um modo geral, os de mais baixo peso à nascença sentem mais prazer em bebidas com teores de sal mais elevados? Parece que a apetência para o sal é programada nos primeiros tempos de vida intra-uterina. As razões para o baixo peso à nascença são múltiplas, mas além desta “causa” há uma outra que tem a ver com o período de vómitos e enjoos verificados nos primeiros tempos e que muitas mulheres sentem de forma particularmente violenta. As perdas de sal motivadas pelos vómitos desencadeia um conjunto de mecanismos de defesa por parte do organismo materno, destinados a minimizar quaisquer carências, mas que acaba por se repercutir no próprio filho ou filha. Claro está que esta alteração à programação poderá acompanhar o ser em formação para o resto da sua vida “obrigando-o” a ingerir mais sal do que o necessário. Sendo assim, e a verificar-se esta interessante hipótese, poderemos, um dia, concluir que afinal os tais indivíduos que têm tanta dificuldade em deixarem de comer sal (e têm mesmo!) não são “culpados”. Foi a mãe que andou a vomitar por tudo quanto era sítio, que, quando nasceu, era pequenino. – O que é que o senhor doutor quer? Eu não tenho culpa!
Agora já sabe, se vomitou ou vomita muito durante a gravidez ou se o catraio quando nasceu era pequenito então a probabilidade de vir a ser um consumidor de bacalhau salgado ou usar o saleiro às refeições é muito grande.

Liberdade ou falta de cultura e prepotência?

A reacção do mundo muçulmano às caricaturas de Maomé veio colocar novamente as questões dos limites do poder da comunicação social e da liberdade de imprensa.
Muitos são os que defendem a sua publicação, no respeito por essa ilimitada liberdade de imprensa.
Mas a liberdade de imprensa não pode ser um direito absoluto, como aliás muito bem ontem referiram vários e insuspeitos Chefes de Estado, entre os quais Jorge Sampaio.
Outros defendem a publicação com base no facto de que símbolos marcantes do cristianismo têm sido também caricaturados, sem haver reacção minimamente equiparável à muçulmana.
Mas este facto não pode servir de justificação para nada, pois não se justifica um acto abusivo pelo facto se ter praticado anteriormente outro acto abusivo.
De há muito me parece que a comunicação social abusa ilegitimamente do poder que tem e está habituada a retaliar quando é legitimamente confrontada com notícias que publica.
Todas as vezes que “achincalhou” símbolos da religião dominante na Europa e se fez ouvir alguma crítica por parte de quem se sentiu atingido, foram arremessados os mais violentos vitupérios e feitos os piores juízos ofensivos sobre quem reagiu.
Mas o grande problema da comunicação social, para além do vício de abuso de poder, é a falta de cultura dos seus agentes.
O Deus em que os muçulmanos acreditam nunca é retratado, o mesmo acontecendo, salvo condições muito especiais e excepcionais, com a figura de Maomé; aliás, para o comprovar, não existem nas mesquitas quaisquer imagens ou representações.
Como tal, deveria ter sido avaliado o choque que a publicação de imagens, para mais caricaturadas, dos símbolos religiosos islâmicos inevitavelmente causaria na sensibilidade muçulmana: era uma questão de elementar bom senso.
Ou, se não o foi, aí temos falta de cultura e prepotência que nenhuma liberdade de imprensa pode salvar.
A reacção é condenável, mas a causa também não pode ser branqueada.
Vão os jornais pagar os prejuízos?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Trespasse

Quem tiver sonhos, guarde-os bem fechados
— com naftalina — num baú inútil.
Por mim abdico desses vãos cuidados.
Deixai-me ser liricamente fútil!

Estou resolvido. Vou abrir falência.
(Bandeira rubra desfraldada ao vento:
"Hoje, leilão!") Liquida-se a existência
— por retirada para o esquecimento ...

Daniel Filipe, Cabo Verde

Os estatutos do PSD - I

Vou iniciar hoje um conjunto de reflexões e interrogações sobre esta questão da revisão dos Estatutos do PSD e do Congresso que aí vem.
Começo com algumas perguntas:
- O que é que hoje, em pleno século XXI, faz um Partido Político?
- Os seus Estatutos?
- O seu Programa?
- A prática política dos seus dirigentes?
- As políticas que desenvolveu enquanto foi Governo?
- O património político daqueles que o dirigiram?
- Um pouco de tudo isto?
- O que pode pesar mais?
- Como é que as circunstâncias influenciam o peso destes factores?
Sou militante do PSD desde 1974 e sei que ainda tenho muita coisa para ver.
Mas quando me recordo do XIX Congresso do PSD no Coliseu dos Recreios em Outubro de 1996, ocorre-me mais uma pergunta:
- Será que o próximo Congresso do PSD está para Marques Mendes como o XIX Congresso esteve para Marcelo Rebelo de Sousa?

Sobre o novo modelo de exames do 12.º ano

Disponível no Quarto da República o artigo sobre o novo modelo de exames que foi publicado no Público do passado sábado.

A Dança das Laranjas - 3

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O desafio que Pedro Duarte fez a Marques Mendes, convidando-o a desenterrar o machado da regionalização, só pode ser entendido como mais um passe ilusório nesta complicada dança das laranjas. Tudo serve para que não se discuta o fundamental - os estatutos - e que se transforme o PSD num renovado campo de batalha pelo poder interno.
O que eu gostaria de saber é o que pensam os meus companheiros de partido, que ultimamente se têm destacado por posições públicas muito comentadas, sobre:
1. Eleição directa e simultânea do líder, da comissão política nacional e dos delegados ao Congresso;
2. Eliminação das inerências ao Congresso que conferem dupla capacidade de voto;
3. Distribuição dos delegados ao Congresso em função dos votos efectivamente expressos na eleição directa e não em função de quotas pagas ou do número de militantes inscritos;
4. Limitação de mandatos dos presidentes das concelhias e distritais.
5. Participação de cidadãos independentes em órgãos distritais e nacionais (conselhos de opinião).
São apenas cinco ideias muito simples, mas que poderiam contribuir para construir uma outra imagem do PSD e conferir maior credibilidade e confiança às suas políticas.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Afinal, é tudo igual!...

O DN de hoje traz uma larga e deprimente entrevista com Manuel Castells, dito sociólogo e autor de obras, segundo o DN “fundamentais para compreender as mudanças sociais na era digital”.
Ora vejamos algumas dessas opiniões, não sei se fundamentais, se fundamentalistas…

A uma pergunta teleguiada sobre se encontramos nos EUA movimentos identitários defensivos, semelhantes ao fundamentalismo islâmico, M. Castells responde: “Absolutamente. Os cristãos fundamentalistas estão contra o mundo moderno e a globalização. Representam 25 a 30 por cento do eleitorado republicano. Nenhum Presidente republicano pode ser eleito contra estes grupos, que estão bem organizados. Isto está a enfraquecer o poder norte-americano, a transformá-lo numa sociedade cada vez mais religiosa a partir do topo”...
Para Castells, “as minorias islâmicas na Europa estão estigmatizadas e os jovens estão furiosos com a forma como são tratados. É aí que as redes terroristas podem crescer. Foi o que aconteceu nos atentados de Londres ou Madrid. Não foi a Al-Quaeda…Estas pessoas tornam-se Al Quaeda…”
Ainda para Castells, o terrorismo “é um conflito de identidades que não é contra os cristãos, mas contra uma força anónima, a globalização”.
Para Castells, não são apenas as organizações, mas também os homens são todos iguais.
“Gates é um génio comercial, mas só isso"- opina Castells.
Deixo estas citações apenas a título de exemplo, para que neste blog, seguindo o douto conselho do DN, se possam “compreender as mudanças sociais na era digital”!...

Morgenavisen Jyllands-Posten...

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... parece um nome esquisito.
É o nome de um jornal diário.
Dinamarquês.
Por causa dele, uns quantos senhores num dito mundo islâmico, andam muito excitados.
Tudo por causa de uns cartoons.
Vale a pena ler a carta que o jornal escreveu aos cidadãos do mundo árabe.
O que vimos nos últimos dias em certos países ditos islâmicos, facilmente nos faz retroceder aos tempos da "Santa Inquisição".

Nostalgias


Alguns papéis velhos. Muita nostalgia.

Hoje foi dia de arrumar papéis. Muito alimento para o contentor de reciclagem. E outras tantas recordações.
Entre os papéis poeirentos e de bordas amareladas, alguns trabalhos escolares, meus e da minha mulher, dos idos dos finais de setenta na Faculdade de Direito de Lisboa.
Era imensa a utopia, a ingenuidade, como era muito o romantismo de alguns trabalhos, elaborados quase sempre em grupo e sempre objecto de auto-avaliação como mandava o novo código da democracia académica.
Pensávamos, naqueles tempos do pós-revolução intensamente vividos (que privilégio teve a minha geração ao viver esses tempos!), que íamos mudar O mundo. Chegávamos mesmo a julgar que eramos capazes de mudar DE mundo...
"A análise marxista das crises", trabalho para a disciplina de economia política do 1º B, Unidade de Avaliação nº 2, produto de discussão de um não-crente e a Susana, então militante de um dos mais extremados partidos da esquerda.
Sorrio ao lê-lo quase trinta anos depois. Quanta utopia. Mas quanta generosa disponibilidade para tudo por em causa. Todos julgávamos convictamente ser esse o único método de aprendizagem.

Alguns papéis velhos e muita nostalgia, foi a receita de hoje.

Foi bom.

Hoje...

... um magnífico sol acordou muitas flores.

sábado, 4 de fevereiro de 2006

ORAÇÃO AO CADÁVER DESCONHECIDO

Enviaram-me o “Código de Ética do Estudante de Medicina”. Do código, destaco a


ORAÇÃO AO CADÁVER DESCONHECIDO



Aquele sobre cujo peito não se derramaram lágrimas de saudades,
sobre cujo ataúde não se jogaram flores,
de cujo nome não se soube,
sobre cujo feitos não se escreveu a historia,
mas cuja lembrança, em nós, haverá de ser eterna como a
saudade,
grande como altruísmo,
eloqüente como o seu gesto,
dando tudo à mesma humanidade
que tudo lhe negou em vida.



Autor desconhecido
( Transcrito do mural do Laboratório de Anatomia da UFRN)

Cortesia do Prof. Armando Bezerra

Cenas dos próximos capítulos

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A blasfémia não passa só pela caricatura, aplica-se a qualquer representação.
Os apelos ao respeito estão no limiar da censura.
Eu sei que os valores da liberdade, da tolerância, da heterodoxia
estão longe de serem aceites à escala global,
mas teremos de aceitar o silêncio e a censura pelo medo?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Dokonjo Daikon

Caramba! Nunca vi nada semelhante. Tudo isto por causa de um nabo?

Desculpem a pergunta...

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... mas esta história das "secretas" é para levar a sério?

Memória curta...

... ainda não passou um ano e este Goveno e o PS continuam a surpreender.
Ficámos agora a saber pelo Público que afinal já são favoráveis à existência de parcerias na gestão de algumas áreas protegidas.
Depois de em 2002 se terem oposto ao processo de descentralização que deu às câmaras municipais competências na nomeação das comissões directivas das áreas protegidas, através de parecer prévio vinculativo e de no ano passado terem revogado este diploma de 2002, agora vêm exortar as virtudes das parcerias com o poder local.
Será genuíno?
Ou será falta de dinheiro?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Quem guarda o guardião?

Antes de apresentar qualquer medida de redução de serviços ou de reorganização das estruturas e competências na administraçã Pública, o Governo já avançou com a criação dos controladores. Pelo que diz hoje o Diário Económico, aumentou a já gigantesca pirâmide de intervenientes na realização das despesas do Estado e, claro, aumentou também a despesa propriamente dita, pelo número de novos directores gerais e respectivos vencimentos e prémios. Pelo citado jornal ficamos a saber que cada controler implica o seguinte:
- carta de missão a aprovar pelo Ministro das Finanças e pelo Ministro da área
-prémios de gestão diferenciados, secretos e a regulamentar
-mandato de um ano, máximo três
-vão vigiar os prazos de pagamentos dos ministérios (os quais, como se sabe, dependem muitas vezes de despachos, autorizações, cabimentos, reforços, vistos prévios, etc)
- intervenção prévia (outra vez o "visto"??) nos gastos de certo montante e sempre (!!) nos que sejam plurianuais
- quando não concordarem com a despesa, lá vai o assunto para os Min. das Finanças e da tutela, com os respectivos fundamentos (pareceres, portanto)
- acompanhar (sozinho?) a elaboração dos planos estratégicos, a médio prazo e orçamento
- supervisionar (sozinho?) a programação financeira de tudo e, caso não concorde, propor ao ministro outra
-promover acções de melhoria de qualidade de informação com toda a gente e ainda as tutelas
- informar, mensalmente, a tutela e o MF sobre a execução orçamental do ministério, a sua evolução previsível, as áreas críticas, e propor soluções (supondo-se, portanto, que os ministros todos as vão ler e decidir mensalmente)
- ainda pode desempenhar outras funções que o ministro se lembre de lhe pedir
- relatório e plano de actividades anual, a aprovar pelos ministros da tutela e das Finanças
Admitindo que o pobre sobrevive a esta tarefa ciclópica, sozinho pelos Ministérios, a recolher informação que não lhe querem dar, a chocar com as competências dos serviços financeiros, da secretaria geral, da Direcção Geral do Orçamento, da Inspecção sectorial, da Inspecção Geral de Finanças, dos outros directores gerais, dos secretários de Estado e do Ministro e que ainda terá que ter responsabilidade financeira em tudo o que deixar fazer (lá terá que se entender com o Tribunal de Contas); admitindo que tudo isto possa ser feito no prazo de um ano num ministério que provavelmente não conhecia; admitindo que essas pessoas existam, à razão de uma por ministério, com rotações anuais; admitindo que o ministro das Finanças não fica afogado ainda em mais estes papéis; então merecem bem os prémios que vão receber, não há que regatear.
Mas, estando fora da estrutura e reportando a vários ministros, quem guarda o guardião?

Parque sem guarda

Da sinalética das áreas protegidas deverá passar a fazer parte um novo sinal : "Parque sem guarda".
A situação da conservação da natureza chegou a tal ponto que o Parque Natural do Tejo Internacional deixou de ter um só vigilante para os seus 24 mil hectares de extensão!
Este parque natural representa um habitat para espécies raras da fauna, ameaçadas de desaparecimento. Rapinas, lontra e geneta são algumas delas. A garantia da sua protecção está, quer se queira quer se disfarce, comprometida.

Não posso deixar de pensar o que seria se governos pretéritos deixassem que isto acontecesse. Nessa altura caíria o Carmo e a Trindade, abalados pelos ecologistas do regime e pela oposição militante do ambiente. Agora? Uma, aliás imprecisa, referência aqui e ali nos media. A habitual indiferença dos partidos no parlamento, com excepção de algumas vozes gastas pela demagogia. E um significativo silêncio de alguns movimentos, que diz bem da sua afirmada neutralidade.

Mas nem tudo é negativo neste domínio. De saúdar o diploma que institucionaliza na orgância da GNR o SEPNA - Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente, que tão bons serviços tem prestado nestes domínios ao País.


Senhoras?

No JN de hoje duas notícias chamaram-me particularmente a atenção.
A primeira diz respeito ao preenchimento dos certificados de óbito. Há algum tempo foram publicitadas ligações perigosas entre médicos e funerárias, em que os primeiros deixavam assinados certificados de óbito bastando para o efeito o seu preenchimento pelo cangalheiro de serviço. Além de ser um crime revela uma falta gravíssima em termos éticos e deontológicos. Agora, uma senhora doutora assinava certificados com a causa de morte pré definida, acidente vascular cerebral, a principal causa de morte no nosso país. A senhora doutora, pelos vistos indignada, explicou que às vezes começa a preencher o certificado pelo fim, apondo a sua assinatura em primeiro lugar! Que coisa estranha. É a primeira vez que ouço alguém dizer que primeiro assina e depois é que preenche o resto. Chama-se ir andar às avessas. E a propósito de andar às avessas o melhor é não abordar ninguém por trás. Pode receber alguma resposta menos apropriada. Desta feita, na secção do leitor, um cidadão conta que numa visita ao hospital do Porto abordou uma senhora que ia à sua frente vestida de branco. Precisando de uma informação, interpelou-a de forma correcta, ou seja, dirigiu-se nos seguintes termos: - “Minha senhora, por favor…” A putativa senhora voltou-se, fulminando-o com o olhar e disparou: -“Minha senhora, não! Senhora doutora! Aqui, o nosso perplexo cidadão não esteve com meias medidas e retorquiu: - “ A sério? Pois, olhe, a única coisa que vejo é uma mulher vestida com dois metros de pano branco, que de senhora não tem nada”.
No fundo o que é preciso é ser-se senhor ou senhora, quer no tracto, quer na atitude profissional. Infelizmente as Faculdades não conseguem transformar labregos ou corruptos em verdadeiros senhores e senhoras.

Por portas travessas

Todos os noticiários abrem hoje com a mesma notícia: há duas senhoras que se declaram apaixonadas uma pela outra, que vivem juntas, que querem “legalizar” a situação através do casamento e que a Conservatória lhes disse que não. Obtido o indeferimento, vão recorrer aos tribunais até chegarem ao Tribunal Constitucional. Até lá, cada despacho de negação terá honras de telejornal, entrevistas, petições, declarações de ministros e iniciativas legislativas do Bloco de Esquerda, tudo em título de acontecimento nacional.
Não tenho nada contra os homossexuais e muito menos do ponto de vista moral. Não é da minha conta se as pessoas têm práticas sexuais com a, b, ou c, desde que não queiram impor os seus critérios e não sejam escandalosos nas suas atitudes. Fora isso, é lá com eles, a vida íntima é isso mesmo: íntima.
Mas há duas coisas que já me dizem respeito como cidadã.
A primeira, é que o casamento possa ser equacionado como um conjunto de regalias sociais e fiscais a atribuir a quem decide escolher um parceiro sexual. É que, se o conceito de casamento deixa de ser exclusivamente a união entre um homem e uma mulher que querem constituir família, para passar a ser apenas o reconhecimento oficial de que há duas pessoas que querem praticar sexo entre si, o Estado passa a registar a constância da actividade sexual de cada um em vez de tomar nota de um casamento. Como essa informação tem realmente muito pouco interesse público, das duas, uma: ou se vai abolir, na prática, o casamento, por desvirtuamento total do conceito, ou se alarga o conceito a todos os grupos de pessoas que vivam em economia comum, pratiquem ou não actividade sexual entre elas.
De facto, se dois homossexuais casam, porque não admitir o casamento entre duas (ou mesmo mais) pessoas que vivam juntos mas são só amigos? Ou com laços familiares mas que coabitam sob o mesmo tecto? A declaração de IRS conjunta, as visitas ao hospital, a pensão de sobrevivência e tudo o que vem associado ao casamento pode ser também invocado nestes casos. Se elas dormem ou não na mesma cama é indiferente para a sociedade…Bastaria então irem à Conservatória e registar que vivem sob o mesmo tecto, que se amparam nas dificuldades, e querem fazê-lo para sempre.
Não é da minha conta a orientação sexual de cada um. Mas já é relevante que duas pessoas tenham um determinado estatuto porque praticam sexo enquanto outras duas, vivendo exactamente nas mesmas circunstâncias, fiquem impedidas de o ter por não declararem esse particular do seu entendimento. O conceito de união passa a substituir o de casamento e assim já sabemos todos do que falamos.
A segunda questão é de natureza diferente mas também merece um comentário. É o recurso aos tribunais para fazer singrar uma questão política, disfarçada, por oportunismo, em questão legal. É óbvio que não há nenhum problema legal, ou seja, não há qualquer dúvida sobre a correcta aplicação do direito constituído e é este que cabe aos tribunais aplicar. Logo, o recurso aos tribunais é abusivo, distorce por completo o papel desta instância e devia ser fortemente criticado.
E, o que é mais lamentável, o poder político não tem reagido com firmeza ou coragem: se acha que a questão deve ser agendada, que a agende, se não acha, que o assuma. Não pode é deixar passar a mensagem de que aguarda respeitosamente que a batata quente passe pelo crivo judicial para então ir a reboque. Se o tema é incontornável, porquê ir por portas travessas?

Competência


«Júlio Pereira desmente existência de nova "secreta"»

Para quem não saiba o sr. Dr. Júlio Pereira é o Secretário-Geral do SIRP. Cabe-lhe naturalmente manter secretas as "secretas".
O desmentido é, assim, um prova de irrepreensível profissionalismo.
Não percebo, pois, porque se levantou este coro de protestos contra quem assim se revela competente...

Acabou-se a festa

Com os cortes no investimento público e o progressivo endividamento das câmaras o mercado de obras públicas volta ao "vermelho" com uma quebra de 65% no valor das adjudicações. O fenómeno não é novo e mais não revela que a ressaca da festa autárquica em ano de eleições.
Quando é que os nossos autarcas se convencem que as eleições ganham-se pelo trabalho desenvolvido nos três anos anteriores ao ano de eleições?
Quantos municípios se encontram actualmente tecnicamente falidos?
Quantas empresas enfrentam dificuldades e o risco de encerramento por falta de cumprimento dos prazos de pagamento?
E não há qualquer mecanismo de responsabilização quanto estamos perante casos de gestão danosa?

Casamentos entre homosexuais

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Em cerca de 30 anos o número de casamentos celebrados em Portugal foi reduzido a metade.
Se os heterosexuais portugueses recorrem cada vez menos ao casamento e cada vez mais à união de facto, o que é que levará os homosexuais a reivindicarem precisamente o contrário?
Espírito de contradição? Ou oportunismo mediático?

Os exames do 12.º ano e o regresso do facilitismo

Terá passado ao lado da maioria dos interessados algumas das alterações ao regime de exames dos cursos de nível secundário. A polémica centrou-se muito sobre a eliminação dos exames a Português e Filosofia o que deu para distrair de outras alterações aparentemente menos polémicas.
Uma delas cria uma situação muito simples de descrever: enquanto um aluno dos cursos científico-humanísticos (antigos cursos gerais) terá de efectuar quatro exames para concluir o ensino secundário e assim poder candidatar-se ao ensino superior, a um qualquer aluno dos restantes cursos (tecnológicos, profissionais, artísticos especializados, ensino recorrente) bastará realizar um (no máximo dois) exames para concorrer a um mesmo curso superior.
Já estou a imaginar as transferências aos magotes para cursos do ensino recorrente e outros de forma a elevar as classificações de acesso e a reduzir o número de provas a realizar.
O Ministério da Educação parece não ter aprendido nada com o passado escândalo do ensino recorrente. Dá mesmo para pensar que é de propósito e o que se deseja é descredibilizar as avaliações com base em exames.

O choque tecnológico

Acho que o choque tecnológico foi um slogan bem encontrado para a mudança de que Portugal necessita.
Mas a palavra foi rapidamente banalizada e já serve para tudo.
Servindo para tudo, acaba por servir para nada e, sobretudo, distrai do objectivo essencial.
O objectivo essencial do choque tecnológico é o desenvolvimento, através da inovação, ou da transformação do conhecimento em produtos, serviços e processos, novos ou aperfeiçoados, susceptíveis de serem comercializados, isto é criadores de valor.
Temos uma forte investigação pública, nos Laboratórios do Estado, nos Institutos de Investigação, nas Universidades e Politécnicos.
O problema é que essa investigação, que custa largas centenas de milhões de euros por ano aos contribuintes, não tem mostrado qualquer capacidade para transformar o conhecimento nesses produtos susceptíveis de serem comercializados.
Portanto, é investigação que, em geral, não serve para nada, a não ser para afagar o ego e sustentar os investigadores que, à falta de organização, funcionam em circuito fechado, com objectivos que eles próprios determinam, em razão das suas preferências pessoais.
Por isso, raramente chega ao mercado um produto novo criado em Portugal.
Para além desta constação prática, também o indicador relativo ao registo de patentes é elucidativo, com um registo anual, por milhão de habitantes, que não chega sequer às 10, para 350 da Suécia ou 90 da Irlanda e uma média da União Europeia de 150.
Por isso, e na minha opinião, o verdadeiro choque tecnológico seria acabar com o investigador funcionário público e colocar os Centros de Investigação públicos e os Investigadores ao serviço da economia, através de exigentes protocolos com as empresas, com objectivos bem definidos, hierarquia consolidada e financiamento assegurado pelo mercado.
Sei que é difícil, face às forças instaladas.
Mas tem que ser feito e muitos países o fizeram, com bons resultados.
Se o choque tecnológico tivesse este único objectivo e todas as forças para ele se dirigissem, não duvido que se conseguiria.
O problema é que o Plano Tecnológico é imenso, com muitos "objectivozinhos" que distraem do essencial.