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sábado, 30 de junho de 2012

O Tribunal Constitucional



Nunca defendi nem a concentração no Supremo Tribunal de Justiça dos poderes de fiscalização abstrata da Constituição, nem um sistema assente na pulverização pelas diferentes ordens de tribunais do poder de controlar casuisticamente o cumprimento da lei fundamental. Sempre fui a favor da solução de atribuir a uma instância superior especializada a tarefa de garantir a inviolabilidade da Constituição. 
Com a mesma convicção de que se trata da melhor das soluções conhecidas e estudadas, também sempre discordei dos métodos de eleição e designação dos juízes constitucionais. Defendo, há muito, a intervenção do Presidente da República na sua escolha.
Compreendo, porém, aqueles (são cada vez mais) que hoje defendem a extinção do Tribunal Constitucional (TC). Sobretudo os que o fazem não porque consideram que os modelos alternativos são mais eficazes, mas porque constatam que o TC não escapa ao manto de desprestígio institucional e desconfiança pública que caiu sobre os principais órgãos do Estado. E se existem os que podem viver com esse anátema, um tribunal constitucional, pelas funções que desempenha, não pode sofrer desse mal, em especial se ele for real e não uma mera perceção social alimentada pelos media, como não raro acontece. É que o desprestígio não ocorre porque o Palácio Raton tem sido assaltado por escândalos. Ou porque é acusado de julgar pouco, de contribuir para o acumular de pendências ou para a demora na justiça. Nada disto. A degradação progressiva da imagem do TC tem que ver com a suspeita de que pelo menos os juízes eleitos no Parlamento são comissários políticos, criteriosamente escolhidos pela situação e pela oposição de modo a refletirem (no que deveria ser um órgão independente do poder político) os equilíbrios partidários conjunturais. 
Ora, se esta ideia pode ser uma tremenda injustiça para alguns das/os conselheiras/os, convenhamos que não o é para todas/os. Tal como não é possível tapar o sol com a peneira, também não pode seriamente negar-se que os partidos projetam nas escolhas que têm feito para o TC um indisfarçável calculismo, secundarizando o que deveria, afinal, contar. A consequência é óbvia: quem não quer ser servil ou entende que o papel de comissário assenta mal a um juiz, ainda para mais a um juiz constitucional, sentirá natural rebuço em desempenhá-lo. Acontece que esses que recusam são, precisamente, aqueles que abonariam o prestígio que o Tribunal vem sucessivamente perdendo. Recusar reconhecê-lo perante o último episódio da recomposição do TC que culminou com uma eleição por margem mínima após a audição dos indigitados pelos deputados, é negar o que é por demais evidente.
O próximo capítulo vai ser a escolha da/do presidente do Tribunal. Nesse momento se verá qual o critério que prevalecerá: se o reconhecimento da competência e da autoridade técnica e científica das/dos conselheiras/os que integram aquele Coletivo; ou as mesmas razões que colocaram naquele órgão alguns das/dos senhoras/es juizes constitucionais. 
Apetece-me apostar no resultado. Mas como escrevo sobre coisa muito séria, resisto e espero para ver...

Os Abraracourcix da Europa

Nas histórias do Astérix, a única coisa que os gauleses temiam era que o céu lhes caisse em cima da cabeça, mas o chefe Abraracourcix garantia “amanhã não será a véspera desse dia”.
A mim o que me causa mais insegurança é abrir um jornal espanhol e ver desenrolar-se o mesmo processo que se viu acontecer em Portugal. Quando o então 1º Ministro português teimava que não era preciso pedir ajuda e os juros subiam, e cada emissão de dívida era uma angústia parecida com as meias finais do futebol, nessa altura os meus amigos gregos disseram, muito simplesmente, os vossos ratings vão cair, cair, até ficarem lixo, os juros vão subir, subir, até terem que recorrer ao bail out, depois serão apontados a dedo e terão um plano de austeridade como nunca pensaram ser possível vir a ter. Viu-se o filme com adaptações em três ou quatro países (a Islândia, lembram-se, foi à bancarrota) e nessa altura sentimo-nos uma espécie de párias da Europa tão rica e tão trabalhadora, todos tão atilados e nós e os gregos tão trapalhões e tão preguiçosos. A mim o que me causa uma enorme insegurança é ver o mesmo filme, agora em câmara menos lenta, a passar em Espanha, e a começar a exibir-se em Itália, e parece que a “Europa” não tinha dado por nada, na altuira ainda se usava a palavra ignominiosa "contágio", como se fosse uma doença transmitida por alguns, os espanhóis estavam tão quietos e calados, afinal não sabiam como tinham as contas, a dívida das autonomias, as obras públicas absurdas, o estado dos bancos (mas não tinha havido uns infalíveis testes de stress?). O que eu não percebo é como é que isto é tudo tão surpreendente, como é que se falava em fire walls, em planos de austeridade absolutamente irrevogáveis e infalíveis, a França aliada à Alemanha na zanga e no castigo e agora afinal não era bem assim? Mas então eram todos tão definitivos nos diagnósticos sobre os países do bail out, e sobre os remédios também, e não conseguiam ver o que se passava – ou melhor, o que já se tinha passado! – em Espanha e se antevê com clareza em Itália? Também correm agora na net as listas de aeroportos espanhóis fantásticos em que não há aviões nem nunca houve, que custaram os agora escandalosos milhões, também surgem os escândalos nos bancos, como imensos, imensos zeros a dizer a dimensão dos prejuízos e Mariano Rajoy faz apelos dramáticos “Há instituições que nem sequer se podem financiar” e que”estas cimeiras não servem para nada se os países como a Espanha não se podem financiar”. A mim o que mais me espanta é que ainda tudo se passe como se fosse a maior surpresa do mundo e o céu só agora lhes tivesse desabado em cima da cabeça. Mas o facto é que a véspera desse dia já tinha passado há muito….


sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Ministro da Economia viveu muitos anos afastado de Portugal

O noticiário tem hoje o contributo da suprema ingenuidade do senhor ministro da economia. Rezam as crónicas, confirmadas pelas imagens exibidas pelas TV, que o Doutor Alvaro Santos Pereira foi insultado por "manifestantes" em algazarra, a quem se dirigiu com o intuito de - image-se! - dialogar! Espanta como é que o senhor ministro não sabe que não há diálogo possível com arruaceiros e que a atitude com que foi confrontado logo que saiu do local onde se encontrava, fazia ver ao mais cego dos cegos que aquela gente não estava ali para dialogar ou manifestar mas para o vilipendiar. Espanta mais que, não saltando aos olhos do ministro esta evidência, não exista no seu staff uma alminha mais sensível que demonstrasse sabê-lo.
E já que estamos a falar de ingenuidades, pergunta a minha: onde parava, àquela hora, a polícia?

Comércio externo em 2012: algumas surpresas, sobretudo da Grécia!

1. São conhecidos os dados do comércio externo de bens e de serviços para os primeiros 4 meses do ano e a evolução registada, por comparação ao mesmo período de 2011, revela-nos algumas novidades curiosas.
2. Em primeiro lugar, no que se refere ao comércio de bens, registou-se uma diminuição do défice de quase 40%, passando de € 5.920 milhões para € 3.583 milhões, graças a um aumento das exportações de +9,7% e uma diminuição das importações de -5,2%.
3. Constata-se um forte crescimento das exportações de bens para (i) Angola (+29,3%), que passou de 5º para 4º cliente, ultrapassando o Reino Unido, (ii) os EUA (+43,9%), passando de 8º para 6º cliente, ultrapassando a Itália e a Holanda, (iii) a China (+200,7%), que passou de 18º para 10º cliente, ultrapassando o Brasil, entre muitos outros, e...surpresa das surpresas, (iv) a Grécia (+171,3%), que passou de 34º para 20º cliente!
4. Em sentido inverso, confirma-se a quebra das vendas para Espanha (-4,5%), apesar de continuar a ocupar o 1º lugar como cliente (mas em perda relativa, de 26,1% em 2011 para 22,7% em 2012) e para a Itália (-0,5%), resultantes do abrandamento registado nessas economias, mas que faz um estranho contraste com a evolução notável dos negócios com a Grécia, que aparentemente passam ao lado da tão propalada crise da economia grega...
5. No comércio de serviços, em que foi possível obter nestes 4 primeiros meses um saldo global positivo de mais de € 2 mil milhões, um aumento de 15,9% em relação ao saldo verificado no mesmo período de 2011, Angola está em 1º lugar, pois apuramos com este país um superavit de mais de € 402 milhões, em 2º lugar vem o Reino Unido, com quem apuramos um superavit de € 381 milhões, em 3º lugar a França, superavit de € 338 milhões, em 4º lugar a Alemanha, superavit de € 205 milhões e em 5º lugar o Brasil, superavit de quase € 150 milhões.
6. Mas parece-me que de toda esta panóplia estatística, o dado mais surpreendente é o fortíssimo aumento das exportações de bens para a Grécia, do qual quase se pode dizer que “desafia a gravidade” - ninguém esperaria que com notícias tão negativas vindas daquele País as empresas portuguesas tivessem o engenho de aumentar tão significativamente (+171,3%) as vendas para aquele mercado...
7. E ainda dizem para aí os comentadores de sofá que as empresas portuguesas não têm suficiente competitividade e precisam de adoptar políticas comerciais mais agressivas...Tretas!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ainda as greves: não são só oportunismo de quem as desencadeia, é estupidez de quem as fomenta

"Este surto de greves parece ser oportunista. Seja a longa paralisação na CP, a greve dos controladores de navegação aérea que não querem sofrer os cortes de outras empresas públicas ou a greve dos pilotos da TAP, que se engalfinham em política interna. À entrada da época alta de receitas, e numa altura em que o Governo apressa privatizações e concessões, parece haver um propósito de reivindicar enquanto é tempo. Enquanto o patrão é o Estado. E, paradoxalmente, os sindicatos que estão contra a privatização acabam por torná-la mais barata para os privados. Pelo caminho, destrói-se a porta de saída de exportadoras e de entrada de turistas. Mas isso não é preocupação de grevistas. Isso sim, é evidente" - Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Simples, para Deputado entender. Mas nem assim!...

O Debate Quinzenal de hoje no Parlamento era dedicado ao Conselho Europeu. Assim decidiu a Comissão de Líderes. Pelo que fui ouvindo enquanto me deslocava no carro, nem sobre este aspecto houve consenso durante o debate. António José Seguro dizia que sim, mas não só; Passos Coelho dizia que sim, mas só; Jerónimo, que sim, mas também. Tendo Passos Coelho recorrido para a Presidente da Mesa, foram lidas as conclusões: que o Debate era destinado ao Conselho Europeu. Mas, acrescentou a Presidente, aos Deputados não pode ser vedado falar do que entenderem.
Fechei o rádio e mudei de canal.
Por mim, mandava-os para a Escola Primária, mas com professores do antigamente, que os ensinassem a compreender português básico. Tão básico, que nunca vi tão grande consenso nos jornais on-line a esta hora, que unanimemente noticiam Debate Quinzenal dedicado ao Conselho Europeu. 
Simples, simples para Deputado entender! Mas nem assim. Seguramente que Deputado não consegue entender o que ele próprio escreve. Como podemos nós entendê-los a eles?

As greves na NAV e na TAP: escandalosos abusos de direito!

Os trabalhadores da NAV vão fazer nova greve. Pela terceira vez em 2012 que ainda vai a meio. De 29 de junho e 3 de julho, são dez horas de paralisação do controlo do tráfego aéreo com a imediata consequência da perda de proveitos e prejuizos para muita gente decorrente do atraso e anulação de centenas de voos, boa parte da operadora nacional, a TAP que o governo quer valorizar no quadro da privatização.
A NAV é parte do setor empresarial do Estado, e como tal, foi sujeita como as demais empresas públicas a medidas de contenção de custos de modo a evitar o agravamento dos níveis de endividamento ou o comprometimento do Tesouro em garantias.
Fui verificar que ponderosos motivos invocam os trabalhadores da NAV para a greve com os efeitos cumulativos, que são tremendos para a preclitante economia nacional. Fiquei espantado: não existe uma só reivindicação de caráter remuneratório, sobre as condições de trabalho. Os controladores param porque estão contra o corte de custos operacionais impostos à empresa! Corte de custos é o que o País por inteiro está a sofrer, pelo que esta greve é, antes de mais, uma afronta a quem suporta o sacrifício de perder parte do seu rendimento para que as finanças não asfixiem mais a economia.
Acaba esta greve na NAV e entretanto na TAP, entre 5 e 8 de julho, vão fazer greve, de novo, os pilotos. Segundo o pré-aviso de greve entregue pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, a paralisação visa:
a) exigir a demissão de dois quadros de chefia;
b) a reposição da equidade salarial, alegando que a TAP concedeu aumentos na ordem dos 40% em 2011 a pilotos com funções de chefia em terra;
c) obrigar o governo a que os pilotos sejam partes no processo de privatização.
Num caso e noutro estamos perante manifestos abusos do direito à greve, agravados pela circunstância de se tratar de classes profissionais bem remuneradas, que por isso podem dar-se ao luxo destas "lutas" gratuitas que pouco ou nada têm que ver com os seus interesses laborais, afinal o leit motiv de qualquer greve legítima. Abuso de direito fundamental, que deve merecer do Governo  uma resposta firme, no quadro da legalidade claro está, mas em defesa do interesse geral. Da sociedade espera-se a reprovação sem complexos, a reprovação que a mais decantada irresponsabilidade merece ter.

À descoberta da terra dos Ticos: San Jose, a capital

Voltámos ao ponto de partida das jornadas que aqui fomos sumariando e procurando ilustrar, nesta excusão à descoberta da terra dos Ticos, gente simpática, afável, por vezes calorosa. Regressámos ao Grano de Oro, um pequeno mas charmoso hotel, antiga moradia de abastados “cafetaleros”, motivados para aproveitar as últimas horas passadas na Costa Rica.
Houve tempo para um  descontraído passeio ao centro da capital, na hora em que esta despertava. Destino: o Teatro Nacional, local escolhido para visita mais demorada, antes da preparação para o embarque de regresso.
Pelo caminho fomos absorvendo as impressões de uma cidade que não destoa do ambiente das capitais da américa latina que conhecemos. Não se destaca pela arquitetura ou pela monumentalidade dos espaços mas por aquela mistura quente de cores e odores, por aquele caos multicultural que logo identificamos como herança da latinidade.



Valeu a pena a visita guiada ao Teatro Nacional da Costa Rica, testemunho do período de maior fulgor económico que o País viveu por causa da produção do café e da riqueza gerada com as exportações para a Europa. Da Europa, no final do século XIX, pretendia-se importar o brilho das manifestações culturais que permitisse à burguesia local aproximar-se das vivências do primeiro mundo.Em 26 de maio de 1890, após longa discussão entre as elites que durante anos reclamavam por um espaço cultural de dimensão nacional, o Congresso costariquenho aprovou o lançamento de um imposto sobre as exportações de café com o declarado objetivo de financiar o luxuoso projeto do teatro. O orçamento revelou-se, porém, curto nas suas previsões. Mas sobretudo por pressão dos produtores de café, o imposto veio a ser substituído por outro, desta feita onerando toda a população, ainda que só uma reduzida elite da burguesia viesse a usufruir daquele espaço. Em outubro de 1897 inaugurou-se o Teatro Nacional que não impressiona pela imponência ou pelo neoclassicismo quase vulgar naquela época, mas pelos belíssimos espaços interiores, pela primorosa decoração dos salões. Uma homenagem ao belo e às artes, ali magnificamente representadas em várias das suas expressões.




E com esta visita terminaram, pode dizer-se com inteira propriedade, em beleza, umas curtas férias num destino sonhado. Para além do deslumbre que a natureza a cada passo nos provoca, foi uma viagem em que muito, mas mesmo muito, se aprendeu. E, repetindo a introdução a estas crónicas, que nos relembrou que há de facto mais cores para além do cinzento…
(Continua? Quem sabe, um dia…)

Tambem assim se ilustra a nossa pobreza

Uma jovem portuguesa trabalha em Londres, numa multinacional americana, foi admitida há um ano, incluindo neste período os seis meses probatórios. A assinalar o 1º aniversário na empresa, recebeu uma carta da sede, nos EUA, em que faziam uma apreciação muito elogiosa do trabalho desenvolvido, evidenciando as características que lhe tinham observado neste tempo e terminava dizendo que a empresa e os seus directores estavam muito contentes por ela fazer parte da empresa.
Uma jovem portuguesa trabalhava numa boa empresa portuguesa, tinha sido a melhor aluna do curso, dotada de uma inteligência invulgar e cheia de brio pelo seu trabalho. Ao fim de três anos não se queixava do salário mas nunca tinha recebido qualquer avaliação do seu trabalho, havia constantes reestruturações internas que dividiam equipas e desistiam de objectivos, não tinha horas de sair e comentava que não sabia ao certo o que esperavam dela. Pediu para ir frequentar um MBA de grande qualidade, precisava apenas de uma tarde por semana, responderam-lhe que a empresa não precisava que ela se qualificasse mais e sentiu uma frieza crescente desde esse seu atrevimento. Despediu-se, pagou a formação com as suas poupanças, na viagem final da formação uma empresa já não sei de que nacionalidade contratou-a para o Brasil, onde está há quase um ano.
O Verão traz-nos de volta, por breves dias, estes nossos jovens que foram ver outras paragens, conhecer da forma mais dura a razão dos nossos insucessos, que tantas vezes não resultam da falta de dinheiro mas de uma absurda incapacidade para valorizar e estimular os que se dispõem a lutar e a dar o seu melhor..
Espero sinceramente que esta geração tão qualificada e tão capaz de comparar e tirar conclusões possa um dia voltar e trazer com eles o muito que aprenderam, para serem bons chefes, bons empresários e saibam como acolher e fazer crescer os que procuram e merecem ter oportunidades. Não por solidariedade, ou porque a lei manda, mas porque, muito simplesmente, é do interesse mútuo. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

O caso do gravador surripiado

Um deputadodo PS foi condenado em Tribunal no caso do furto do gravador aos jornalistas que o entrevistavam. Não percebo a decisão do Tribunal.
Sendo o Deputado membro efectivo da Comisssão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, naturalmente que se limitou a usar os seus poderes soberanos: definiu como seu o direito de desvio do equipamento para o próprio bolso e atribuiu-se a liberdade de o fazer. Com a garantia que o Estado de direito o protegeria, não fosse ele uma fonte soberana do mesmo.
Mas a decisão do Tribunal é ainda mais grave. É que o Deputado em causa é também membro da Comissão de Ética, Cidadania e Comunicação. Donde, a operação de desvio foi certamente efectuada no cumprimento integral de todos os ditames da ética republicana e dos princípios de cidadania, com vista à utilização do equipamento em adequada comunicação a bem da nação.
Como aliás é timbre de quem integra o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários e abundantemente conhece todos os normativos éticos e legais e com eles sempre se conforma.
Com sentenças destas, Portugal nem é Estado de Direito, nem é nada. Chamem mas é a polícia para prender os juízes!...

Excepção ou regra?

Porque será que este acordo foi notícia? Por ser a empresa que é, por ser uma boa prática de gestão, por ser um caso raro? Quantas empresas fizeram o mesmo?
Seja qual for a razão, uma coisa podemos apreciar, este tipo de acordo é possível e desejável, ninguém perde, os trabalhadores ficam satisfeitos e motivados e a empresa cumpre as metas de produção, é um encontro de vontades saudável. Responsabilidade e flexibilidade são conciliáveis. Assim se vai construindo e alimentando um bom clima social. O bem mais precioso das empresas são as pessoas.

Porque sim!


Confesso que quando vi concretizada a ambição do Dr. António José Seguro vir a liderar o PS, conjeturei duas coisas. Primeiro, que a escolha dos socialistas para a nova liderança era uma solução precária, destinada a garantir a transição entre o socratismo e algo que haverá de surgir da inevitável convulsão interna, quando o PS estiver em condições de disputar o poder. Segundo, que o Dr. António José Seguro seria de todos o primeiro a saber disso, e cedo cederia à tentação de se desvincular de compromissos que o partido assumiu em nome do País e mandaria às malvas a responsabilidade.
Reconheço que, até agora, a atitude do Dr. Seguro, pese embora o discurso político nem sempre conforme, revela que me enganei nas minhas previsões. O secretário-geral do PS tem-se mantido, no essencial, consciente de que o PS não pode ceder à tentação de competir no Parlamento e na rua com o PCP e com o BE na busca dos lucros fáceis da contestação às medidas dolorosas tomadas pelo Governo.
Mas pelo que leio na imprensa, não foi só este que assina quem se enganou na perspetiva. Parte importante do grupo parlamentar (e das estruturas do PS) também se enganaram e cansaram-se, inconformados, de esperar por outro comportamento do seu lider. Unem-se aos setores mais radiciais e subscrevem um documento que contesta o compromisso celebrado com a troika que, recorda-se, salvou Portugal da falência quando o PS tinha a responsabilidade de conduzir a governação.
Um desses deputados, justificando a sua adesão ao movimento, escreve na sua página do Facebook: PORQUE SIM!
Ora aí está. Contesta-se porque sim! Não porque Portugal tenha submergido do mar de dificuldades em que o afundaram. Não porque a Troika incumpriu a sua parte no acordo. Não porque o País passou a gerar riqueza para se poder dispensar de pedir dinheiro emprestado ao exterior. Mas...porque sim, com ponto de exclamação e tudo.
Que o exemplo do Syriza grego tenha provocado frémitos de entusiasmo, depressa arrefecido, ao Dr. Louçã, é normal. Que tenha contaminado alguns setores do PS é, no mínimo, caricato atentas as responsabilidades que o partido tem na situação e no próprio acordo com os novos credores. Oxalá não passe do caricato e não venha a ser preocupante. Do que o País menos necessita nesta fase é de irresponsabilidade.

Remessas de Emigrantes registam forte aumento: que lição para o País!

1. Tem sido notícia destacada o aumento significativo das remessas dos emigrantes portugueses nos primeiros 4 meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011: + 17,6%, traduzido num fluxo de € 822,4 milhões (€ 699 milhões em 2011). E é o valor mais elevado desde o mesmo período de 2002.
2. Trata-se de curiosa (surpreendente?) inversão de uma tendência de queda deste fluxo, que se registava há já vários anos, e cujas explicações podem ser várias: (i) o aumento do número de emigrantes nos últimos anos, (ii) a melhoria da imagem externa do País, na sequência do cumprimento do acordo com os credores internacionais, (iii) a pujança de algumas economias de destino da nova emigração (China e Angola, por exemplo) e (iv) as dificuldades das famílias em Portugal, necessitando de maior ajuda dos que “estão lá fora”.
3. Trata-se de um contributo objectivo para reduzir a dependência da economia portuguesa em relação ao financiamento externo, ajudando a corrigir o desequilíbrio das contas com o exterior.
4. Este fenómeno, aliado ao forte incremento das exportações de bens e de serviços no mesmo período, que conduziu à quase eliminação do crónico défice conjunto destas rubricas, leva-nos à conclusão, extremamente paradoxal, de que são as principais vítimas da péssima gestão da política económica que foi imposta ao País nos últimos anos - ou seja as empresas situadas nos sectores mais concorrenciais e os muitos milhares que foram forçados a emigrar por perda de emprego ou outros motivos ligados à crise - os que mais estão contribuindo para corrigir os desequilíbrios crónicos da economia.
5. É uma enorme lição que deveria impor-nos uma séria reflexão e que deveria tb servir de exemplo para a classe política de uma forma geral (há excepções, mas são escassas), caso esta fosse susceptível de correcção o que infelizmente não me parece ser o caso…
6. Com efeito, num momento em que se assiste a este extraordinário esforço de ajuda à economia do País por parte dos que têm sido mais sacrificados, a classe e o sistema político continuam a exibir, sem qq escrúpulo, os vícios que desde sempre lhe foram reconhecidos, parecendo nada ter aprendido com a crise…
7. Assim, (i) sucedem-se os casos de confusão entre a actividade política e nomeações
para cargos empresariais, um vício endémico do sistema, (ii) assiste-se à defesa intransigente de interesses instalados tanto na Administração Central como nas Administrações Regionais e Locais e nas incorrigíveis empresas públicas, (iii) uma burocracia abominável continua entrincheirada no seu reduto (vide o Post da Margarida Correia de Aguiar), disposta a continuar a impor custos exorbitantes aqueles que querem investir/produzir!
8. Perante este mais do que lamentável cenário, é caso para perguntar aos muitos (cada vez mais?) comentadores idiotas úteis/distraídos que pululam por essa comunicação social: vão continuar a dizer que a culpa do que nos aconteceu é das medidas de austeridade, da Snra Merkel ou dos mercados? Abram esses olhos para a realidade, deixem de ser manipulados, percebam de uma vez por todas a origem do vírus que tem corroído a economia portuguesa! Basta de disparates!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

À descoberta da terra dos Ticos - Tamarindo


Quatro horas e meia de cansativa viagem de Monteverde a Tamarindo, recompensadas pelo magnífico local que escolhemos para os últimos dias, estes de repouso, na costa do Pacífico.
Paraíso de surfistas, as praias de areias finas mas negras compõem um cenário belíssimo, enquadradas por uma floresta não tão densa e exuberante como a que tínhamos deixado para trás, mas igualmente profusa e repleta de vida. Até o mar, ao recuar, "desenha" esse cenário, omnipresente nestes dias...


Privilegiada a localização do hotel. No meio de um luxuriante e colorido jardim e a uns escassos metros do mar, a cada passo éramos surpreendidos ou por um animal atraído pelos cheiros das refeições, por um sem-número de aves que pousavam sem receios a centímetros dos hóspedes, e milhares de seres esvoaçantes dos quais se destacavam as borboletas particularmente ativas de cada vez que o sol irrompia por entre as nuvens que de quando em vez derramavam aquela chuva quente que a ninguém incomodava.










A despedida foi ao por do sol - justificadamente famoso - na praia de Langosta, antes de um jantar, singelo mas primorosamente confecionado. O quase  remate de uma viagem que jamais esqueceremos.

 

domingo, 24 de junho de 2012

Hollande amigo, mas de Peniche!...

Como era de esperar, François Hollande já esqueceu os eurobonds. Nem fala neles no Pacto para o Crescimento que vai levar à Cimeira de Bruxelas. 
António José Seguro está bem tramado com o seu amigo Hollande. Um verdadeiro amigo de Peniche. E lá se foi mais um sonho de verão. Seguramente!      

Jogar sem tola IV

O início do jogo do Europeu com a equipa checa não foi brilhante e a seleccção nacional experimentou dificuldades. Logo atribuídas por um repórter televisivo "à fraca qualidade do adversário"...
Sorte a nossa, que o próximo adversário é a Espanha. Com equipa de tal qualidade, serão só facilidades!...

Futebol sem tola: odiómetro e prova de vida III

Gregos orgulhosos e ainda com mais ódio a Merkel, titulava o DN de hoje na sua secção desportiva, a propósito da eliminação da selecção grega pela da Alemanha.
Orgulho com a derrota é coisa que não lembra a qualquer diabo, mesmo que porventura seja grego. 
Mas lembrou ao repórter do DN. Que aferiu ainda o grau do ódio grego a Merkel, mais ódio, segundo diz. Continuo a não perceber. A não ser que tenha sido o ódio a Merkel que, há uma semana, levou a maioria do povo grego a  votar na continuação da ajuda alemã...
Bom, creio é que o repórter aplicou mal o odiómetro: mediu em si o ódio e disse que era o dos gregos. Qualquer jornalista que se preze não perde oportunidade de criticar Merkel. O repórter aproveitou para fazer prova de vida.

sábado, 23 de junho de 2012

O outro jogo

Sabia desde o início que, se não conseguisses marcar o segundo golo, mais cedo ou mais tarde a Grécia voltaria ao jogo. Fizemos o que tínhamos de fazer e os golos foram uma consequência lógica», disse Joachim Low no final da partida, frisando que a Grécia «criou apenas uma ocasião de golo e marcou dois».

Está certo, assumo o meu favoritismo descarado pelos gregos no jogo de hoje e o facto de não perceber nada de futebol permitiu-me ver o “outro” jogo e o que ele revela de cada um daqueles dois grupos e da sua identidade como povos tão diferentes.
Era evidente, mesmo para quem não sabe as regras do jogo, a superioridade da equipa alemã, pareciam máquinas na organização, na precisão, no modo como se articulavam e, claro, na eficácia dos remates. Os gregos, por seu lado, nem atacaram nem se defenderam, faziam o que podiam para os torpedear, sem se cansar demasiado, claramente desanimados mas teimosos, orgulhosos, talvez, sem querer dar-se por derrotados mas sabendo que nunca seriam vencedores. Samara – nome providencial neste momento – empatou o jogo aproveitando o campo vazio de defensores, numa fase em que os alemães já nem se maçavam a defender o seu campo, tão convencidos que estavam da sua superioridade. O mais curioso é que me pareceu que o golo surpreendeu também os próprios gregos, como se espantassem com o seu feito. Mas Samara ali estava, a fazer os alemães correr e temê-los, sem os compreender. Seguiram-se os três golos alemães, numa desforra sem tréguas, zás, trás, voltem para o vosso lugar, entretanto notou-se uma certa insolência dos gregos, a inventar agressões, um deles cometeu uma falta e discutiu com o árbitro como se fosse uma vítima, como não levou a melhor atirou a cabeça para trás e desatou a rir-se, como se tudo fosse uma farsa, os gregos são assim, adoram discussões e zaragatas e depois ficam a rir-se da confusão, sobretudo se não puderem levar a melhor. Em qualquer caso é bom que não pensem que se deixaram intimidar.
Mas a melhor cena do jogo, para mim, foi o momento em que um jogador alemão se distraiu, ou estava de costas, não percebi bem, mas a mão tocou na bola e desviou-a. Azar, no melhor pano cai a nódoa, Salpingidis fez uma cara de predestinado e marcou o penalti, depois virou-se para a bancada dos adeptos gregos e, com um gesto do coração, dedicou-lhes o golo, aqui está este consolo, vocês mereciam. Foi um gesto maravilhoso, profundamente tocante, que tirou a alegria aos alemães e os deixou abananados, talvez por isso não tenham marcado mais golo nenhum embora pudessem tê-lo feito, não sei, mas que gostei deste final, gostei. Estragou a vitória e salvou a derrota, cada um é gigante à sua maneira.
E viva a nossa seleção!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Maldita burocracia...

O Negócios publicou uma entrevista com o empresário francês Roger Zannier (não encontrei a entrevista acessível on-line) que há duas décadas decidiu comprar uma quinta no Douro para produzir vinho. Mal sabia este investidor, ou talvez tivesse sido avisado e pensasse que não seria assim tão mau, o calvário de abusos, burocracias e incompetências que o esperava para investir dez milhões de euros. O que se passou de lá para cá é difícil de acreditar, tal é o absurdo em que a nossa administração pública se coloca para servir o país. O empresário conta que se apaixonou pela região do Douro e logo se pôs em campo para adquirir uma quinta com o objectivo de produzir “o melhor vinho do Douro”. A seguinte passagem da entrevista é elucidativa sobre a abusiva e complexa burocracia do Estado. É a soma de muitos factores, entre os quais, um modelo de funcionamento que não funciona com muitas estruturas e guichets e uma teia infindável de leis, decretos-leis, regulamentos e despachos para tudo e mais alguma coisa que não deixa de fora o mais simples acto administrativo. Uma soma que é simultaneamente causa e efeito de uma mentalidade deturpada do poder.

. Pela experiência que tem como classifica o ambiente para investimento em Portugal?
- Está difícil, como em todos os países da Europa neste momento.

. Pergunto-lhe em termos de condições objectivas, como o sistema judicial ou a burocracia.
- (…) Em termos de burocracia, eu pedi as autorizações para plantar a vinha e dois anos depois ainda não tinha tido qualquer resposta. Pedi então uma reunião com o responsável máximo da entidade que deveria analisar o pedido, que convocou a pessoa que me deveria ter respondido. E para minha grande surpresa, a razão que me deram para não ter resposta durante todo este tempo foi a de que não tinham tinteiro para colocar na impressora e imprimir a resposta. Eu disse: se for esse o problema, eu vou comprar o tinteiro. (…) Bom...acho que ele não foi comprar os tinteiros porque dois meses depois eu continuava sem qualquer tipo de resposta.

. Não pensou em desistir do investimento?
- Não, nunca pensei em desistir. Não sou pessoa de deixar as coisas por fazer. Enquanto esperava pela resposta, fui plantando a vinha…

. Além deste episódio houve outras barreiras à concretização do projecto?
- É difícil. Comprámos este local (a casa) há seis anos e demorou também dois anos a sair a licença para fazer as obras.

Quantos casos conhecemos, quantas histórias ouvimos, quantos problemas sentimos na nossa própria pele consumidos e perdidos nos corredores da burocracia? Quantos estudos e relatórios já foram feitos, nacionais e internacionais, que recorrentemente chamam a atenção para este grave entrave à confiança do investimento? Quando é que vamos tratar deste assunto a sério? Fama já temos, precisamos de nos livrar dela e acabar de vez com estas más práticas muito pouco amigas da economia e que nos envergonham, especialmente por não sermos capazes de mudar.

Primeiros sinais do Crescimentismo na actividade económica?

1. O BdeP informou hoje, com a divulgação dos Indicadores de Conjuntura para o mês de Maio, que a actividade económica continua a recuperar, gradualmente, passando o Indicador Coincidente Mensal (um “termómetro” geral da actividade) de um valor de -2,3% em Abril para -2,1% em Maio (-0,8% em Maio de 2011, mínimo de -3,1% em Dez/2011).
2. Por sua vez, o indicador do Consumo Privado tb recuperou, de -5-5% em Abril para -5,1% em Maio (-2,8% em Maio de 2011, mínimo de -6%, em Dez/2011 e Jan/2012).
3. A queda nas vendas de veículos automóveis ligeiros também foi em Maio (-27,5%) bastante inferior à de Abril (-41,7%), depois de ter atingido o ponto mais baixo em Dez/2011 (-60%), o mesmo se passando com as vendas de veículos comerciais, tanto ligeiros (-55,9% em Maio e -63,1% em Abril) como pesados (-31,6% em Maio e -68,8% em Abril).
4. Sendo certo que nos estamos a referir a variações percentuais, em comparação homóloga, ainda bastante negativas, a verdade é que a tendência de evolução passou a ser positiva nos últimos meses, podendo sugerir que os portugueses, continuando embora ainda bastante contraídos nas suas despesas, poderão estar a pensar que “o pior já passou” e a ajustar as suas expectativas em conformidade...
5. Também não é de excluir que os bancos, duma forma geral, depois do enorme aperto do crédito que se verificou em 2011 e no início deste ano, se mostrem agora um pouco mais afoitos, correspondendo ao apelo das múltiplas forças vivas no sentido de porem termo à política de garrote que tinham adoptado...
6. Mas não estará já presente em tudo isto alguma influência do Crescimentismo de influência gaulesa, que, desde há cerca de 2 meses, penetrou em força no espaço opinativo nacional, ainda que por enquanto num plano apenas retórico?
7. E se isto é assim com um Crescimentismo apenas retórico, como irá reagir a actividade económica quando o Crescimentismo se impuser finalmente na prática política? Alguém será capaz de adivinhar?


Produto tóxico: a falta de solidariedade com os gregos


A falta de solidariedade da Europa e, em particular, da Alemanha, em relação à Grécia continua a ser martelada na cabeça das pessoas pelo Bloco, por quase tudo o que é comentador, a começar por Soares, e por jornalistas e analistas bem pensantes, numa lavagem ao cérebro baseada em desconchavo grosseiro, demagogia e completa mentira.
Então e o perdão de 120 mil milhões de euros da dívida grega?
Então e os largos biliões de euros  injectados na Grécia, ao abrigo do apoio ao país, e que têm suportado os serviços públicos e os salários dos funcionários?
De onde vem este apoio? Do nada?
E, no que a Portugal particularmente respeita, para além da participação no bolo à Grécia, via Troyca grega, não suportaram muitos portugueses, centenas de milhares de pequenos, médios ou grandes accionistas de Bancos nacionais, o prejuízo de centenas de milhões de euros devido ao “hair-cut” da dívida grega?
Em favor de uma população com um ordenado mínimo e médio e com um nível de vida médio provavelmente ainda superior ao português.
Não é que se recuse o apoio à população grega. Mas por quê falar de falta de solidariedade? Para atacar a Alemanha, sem a qual a Grécia estaria bem pior? Ou o FMI, em que todos os países participam?
Enfim, mais um produto tóxico, servido como verdadeiro e saudável.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

À descoberta da terra dos Ticos - pelas reservas de Monteverde e Santa Elena



Densa, húmida e misteriosa a floresta nas reservas de Monteverde e Santa Elena

Reservas biogenéticas de Monteverde e de Santa Elena. No mapa pareciam logo ali, contornando o lago Arenal e atravessando a cordilheira de Tilarán. Ao fim de 3 horas de viagem demo-nos conta da proximidade da costa do Pacífico, muito mais afastada do destino que o local de partida! Perguntado, o motorista esclareceu que tinha havido um desabamento que impossibilitava o tráfego pela estrada que deveríamos ter percorrido e não houve outro remédio se não o de apanhar a autoestrada interamericana para, a partir de Puntarenas, subirmos aos territórios das reservas onde chegámos após mais hora e meia de um penoso percurso por estrada de terra e pedra solta, a não mais do que 20-25 km por hora.
Ficámos alojados num ponto dos 11.931 ha das terras brumosas situadas nas elevações da cordilheira de Tilarán, expostas aos ventos do Atlântico e do Pacífico que alí se cruzam e tornam aquele ecossistema único.
Monteverde é dos sítios mais famosos da Costa Rica pelos bosques húmidos e pela profusão de formas de vida que albergam, muitas endémicas e quase todas tão exóticas como o local.


O programa do dia seguinte previa uma caminhada pela Reserva de Bosque Lluvioso Santa Elena, incluindo o atravessamento de extensas pontes suspensas sobre a luxuriante floresta, onde nos sítios mais altos se divisavam pinheiros e cedros numa estranha mistura com espécies tropicais. E uma aventura de canopi, isto é, deslizamento por um cabo suspenso sobre o copado. Metemo-nos ao caminho, sozinhos, pelo bosque e renunciámos ao canopi. Seria emoção a mais, e tememos que a emoção se transformasse noutra coisa …


O bosque é denso e a experiência de o vislumbrar de cima das pontes suspensas é única. Repositório de cerca de 450 especies de aves, é o habitat dos resplandecentes quetzales, o pássaro que muitos julgam mitológico mas que existe por ali, bem real e presente, embora só o tenhamos visto voando e ao longe.

Ao fim de 3 horas de madrugadora caminhada e depois de um reconfortante café (estranhamente caro, um expresso tomado num país produtor de café!), tempo para visitar o gigantesco jardim de borboletas, o reptilário e o jardim dos colibris guiados por um jovem, Sequeira de seu nome, neto de marinheiro português do Porto que se apaixonou por uma espanhola e por ali se fixou, apanhar o transporte para o almoço no pueblo de Santa Helena e prepararmo-nos para o resto do programa que incluía uma visita a um jardim de orquídeas.

Foi mesmo uma grande festa!...

Parque Escolar pagou numa única escola três milhões em obras que nunca foram feitas, diz hoje o DN, com base em Relatório do Tribunal de Contas. 
Nada para admiração.  É que o Programa da Parque Escolar foi mesmo uma festa!...
E as boas práticas de gestão também merecem festa! 

A Grécia acima de tudo

Samaras já tomou posse, mas há gregos que só vão votar no domingo.
Ora aí está um bom exemplo grego.
 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Segurança privada em Portugal, lâmpadas fundidas na Rússia, sempre o mercado...

1. Fala-se muito dos mercados entre nós, mas muito boa gente, nomeadamente alguns dos que mais falam, têm uma noção vaga e populista do significado dessa palavra. Os exemplos seguintes talvez ajudem a compreende-la um pouco melhor.
2. Segundo notícias ontem divulgadas, o nº de seguranças privados em Portugal será já de 58.000, bastante mais que a totalidade dos efectivos da GNR, PSP, PJ, Polícia Marítima, SEF e ASAE, juntos, que será de 51.000.
3. Estamos perante uma típica resposta do mercado a uma situação que todos pressentem mas que a nível oficial é ainda tratada com o pudor típico do politicamente correcto: o Estado está cada vez menos capaz de exercer a função de segurança pública, nomeadamente para prevenir e combater o crime organizado. Como tal, o mercado encontrou uma necessidade dos cidadãos para satisfazer...e aí está.
4. Recordo-me de uma história que há uma boa vintena de anos me foi contada por André Jordan e passada com um seu amigo brasileiro, habitual visitante da Rússia, país que então passava por um processo de enorme convulsão política e social que sucedeu à queda da antiga URSS.
5. Uma das manifestações dessa fase turbulenta parece ter sido uma praga de vendedores ambulantes que enchiam as ruas de Moscovo vendendo toda a espécie de “tralha”. Um belo dia, o amigo de A. Jordan encontrou um destes vendedores negociando um tipo de objectos que o deixou perplexo: lâmpadas eléctricas usadas/fundidas.
6. Não resistindo à curiosidade de saber quem estaria interessado em tão inúteis objectos – quem poderá atribuir valor a um objecto tão evidentemente inútil, perguntou a si próprio – dirigiu-se ao tal vendedor e interrogou-o: quem é que compra essas lâmpadas inúteis?
7. A resposta foi muito simples e desconcertante: estas lâmpadas são muito úteis para os funcionários públicos, que as compram por 1/10 do preço de uma nova, quando chegam ao serviço trocam-nas por lâmpadas novas, levando as novas para casa...
8. Nada mais simples nem mais eloquente quanto ao funcionamento do mercado: onde quer que exista uma necessidade económica por satisfazer (uma utilidade) ele aí está a infiltrar-se para a satisfazer...tal como a água das chuvas que se infiltra nos prédios sem muitas vezes ser percebida só se dando conta quando as humidades se manifestam...
9. Em Portugal (e não só) muitos dos críticos dos mercados deveriam atentar nestes simples exemplos para perceberem melhor do que falam...

terça-feira, 19 de junho de 2012

Terríveis esquecimentos...

Lá estava ela outra vez. Final de tarde, num dia de sol e temperatura amena. De olhar fixo e parado, olhos grandes de muita doçura, agasalhada com um vestido comprido de malha, demasiado quente para a época, composto com um lenço bem bonito, amparada com uma mão numa bengala, mal segurando com a outra num saco de tela, não se vislumbrando o que nele poderia estar guardado. De pé, parada, à esquina de um cruzamento com semáforos e respectivas passadeiras, numa avenida de Lisboa muito movimentada naquela hora, com automóveis e pessoas circulando de um lado para o outro, de forma ordenada comandada pelas luzes ora verdes, ora vermelhas. 
Lá estava, arrastando uma corcunda impressionante que, mais cedo do que tarde, não lhe permitirá olhar à sua volta, tão só olhar para o chão, impedindo-a de fazer o pouco que a sua infeliz condição ainda lhe permite, e transportando o peso de 90 anos carregados de abandono e solidão. Ali estava “cruzada” por uma cidade a borbulhar de poluição, protegida e ao mesmo tempo vítima do seu reduzido mundo. Um pequeno mundo esgotado na fragilidade da sua existência, à procura de sentir gente, de ouvir as vozes de quem passa por perto, os cumprimentos de boa tarde de vez em quando, uma ou outra buzinadela de um condutor mais ou menos mal disposto, com ou sem razão, enfim, ali estava a fugir da agonia das quatro paredes cinzentas dos dias que correm uns iguais aos outros, à procura do sair do nada, de se sentir viva. E pelo caminho, a caridade de alguns que se abeirando dela pensavam que a procura de esmola era a razão de ali estar.
Olhei-a de frente por uns instantes, depois algum tempo pelo retrovisor até me desaparecer do horizonte, mas não do pensamento. Dei meia volta, procurei um lugar de estacionamento e fui ao seu encontro. Depois de uma conversa longa, se é que se pode apelidar de conversa uma troca de frases e palavras incompletas e interrompidas pela confusão de pensamento, falta de memória, desatenção e até medo, vi-me vencida por momentos na intenção de a ajudar. Uma ajuda que ela não poderia compreender naquele momento, não entenderia em meia dúzia de minutos uma esperança de mudar de vida, como seria possível, se até desejaria. 
Confirmei que o sofrimento, grande e insistente, dá muitas vezes lugar à falta de discernimento e lucidez, características sem as quais não somos donos de algum do nosso destino, talvez que seja a forma de quem sofre se defender da dor, da confrontação com uma realidade indesejada, nunca prevista, castigadora, cruel. Que sociedade é esta que permite estes sofrimentos, que não actua atempadamente para os minorar ou evitar, que não tem respostas para lhes acudir? Porquê? Que ideia temos como colectivo, como país, para corrigir estes terríveis esquecimentos? São ideias como esta que fazem falta, não pensamos nas coisas realmente importantes em torno das quais as outras que achamos serem as principais encontrariam naturalmente uma solução…

A vingança dos deuses

Embevecido e em atitude de respeitosa e emocionada veneração, o povo vem-se prostrando perante os seus ídolos, glorificando os seus feitos, agradecendo-lhes as vitórias sobre o inimigo em terras da Polónia e da Ucrânia, sacrificando tempo e dinheiro e família e amigos para continuamente os adorar.  
Absorto, o povo vem ouvindo religiosamente as suas palavras, vem-se emocionando com os seus gestos, ergue as mãos em seu louvor, absorve com fervor cada palavra saída da sua boca. Sente como próprias as suas angústias e mágoas e, dia e noite, vai-os enchendo de preces e louvores.
Mas terá havido algum povo infiel que não demonstrou a devida e justa veneração que os ídolos merecem e devem ter. Como sempre, os ídolos resolveram castigar o pecado, punindo todo o seu povo, fiéis e infiéis, justos e pecadores. Recusaram-se a falar, sequer a acenar, até aos fiéis mais fieis, e mesmo que reunidos em oração.
Logo estes levantaram mais altas as preces e os pedidos de perdão. E os louvores passaram a ser cantados com mais força e ardor. Em gesto de suprema misericórdia, os ídolos suspenderam o castigo. Mas ficou o aviso.
Porque tudo pode ser criticado. Menos os ídolos. Porque são os deuses modernos. Com todos os hábitos dos antigos.

À descoberta da terra dos Ticos – Arenal


A fantástica vista do Vulcão Arenal colhida da varanda do quarto do hotel

Fortuna. A povoação que convive com um dos vulcões mais imponentes do centro-américa. Um dos 16 mais ativos em todo o mundo, acordou em 1968 e desde aí se assistem a manifestações, algumas deveras violentas. Rezam as crónicas que por causa dos efeitos das erupções perderam a vida 87 pessoas desde então. Neste vídeo percebe-se a expressão da atividade vulcânica.
Quando chegámos ao hotel situado no sopé da enorme montanha, um dos funcionários informou-nos que o Arenal andava por estes tempos muito sossegado, mas era sempre assim, o vulcão acalma e depois a tremenda pressão contida nesses dias fá-lo explodir violentamente. A calmaria antes da tormenta…
Calmo, mas audível o seu rugir e claramente visíveis as suas manifestações.
Os hotéis em Fortuna exploram, como é óbvio, esta visão soberba do colosso que se impõe na paisagem, ali, assustadoramente perto, enquadrado pela floresta que a pouco a pouco vai pintando de verde intenso os rios do magma derramado. Só numa das encostas, de que nos aproximaríamos no dia seguinte numa caminhada que nos levou pertinho do lago Arenal mesmo ao lado do vulcão, se encontra devastada a floresta, resultado de violentas erupções ocorridas há uns poucos de anos.

Hot springs, um banho reparador nas águas termais do vulcão
 Para além deste enquadramento, o hotel onde ficámos alojados era atravessado por um rio de águas quentes e sulfurosas, produto da atividade geotérmica do Arenal, onde o banho é garantia de um sono de bébé. Como se comprovou…
Repouso que se mostrou providencial pois no dia seguinte estava aprazada – e não recuámos! – a temerária caminhada até à base do Arenal acompanhados de um guia. Ocasião para perceber como a natureza se impõe ao mais inóspito dos ambientes. E percurso de encontros imediatos de primeiro grau com aranhas venenosas e cobras arborícolas para aumentar ainda mais a adrenalina…


Na senda da última erupção - os rios de lava solidificada

Por nossa conta e risco, claro!


Por cima das nossas cabeças, serpenteava-se...

Venenosa. Por ali dão-lhe o sugestivo nome de..."derruba cavalos".

A pedido do Dr. Pinho Cardão...

Foi com renitência que despedimos daquele ambiente e das mordomias proporcionadas pelo hotel, mais disponível para apurar o serviço nesta época em que os hóspedes são poucos. Mas à nossa espera estava a magia dos bosques nublosos de Monteverde. E para lá partimos, confiantes que a proximidade no mapa significaria uma deslocação menos penosa e demorada do que a que nos tinha trazido de Tortuguero ao Arenal. Como estávamos enganados!

(Continuação ->)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"Damn you!"

Nova Iorque, ao anoitecer. Uma família de turistas, pai, mãe, duas crianças, esperavam no passeio que abrisse o semáforo para os peões. Do outro lado da avenida, esperava também para atravessar uma estranha figura, alta, negra, desgrenhada, o corpo escanzelado a boiar num casaco larguíssimo, agarrada a um velho carrinho de compras ajoujado de trouxas e, em cima da pilha, espalhava-se, aberto, o que parecia ser um casaco com uma manga a descair para fora, a arrastar pelo chão.
Abriu o semáforo, o pai agarrou com firmeza a mão das filhas, uma de cada lado, a mãe seguia logo atrás, apressados para passar a tempo do sinal verde, cruzaram-se com a “sem abrigo” a meio da avenida, ia vacilante a empurrar a sua tralha e a turista reparou, pasmada, que ela se equilibrava a custo no que parecia ser uns sapatos de salto alto, que mal segurava nos pés magros. Passou por eles num chocalhar de metal do carro desengonçado e, um instante depois, ouviu-se um estardalhaço e a mulher caíu estatelada no chão, a meio da travessia, a brandir os braços como um boneco desarticulado, tentando a custo que o carrinho não entornasse a sua carga por cima dela. A turista, num impulso, gritou ao marido segue! segue! e correu atrás a ajudá-la a levantar-se. Curvou-se sobre o vulto caído cuja face negra mal se distinguia no escuro e estendeu-lhe a mão, mas ela encolheu-se como um animal ferido, lançou-lhe do chão um olhar fulminante, que brilhou de ódio e terror, levantando um braço a proteger a cara, como se temesse uma agressão, enquanto a outra mão agarrava o apoio do carrinho com a força de uma garra que não larga a sua presa. Não havia tempo a perder, o semáforo dos peões já passara de verde a intermitente, os automóveis roncavam ao fundo da avenida, a turista puxou-a com força pela mão ossuda e gélida, “let me help you”, dizia para a acalmar, o carrinho de compras estava a tombar, encravado, sem a largar soltou da roda a manga que provocara o acidente, o casaco ficou no chão, não havia tempo a perder, a outra torcia os pés para se mover com os sapatos impossíveis e não se sabe como conseguiu levá-la de roldão até ao passeio, com o carrinho à frente, num equilíbrio miraculoso. Os faróis aproximavam-se perigosamente, um último impulso para vencer o degrau sem virar o carrego e chegaram sem fôlego ao passeio, mesmo a tempo de ver os carros a passar por cima do casaco abandonado no asfalto, as luzes a iluminar o instante e logo o casaco revolteava, pisado, enrodilhado, atirado de um lado para o outro, depois vir outro e pisá-lo, uma e outra vez, até ficar um farrapo inerte passada a revoada do trânsito. A turista acenou para o outro lado, a sossegar a família perplexa, mas a “sem abrigo” parecia não entender o que se tinha passado, paralisada a olhar fixamente para o casaco velho estraçalhado pelas rodas e de repente, num gesto irado, brandiu para a outra o braço esquelético, numa agressão imaginária, gritando-lhe com voz rouca “Damn you!” e desapareceu na esquina, com rapidez surpreendente, a praguejar arrastando o carrinho e a chinelar os sapatos de salto alto.
Quando se juntou à família, do outro lado da avenida, as crianças perguntaram à mãe combalida “o que é que ela te disse, mãe, assim com o braço no ar?” e ela respondeu baixinho, “ora, filhas, o que havia de ser, disse “thank you”.

À descoberta da Terra dos Ticos - Tortuguero



A deslocação em Tortuguero
Era difícil adivinhar o que nos esperava no Parque Nacional Tortuguero. Partida de San Jose, de novo muito cedo, rumo ao nordeste caribenho, a um habitat primitivo, assim classificado pela literatura de viagem. O autocarro ficou-se por Cariari, muitos quilómetros aquém do destino. A partir deste local não há estradas ou caminhos onde um qualquer veículo possa servir de transporte por terra firme. Dali continua-se numas modestas chatas por rios e canais, alguns pouco profundos, que quebram a continuidade de uma floresta tropical densa, repleta das mais variadas formas de vida.
Alojamento em plena selva, na margem oposta à da povoação de Tortuguero, pequena localidade de pouco mais de 1000 habitantes, convertidos às vantagens da conservação das tartarugas, em especial da tartaruga verde, cuja caça (e colheita de ovos) foi durante muito tempo o recurso fundamental – a par da exploração da madeira, hoje também fortemente limitada – daquelas gentes.


Natureza pródiga
Dizem-nos que esta conversão é sincera, e que a comunidade local é hoje o principal agente da preservação da biodiversidade. Não custa vencer o ceticismo inicial que nos dificulta a aceitação imediata de factos relatados por guias nem sempre rigorosos naquilo que transmitem, ciosos de apresentarem ao visitante a versão mais simpática do produto que promovem. A verdade é que o pequeno pueblo apresenta efetivamente sinais do abandono das antigas práticas predadoras de subsistência, sinais de que as populações veem na preservação dos recursos naturais a forma sustentável de garantir uma vida dificultada e encarecida pelo isolamento. Descobriram no turismo a sua principal fonte de rendimento, cientes de que este tipo de turismo só permanece se o desconforto das viagens for compensado pela manutenção daqueles ecossistemas no seu estado mais puro e das espécies mais significativas e raras.


Mural da escola de Tortuguero
Anunciava-se chuva intensa para os dias que planeámos passar em Tortuguero, situação aliás normal por aqueles sítios mesmo durante a chamada estação seca. Íamos devidamente apetrechados para a enfrentar mas fomos afinal brindados por dias de sol brilhante só interrompido na manhã do segundo dia, momento em que atmosfera se desfez numa tremenda tempestade tropical que inviabilizou a programada caminhada por um trilho floresta adentro.
Valeu, sobretudo, o passeio madrugador pelos canais, assistindo ao extraordinário despertar da fauna. Esses momentos ficarão para sempre na memória e não são fáceis de descrever. Pode ser que as fotos transmitam uma ideia. Mas para além da impressão visual é preciso estar ali para somar lhe as emoções proporcionadas pelos cheiros, pelo calor e  humidade, pelos sons, pelos movimentos, pela luz peculiar e filtrada por uma floresta que amiúde se fecha em círculo e nos envolve completamente...
A Preguiça-de-dois-dedos
Declinámos a oferta do programa noturno. Tratava-se de assistir à arribada das tartarugas verdes para a desova. Íamos prevenidos que esse extraordinário movimento só se iniciaria daí a umas semanas. O que um guia sério de resto nos confirmou. Uns dólares poupados, melhor aplicados no muito que ainda faltava ver...
Um dos muitos canais
Escamoteados por entre plantas aquáticas, os olhos amarelos de um caimão
Pico-Cuchara (Bico de Colher) dormindo após a pesca noturna
Aninga, secando as asas ao sol depois do mergulho
De regresso pelo rio Tortuguero
Deixámos para trás Tortuguero quase certos de que o que nos faltava percorrer e observar não iria desfazer ou diminuir o impacto e as sensações daquele local único. Hoje podemos confirmá-lo.

(continuação)