terça-feira, 26 de setembro de 2006

As Seringas e as Cadeias: a "velha" discussão...

Esta semana, no Expresso, Fernando Madrinha faz um pequeno texto a que chama "QUEM FORNECE A DROGA" , texto esse a propósito, segundo diz, da interposição de uma providência cautelar, por parte de um advogado de um detido em Paços de Ferreira, com o propósito de impedir o projecto da troca de seringas nas cadeias com o qual o seu cliente parece estar em total desacordo.

Sinceramente ainda não percebi o que este governo quer e...se quer!
Tem tantas comissões a trabalhar ( lá terá que ir "demitindo" algumas, parece que hoje o Sec.Est.Admin.Pub. já acabou com uma...) que as conclusões de tão opostas que são tornam-se difíceis de opção e mais ainda de concretização.

A comissão que trabalhou no Plano de Combate à Propagação de Doenças Infecciosas em Meio Prisional quer a troca de seringas, contra tudo e contra todos.
Mesmo contra os próprios dados dos estudos quer nacionais quer do observatório europeu, que apontam para o reduzidíssimo número de "novos casos" entre muros prisionais; os infectados entram infectados, não se infectam lá dentro.
Por outro lado, o Plano Nacional contra a Droga e as Toxicodependências que vai vigorar até 2012, quer criar salas de injecção assistida ( presumo que nas cadeias...e estou bem mais de acordo do que a troca de seringas "a seco"!) mas o governo aparece a dizer que, se as Câmaras de Lisboa e Porto derem luz-verde criará já, em 2007 , salas de chuto nas zonas da cidade onde os toxicodependentes adquiram drogas duras e se injectem a céu aberto!!!
Reina a confusão, esta matéria é difícil e delicada, se não fosse as decisões estariam tomadas há muito tempo...mas menos polémico e mais urgente me parece a integração dos Serviços de Saúde prisionais no S.N.S., os reclusos com medicação instituída quando são tranferidos de estab. prisional, vêm imediatamente essa medicação suspensa até nova avaliação, o que é dramático sobretudo frente à medicação anti-HIV.
Tenho a mair das penas que o anterior governo não tenha concretizado este seu objectivo, penso que por falta de entendimento financeiro entre Justiça e Saúde... este governo assinou há pouco um despacho entre estes dois ministérios que cria um "grupo de trabalho" com a missão de preparar a integração! OXALÁ!!!

6 comentários:

  1. Cara Clara Carneiro,

    As suas objecções ou reticências à troca de seringas e à injecção assistida são baseadas em quê? Pela leitura do post não consigo concluir.

    São objecções morais?

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

    ResponderEliminar
  3. Com tantos estudos e tantas comissoes, parece nao se chegar a lado nenhum.Muito tempo para tomar decisoes.Falta de lideranca.
    Eis Portugal.Estamos sempre a andar para tras.Devemos ser do signo caranguejo.
    O primeiro ponto a ser respeitado e a seguranca dos reclusos nao toxicodependentes.Estes tem o direito de nao conviver com a droga na espaco prisional.
    Nao estara o estado soberano em condicoes de garantir o cumprimento da lei na prisao?
    Afinal que estado temos, ou queremos continuar a ter?
    Despacho:
    Eliminem-se as comissoes, poupe-se esse dinheiro (o estado nao e rico)cumpra-se a lei.

    ResponderEliminar
  4. CMonteiro:
    Se outras faltassem, pelo menos use-se a lei do bom senso! Quer melhor?

    ResponderEliminar
  5. Viva,pelos comentarios que acabei de ler,vejo que dificilmente conhecem a realidade prisional,tanto a portuguesa como a europeia,isto so pra dizer que na Alemanha por exemplo de 6 cadeias q aderiram 5 disistiram do programa da troca de seringas...Pq será?A população prisional portuguesa assim como o proprio sistema prisional português é unico,sendo mais humano uma vez que é de proximidade e de contacto directo.Outra,o consumo de drogas injectaveis está a diminuir,em Paços de Ferreira por exemplo,uma das cadeias iniciais do PETS, não são conhecidos hábitos nesse consumo nem foram encontradas nestes ultimos anos seringas ilegais,isto deveria querer dizer alguma coisa...De facto quer,quer aumentar o dito consumo e trafico dessas substancias que nao tenho duvidas passará a ser maior,aí sim,com grandes consequencias para todos,reclusos principalmente e Guardas.Acredito que as pessoas que tentam implementar agora esta medida dificilmente saberão o que estarão a fazer ,tal a hipocrisia da medida,assim como do seu fundamento e objectivo,justificam-se com a questao de saúde pública,então e o balde Higiénico??Em que nos dias que correm ainda é uma realidade nos nossos serviços?Já se esqueceram?

    ResponderEliminar