domingo, 17 de setembro de 2006

Testemunhos de uma revoltante pobreza


Aproveitando os últimos dias amenos do verão que se despede, foi a família em passeio pelo Alentejo.
Almoço em Évora no excelente ´Luar de Janeiro´ e partida para visita a Évoramonte cujo imponente castelo completa este ano 7 séculos. Ocasião para também gozar de um panorama deslumbrante da planície centro-alentejana.
Ali chegados é total a desilusão. A menor das desagradáveis surpresas que nos esperavam foi o facto de o posto do turismo não ter para distribuir qualquer suporte em português do significado histórico-cultural do conjunto monumental!
Sim, o pior estava por ver. Transpostas as muralhas deparámos com a placa que a segunda foto documenta, anunciando que entre dinheiros comunitários e comparticipação nacional foram gastos mais de 60 mil euros presumivelmente em arranjos exteriores e tratamento cénico do castelo. A belíssima fortificação bem merece um enquadramento condigno. As primeiras fotos documentam o estado de abandono a que as obras se encontram votadas. Estão por ali, espalhados entre o mato, os restos do que terá sido uma rede de rega. Vestígios de uma tela permeabilizante que supostamente deveria servir de apoio a uma zona verde. As placas (de granito?) que deveriam marcar o passeio pedonal que circunda o monumento encontram-se também elas submersas na vegetação que, sem qualquer ordem ou cuidado, por ali vai crescendo. E até os projectores da iluminação correm do risco de um dia serem descobertos ao mesmo tempo que um qualquer vestígio arqueológico, tão enterrados no mato se encontram...
O painel anuncia que o concurso decorreu em 2004. Em 2006 - volvidos 2 anos - o estado é o que acima mal se descreveu.
Alguns dirão que estes desperdícios são tiques de um país que se julga rico.
Mas na realidade são retratos de um país pobre e desleixado, testemunhos da revoltante indigência por parte de quem não sabe reconhecer, e por isso jamais saberá proteger a riqueza que tem!


8 comentários:

  1. A fotografia com o cartaz ao longe até dava para ser acompanhada por um anúncio do tipo "imovel antigo a precisar de obras, mas com muito cachê...". É realmente deplorável, 60 mil euros?

    ResponderEliminar
  2. Não podia estar mais de acordo consigo, caro Ferreira de Almeida!

    Mas o que eu preciso mesmo-mesmo de saber é onde arranjou a moldura polaroid para as fotos de cima porque ando à procura de uma e essas parecem-me bem. É algum plug inn de algum programa? Qual plug inn de qual programa?..

    Please...

    :)))

    ResponderEliminar
  3. Tiques de quem gasta o que não é seu, não conhecendo o significado da palavra "conservar".
    Mentalidade de mulher a dias.
    Sem ofensa para as que são conscienciosas...

    ResponderEliminar
  4. A comparticipação comunitária é de 75%, o que é o limite máximo nos fundos operacionais, os restantes 25% são da responsabilidade da entidade que apresentou o projecto e sejamos honestos, além de 15.226,82 € serem uma ninharia para um projecto de reabilitação como este, os 45 mil e tal euros não são dinheiro do orçamento de estado, não são dinheiro do estado português e não está sujeito a nenhum tipo de concurso publico (o que pode haver é uma espécie de consulta aos "sub-contractors").

    Eu só estou a dizer isto, porque quem não perceber nada de fundos comunitários vai achar que este dinheiro é todo nosso e além de não o ser, também não está sujeito às normas nacionais jurídicas nacionais.

    O mais engraçado, é que se as coisas estão assim como mostram as fotografias, o mais provável é que tenham de devolver todo o dinheiro que já receberam a Bruxelas.

    Tirando este «piqueno detalhe», simpatizo com o ponto de vista do JMFA.

    ResponderEliminar
  5. Anónimo09:07

    Caro Anthrax, agradeço as precisões.
    Não me parece, porém, que o facto de boa parte do dinheiro, ali literalmente enterrado, provir da UE desculpe a situação e quem por ela é responsável.
    Em primeiro lugar porque é TODO dinheiro público.
    Em segundo porque para o orçamento comunitário de onde provém também nós contribuímos.
    Em terceiro porque sendo afecto a um fim específico e não sendo cumpridas as regras comunitárias que regem a aplicação deste fundo se corre o risco de, como bem diz, haver lugar à sua reposição.
    Seja como for, para além do desperdício de dinheiros, o que mais impressiona é o desprezo pelos nossos valores e o desleixo com que (não) tratamos o que de bom temos.

    ResponderEliminar
  6. Caro JMFA, perfeitamente de acordo.

    No entanto, a única coisa coisa com a qual não concordei foi com a ideia de que o dinheiro era todo nosso.

    Não, não é todo nosso. Não, NÃO É dinheiro público (75% não é), mas sim, nós contribuímos para o bolo, embora não seja é nada por aí além. O dinheiro não é só nosso. O dinheiro é nosso e dos outros cidadãos dos EM.

    O dinheiro público é dinheiro que faz parte do OE e estes dinheiros comunitários, não só não fazem parte do OE, como nem sequer podem fazer parte do orçamento de nenhum Ministério e nem sequer são regidos pelas normas da Administração Fiscal (ou lá como é que aquilo se chama). Não tem nada a ver.

    ResponderEliminar
  7. Camarada Anthrax,

    É todo nosso. Um na forma de dinheiro, outro na forma de quota de tomate, palmeta, leite,...Porque esses 75% foram trocados por outros valores. Não são dados!

    ResponderEliminar
  8. Camarada Tóni,

    Não. Não é.

    E sim. A CE não dá nada a ninguém. Isto é mais na onda da comparticipação.

    ResponderEliminar