quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

“Batoteiros honestos”?!

Um investigador da Universidade de Washington estudou 230 estudantes do ensino superior com uma média de idades de 21 anos. Aplicou um inquérito destinado a avaliar a identidade moral e comportamentos batoteiros. Mais de 90% já tinham feito batota dentro dos 13 comportamentos considerados como tal. Mais de 55% calaram-se que nem uns ratos quando beneficiaram de erros dos professores e mais de 40% já tinham copiado durante um teste.
Os alunos que apresentavam índices de comportamento moral mais elevados eram os que faziam menos batota. Mas os “grandes batoteiros” consideravam que fazer batota era um comportamento eticamente justificável em certas situações. No fundo consideravam-se como “batoteiros honestos”! Um dos exemplos descritos pelo autor é interessante. “Se eu fizer batota e deste modo conseguir entrar na Faculdade e acabar por ser médico então irei ajudar as pessoas”.
A interpretação, em termos evolutivos, sugere que num ambiente competitivo fazer batota é um processo comum.
"It seems like there is an increasing desire and expectation in our society to 'be the best.'"
Tudo leva a crer que a linha que separa o “certo do errado”, em certas pessoas que se auto-consideram como tendo padrões morais elevados, poder ser ambígua ao ponto de se tornarem nos maiores batoteiros...
“Batoteiros honestos”!!!

6 comentários:

  1. Pois é Professor Massano,interessante estudo, mas que, a meu ver, deu resultados que não surprendem o senso comum(?).
    O mundo está cada vez mais dividido entre os "seus" batoteiros honestos, confessam, em que "é sempre por uma boa causa - eles próprios - e, por isso, os fins justificam os meios, e os hipócritas, que são o contrário, não confessam.
    É que já quase não há os desonestos verdadeiros, visto que cada vez menos importa saber até que ponto se está a prejudicar alguém, já não conta para a classificação.
    Quanto a honestos mesmo, ainda há sobreviventes?

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  2. "Amor com amor se paga"
    Diz o pobõe, caro professor Massano Cardoso!
    É!
    Ora imagine Vocência, se para obter esses significativos resultados, não preciso previamente fazer batota?
    Pois foi!
    Pois se lhes tivessem dito antecipadamente: meninos... venham cá fazer um testezinho que vai aferir como resultado a vossa apetência para a batotágem, a rapaziada iria revelar-se "the best of morality".
    And probably the result would be different ... say I ... In Greek...
    ;))))

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  3. Subscrevo inteiramente o comentário do caro SC e acrescento que os honestos já não fazem história.

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  4. "Moral judgment is pretty consistent from person to person," says Marc Hauser, professor of psychology at Harvard University and author of Moral Minds. "Moral behavior, however, is scattered all over the chart."

    O último número da "Time" publica um extenso artigo acerca do julgamento moral, tal qual ela é apreendida geralmente como conceito, e a divergência consistente entre esse conceito e o comportamento geral.

    Segundo parece, o comportamento, divergente ou convergente,está marcado desde a formação física de cada indivíduo.

    Há, aliás, uma sentença popular que parece resumir os comportamento divergentes: Está-lhe na massa do sangue.

    E, natural parece, que quem procede, naturalmente, de forma divergente construa uma boa justificação para esse comportamento.

    Mas eu de psicologia não sei mais do que o aprendiz de feiticeiro.

    Comentei apenas para dar o endereço do referido artigo:

    http://www.time.com/time/specials/2007/article/0,28804,1685055_1685076_1686619-4,00.html

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  5. Excelente economista e financeiro distinto, mas sempre actualizado em todas as matérias, o meu amigo Rui Fonseca!...
    E colaborante, pois não guarda a sabedoria para si!...
    Um abraço

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  6. Muitas vezes a "batotice honesta" compensa, principalmente para quem a pratica. Mas o orgulho e a honra, quem a compra?

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