sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A escola democrática!...

No noticiário da RDP de ontem de manhã, que ia ouvindo na lentidão do IC19, avultava a notícia da manifestação dos alunos do secundário. Um “estudante” lá ia explicitando o nobre motivo da manifestação: razões várias e ponderosas!...
Em primeiro lugar, a luta contra o excesso de tempo passado na escola. O aluno referiu mesmo a sua experiência pessoal, a violência extrema de ter que se levantar todos os dias às sete horas e meia, para ter a primeira aula às oito horas e só sair às 16 horas e quarenta minutos!...
Em segundo lugar, a luta por uma verdadeira educação sexual, disciplina básica dada de forma insuficiente.
Em terceiro lugar, a luta contra as aulas de substituição.
Em quarto lugar, a luta contra os exames.
E havia mais uma ou duas razões muito justas, mas que agora me escapam.
À noite, no sentido inverso, e também na RDP, a inefável Drª Ana Benavente, antiga Secretária de Estado da Educação de um Governo de Guterres, representando um qualquer grupo ad-hoc, não sei se formado apenas para a entrevista, também perorava exaltadamente sobre o tema, nomeadamente sobre a falta de democracia nas escolas. Não resisti e pus música.
Visto tudo isto e concluído, a escola como local de ensino já foi.
Modernamente, e em Portugal, a escola é para se passar por lá, assistir a umas aulas facultativas, porque se pode faltar à vontade, ter umas aulas teóricas de educação sexual, e sair rapidamente, para ter tempo de praticar.
Respeito pelos Professores? Aulas obrigatórias? Possibilidade de reprovar por faltas? Exames? Possibilidade de reprovar por falta de conhecimentos? Quem é que ainda fala nessas excentricidades? Mas não basta: há ainda muito para aprofundar na escola democrática!...
Por mim, estou de acordo e aprofundava-a de vez. Num buraco profundo e bem fechado, mas bem assinalado, para não esquecer a imbecilidade dos que a vêm promovendo.

11 comentários:

  1. Caro Pinho Cardão, logo de manhã já com vontade de afundar o MEducação???

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  2. É verdade, Dr. Pinho Cardão, alguns dos nossos jovens dizem com cada uma, que eu chego a perguntar a mim própria, se sou eu que estou desactualizada.

    Que modelo de formação e de vida ambicionam ?

    Será que já não percebemos o "sonho" desses jovens ?

    E o que mais custa, sabe (?), é sentir que é difícil fazer-lhes "chegar" a mensagem, que estão absolutamente errados e a caminho de se "espalharem" ao comprido na sua (deles) própria vida. Vetados ao insucesso, portanto !

    Alguém é responsável ?

    QUEM ?????

    A Família ?
    A Escola ?

    Eles, os jovens ?

    Não sei, mas dói, não é Dr. ?
    :-(

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  3. Cara Suzana:
    Não há como começar o dia com uma boa acção!...

    Cara Pèzinhos:
    Todos teremos culpa. Mas a principal recai inteirinha nos Ministros da Educação que se têm vindo a deixar educar pela "nomenklatura" do Ministério, produzindo conjuntamente a obra "asseada" que todos os dias vemos nas escolas.

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  4. Por acaso o meu escritório é quase em frente à Min da Educação e não consegui tirar a fotografia que se impunha da manifestação. Eram cerca de 50 miúdos e berrar "qualquer coisa para a rua", escoltados por duas viaturas de PSP de trânsito e duas carrinhas do corpo de intervenção. Não fosse a manifestação ser em frente do Min da Educação e o observador poderia pensar que era uma manifestação de polícias com uns miúdos a acompanhar.

    Não sei exactamente como e porquê, mas há uma casta de portugueses que conseguem falar mais alto que os outros. O facto é que a voz desses 50 miúdos na 5 de Outubro chega à IC19 como a voz dos alunos do secundário. Como a de 30 maquinistas em greve passa a ser uma profunda contestação social.

    Quanto à voz da Ana Benavente, sabe-se que não chega ao céu. O resto...

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  5. Ana Benavente não, meus Caros, Ana de Benavente, Condessa de Esmolfe (maçãs preferidas de Pinho Cardão são de lá) e autora da famosa proeza de aumentar em 1% do PIB as despesas com a educação em Portugal, uma das grandes paixões do actual Comissário da UN para os Refugiados, que revolucionou a educação em Portugal...como agora se vê...

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  6. O Drama!

    O Horror!

    Mas porquê, exames???!

    Que parvoíce esta coisa das avaliações.

    Deviam ser «PÚRIBIDAS»!

    Pessoalmente, devo dizer que estou de acordo com os «putos». Prefiro ter um «puto burro» que seja obediente e faça o que lhe mandam, do que um inteligente, armado em Einstein, com ideias próprias.

    Depois ficamos para aqui com umas coisas, tipo aquelas que o Vírus contrata lá para as lojas dele, burrinhas, burrinhas, que metem dó. Damos-lhes uns amendoíns e os macaquitos ficam contentes... convém é não tentar encetar diálogos porque a articulação de ideias é capaz de ser complicada (aliás, não há diálogos. Aquilo são mesmo monólogos)... ah! E coisas escritas é melhor ser a um nível muito básico (e a várias cores), que é para o pequeno neurónio não ter um AVC enquanto processa a informação...

    Mmmm... adoro aquelas cabecitas brilhantes!

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  7. Repesco algo que escrevera há uns tempos no Fliscono:
    Cada vez mais, a escola é um local de passagem entre os 6 e os 18 anos. Como um corredor. Entra-se numa ponta, avança-se e sai-se na outra. Mas nada de parar, que isso estorva à passagem dos demais. Continuando esta metáfora, algures no corredor existe conhecimento afixado. Quem quiser que lhe pegue mas não será isso que contribuirá para os números do sucesso educativo. Para estes, conta mesmo é o tempo que se demora duma ponta à outra.

    O professor não tem autoridade para obrigar o aluno a frequentar as aulas nem para o fazer estudar. Tem que o recuperar, independentemente da vontade em colaborar por parte do aluno. Nem mesmo lhe sobra a arma de chumbar o faltoso. Terá que lhe fazer um exame.

    Quanto à sua progressão na carreira, pela avaliação de desempenho (grande chavão!), esta depende do volume de alunos passados. Portanto, é responsabilizado por algo que não tem poder para controlar.

    Mas há uma forma de todos, professores e ministério, se sairem bem: baixar o grau de exigência e passar todos os alunos. Ficam de fora os alunos e os pais, para quem terminou a escola pública como sinónimo de boa formação.

    Ah!, então e o brio profissional e dar o seu melhor? Ceeerrrtooooooooo. Passam o tempo a levar porrada da tutela e da opinião publicamente construída, pelo que estou mesmo a ver "Bem, vou chumbar estes miúdos aqui; não vou ter avaliação de Bom mas não faz mal. É para o bem deles".

    Não pretendo fazer a defesa dos professores. Mas aborrece-me que continue a pagar os mesmos impostos e ainda o colégio privado, se quiser uma escola em cuja formação possa confiar.

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  8. É mesmo isso, caro Raposa Velha.
    Enquanto os "pedadogogos" do Ministério se divertem, os cidadãos pagam-lhes o ordenado e ainda têm que pagar o ensino dos filhos!...

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  9. Infelizmente continua a ter razão o Dr. Pinho Cardão. O que se está a assistir nas nossas escolas públicas é à morte lenta do ensino, sendo substituído por um híbrido de "jardim-escola/ludoteca". Os alunos são tratados como mentecaptos e, naturalmente, agem de igual modo. Tenho muita pena que o ME decida seguir por este caminho, que todos sabemos onde acaba.

    E os imbecis (ou será imbecilizados) dos alunos ajudam à festa, sem se aperceber de que a globalização não é apenas iPods e vídeos de moças seminuas no Youtube. Quando se virem reduzidos a assentar tijolo, a servir à mesa ou limpar os quartos a um turista estrangeiro num qualquer resort de 5 estrelas, talvez aí percebam o mal que está a ser feito.
    Enquanto a exigência e o esforço não forem a principal preocupação do ME, nada feito.

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  10. Caro Pinho Cardão:

    Eu não sei se as reivindicações dos estudantes nessas manifestações são reivindicações disparatadas, ou se são reivindicações acertadas disparatadamente feitas.

    Vejamos, uma por uma, as quatro que você menciona.

    1. Tempo exagerado de permanência na escola: quanto a isto o moço até tem razão, embora de um modo distorcido. Nos países em que as escolas são estabelecimentos de ensino (o que não é o caso de Portugal) os alunos permanecem na escola o tempo suficiente para serem ensinados, e nem mais um minuto. Por isso é que por essa Europa fora as escolas, depois de terem iniciado o seu dia de trabalho às 07:30 ou 08:00, fecham as portas às 15:30 ou 16:30 - e com direito pelo menos a uma tarde livre por semana. Aqui abrem às 08:30 e fecham às 18:30, doze horas depois. Quer isto dizer que em Portugal se ensine mais nas escolas do que nos outros países? Era bom, não era? Mas não se ensina mais: demora-se mais tempo para ensinar menos.

    2. Educação sexual: neste ponto o mais certo é o jovem manifestante não fazer a menor ideia daquilo de que está a falar. Provavelmente o que ele queria era passar umas tantas aulas a falar de sexo em vez de gramática. Mas, mais uma vez, não deixa de ter razão malgré lui. Temos a ideia de que os nossos jovens sabem tudo o que há a saber sobre sexo, mas não sabem. E há coisas que seria bom que soubessem.

    3. Aulas de substituição: as aulas de substituição são um martírio para professores e alunos. Qualquer escola digna desse nome devia ter um sistema leve, desburocratizado e não violento para ocupar utilmente os alunos no caso de um professor faltar. Se esse sistema existisse, os alunos não protestariam - e muito menos se insurgiriam, como cada vez mais se insurgem.

    4. Luta contra os exames: e não é que também nisto o moço tem razão sem saber?! Em Portugal há uma coisa que é, tanto quanto sei, única no mundo: a Época de Exames. Escrevo assim, com maiúscula, para vincar bem a solenidade do evento. A Época de Exames consiste na mobilização geral do País, e na paralisação das escolas durante quase dois meses em cada ano lectivo. Mobilizam-se professores, funcionários de todas as estruturas do Ministério, agentes da PSP e da GNR; criam-se formulários, fichas, aplicações informáticas; contratam-se técnicos a prazo para reforçar o sistema; gastam-se milhões de euros; estragam-se as férias de centenas de milhares de pessoas, entre professores, alunos e pais de alunos; faz-se renascer um monstro burocrático medonho das cinzas do ano anterior; cria-se, como se fosse a coisa mais normal do mundo, toda uma logística da paranóia. E tudo isto para avaliar alguns poucos alunos sobre algumas poucas matérias. Contra estes exames também eu estou, e um dia destes lá me verão, ao lado dos putos, a berrar as mesmas alarvidades que eles berram, embora talvez por razões mais reflectidas do que as deles.

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  11. Anónimo18:22

    Concordo com a sua visão e gostava de acrescentar outro ponto. A educação e a aprendizagem são processos que implicam sacrificio por parte dos alunos e muitas vezes por parte dos professores. Ao construir-mos uma sociedade que luta excluivamente por direitos e não pretende assumir os seus deveres, esse sacrifico é deixado para trás. Por isso, não fico surpreendido, por tanto os docentes como os alunos, cada vez quererem trabalhar menos (obviamente que estou a generalizar, mas em grande medida é assim...). Enfim, deveriamos era ter um Governo que impedi-se este abandono de responsabilidades, mas infelizmente não temos...

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