sábado, 18 de abril de 2009

A nova pátria-sol

O mundo ao contrário

Não deixa de ser divertido assistir a este regabofe de populismo e de burrice a propósito do combate à corrupção e ao enriquecimento que agora é "ilícito" e na hora seguinte "injustificado". Depois de ouvir o PCP evocar entusiasticamente o exemplo, não da Coreia do Norte, mas do presidente do EUA em apoio das suas propostas de penalizar pagamentos a gestores, é a vez de ver Francisco Louçã criticar a lentidão da nossa justiça, louvando-se na eficácia dos tribunais ao serviço do imperialismo norte-americano, capazes de julgar o crime económico em dois meses.

5 comentários:

  1. JM: já ando tão desnorteada com esta espécie de país que não sei se estou , como a "Alice" no país das maravilhas...Espero encontrar a chave...

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  2. Mas os diverimentos cotumam ter um preço caro, Dr. José Mário.
    E aquele que todos já pagamos para assistir a este divertimento, vai-nos custar mais que os olhos, vai custar-nos mais que a pele, adivinho que nos irá custar os ossos.
    Corrupção...perdoe-me a inconveniência da pergunta, mas, quando o caríssimo Dr. refere corrupção está a pensar concretamente naquela que os jornais e as televisões "divertidamente" noticiam, ou está a referir-se àquela que até um cego-surdo-mudo sente?
    Para mim existem duas corrupções distintas neste país que já não existe. Essa que folclóricamente nos entra em casa e que para muita gente acaba por substituir um programa cómico de televisão e para muitos serve de "bagagem" para estabelecer uma conversa de nível intelectual com o amigo, no café. A outra, aquela a que assistimos diáriamente e que desorienta os sentidos tanto da nossa amiga Maria Ribeiro, quanto de todos os que estupefactos assistem à prática dos diversos discursos à Frei Tomáz "faz o que ele diz, não faças o que ele faz".
    Pois na verdade aquelas pessoas que nos governam o dinheirinho dos impostos, reconhecendo a enorme crise económica em que o país se encontra mergulhado, pedem a todos sacrifícios, exigem o pagamento atempados dos impostos devidos, e continuam em simultâneo a adquirir caríssimos carros topo de gama para altos dignatários do "estado".
    Ouvimos dizer que assim tem de ser, por uma questão de prestígio e dignidade... muio mal vai uma sociedade que para afirmar a dignidade de um orgão de estado, precisa sacrificar dinheiro (muito dinheiro) na compra de um carro de luxo...

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  3. Anónimo11:07

    Não posso estar mais de acordo consigo, meu caro Bartolomeu. Se outra vantagem não existisse neste recorrente debate sobre a moralização da vida pública, pelo menos este, que o meu Amigo assinala, já o justificaria por si só: permite aos poucos descobrir que, afinal, a palavra corrupção obriga-nos a olhar para outras realidades do dia-a-dia que não encaixam nem na norma penal que tipifica o crime assim chamado, nem nos diferentes tipos de favorecimento ilegítimo, todos condenáveis. No plano ético - nesse que enche a boca aos moralistas do reino que engrandecem a pobreza e condenam qualquer forma de riqueza, mas praticam vela no "barquito" estacionado lá na doca - a corrupção é um fenómeno muito mais extenso e corrosivo. Mas não é, como se diz, um endemismo português. É, antes, um ingrediente do actual caldo cultural ocidental, fruto de uma vivência materialista acentuada ao longo do seculo XX, onde tudo o que é material é essencial e no qual os valores e os princípios deixaram de ter relevância.
    Quanto ao divertimento, meu caro, como encarar esta pirueta da esquerda que agora se revê no simbolo do imperialismo capitalista, senão como um sonora gargalhada? Tem de ser assim, meu caro, até porque como diz sabiamente o povo, tristezas não pagam dívidas...

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  4. Caro Ferreira de Almeida,

    Se procurarmos motivo de gargalhada nas piruetas da esquerda, então talvez tenhamos encontrado a fonte mais consistente de humor e boa disposição de sempre. Os exemplos sucedem-se a um ritmo hilariantemente rápido.

    Mas no caso do BE, na minha opinião, não se trata de uma pirueta assim tão grande. Repare na mudança que se operou nos Estados Unidos há poucos meses. Agora quem está à frente da Administração é Obama. Ser pró-Obama é fixe. Ser pró-Obama é moderno. E essa é uma das linhas de orientação mais fortes da malta bloquista. Bastaria estar ainda lá o Bush e já se refreariam um pouco mais em citar bons exemplos vindos de lá.

    Cumprimentos

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  5. Relativamente a essa verdade, não encontro contraposição, caro Dr. José Mário. Somos aliás um povo conhecido pela capacidade nata de, nas maiores tragédias conseguirmos criar anedotas.
    A propósito, lembro-me daquela célebre exposição feita por Dom Tancredo em 1934, ao Ministro da Agricultura de Salazar, e neste clip apresentada por Vitor de Sousa.
    http://www.youtube.com/watch?v=MxjBof_WfpM

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