terça-feira, 16 de junho de 2009

Momentos de fra(n)queza

"Há momentos em que fico muito satisfeito por não ser advogado", disparou ontem Vítor Constâncio em reacção ao que considerou ser "a verborreia" usada no quadro da comissão de inquérito parlamentar à supervisão do BPN. Permitindo-me usar das artes habituais dos advogados, depreendo a contrario das palavras do senhor Governador do BP que noutros momentos lamentou não ser causídico. Compreendo-o, perante as circunstâncias em que fez tal confissão...
Pese embora a razão que lhe assiste ao verberar a falta de rigor com que é confrontado com algumas das questões, esta e outras frases irritadas do Dr. Vitor Constâncio proferidas ontem na sessão da Comissão, revelam que o senhor Governador não se conforma com as ilacções que já percebeu que o País extraíu do caso BPN, mas também do BCP (já esquecido) e do BPP: terá muito provavelmente existido incúria na supervisão bancária por parte do BP e nalguma medida a passividade demonstrada ao longo do tempo é responsável pela situação já apurada. Esta constatação diminui as responsabilidades individuais de quem se aproveitou da confiança e boa-fé de depositantes e alguns investidores? Pois não diminui. Mas as comissões parlamentares - que não são constituídas por advogados nessa qualidade, mas por deputados -, não são criadas para julgar responsabilidades criminais ou civis. Servem para apurar responsabilidades políticas. E o Dr. Vítor Constâncio, que para além de ser um competente economista é um político experimentado, sabe-o bem. Suspeito, por isso, que a irritação do senhor Governador não é só fruto do cansaço ou compreensível reacção ao disparate e à falta de conhecimento. É também e sobretudo um acto de fra(n)queza.

4 comentários:

  1. Confesso que o bate-papo sobre o papel do Banco de Portugal em tudo isto é, para mim, incompreensível. Primeiro pelo espectáculo triste de ignorância que está a ser dado, pelos deputados (compreensivelmente) e pelo governador (chocante!!!). O assunto é técnico, ele nunca devia ter passado do caso BCP, tal foi a asneira feita, e a desculpa (ainda mais chocante) de ter 300 pessoas, em 2000, dedicadas à ÚNICA função do Banco de Portugal. Devia ter sido despedido aí por incapacidade técnica.
    Depois, independentemente daquilo que achemos sobre a comissão de inquérito parlamentar, o facto é que aquilo é uma comissão de inquérito parlamentar. Logo, o governador do Banco de Portugal baixa a bolinha. O espectáculo de não o terem posto logo na ordem foi pior que dois ou três BPP's.

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  2. "O governador do Banco de Portugal considera que a opção pela energia nuclear, para enfrentar a actual crise energética, deve ser pensada e debatida, a Quercus acusou hoje o governador do Banco de Portugal de ingenuidade e desconhecimento."

    Eles já o sabiam à mais tempo que nós!

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  3. Concordo integralmente com o texto do Tonibler.
    Mas quando as comissões parlamentares tomam caminhos transviados chegamos a isto. À humilhação da Comissão na "visita" do Oliveira e Costa (há muito tempo que não me lembro de me sentir tão envergonhado como português) e a esta conversa de surdos e mal educados.
    E porquê? Porque esta comissão nunca quis saber o que realmente interssava: perceber os porquês das falhas de supervisão. Só queria um culpado. E já sabia, à partida, quem era: Vitor Constâncio.
    Por isso, ninguém respeita as comissões parlamentares. E se ninguém respeita porque é que Vítor Constâncio ou Oliveira e Costa haveriam de respeitar?
    Como comentava um amigo meu, a propósito da visita do Oliveira e Costa, aquilo não foi uma inquirição, foi uma conversa inter-pares...

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  4. Em cada prova oral
    de fraca argumentação,
    a sua postura doutoral
    provoca irritação!

    Mais uma vez chumbado
    pela sua incompetência,
    este “aluno” babado
    pavoneia prepotência.

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