domingo, 7 de junho de 2009

Um dado importante

Diferentemente do que prevíramos, o PSD conseguiu recuperar eleitorado ao PS que não perdeu só para a sua esquerda. E isso é decisivo para criar uma dinâmica de vitória nas legislativas e não meramente o efeito de suster a erosão eleitoral verificada nos últimos escrutínios.

10 comentários:

  1. Anónimo23:18

    Caro Ferreira de Almeida, peço perdão por deitar alguma chuva na sua alegria - e justa sem dúvida dada a vitória do PSD ser importante neste momento - mas parece-me que o ponto mais importante destas eleições é um ponto Europeu. E isto porque de eleições Europeias se trata. Está a ser registada nestas eleições a maior abstenção de sempre em eleições Europeias, 57%. Alemanha e França registaram 57,8% e 59,5% de abstenção, respectivamente. Nem os países do alargamento escapam a esta onda com menos de 20% dos eleitores Eslovacos a votar, 28% na Polónia, 36% na Hungria ou 25% na Républica Checa.

    É importante, muito importante, mormente em alturas de crise como aquela que o mundo vai vivendo que esteja a direita com o seu pragmatismo e lucidez à frente do leme. Mas esta abstenção traduz inequivocamente, e cada vez mais, o divórcio entre Europa e cidadãos que se traduz, naturalmente, numa baixissima predisposição destes últimos para aceitarem as regras vindas de Bruxelas e que sejam sentidas pela populaça como contrárias aos seus interesses.

    A relevância disto é apenas uma: posso estar enganado, e se o estiver estarei há muitos anos, mas penso que estamos a assistir ao canto do cisne da União Europeia. Não ponho em causa que o colapso da UE seja mau para a maioria, com especial relevo para os países mais frageis. Mas, e de há vários anos a esta parte, por mais que faça e refaça o meu pensamento quanto a este assunto não consigo concluir outra coisa. É apenas uma questão de tempo até a UE implodir. E esta esmagadora abstenção é um sinal nesse sentido. Mais um sinal.

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  2. 1. 62% de abstenção e 6% de votos branco ou nulos. Falamos apenas de 22% de votantes nos partidos. Apenas Ferreira Leite,a vencedora da noite, se referiu a isto. A questão não é de que os portugueses desligaram da Europa. A questão é que os Portugueses desligaram da classe política. E isto, sobretudo em tempos de crise é muito grave.

    2. O PS errou ao virar à esquerda (investimento público e emprego público)na solução para a crise.
    As pessoas sabem que essas polticas distribuem a riqueza mas não gerem riqueza.E sabem que gerar riqueza é a única saída possível para a crise. Entalado ficou, e ainda mais ficou com a perda de influência da Internacional Socialista. A ideia mirifíca de o Banco Europeu se pôr a imprimir notas para sustentar políticas estatais deve ter morrido hoje. E agora?

    3. A sic devia ter guardado sondagem da Eurosondagem sobre as Legislativas. É que os seus resultados são iguais ao das sondagens para as Europeias. E sua fiabiliadade foi o que se viu. Da vitória do PS por 5% vimos a derrota por 5% com menos 10% do previsto

    4. Parabés ao MEP que do nada aparceu com 1,5 dos voos

    António Alvim

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  3. Caros amigos de certa forma foi uma surpresa este resultado eleitoral, prespectivam-se mudanças no poder a curto prazo, mas sinceramente acho que a alternativa não é de todo uma mudança visto que Manuela Ferreira Leite aos olhos da população em geral representa os interesses instalados.Temos um grande desafio pela frente, provar aos portugueses que o PSD e o Lema de Ferreira Leite é para ser levado a sério "politica de verdade", passar das palavras aos actos e Limpar a imagem que o povo tem do PSD.
    Estou convicto que a mesma terá aprendido com os erros do passado a ver vamos! Mas eu acredito.

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  4. Por muito que os políticos tenham passado a noite a dizer que estas eleições eram muito importantes, o facto é que nenhum conseguiu esclarecer em que é que as anteriores foram importantes e a verdade é que não interessam nem ao menino jesus. No que é que as anteriores eleições foram importantes? Porque é que o parlamento europeu foi importante nos últimos 5 anos? Isto só serve para gastar dinheiro, mais nada. Esteja eu a pagar, aparecem sempre políticos à procura de renda. Por isso, na verdade, ganharam todos. E o país perdeu, como já se sabia.

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  5. Anónimo10:27

    Meu caro Zuricher:
    Estou no essencial de acordo com o que anota sobre o significado destas eleições para o futuro da UE e sobre o patente divórcio entre os cidadãos e as instituições europeias. Mas quanto a isso nunca eu tive grandes dúvidas. O modelo aristocrático em que assenta a governação comunitária, sem que a UE se defina no sentido da federalização ou da "simples" união económica e monetária, não torna surpreendentes estes resultados.
    Por isso num dos posts anteriores escrevi que, para mim, estas eleições eram verdadeiramente umas primárias em relação às legislativas. Foram assim encaradas por todas as candidaturas e, estou convencido, assim foi sentido pela larguíssima maioria dos portugueses que votaram mas também dos que se recusaram a votar.
    Neste quadro não venceu o projecto europeu do PSD sobre o projecto europeu do PS porque são iguais (a despeito das idiossincrasias de alguns candidatos do PS, a começar pelo lider da lista). O que o PSD recuperou foi a confiança de parte daquele eleitorado do centrão que decide as eleições legislativas.

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  6. Anónimo10:50

    Meu caro António Alvim:
    Para ser justo, todos ou quase todos os lideres se referiram à abstenção na noite de ontem, com excepção, creio, do BE.
    Tem razão quando diz que 62% em Portugal e mais de 50% na Europa significa um divórcio dos cidadãos em relação à classe política. Digo eu, que um divórcio com várias - todas justas - causas.
    Porém, a maior abstenção nas europeias se comparadas com os sufrágios para os governos nacionais e locais, tem também que ser imputado à falta de consciência sobre a relevância do resultado destas eleições na vida real das pessoas. E mais uma vez aí é a classe política responsável quando não descarta oportunidades para afastar os cidadãos da discussão das questões estruturais da UE, a começar pelo Tratado. Sempre senti que a recusa de referendar os tratados, e já agora, discutir os alargamentos até do ponto de vista da sustentabilidade política de uma Europa não assunidamente federalizada, foram oportunidades deliberadamente perdidas para debater os problemas da europeização das nações. O resultado está à vista. Não creio, porém, que a aristrocracia e a burocracia europeias retirem daqui quaisquer consequências.
    Quanto ao resto, de acordo, menos quanto ao MEP. Não creio que 1,5% possa ser considerado um sucesso, nem quanto à percentagem, e muito menos quanto ao número de votantes. E no entanto, num ambiente claramente avesso à bipolarização e propício ao surgimento de novos projectos, a "novidade" manifestamente não pegou.

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  7. Anónimo10:53

    Meu caro Príncipe:
    Veremos se assim é. Espera-se que as eleições legislativas não sejam somente o desfecho de um combate entre líderes. Espera-se que seja um combate de projectos. E eu espero que a Dr.a MFA seja a porta voz de novas e convincentes ideias.

    Meu caro Tonibler:
    As eleições foram para o PE?

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  8. Caro JMFA,

    Não foram?

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  9. Anónimo12:32

    Caro Toniber,

    Foram?

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  10. Caro JMFA,

    Espero que não esteja a dizer que aquilo de ontem nem para o PE serviu. Então que é que vai interpelar o comissário das pescas sobre o peixe-espada preto? Quem é que vai obrigar o comissário da agricultura explicar a alteração do calibre da maçã golden? Quem é que vai fazer de escudo humano para Bagdad? O que será do país sem estes pilares da nossa sobrevivência?

    A avaliar pela quantidade de caras "desaparecidas" que ontem andava pela sede do PSD, até parecia que (já) se distribuía dinheiro. Mas como estes meses que aí vêm irão revelar, ontem era pouco mais que o peixe-espada preto, como os 70% de pessoas que desprezaram os partidos o indicou.

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