terça-feira, 26 de junho de 2012

Remessas de Emigrantes registam forte aumento: que lição para o País!

1. Tem sido notícia destacada o aumento significativo das remessas dos emigrantes portugueses nos primeiros 4 meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011: + 17,6%, traduzido num fluxo de € 822,4 milhões (€ 699 milhões em 2011). E é o valor mais elevado desde o mesmo período de 2002.
2. Trata-se de curiosa (surpreendente?) inversão de uma tendência de queda deste fluxo, que se registava há já vários anos, e cujas explicações podem ser várias: (i) o aumento do número de emigrantes nos últimos anos, (ii) a melhoria da imagem externa do País, na sequência do cumprimento do acordo com os credores internacionais, (iii) a pujança de algumas economias de destino da nova emigração (China e Angola, por exemplo) e (iv) as dificuldades das famílias em Portugal, necessitando de maior ajuda dos que “estão lá fora”.
3. Trata-se de um contributo objectivo para reduzir a dependência da economia portuguesa em relação ao financiamento externo, ajudando a corrigir o desequilíbrio das contas com o exterior.
4. Este fenómeno, aliado ao forte incremento das exportações de bens e de serviços no mesmo período, que conduziu à quase eliminação do crónico défice conjunto destas rubricas, leva-nos à conclusão, extremamente paradoxal, de que são as principais vítimas da péssima gestão da política económica que foi imposta ao País nos últimos anos - ou seja as empresas situadas nos sectores mais concorrenciais e os muitos milhares que foram forçados a emigrar por perda de emprego ou outros motivos ligados à crise - os que mais estão contribuindo para corrigir os desequilíbrios crónicos da economia.
5. É uma enorme lição que deveria impor-nos uma séria reflexão e que deveria tb servir de exemplo para a classe política de uma forma geral (há excepções, mas são escassas), caso esta fosse susceptível de correcção o que infelizmente não me parece ser o caso…
6. Com efeito, num momento em que se assiste a este extraordinário esforço de ajuda à economia do País por parte dos que têm sido mais sacrificados, a classe e o sistema político continuam a exibir, sem qq escrúpulo, os vícios que desde sempre lhe foram reconhecidos, parecendo nada ter aprendido com a crise…
7. Assim, (i) sucedem-se os casos de confusão entre a actividade política e nomeações
para cargos empresariais, um vício endémico do sistema, (ii) assiste-se à defesa intransigente de interesses instalados tanto na Administração Central como nas Administrações Regionais e Locais e nas incorrigíveis empresas públicas, (iii) uma burocracia abominável continua entrincheirada no seu reduto (vide o Post da Margarida Correia de Aguiar), disposta a continuar a impor custos exorbitantes aqueles que querem investir/produzir!
8. Perante este mais do que lamentável cenário, é caso para perguntar aos muitos (cada vez mais?) comentadores idiotas úteis/distraídos que pululam por essa comunicação social: vão continuar a dizer que a culpa do que nos aconteceu é das medidas de austeridade, da Snra Merkel ou dos mercados? Abram esses olhos para a realidade, deixem de ser manipulados, percebam de uma vez por todas a origem do vírus que tem corroído a economia portuguesa! Basta de disparates!

7 comentários:

  1. e os comentadores, não são os primeiros interessados na parasitagem do país? O maior activo de um jornalista não são os contactos que tem na administração pública e nos partidos? A primeira coisa que um político da 5ª linha arranja não é um assessor de imprensa para lavar mais branco?

    Não há outra solução que não matar este estado com "veneno de ratos", daquele que mata as células retirando-lhes água. Tira-se o dinheiro de lá e as coisas resolvem-se.

    Neste sentido, a decisão do BCE de começar a aceitar activos que não OT's como colateral da liquidez que os bancos lá vão buscar é uma mensagem quase definitiva de que "aceitamos dívida emitida pelo país mas não dívida emitida pelo estado". Para quem tinha dúvidas de que o estado sair do euro não significa que Portugal saia...

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  2. Deveram uma notícia interessante.

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  3. Anónimo14:34

    Embora benefico para a economia portuguesa este aumento de remessas não tem as mesmas caracteristicas das remessas "antigas". Antigamente as remessas serviam para poupança. Hoje o aumento das remessas reflecte como bem apontou, por um lado o boom verificado na emigração, deixando inumeras familias portuguesas somente com um dos membros em Portugal, normalmente a cuidar dos filhos, sozinho. Estas remessas servem assim para o sustento das familias e não para serem canalizadas para poupança.
    Resta agora esperar - e teremos que esperar muito - o regresso de algum crescimento economico em Portugal, para se saber se estes emigrantes algum dia virão novamente para Portugal.
    Em relação aos "interesses" instalados, nomeadamente em todo o que gira à volta do Estado (o "polvo"), talvez as pessoas ainda não se tenham apercebido, mas mais tarde ou mais cedo irão acabar...

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  4. Caro Tavares Moreira

    O espantoso no caso dos emigrantes nacionais é que transfiram remessas. Assim que perceberem que a seriedade e honradez do Estado é um mito; mito esse que, será destruído assim que forem esbulhados, com justificações elaboradas; não tenho dúvidas que deixarão de transferir; com um pouco de sorte a "situação" muda.
    Um empresário exportador há, pelo menos mais de dez anos não é uma vítima, mas alguém que segue uma vocação. Só assim se pode compreender que tenham optado por trabalhar em setores com muito maior risco, podendo não o fazer.
    Sobre a classe de rendeiros (rentiers) nacionais o inevitável ajustamento está próximo; não mais de cinco anos; o "problema" é que essa classe é como uma cebola: para desaparecer temos que ir pelando.....e, até lá, pode, sempre, fazer muitos estragos
    Cumprimentos
    joão

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  5. Caro Tonibler,

    Tem razão em incluir mais esse grupo de comentadores: os cúmplices, que estão sentados à mesa do Orçamento tal como os políticos...esses têm pelo menos uma razão objectiva (embora não confessada) para abominarem a austeridade, querem continuar a viver à nossa custa!

    Caro Unknown,

    Não querendo negar em absoluto a sua afirmação - até porque não disponho nesta altura de dados para tal - não estou todavia convencido de que as remessas de hoje sejam assim tão diferentes das de há 20 ou 30 anos...
    Creio que as motivações dos que transferem não serão assim tão distintas das motivações dos que transferiam há anos,mas, para perceber melhor o fenómeno, seria necessário investigar um pouco mais...

    Caro João Jardine,

    Quando afirmo que o empresário exportador é vítima refiro-me aos factores que esse empresário tem de pagar mais caros por se encontrar em Portugal: capital financeiro, energia, contribuições sociais, transportes,burocracia estúpida, etc.
    Quanto aos rendeiros, oxalá tenha razão nos 5 anos, por mim considero-o optimista...

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  6. Espero sinceramente que a razão das remessas, para além das que aponta o caro Unknown, seja a esperança de regressarem e poderem um dia fazer cá as suas vidas. Muitos são jovens e acreditam que, por mais louco que seja o País, não lhes vão lançar um imposto "one shot" sobre as suas poupanças!

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  7. No que a Senhora foi falar, cara Suzana, em mais um imposto! E ainda por cima "one shot"!
    Não vê que mesmo sem qq sugestão esta gente tributa por tudo e por nada?
    Não reparou agora neste novo imposto, travestido de taxa, sobre uma suposta segurança alimentar?
    Se as remessas continuarem a aumentar, qq dia temos mesmo um imposto que chamaria de solidariedade invertida, ou seja, as remessas de emigrantes taxadas em nome da ajuda ao País que sofre...
    Isto é, os que foram "escorraçados" do País por força de uma política absolutamente incompetente, serão chamados a financiar, a título de solidariedade,a manutenção das luxúrias burocrático/despesistas que estiveram, directa ou indirectamente, na origem dessa saída!
    Seria o absurdo no mais alto grau, mas não me surpreenderia!

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