segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Resignação

O Papa resignou. Por cá, um dos primeiros a comentar foi o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, sublinhando o gesto de coragem de Bento XVI. Creio que se referia não só ao gesto mas também às razões invocadas pelo Papa para considerar que não tinha condições para prosseguir com o ministério petrino. Razões que têm que ver com o desgaste que a idade inexoravelmente produz no espírito e no corpo. Desgaste que se nota, também, nalguns espíritos de altos dignatários da Igreja Católica portuguesa, notados nas declarações de alguns dos seus bispos. Espera-se, pois, que este último ensinamento de Bento XVI seja seguido a bem do futuro de uma Igreja que bem precisa de renovação dos espíritos de alguns dos seus dirigentes. 

12 comentários:

  1. É um bom exemplo, sim!

    ResponderEliminar
  2. Este "torgal" parece que também já pediu para ser "reformado"!Vamos aguardar pela lista de reformados da CGA, a publicar lá para Março ou Abril,para vermos com quanto é que este desbocado vai assenhorear-se!
    E a propósito:porquê um bispo das FA?

    ResponderEliminar
  3. O século XXI está a revelar-se o século das mudanças a todos os níveis, naquilo que diz respeito à humanidade.
    Esta papal resignação, é de difícil compreensão, sobretudo para um leigo, incapaz de encontrar nesta decisão, motivos suficientemente fortes que a justifiquem.
    Dizem alguns "conhecedores" que ela deriva dos vários escândalos financeiros, sexuais e até atentatórios.
    Se assim é, entenderia melhor que fosse decisão do Papa, reforçar a sua posição de chefe supremo da igreja e fazer das fraquesas forças, no sentido de as emendar e sanear. Desistir, não me parece uma decisão corajosa, como comentou o Sr. Bispo Torgal, pelo contrário, parece-me sim, que o Papa entrega nas mãos dos lobos, uma Casa onde por definição deveriam residir somente cordeiros, cuja acção e missão unícas, são as de evangelizar, catequizar e preparar a humanidade para alcançar e praticar uma existência sem pecado.
    Não imagino qual possa vir a ser o resultado próximo desta resignação de Bento XVI a dia 28 deste mês mas, se resultar no desmembramento da Igreja, não será nada que Nostradamus não tivesse profetizado.

    ResponderEliminar
  4. Não sei que driá o caro Pinho Cardão, mas o resultado com o Olhanense não me pareceu assim tão mau que pudesse levar a uma renuncia....

    ResponderEliminar

  5. É notável, sem dúvida, a decisão de resignação do Papa.

    No entanto, penso eu, não é menos notável o calendário escolhido.
    Resignando a 1 de Março e sendo Domingo de Ramos a 24 (o conclave não pode reunir-se antes de 1 de Março)o período para a realização da votação.

    Mais: Bento XVI revogou a decisão do seu antecessor, que tinha derrogado o requisito da maioria qualificada de dois terços, e voltou a impor este requisito.

    Num espaço tão curto e perante uma exigência de maioria qualificada, Ratzinger quer, certamente,influenciar decisivamente a eleição do seu sucessor. Isto é: garantir a continuidade da sua política.

    Explica esta intenção o "voting paradoxes" de Arrow.

    ResponderEliminar
  6. Por favor leia:

    Resignando a 1 de Março e sendo Domingo de Ramos a 24 (o conclave não pode reunir-se antes de 1 de Março)o período para a realização da eleição é curtíssimo.

    ResponderEliminar
  7. vamos ficar sem o jauário. pobre de nós

    ResponderEliminar
  8. Aprendi a admirar Bento XVI especialmente através das suas encíclicas - lembro a encíclica CARITAS IN VERITATE - o que não foi fácil perante a grande devoção que tinha (e não esqueço) por João Paulo II que esteve presente ao longo de uma parte importante da minha vida.
    A decisão de Bento XVI sendo um gesto de grande humildade, é também uma prova de grande humanidade:
    "Depois de examinar reiteradamente a minha consciência perante Deus, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério de Pedro (petrino). Sou consciente de que este ministério, pela sua natureza espiritual, deve ser levado a cabo não apenas por obras e palavras mas também, em menor grau, através do sofrimento e da oração.
    No mundo actual, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevância para a vida da Fé, para governar a barca de S. Pedro e anunciar o Evangelho é necessário também vigor, tanto do corpo como do espírito. Vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de forma que tenho de reconhecer a minha incapacidade para exercer de boa forma o ministério que me foi encomendado".

    ResponderEliminar
  9. Tenho um profundo respeito e admiração por Bento XVI,pela força das suas convicções, pela sua coragem e também pela forma directa e clara como sempre manifestou a sua Fé, a sua doutrina e as suas razões. concorde se ou não com as suas teses e a sua visão, foi Uma figura marcante como líder do nosso tempo, que renuncia, num gesto extraordinário de humildade que restitui dignidade à velhice assumindo que a falta de forças e de saúde é o limite que qualquer homem deve saber reconhecer e ver reconhecido, com respeito e gratidão.

    ResponderEliminar
  10. É um acto de uma humildade que confunde.

    ResponderEliminar
  11. É um acto de uma humildade que confunde.

    ResponderEliminar
  12. Confunde porque nao estamos habituados, caro Luis Moreira, é muito interessante ver como já duvidamos do que é simples e óbvio, basta ver os jornais à procura de "razões", de "cálculos2, de mil e uma suspeições que poderão justificar o que, como diz, nos ocnfunde. A meu ver, é simplesmente porque deixámos de acreditar nos gestos genuinos.

    ResponderEliminar