sábado, 4 de maio de 2013

Perder rumo e caminho

Afinal, da prometida reforma da administração pública, da qual resultariam, a prazo, poupanças na despesa e, depois, diminuição de impostos, ficou um absoluto silêncio.
Esperava-se que essa prometida reforma traria uma diminuição radical dos custos de contexto, o desmantelamento do condicionamento industrial, pior do que o de Salazar, porque meramente burocrático e dependente de dezenas e dezenas de repartições e licenças, a diminuição de impostos e, assim, um ambiente favorável ao investimento e criação de emprego.
Afinal, não foi anunciado qualquer projecto, nem vai haver reforma nenhuma: nos últimos dois anos, não sobra a força, se é que alguma vez a houve, para fazer o que não foi feito nos primeiros dois.
É um retornar contínuo ao mais fácil e mais imediato: corta-se a esmo e por grosso, porque não se reforma, aumentam-se impostos, como forma de não reformar.
Porque se perdeu rumo e caminho, meter por atalhos não faz avançar, antes andar para trás.

28 comentários:

  1. ditado rural
    « para trás mija a burra »

    vamos continuar em marcha à ré num estado que só tem proa.

    faltam tomates para fazer reformas

    ResponderEliminar
  2. Parabéns, Sr. Dr. Pinho Cardão!
    Finalmente, começo a ver que o meu estimado Amigo, começou a distinguir a "floresta" para além da "árvore".
    Será que o estimadíssimo teve o privilégio de almoçar com a Drª. Ferreira Leite e de lhe escutar algumas opiniões de grande valia?!
    Agora começo a ter motivos para acreditar na reunificação do PSD.

    ResponderEliminar
  3. Caro Bartolomeu:

    Não, não ouvi a Drª Manuela Ferreira Leite, nem tive o prazer de almoçar com ela.
    E ainda consigo pensar pela minha cabeça, para seguir argumentos de autoridade, apenas porque são expendidos por pessoas de autoridade, como é o caso da Drª MFL. Ou, o que é pior, argumentos de gente mediática, mas com pouca autoridade.
    E, como me limito a exprimir a minha própria opinião, se alguém está de acordo comigo ou tem opinião semelhante, tanto melhor!...

    ResponderEliminar
  4. Louvo o surgimento da alvorada conscenciosa que tão tardiamente evidência, estimado Amigo.
    Mas, como diz a voz popular; mais vale tarde, que nunca.
    Não foi o caso da Drª. Manuela Ferreira Leite, que muitíssimo mais cedo, percebeu e denunciou a negatividade das decisões políticas que estavam a conduzir o país num rumo de destruição.
    Resta agora que quem realmente nos governa, perceba também, a necessidade de mudar o rumo e passar a orientar-se por outro farol, que não a TROICA.
    Vamos ver... diz também o povo que: enquanto hà vida, hà esperança.
    O meu receio, é que falte a faculdade de pensar (bem), a demasiadas pessoas...

    ResponderEliminar
  5. As coisas estão complicadas, pois nem vamos com estes, nem vemos alternativas minimamente capazes...
    A esquerda não vai resolver nada. O PP é demasiado populista. Falta a experiência liberal (que estes acabaram por queimar por alguns anos). É mesmo preciso reagrupar de novo no PSD. Só estou a ver alguma saída por aí e não será para tão cedo. Infelizmente poderemos ter que penar mais uns anos e cair mais um pouco com o PS. A "pressa" de Passos Coelho em deitar o Sócrates abaixo deitou tudo a perder. Nessa altura, o PS teria de ter entrado no pântano que criou. Como Guterres, saltam sempre fora no limite. Depois, vêm as "formigas" fazer o papel sujo, para depois voltarem as cigarras...

    ResponderEliminar
  6. Caro Bartolomeu:
    Claro que a " Drª. Manuela Ferreira Leite, muitíssimo mais cedo, percebeu e denunciou a negatividade das decisões políticas que estavam a conduzir o país num rumo de destruição", diz o Bartolomeu e é verdade.
    Desde 2002, pelo menos, que o diz. E, de 2002 a 2005, foi altamente contestada e até vilipendiada por isso. E até lhe foi dito que havia vida para além do orçamento, ou coisa que o valha.
    Claro que os sucessores levaram o conselho à prática e agora aqui estamos.
    Aqui chegados, se critico o que se vai fazendo, mais critico o PS por nada dizer do que fazer. Limita-se a referir que é a Europa que tem que resolver.

    ResponderEliminar
  7. Claro, caro Gonçalo, claro, mas estas formigas, se é inegável que têm trabalhado, sempre podiam tentar fazer um pouco melhor e não o que se antevê como mais fácil.
    O drama é que não se vê alternativa; a que se perfila afigura-se bem pior.

    ResponderEliminar
  8. Muito bem, Sr. Dr. Pinho Cardão.
    Quer dizer então, que só nos restam essas alternativas:
    - Deixar que o governo continue a afundar o país, a sua economia, as condições de vida da sua população, em nome de uma convicção alienada de mais e mais austeridade.
    - Esperar que a Europa resolva um problema que também "afecta" e para o qual não encontra outra medida diferente daquela que nos impõe.
    - Esperar que o PS, responsável também da continuação e do aumento da crise que não criou, mas para o aumento da qual contribuiu largamente.
    Não, meu estimado Amigo, não podemos, é um suicídio mantermo-nos na posição de apontar a responsabilidade da situação em que o país se encontra, aos que foram passando pelos sucessivos governos. Isso não é medida nenhuma e se fosse, não resolveria mais que as adoptadas pelo governo.
    Também não é solução para o grave estado em que o país vegeta.
    A solução neste momento, encontra-se nas medidas que o nosso Presidente da República, tenha a coragem e a capacidade de tomar. E com isto, não me refiro à decisão de demitir o governo. Refiro-me à necessidade de impôr mudanças de rumo, de estratégia e de responsabilidade ao executivo.
    Não foi somente o governo que foi eleito para governar, o Presidente da República, foi eleito para garantir que o governo governe, segundo as regras da constituição e tendo como primordial objectivo os supremos interesses do país e dos seus cidadãos. E a TROICA... que se amanhe!

    ResponderEliminar
  9. Pois, meus caros, só ouço asneiras das doutas opiniões de MFL, essa é a verdade. A reforma do estado é a desculpa para não se fazer nada e, em rigor, o refúgio de quem vive dele. Eu não preciso de uma reforma do estado, tirando a melhoria de alguns serviços fundamentais e isso não é trabalho de político. O estado até pode fazer a mesma coisa desde que o faça por metade do preço.

    Eu, finalmente, vi no discurso do PM aquilo que cabe a um PM: a defesa de Portugal contra a república portuguesa. O cortar dos recursos financeiros para limitar e optimizar a acção. Toda a vida ouvi que temos que mudar isto e aquilo como se fossemos obrigados a nomear políticos a partir de funcionários do estado, como se precisássemos de especialistas em educação ou saúde. Não precisamos, precisamos de limitar os recursos para que daí saia o absolutamente fundamental.

    ResponderEliminar
  10. Pois uma reforma do estado, estimado Dr. Tonibler, visa a meu ver, entre outras, decidir acabar com essa "mama" que alimenta os que vivem à sua sombra e constitui uma parte das "gorduras" de que o aparelho padece e o impedem de ser ágil e eficiente, simples e transparente, funcional.
    Quanto àquilo que o meu Amigo viu no discurso do Primeiro Ministro... deixe que lhe diga, você anda a "ver coisas".
    Mas pronto, é a minha opinião e nada mais que isso...
    «Limitar recursos, para que se obtenha o fundamental...»
    Já agora, diga-me cá: o que é para si o "fundamental", em matéria de educação, saúde, segurança?
    - Um educador por escola (sem formação, evidentemente)?
    - Um curandeiro por hospital?
    - Um caceteiro por esquadra?

    ResponderEliminar
  11. Meu caro estimado arq. eng. Bartolomeu, sou eu que sei? Acha que percebo alguma coisa disso? Acha que o PM sabe alguma coisa disso? Eu sei que valor deve ter a educação, a saúde e a segurança. Até podem por um professor, um enfermeiro e um polícia em cada casa, desde que custe metade do que custa hoje. Em reformas andamos há 40 anos. Não chega já para amostra?

    O erro enorme da democracia portuguesa é assumir o político como um gestor do estado. Não é. Ele existe para proteger as pessoas do estado porque o estado pode atingir tudo, nem que seja pela violência. O político existe para impôr-se ao estado, para subjugar o estado ao interesse do país. E se a educação do estado é má, despede os professores todos e faz como em Arruda, caso que o meu caro deve conhecer. Se o hospital é mau, despede toda a gente e mete os doentes no privado.

    Reformar o estado? Só se for para o fechar...

    ResponderEliminar
  12. Confesso, Tonibler; você deixou-me baralhado com essa estória toda de estado e de pessoas e de protecção das pessoas do estado e da imposição dos políticos contra o estado.
    Resumindo: o estado do Estado não podia ser pior dado o excesso de decisões e legislações e o diabo-a-sete que os prolíferos políticos, multiplicam, ao multiplicar-se.
    Éçaéquéessa!
    ;)

    ResponderEliminar
  13. Porque acham que devem gerir o estado, que devem responder por resultados dos serviços. Devem agir perante o resultado dos serviços. O meu ministro será aquele que chega ao jornal e diz, "a escola de Bergenjas não esteve ap nível pretendido. Foi tudo para a rua e contratámos uma escola para ficar com os putos". Tudo custava metade e era 4x melhor.

    ResponderEliminar
  14. Caro Pinho Cardão,
    Bem vindo ao mundo da realidade.

    ResponderEliminar
  15. Caro Carlos Sério:

    Sempre cá estive. E continuo a estar.

    ResponderEliminar
  16. Caro Tonibler.
    Diz que "o estado até pode fazer a mesma coisa desde que o faça por metade do preço".
    Pois não o posso acompanhar.
    O Estado não pode continuar a entravar a actividade económica, mesmo que o faça mais barato; a manter observatórios inúteis; a manter fundações sem fim útil; a gerar burocracia sem objectivo; a duplicar estruturas sem nexo; a querer o exclusivo da prestação de muitos serviços públicos; a fomentar investigação a gosto do investigador e arredada de qualquer estratégia; a manter um sector público empresarial incapaz de cumprir a sua missão. O Estado mantém funções que, se se justificaram no passado, já não têm razões para lhe pertencer e desperdiça dinheiro com elas; por isso, negligencia muitas que verdadeiramente importam, mas para as quais não sobra dinheiro.
    Portanto, caro Tonibler, para este país ser um país a sério, o Estado tem muito que fazer. E nós, cidadãos, que até elegemos os políticos, também.

    ResponderEliminar
  17. Caro Pinho Cardão, tal como o estado faz, também deixa de fazer. O que quero dizer com estas frase fabulosa é que a mesma razão que leva as pessoas a ligarem-se ao estado para fomentarem as actividades que enumera é aquela pela qual o deixam de fazer. Por metade do preço essas actividades não seriam feitas porque as pessoas iam fazer outras coisas para outro lado. Por metade do preço não teria o mesmo estado de certeza.

    Isto para dizer que a maior armadilha que é lançada pelos comensais de mesa do orçamento é atribuir-lhe a si (e a mim) o ónus de decidir como organizar a coisa. Os cidadãos têm tudo a dizer mas não têm que ser especialistas de saúde-educação-segutança-e-tudo-o mais para decidirem que político o vai fazer.

    Corte os gastos para metade. Vai ver se o estado se reforma ou não.. E estes Sócrates reais e alternativos que por aí andam nas televisões desaparecem todos como que por milagre.

    ResponderEliminar
  18. Caros,

    A ideologia neoliberal que norteia o discurso e pratica politica do PM e do MF nunca tem em grande conta a reforma do estado, a sua simplificação no que respeita á burocracia inutil e aos contratos ruinosos que faz com certas franjas do sector privado.

    Isso são pormenores ou mesmo aliados da grande estratégia ideologica é que é a destruição ou grande enfraquecimento do Estado Social.

    Nada é tão relevante como esse objectivo, e por isso a utilidade do empobrecimento da sociedade de forma a tornar quase inevitavel a conformação com a redução da despesa com a educação, saude e segurança social.

    Este governo e o seu programa é um manual quase exemplar de uma estratégia neo-revolucinária, um programa que F. Hayek louvaria concerteza com enorme ovação.

    Ficará para a historia a vergonha da opção pelo sacrificio de mais de uma geração de jovens em nome desta ideologia.

    ResponderEliminar
  19. Eu permitir-me-ia complementar os comentários a este post com uma sugestão de leitura: "WHY THE NATIONS FAIL" de Daron Acemoglu e James A. Robinson...

    ResponderEliminar
  20. Caro Paulo Pereira,

    Quaisquer 120 mil milhões resolvem a coisa. Se os trouxer salva a geração desses neoliberais.

    ResponderEliminar
  21. Tratem o sujeito que se esconde atrás de uma foto e do nome de um bastardo.

    O imbecil ainda não estudou as experiências do tipo daquelas que defende operadas na GB e nos EUA?

    Veja-se a luminária: uma escola tem resultados maus (passe a metonímia); despedem-se os professores, os funcionários, etc.... e... o que se faz às crianças? Mandam-se para o privado!

    Ora, amigo, assim se descobre a careca.

    Mas experimentem: deveria ser giríssimo.

    O mesmo se faz nos hospitais: o hospital de Bragança tem uma avaliação abaixo do esperado, fecha-se aquilo tudo e mandam-se os doentes para os privados do Porto.

    Tenha lá paciência, mas alguns de vocês tomam os medicamentozinhos antes de virem comentar?

    Ah, labrego!

    P.S. E a Cristas, hein? Grande ministra!

    ResponderEliminar
  22. Ó luminária, afinal a Ferreira Leite concorda consigo: «Se vamos fazer uma reforma apenas baseada nas restrições financeiras, então vamos fechar tudo o que dá despesa: escolas, hospitais.»

    Nem mais!

    ResponderEliminar
  23. Caríssimos que acusam PPC de neoliberal:

    Será porventura um neoliberalismo de formato ainda desconhecido.
    O aumento de impostos, sobre o trabalho e sobre as reformas, este a um nível que, creio, o PC não se atreveria a fazer (faria outras coisas, por certo...) é socialismo do mais real que existe.

    E aqui entronca um dos nossos grandes problemas: ninguém assume a ideologia que professa na governação. Soares meteu o socialismo na gaveta; PPC tem uma prática governativa tudo menos condizente com o programa de tendência liberal do seu governo. Sócrates era socialista e ninguém, como ele, protegeiu os grupos económicos ligados aos bens não transaccuionáveis.
    Os da direita têm complexos de esquerda; e os de esquerda vivem sempre com complexos de direita.
    E não é anedota, é facto bem real.

    ResponderEliminar
  24. Até "tu", Dr. Pinho Cardão?!

    ResponderEliminar
  25. caro Pinho Cardão,
    Dizer que lançar impostos sobre o trabalho é socialismo é deveras espantoso.
    Na verdade os neoliberais apoiam uma diminuição de impostos, mas, sobre o capital e nunca sobre o trabalho.
    São tambem contra a intervenção do Estado nos mercados, na economia, mas são a favor das intervenções do Estado na banca que tenha dificuldades e não se incomodam mesmo com as "nacionalizações" forçadas dos bancos como aconteceu nesta crise. Atraiçoar os seus pricípios quando daí retiram rendimentos em nada os incomoda.
    Aconselho-o a reler Friedman e Hayek.

    ResponderEliminar
  26. Caro Carlos Sério:
    No que se entende por liberalismo económico ou neoliberalismo ou o que quer que o valha, discutir é conversa em redondo, quando se parte de pressupostos e definições a gosto. Portanto, nada a fazer.
    Mas quando atribui "nacionalizações" forçadas, como diz, aos neoliberais, alto lá. Que eu saiba, em Portugal, quem "nacionalizou" o BPN foi um governo retintamente socialista.
    E quem, nos EUA, deixou falir o Lehman não foi certamente um governo socialista.
    Podíamos passar por outros lugares, mas nem vale a pena.
    É que há um limite para tudo, até para torturar os conceitos e ajeitá-los ao que se quer.

    ResponderEliminar
  27. Caro Pinho Cardão,
    A Europa está como está porque não tem havido diferença de comportamento politico entre "socialistas" e liberais, entre a esquerda e a direita que tem governado a Europa. O "pensamento único", o neoliberalismo, arregimentou uns e outros, foi adoptado quer por uns quer por outros. José Sócrates e teixeira dos santos foram os governates que até então mais aplicaram medidas neoliberais.
    Suplantados agora largamente por Passos e Gaspar.
    Quanto ao pensamento neoliberal ele está mais do que esplanado em multiplas análises dos mais diversos economistas e analistas. Os princípios e fundamentos do neoliberalismo estão bem expressos nos livros de Hayek e Friedman. Não há equívocos quanto a isso.

    ResponderEliminar
  28. Caro Pinho Cardão,

    O Neoliberalismo propagandeado essencialmente por Hayek e por mais novos seguidores "insurgentes" tem uma estratégia que se impões a questões menores como o aumento de impostos sobre o trabalho :

    a) destruição do estado social

    b) eliminação da inflação

    c) eliminação dos deficits publicos

    d) internacionalização de todos o sistema económico e abolição de qualquer nacionalismo economico.

    e) primazia da finança sobre o consumo e a produção.

    ResponderEliminar