sexta-feira, 7 de junho de 2013

"Cenário do medo"...


Certos fenómenos ecológicos obrigam-nos a refletir sobre o nosso próprio comportamento. 
Acabo de saber que os predadores não atuam no controlo das suas presas apenas pela eliminação, mas também através de outros meios, como o medo. Ou seja, a sua presença, cheiro ou quaisquer outras características obrigam-nas a um estado de alerta permanente através da referenciação de um mapa dito do medo, procurando locais de refúgio e evitando sempre que possível os locais de risco. A reintrodução de lobos num parque americano, para evitar os efeitos negativos nas árvores causados pelos veados, determinou uma redução do efetivo destes não devido exclusivamente à morte, mas a uma diminuição da reprodução em consequência dos efeitos biológicos nas suas hormonas, fruto de carências alimentares provocadas pela permanente vigília. Uma forma de intimidação com reflexos muito importantes na cascata trófica ecológica que não se fica apenas por esta relação, predador e presa, indo muito mais longe, até ao aspeto das paisagens. Dizem os entendidos que o "mundo é verde devido ao medo". Como? Evitando a destruição da paisagem graças ao medo que as espécies herbívoras têm dos seus predadores. O controlo não se faz apenas pelo ataque direto, mas sobretudo pela intimidação, que sabem reconhecer nos espaços onde habitam. Para isso servem os seus "mapas do medo".
O medo, o pânico, contribuem de forma inequívoca para um controlo eficiente do ambiente. No caso dos seres humanos também podemos observar ataques diretos que provocam a morte de outros. As guerras e os conflitos são uma boa prova disso. A par desta agressividade, ocorrem também inúmeras formas de intimidação capazes de provocar medo, ansiedade, doença e morte prematura. No entanto, não podemos extrapolar os achados do mundo natural para o homem, porque nós criámos um novo mundo, dito "cultural", em que as regras ecológicas não se aplicam, mas os mecanismos são os mesmos, e predadores e presas pertencem à mesma espécie. A falta de emprego, a ameaça do desemprego, a humilhação laboral e todos os atentados à dignidade humana andam à solta provocando medo, intimidando, não como os lobos que foram reintroduzidos na floresta americana, mas como a expressão suprema do diabolismo humano. 
Se o medo, no mundo natural, é o responsável pelo belo aspeto de "verde", verde da paz, da beleza, do equilíbrio, o medo, no mundo criado pelo homem, é o responsável pelo "vermelho", o do sangue, o da dor e o da falta de esperança.
Há mais honra e dignidade entre os assustados dos veados e os lobos, do que entre os homens, os dominados pelos demónios e os que lutam pela liberdade e grandeza humana. Neste último caso, o sucesso do diabolismo está mais do que garantido. 
Basta olhar em redor. 

6 comentários:

  1. Muito interessante. Deste fenómeno do domínio pelo medo resulta o poder de quem "protege", dissuadindo comportamentos de rebeldia sob pena de o protegido ficar exposto ao perigo que temia. E assim se constroem teias que originam, organizam e destroem sociedades.

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  2. Música para os que estão no governo
    (com instrumental de Sataton: in the name of god)

    Esconde-te por detrás do poder publico
    Escolhe a mentira que melhor prejudica
    Clama a tua ordem
    Destruindo emprego e felicidade
    Fala quando te dá jeito
    Cala os outros quando te apetece
    Como um animal
    Jogando interesses e só ganância

    Protegidos pelo dinheiro, ou um cobarde insano
    Não mintas e mostra-me a cara

    Suicida numa transe
    a political army
    Vestidos de fato e gravata
    E escondidos pelo poder

    Chama-lhe obrigação, chama-lhe certo
    Sem ver a necessidade humana
    Deixa-te levar pelo descontrolo
    Destruíndo o planeta

    Limpa a tua imagem
    Quando devias estar preso
    Reaparece, como que fizeste não foi nada
    Coragem não te falta
    Mesmo vendo o mal que andas fazendo
    Mata-te a ti mesmo
    Pela resposta às tuas acções

    Protegidos pelo dinheiro, ou um cobarde insano
    Não mintas e mostra-me a cara

    Suicida numa transe
    a political army
    Vestidos de fato e gravata
    E protegidos pelo poder

    Chama-lhe obrigação, chama-lhe certo
    Sem ver a necessidade humana
    Deixa-te levar pelo descontrolo
    Destruíndo o planeta

    Capturado em todas as tuas mentiras
    Medo nos teus olhos

    O dinheiro mete-te doente
    O teu poder é em vão
    Fechados no gabinete
    Para destruir o continente
    Consequências da tua acção

    Capturado em todas as tuas mentiras
    Medo nos teus olhos
    O dinheiro mete-te doente
    O teu poder é em vão
    Fechados no gabinete
    Para destruir o continente
    Consequências da tua acção

    Escolhidos pelas pessoas, pra fazer o que apetece
    Não mintas e mostra-me a cara

    Suicida numa transe
    a political army
    Vestidos de fato e gravata
    E protegidos pelo poder
    Chama-lhe obrigação, chama-lhe certo
    Sem ver a necessidade humana
    Deixa-te levar pelo descontrolo
    Destruíndo o planeta

    Suicida numa transe
    a political army
    Vestidos de fato e gravata
    E protegidos pelo poder

    (ainda temos que andar com coisas com estes gajos,
    como por exemplo estar à espera não sei do quê)

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  3. Professor Massano Cardoso
    Muito interessantes as imagens do círculo virtuoso do medo sobre o ambiente e do círculo vicioso do medo sobre o homem. O que é grave é que no mundo dos homens o medo e as consequências do seu domínio entrem na normalidade.

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  4. Este "alerta" que o Professor Massano aqui nos deixa, sobre a necessidade humana de dominar pelo medo, é "coisa" que vem a ganhar dimensão nos últimos tempos. E esse facto deve-se, do meu ponto de vista, à fragilidade em que muitos passam subitamente a encontrar-se, vítimas do poder e da descriminação de outros.
    Mas não é forçoso que assim tenha de ser. Não é forçoso que os mais desprotegidos, tenham de se sujeitar à tirania dos mais poderosos, e não necessário que haja conflitos entre uns e outros para que seja salvaguardada a integridade de cada um. Para já, em minha opinião, basta que se adote a posição de objetor.

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