quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Atenção ao próximo Outono...


1.     O FMI divulgou a 31 de Julho o relatório da 4ª avaliação do 2º Programa de Assistência Financeira à Grécia, no qual conclui pela insuficiência do “envelope” de € 173 mil milhões aprovado em Março de 2012 para vigorar até Março de 2016.
2.     Segundo o FMI, será ainda necessário que os credores europeus da Grécia disponibilizem mais € 11 mil milhões de ajuda financeira para além da que está prometida e, adicionalmente, se preparem para um perdão de € 7,4 mil milhões – tudo como condição para que a Grécia possa cumprir o serviço da dívida pública a que está obrigada, até ao fim do Programa e no pós-Programa…
3.     Se a ajuda adicional de € 11 mil milhões, embora não aceite ainda, parece não suscitar grandes inquietações, o mesmo não se pode dizer do perdão de € 7,4 mil milhões, que é por agora tema absolutamente proibido, tanto na Alemanha como noutros países credores do norte da Europa.
4.     A Alemanha vai a votos para o Parlamento Federal, a 22 de Setembro, e na opinião pública alemã qualquer referência a perdão de créditos oficiais à Grécia ou a outro país sob assistência financeira da Troika é vista com a maior hostilidade – enquanto os crescimentistas domésticos alimentam sonhos quanto a facilidades desse tipo, é bom não esquecer que se existe fadiga social e política nos países sujeitos a medidas de austeridade existe uma fadiga simétrica, que rejeita ajudas extra, nos países credores…
5.     Tem-se assim a noção de que até final de Setembro nada de especial irá acontecer, mas depois estes temas voltarão inapelavelmente à discussão – quanto mais não seja a propósito da 5ª avaliação do Programa de Assistência da Grécia e/ou da votação dos Orçamentos grego e português para 2014…
6.     Anote-se que, apesar da aparente “generosidade” das propostas do FMI para a Grécia, o Fundo coloca sempre como condição “sine qua non” desses apoios o cumprimento estrito da condicionalidade por parte da Grécia – em especial uma significativa redução do número de funcionários públicos e a efectiva implementação de um amplo programa de privatizações – matéria que na Grécia assumem um carácter altamente tóxico…
7.     Por cá, tenho a noção de estamos a atravessar uma “twilight zone”, favorecida pelo recesso estival, em que não se entende muito bem qual o rumo dominante dos acontecimentos – se o prosseguimento da consolidação orçamental (vulgo austeridade) ou uma nova era, ainda carregada de névoas mas com um discurso cada vez mais impregnado de crescimento…
8.       …enquanto o ambiente morno vai sendo animado pela banda dos SWAPS, em que a música dominante, transmitida incessantemente pelos indomáveis e clarividentes media, sugere espantosamente uma leitura em que o anterior Governo surge no papel de VÍTIMA quase INOCENTE!
9.       …convém todavia não esquecer, apesar deste ruido de fundo,  que ainda estão por realizar 5 exames sobre o cumprimento do PAEF,  qual deles o mais complexo e que a condicionalidade que temos para cumprir, mais as idiossincrasias do TC, vão certamente “dar-nos água pela barba”…

3 comentários:

  1. Caro Tavares Moreira,

    A avaliar pelos buracos que ainda se vão descobrindo e que são culpa minha, espero que a próxima avaliação corra tão mal que façam do senhor do FMI presidente da república. Já não há paciência nenhuma para a aristocracia estatal que se defende independentemente do descaramento do roubo.

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  2. Caro Dr,
    Uma desgraça não vem só. Além do governo anterior estar exposto á publicidade enganosa do City, teve ainda, segundo António Costa, de arcar com uma taxa de juro muito baixa, o que o levou a endividar-se muito para além do pretendido.
    Afinal portou-se como a tal dona de casa, muito referida por Medina Carreira.

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  3. Caros Comentadores,

    Em 1º lugar as minhas desculpas pela estranha intromissão de hackers na composição deste texto que me surpreendeu tanto como provavelmente aos leitores. Tive o cuidado, após colocar o Post, de verificar o texto, que se apresentava sem mácula (para além do pecado original da autoria). Não consigo entender a razão desta alteração, mas prometo investigar...

    Caro Tonibler,

    Isto está mesmo de fazer perder a paciência a um santo, como bem sugere o seu comentário...
    A total cumplicidade dos media, que diariamente fazem a apologia do aumento das despesas públicas, a respeito de qq tema, para logo a seguir verberarem os aumentos de impostos, intersecta profundamente a esfera do inimaginável, do absurdo, do paradoxal, da mais rematada idiotice,etc, etc...
    Neste contexto,´parece nada haver a fazer meu Caro, a não ser pela porta de saída...

    Caro Oscar Máximo,

    Muito bem observado, em particular essa descoberta do anterior Governo ter sido também vítima das baixas taxas de juro é realmente uma beleza! O tal comentador revela, nesse delicado pormenor, todo o esplendor dos seus ilimitados recursos!

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