quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Jogos de palavras, palavras que não jogam...

Estamos todos muito cansados de jogos de palavras. E com muita razão. O debate de hoje na Assembleia da República nada esclareceu, de novo a troca de acusações mútuas tomaram conta do suposto debate. A oposição diz que os cortes nas pensões são “retroactivos”, o governo chama-lhes “retrospectivos”. A oposição acusa o governo de ter ultrapassado a “linha vermelha”, o governo acusa o PS de ter aceite colocar no memorando um corte nas pensões a partir de 1.500 euros. O PS acusa o governo de ter aprovado cortes a partir de 600 euros, o governo justifica-se que foi além do que está no memorando porque tem obrigação de garantir a sustentabilidade, de garantir que no futuro haverá pensões. Mas a pergunta que se coloca é: quem pode garantir pensões, como, que pensões?
Nada pode ser pior para uma sociedade do que a perda da esperança e a falta de confiança no sistema de segurança social e na decisão política, com a incerteza sobre as pensões a tomar conta das actuais gerações de pensionistas e das gerações mais novas. O debate de hoje, e todos os outros que o antecederam, em lugar de esclarecer as pessoas serviu para ajustar contas políticas. O País ficou uma vez mais "esclarecido"...

6 comentários:

  1. Tem toda a razão, cara Drª Margarida, na actual conjuntura politico-governamental, nada está garantido. Mas esta falta de garantias, ou a sua "extinção" não é só filha de um pai (o desgoverno), é também filha de uma mãe apática, anorética e completamente desorientada ( a população). Ora, com pais assim, não ha família que se entenda e que seja capaz de encontrar um rumo para se erguer...
    Antes de ontem, tivemos a fantochada degradante de um ex-presidente a instigar o seu povo à revolta, ontem, tivemos a fantochada degradante de uma manifestação de polícia com polícias a fingir que controlavam a "fúria" de polícias que 5 minutos depois já tinham voltado para casa, comer a sopinha que já começava a ficar fria, hoje talvez seja a vez do governo vir à televisão fantochar as fantochadas, mais logo, os comentadores-a-metro, vão comentar públicamente as fantochadas das fantochadas que parecia não serem fantochadas. Os militares já declararam que não irão liderar uma revolta, um golpe de estado, ou seja o que for (é que o país não tem dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais para manter as belas reformas e outras mordomias que lhes são concedidas). Então, resta-nos comer e calar e pedir a todos os santinhos para que a D. Isabel Jonet continue de boa saúde e imbuída dos mesmos ideais.

    ResponderEliminar
  2. E quem colocou o país nesta situação?Passa a agitador social? Não têm todos a obrigação de se entenderem?

    ResponderEliminar
  3. A Troika portuguesa, Passos, Portas e Cavaco, devem pensar que o povo português é estupido e que podem impunemente continuar a enganá-lo. E que as famílias, os cidadãos, vão acatar docemente a miséria que lhes querem impor. Estão enganados se assim pensam.

    Não são só as greves que se multiplicam por todo o lado e que alastram a todos os sectores de actividade que deveriam fazer pensar muito seriamente a nossa miserável Troika. O grito de inconformismo dado hoje por Mário Soares e muitos outros verdadeiros democratas e verdadeiros sociais-democratas deveria igualmente merecer muita atenção.

    Mas, o que eles verdadeiramente devem temer é o mal-estar das forças de segurança, hoje bem expressa na manifestação que consegue agregar todos os ramos das forças de segurança.

    Os portugueses não irão permitir, que a Troika portuguesa “refunde o estado”, isto é, altere o regime institucional que vigora desde o 25 de Abril de 1974, sob que pretexto for. Que destrua o estado social, a protecção social das famílias mais carenciadas, a Escola pública, a Saúde pública, conquistas dos portugueses com o 25 de Abril.

    ResponderEliminar
  4. Tal como o nó com que Górdio amarrou o seu carro de bois à coluna do templo de Zeus, este, que amarra o povo português a uma visão imbecil de quem o governa, venha a ser desfeito com a mesma simplicidade com que Alexandre... o Grande (não sei se de feitos se de altura) utilizando a espada... o desfez.

    ResponderEliminar
  5. Por falar em "jogos de palavras".

    Como classificar alguém que, tendo 15% dos votos, fala “em nome dos portugueses” e exige que quem foi eleito com mais de 50%, se demita?!

    Como classificar a extrema-esquerda portuguesa que, representando cerca de 5% do voto popular, fala “em nome dos portugueses” e exige que os partidos que alcançaram maioria nas urnas, se demitam?!

    São estes srs que se reuniram na Aula Magna que, entre apelos à violência umas larachas sobre patriotismo, vêm dar lições sobre democracia e alertar os portugueses que caminhamos para uma ditadura?!

    Salazar, é que achava que o povo português não tinha o discernimento suficiente para saber o que era melhor para si – ele, e os “patriotas” que o rodeavam, ACREDITAVAM genuinamente que salvaguardavam melhor os interesses dos portugueses que os próprios – esta ideia foi o alicerce do Estado Novo!

    Em vez de reconhecer e corrigir os problemas que nos trouxeram até esta crise, é mais provável que Portugal – pela cegueira ideológica de meia-dúzia de iluminados e de uma “pseudo-elite” da capital – caminhe para um buraco, uma tragédia grega.

    Isto sim, faz-me pensar se não será melhor emigrar…

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/11/o-espirito-de-salazar-esteva-na-aula.html

    ResponderEliminar
  6. Caro Bartolomeu
    Uma coisa parece estar garantida: não se consegue progredir no que quer que seja com um ambiente político crispado que extrema posições. Como pode haver equilíbrios e consensos?
    Caro Luís Moreira
    Boa pergunta, todos têm obrigação de se entenderem. Mas todos acham que têm o direito de se desentenderem.
    Caro Carlos Sério
    Há quanto tempo o país andou a ser governado com ilusões e promessas impossíveis de cumprir? A memória das pessoas não é assim tão curta. O estado a que o país chegou e o descrédito a que chegaram os nossos políticos e instituições vem de longe. As pessoas estão descontentes, sim, têm razões para estarem assustadas e muito preocupadas. Datar ao início do PAEF os males do país não é aceitável.
    Caro murphy V.
    A emigração é a pior "guerra" uma guerra silenciosa que compromete ainda mais o futuro do país.

    ResponderEliminar