quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Contas Externas de 2013: pontaria afinada do BdeP e avisos do FMI...

1. No Post editado na última 3ª Feira, com que regressei ao “trabalho” no 4R, referi –me à elevada probabilidade de virem a confirmar-se as estimativas do BdeP, divulgadas há mais de 1 mês, no Boletim Económico de Inverno, relativas ao desempenho das contas com o exterior: saldo conjunto das balanças Corrente e de Capital de +2,5% do PIB, saldo conjunto das balanças de Bens e Serviços de +1,7% do PIB.

2. Pois bem, na edição do Boletim Estatístico de Fevereiro esta manhã divulgada, ficaram a conhecer-se os resultados das contas externas para o conjunto de 2013: saldo conjunto das balanças Corrente e de Capital, + € 4.293 milhões, ou seja 2,6% do PIB; saldo conjunto das balanças de Bens e Serviços, + € 2.845 milhões, ou seja 1,7% do PIB...pontaria afinada, do BdeP...

3. A significativa melhoria das contas com o exterior é extensiva a todas as rubricas, com a curiosa excepção da balança de Capital, em que o saldo positivo, de € 3.412 milhões, ficou aquém do registado em 2012, de € 3.870 milhões...

4. ...e com relevo para a melhoria da balança de Serviços, cujo saldo positivo passou de € 8.867 milhões em 2012 para € 9.925 milhões em 2013 (+14,25%), bem como para a redução do ainda muito elevado défice dos Rendimentos, reflexo do imenso nível de endividamento acumulado pelo País nos 15 anos que precederam o acordo com os credores internacionais, tendo esse défice passado de € 6.938 milhões em 2012 para € 5.925 milhões em 2013 (uma queda de 14,6%).

5. Uma nota também para a balança comercial de Bens, cujo défice de € 7.080 milhões caiu quase 20% em relação ao défice de 2012, que tinha sido de € 8.835 milhões, graças ao crescimento das exportações de 4,9% e à prática estagnação das importações, com uma variação de +0,1%...

6. ...curiosamente, será este “forte” recobro das importações de bens que parece justificar alguns avisos do FMI no tocante à sustentabilidade da retoma da actividade económica nesta fase de ajustamento da economia...

7. ... Avisos que, na minha opinião e apesar desta aparente manigância dos números, não devem ser subestimados, saliento...

8. Uma última nota para registar que o total das exportações de bens + serviços ascendeu em 2013 a € 68.218 milhões, equivalendo a cerca de 41,3% do PIB, contra cerca de 28% há poucos anos atrás...

7 comentários:

  1. os tótós-zeros vão enviar o boletim e o resultado para o TC e para o MºPº, verdadeiros executivos neste rectângulos de tribunais de mau-gistrados não eleitos

    a oposição tornou-se 'o da joana'

    ainda acaba louca

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  2. Caro Tavares Moreira,

    Primeiro devemos fazer referência ao facto do Banco de Portugal ter (quase) acertado uma previsão, apenas um mês depois do ano previsto ter acabado. Sabíamos que esse dia havia de chegar.

    Depois, e antecipando o rol de indicadores parvos do tipo "quebra de 12% no sentimento dos investidores" que deve vir por aí abaixo, só gostava de acrescentar aos seus comentários que estes números enquadram de forma completamente diferente as crises que possam aí vir. Este números são números de um país (quase, quase) viável. Crises virão, mas um país viável sabe lidar com elas, ao contrário do buraco financeiro em que andávamos e que faliu.

    Finalmente, estes números também nos devem dar algum receio. O Portas já deve andar a esfregar as mãos.

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  3. Caro Tavares Moreira

    Neste dias o país ofereceu-se a si próprio um duche escoçês.
    Internamente fornecemos a água quente e o exterior a água fria.
    Curioso foram as reacções....
    Cumprimentos
    joão

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  4. Caro Floribundus,

    Conenhamos que designar magistrados por método electivo seria um pouco trabalhoso, não acha?

    Caro Tonibler,

    Acompanho-o na malícia temperada do último parágrafo de seu comentário...

    Caro João Jardine,

    Se me permite um leve aditamento ao seu interessante comentário, eu diria que há dois exteriores. Há em 1º lugar o exterior dos nossos clientes de comércio externo (bens+serviços) que tb forneceu água quente, com relevo para a vizinha Espanha que aumentou espectacularmente as suas compras (+10%)...
    E há o exterior oficial, mais troikiano e burocrata, que nos avisa (e o nosso track-record bem justifica esses avisos) dos riscos de euforia face a estes desenvolvimentos tão favoráveis...

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  5. Pois, se o PIB continuar a regredir como tem estado a acontecer anos a fio e tudo indica que assim continuará, apesar dos futurólogos do 4ª Republica preverem o contrário, as nossas exportações, em percentagem do PIB, atingirão em breve valores recordes. Portanto, se pretenderem que a percentagem do PIB as exportações cresçam rápido e muito uma das soluções será provocarem uma recessão tão grande quanto possível. É fácil, é barato e não dá grande esforço.

    Só um comentário mais.

    Não sei a que “ poucos anos atras” se refere o TM. Se está a referir-se a 2008, por exemplo, bem, as exportações representavam não 28% mas 33% e com um valor do PIB superior em cerca de 5.000 milhões ao que temos hoje. Com o valor do PIB de 2013, as exportações de 2008 representariam hoje cerca de 35% do PIB. Mas se “os há poucos anos atras” se refere a 2010, então com o valor do PIB de 2010, teríamos hoje um valor de 39,7% para as exportações de 2013, longe também dos 41,3% apontados.

    Uma correcção, no ponto 8. do post onde se diz que o “saldo positivo passou de € 8.867 milhões em 2012”, não é este valor mas 8.687.

    Já agora um dado de hoje:
    O índice de novas encomendas na construção diminuiu fortemente(no 4º trimestre de 2013), em termos homólogos, 30,2%. (INE, 21.02.2013)

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  6. É sempre bom ver a fórmula de cálculo do PIB.

    Pode-se comparar PIBs entre diferentes anos e concluir que o mais baixo é mais saudável que o mais alto, pela estrutura que compõe cada um.
    .
    Prefiro um PIB com um crescimento nulo ou raquítico, a um PIB com um crescimento claro e (in)sustentado em mais despesa do Estado.

    Estou com Nassim Taleb, prefiro um PIB mais baixo mas menos défice e menos risco:
    "Risk comes first because we can't survive.
    Fragility is more important than growth.!"
    E
    "Fragility, trumps growth. If a plane has an elevated chance of crashing, even if that chance is very small, we would give that priority over its speed or its price. So, governments should have a risk manager’s mindset, and not try to prod the economy into growing. Without a risk-averse mindset, risks will grow."

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  7. Caro CCz,

    Pode usar no plural, se não se importa: "preferimos". A nossa história económica dos últimos 15 anos é suficiente para explicar o porquê essa preferência...

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