segunda-feira, 4 de maio de 2015

Venezuela: o invejável privilégio da soberania monetária...

1. Nas notícias de rodapé  de alguns canais de TV podia ler-se, por estes dias, a exuberante notícia do aumento, em 30%, dos salários e pensões (públicos) na Venezuela...
2. Para os espectadores incautos (e não serão poucos...) esta notícia, na sua simplicidade, deverá ter despertado um sentimento misto de admiração/inveja: que povo feliz, os venezuelanos, com aumentos destes...nós por cá sujeitos à miséria da austeridade e dos comandos da Troika, que triste sorte!
3. Importa acrescentar que esta decisão, de "grande generosidade" por parte do governo venezuelano, foi anunciada durante as celebrações do 1º de Maio, em Caracas, à mistura com duras vociferações tendo como principal alvo os EUA e o perigoso "belicista" Obama...
4...o que se compreende bastante bem pois para um regime político afundado na corrupção, em perda vertiginosa de credibilidade interna e externa, sustentado no uso da mais democrática violência contra aqueles que internamente têm a ousadia de fazer oposição, a invenção de uma ameaça externa é sempre a melhor apólice de seguro...
5. Para os mais bem informados, todavia, esta decisão de aumentar salários e pensões (públicos) em 30% não passa de mais um embuste - este aumento salarial será, como foram anteriores aumentos, rapidamente devorado por uma inflação galopante (150% ao ano) e  sua utilidade será praticamente nula pois o país sofre de uma grave escassez de produtos, as superfícies comerciais registam filas intermináveis de pessoas procurando chegar a prateleiras quase vazias...
6....o que é consequência de uma sólida incompetência oficial na gestão da economia e, segundo rezam as notícias, de uma corrupção sem controlo...
7. Na minha análise, todavia, este aumento salarial reveste-se de um grande significado: ilustra bem as enormes vantagens da soberania monetária, a mesma soberania que as CGTP's, os PCP's e outras organizações patrióticas ardente e generosamente desejam para Portugal, em ordem a erradicar os malefícios do Euro (baixa inflação, controlo dos défices públicos, privatizações, etc, etc).
8. A soberania monetária, como vemos por este exemplo, é um alto privilégio, permite aumentos salariais de 30% e muitas outras façanhas...que inveja dos venezuelanos que podem gozar de tal privilégio. 

2 comentários:

  1. Caro Tavares Moreira,

    toda a gente sabe que os ordenados não sobem por causa das políticas da direita austeritarista, ao serviço da Sra. Merkel e dos especuladores da economia de casino, do capitalismo imperialista e da América de Bush. Nos países progressistas, como a Venezuela, o Zimbabue e, muito em breve, a Grécia que se recusam a ver a suas políticas progressistas manietadas pelas grilhetas do grande capital, a vida corre com abundância e livre de hábitos burgueses como limpar o rabo com papel ou comer carne.

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  2. Caro Pires da Cruz,

    Ora aí está, mas não se esqueça que as inequívocas vantagens de que esses países modelo de boa vida (para alguns, sem dúvida) gozam, tem uma explicação que se sobrepõe a todas as outas: a soberania monetária, que os nossos CGTP's tanto desejam reconquistar...
    Podem emitir moeda até fartar, as impressoras/rotativas de notas dos seus independentes bancos centrais são infatigáveis!

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