quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Febre fiscal...

Esta febre fiscal explica o país que não podemos ser. A cultura de instabilidade e imprevisibilidade impede o investimento de longo prazo. Esta cultura é contrária ao investimento produtivo, a projectos consistentes de futuro. Sem confiança não há quem invista. A necessidade aguça o engenho. Assim fosse. Se não formos capazes de mudar o que está mal feito não teremos a recompensa. Não nos podemos queixar.

11 comentários:

  1. Não há economia que aguente!, as compulsivas e crescentes necessidades de funcionamendo do Estado estão a destruir o futoro do país e, ou a empurra-lo para um qualquer totalitarismo.

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  2. Anónimo11:55

    Cara Margarida, estou de pleno acordo consigo. Agora, o que diz é real hoje tanto como já o era há 20 anos. E é um dos motivos pelos quais duvido muito da democracia em Portugal como ferramenta para conduzir o país e a sociedade aos progressos económico e social. Essa instabilidade de que fala é natural na sociedade Portuguesa. Teixeira de Pascoaes no seu "A Arte de Ser Português", entre muitos outros items, passarinhou por essa insatisfação permanente da Portugalidade que leva a essa instabilidade. Essa mudança de que fala não é algo ao alcance da sociedade Portuguesa.

    Sabe? Visto de fora e com um grande distanciamento, o percurso de Portugal parece o da Argentina que nas décadas de '20 e '30 era a grande promessa da América Latina, um país em boom e desenvolvido mas que após a Segunda Guerra entrou em declínio do qual nunca mais saiu e ficou-se pela promessa.

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  3. Na minha modesta opinião e por se tratar já de um folclórico costume enraizado, acho que Portugal deveria enviar à UNESCO, a candidatura para que a "sua" febre fiscal - à semelhança daquilo que sucedeu com os chocalhos alentejanos - fosse considerado e classificado como «Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente»...
    (que me perdoem os chocalhos e os alentejanos, a ousadia da comparação)

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  4. Off-topic: Gostaria de saber qual é a posição do novo governo socialista/comunista português em relação à afirmação do socialista/comunista brasileiro Lula da Silva, hoje, em Madri, de que "a culpa pelo atraso educacional do povo brasileiro é de Portugal"?!!!!

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  5. Caro António Barreto
    Elevada carga fiscal e elevada instabilidade de políticas fiscais são entraves ao desenvolvimento económico. São factores a juntar a outros que explicam o rumo do nosso País.
    Caro Zuricher
    O que nos tem acontecido e o declínio de que fala têm raízes profundas que nos caracterizam. Tudo tem uma explicação. A justificação, entre outras, recorrentemente apresentada, de que a nossa periferia explica as nossas dificuldades não colhe, mas precisamos de nos autoconvencer das fragilidades que não somos capazes de resolver, como por exemplo a educação.
    Caro Bartolomeu
    Não sei se seria perdoado!

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  6. É muito pertinente a sua observação, Estimada Margarida Corrêa de Aguiar.

    Discordo bastante do comentário de Zuricher que, concordando consigo, remete para a Democracia as culpas das instabilidades que, afinal de contas, não são apenas fiscais. Na Educação p.e., têm sido também recorrentes os casos de constante faz e desfaz.
    A Democracia tem as costas largas mas, como observou Churchill, não se observou ainda sistema que seja menos mau.

    Aproveito para colocar uma questão fora do tema mas relacionada com a publicação dos rankings do secundário, que estão a suscitar os comentários do costume:
    Por que é que no secundário o privado é superior e no superior o privado, com excepção da Católica, é secundário?

    Feliz Natal e um Óptimo 2016!

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  7. Anónimo21:42

    Caro Rui, é evidente que as instabilidades não são apenas fiscais. O descontentamento permanente da Portugalidade manifesta-se em tudo. O Rui apontou a educação. Alguma vez durante o Estado Novo se viu este forrobodó dos tempos actuais com programas e regras a mudar tão frequentemente? Como é que algum pai ou aluno consegue gerir um percurso escolar quando não é possivel ter a expectativa de nada nem de coisa nenhuma? Eu não tenho filhos nem terei mas, se os tivesse, não os criaria na Europa, isso desde logo e por vários motivos sendo a educação um deles. Não apenas os conteúdos educativos mas também a filosofia cultural que é incutida às crianças no sistema de ensino. Mas se por algum bambúrrio de extremíssimo azar tivesse que criar um filho em Portugal, filho meu não estaria no sistema de ensino de maneira nenhuma.

    Não subscrevo a frase de Churchill porque não vejo, sequer, como pode supôr-se haver um sistema político ou mesmo de organização do Estado com aplicabilidade universal. Para cada sociedade, para cada contexto, há uma solução mais adequada. Concordo plenamente que em Inglaterra o sistema democrático é e tem sido há centenas de anos uma ferramenta para o progresso económico e social da sociedade Britânica. O mesmo poderia dizer da Suíça, por exemplo. Pelas suas características são sociedades onde o regime democrático pode vingar. Já em sociedades como a Portuguesa desconfio imenso da democracia e quanto mais vivo e vejo mais consolido esta minha posição. O regime democrático em Portugal permite precisamente fomentar o pior que existe na cultura Portuguesa, deixando esses elementos negativos sem rédea donde redunda o estado a que chegamos. Em Espanha, por exemplo, aceito perfeitamente o regime democrático e tem sido, aliás, muito útil ao Reino. Primeiro porque a cultura Espanhola é totalmente diferente da Portuguesa. E, em segundo lugar, porque em Espanha há sempre as forças armadas em pano de fundo que impedem certos aventureirismos.

    Boas Festas!

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  8. Estimado Rui Fonseca
    Boa questão! Não sei responder satisfatóriamente.
    A preparação escolar dos alunos que ingressam no superior é fundamental. Julgo que é indiscutível. Mas não chega.
    Onde é que posso consultar o ranking do superior?
    Obrigada pela visita.
    Boa Quadra Natalícia.

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  9. Concordo inteiramente, é necessária maior estabilidade fiscal. Mas pegando noutros comentários, essa estabilidade deveria ser alargada a outros domínios, em particular ao ensino.
    Os governos socialistas gostam de abrir instituições públicas ao lado de privadas que já existiam, arruinando estas e o horário público em simultâneo, em lugar de negociar e fiscalizar. Foi uma prática comum. A bandeira do direito à educação e da qualidade (porque não fiscalizou) serviu os propósitos ideológicos. Por outro lado, o ensino superior e a ciência são dois lobbies muito fortes.

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  10. Caro Alberto Sampaio
    É verdade, a educação é outro exemplo. Não há sistema de educação que resista à ausência de uma política consistente. Políticas há muitas, temos experimentado de tudo. Mudam os governos mudam as políticas. O resultado desta deriva ziguezaguiante Não pode dar bom resultado.

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