sábado, 9 de janeiro de 2016

Um país em modo de experiência...

Não sou especialista em educação e talvez por isso não entenda que vantagens podemos encontrar em políticas que invariavelmente alteram o sistema de educação. Em dezasseis anos, desde 2000, os governos alteraram quinzes vezes as regras de avalição do ensino básico. Somos um país em modo de experiência. Pergunto-me o que aprendemos num período tão longo com as sucessivas experiências realizadas. Esta deriva de fazer e desfazer, de avançar e recuar ou de experimentar e voltar a experimentar não pode trazer bons resultados. A educação é uma daquelas áreas em que é nessária estabilidade. Sem estabilidade não há confiança. Com tantas mudanças e sem uma avaliação efectiva dos resultados das várias experiências é difícil perceber o que deve ser feito, quais os modelos de avaliação mais vantajosos para os alunos em termos de melhoria dos níveis de aprendizagem e de preparação para a vida. E para os professores  não deverá ser indiferente o modelo escolhido em que assenta a sua responsabilidade. É toda uma cultura de educação que está em causa. Todos temos preferências, não sendo especialistas, mas com tantos catedráticos especialistas seria de esperar um consenso duradouro sobre o sistema de educação mais vantajoso. Não tem que ser o óptimo, o óptimo é inimigo do bom. A educação é uma área sensível, é nela que depositamos a capacidade do nosso desenvolvimento. 

6 comentários:

  1. Drª Margarida Aguiar, muitos parabéns pela sua lúcida percepção do que é realmente necessário para se credibilizar a Educação em Portugal.
    Que INFELIZES somos num país em que as forças políticas com assento parlamentar e outras que eventualmente queiram aderir, não conseguem entender-se para um acordo efectivo e duradoiro em matéria de Educação e outros, como a Saúde, o Emprego, etc.
    Com gente desta, imbuída de partidarite e de certezas absolutas, nunca chegaremos a qualquer lado. Quem sofre e quem paga?
    O Zé Português e quanto mais débil, mais paga.
    Respeitosos cumprimentos.

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  2. Muito sensato o comentário,. Mas não sendo catedrática na área, acha que é com pezinhos de lâ, que se rebate a pouca vergonha a que assistimos com a conivência ignóbil dos maiores interessados : os encarregados de educação?
    Claro que a mentira que a educação é "gratuita" faz amolecer quem se preocupa pouco com os custos que não vê directamente na carteira.

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  3. Caro SGLS
    É uma infelicidade que não sejamos capazes de construir um entendimento sobre o que queremos para o sistema de educação. Fazer ajustamentos depois de observar os resultados é uma coisa, mas fazer mudanças atrás de mudanças é outra. Ainda uma mudança não está concluída já outra está a caminho. Não pode produzir bons resultados. O que seria de uma empresa, para dar um exemplo, que todos os anos alterasse o seu modelo de organização. Abriria rapidamente falência.
    Caro Antonio Cristovao
    Não é preciso ser catedrático para perceber que nada se conquista com "pezinhos de lã", para utilizar a sua expressão. Um dos nossos problemas é que não temos instituições fortes, com qualidade. Veja os sindicatos na Alemanha. Por cá a Auto-Europa é um bom exemplo.
    Tem alguma sugestão a fazer para acabar com a pouca vergonha que mencionou?

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  4. Margarida Corrêa de Aguiar,

    O assunto que nos traz é da maior importância por afectar crianças e jovens e pelos seus reflexos no longo-prazo.

    O que ocorreu com os exames nacionais que agora são abolidos, é um excelente exemplo daquilo que não se deve fazer e julgo se enquadra na sua perspectiva. Mesmo que não se concordasse com a realização dos exames, era perfeitamente possível fazer de outras formas, mas essencialmente deveria fazer parte de um plano mais amplo e bem pensado. Neste caso, foi dizer que iam ponderar, mas no dia seguinte estavam extintos.

    Seja como for, neste campo todos têm responsabilidades. Um dos actores menos óbvios são muitos dos pais, como refere o caro António Cristovão. Outro, foi o governo anterior do ps que destruiu uma instituição já bem organizada chamada ATL entre outras asneiras. No ensino superior, o ministro Mariano Gago foi mau no campo do ensino superior onde fez tudo à pressa. Já no governo psd/cde, também houve asneiras e em particular o pm PPC não ficou bem na fotografia ao não ter escolhido o Prof. Santana Castilho. Julgo que com SC tudo teria sido diferente.

    Em termos de acção, é preciso desmontar/esvaziar a máquina burocrática da 5 de Outubro e acordar uma acção de longo prazo do interesse Nacional (dos nossos jovens) e no máximo respeito possível por todos os actores (dificilmente pela fenprof).



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  5. Caro Alberto Sampaio
    Faz muita falta, como aponta, um "plano amplo e bem pensado" que reflicta um compromisso nacional e inclusivo. Já se falou tantas vezes deste assunto! Num comentário atrás referi que não temos instituições fortes. É um problema grande.

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  6. Cara Margarida Corrêa de Aguiar,

    Talvez para fechar por agora este tema, gostava de deixar mais umas notas quanto ao nível de qualidade, sentido de responsabilidade e importância, ou falta dela, que a educação merece por quem nos governa actualmente.

    1. O ministro da educação esteve aproximadamente 15 anos fora do País, como investigador. Pouco ou nada sabe de educação. Vem aprender enquanto governa. quando interrogado da sua motivação disse que tinha sentido um apelo.
    2. O pm ac na AR não sabia o que constava do seu programa de governo quanto a exames a serem mantidos, eliminados.
    3. O ministro da educação afirmou que iria ouvir a comunidade antes de uma decisão final e não ouviu. Má fé, ou incompetência. Será que não ouviu porque não sabia quem compunha essa comunidade?
    4. Ensino superior. Apenas me lembro de ter sido um dos responsáveis pela bancarrota. (se o estou a colocar no filme errado, retiro este ponto)

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