quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Perguntar não ofende...

...alguém consegue indicar-me uma greve que tenha ocorrido nos últimos 10 ou 15 anos e de onde tenha resultado algum benefício para os respectivos grevistas ou para os interesses que eles diziam representar?

9 comentários:

  1. 10-15 anos - ...
    15-20 anos - ...
    20-30 anos - ...
    31 anos- revolução. Alguma coisa mudou. Melhor ou pior ??? Depende do ponto de vista...

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  2. As que envolveram maquinistas da CP, por exemplo. Tirando os maquinistas que conseguiram ser agredidos por passageiros em fúria fartos de sucessivas greves (no Cacém, linha de Sintra), acho que a generalidade da classe ficou satisfeita com os ganhos remuneratórios que conseguiram. Julgo que também houve casos que compensaram ao nível da Carris e dos transportes fluviais/pilotos da barra na região de Lisboa.
    As manisfestações de agricultores também costumavam conseguir mais algum credito bonificado...no mínimo.
    Dá para identificar por estes exemplos alguns pontos comuns.

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  4. Greves de um dia, sobretudo à sexta-feira ou em "ponte" - não.

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  5. Então... mas quando há "ponte", os grevistas ficam a perder na mesma, porque para além de perderem a "ponte", perdem um dia de salário.

    De qualquer forma, assim nos últimos 10-15 anos, creio que não. Nunca ganharam nada com isso. Só 15 minutos de fama, que se esgotam num instante, no telejornal e é quando não há jogos de futebol.

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  6. Dear Marga,

    1º Quando se é funcionário público e mal pago?... É assim, longe de mim algum dia defender que os pontos de referência devem ser os salários mais baixos, mas v.exa. tem alguma ideia de quanto é que ganha um licenciado (que consiga arranjar um emprego), com 2-5 anos de casa no sector privado?

    Se calhar se for um fucionário público cujas habilitações literárias sejam equivalentes à 4ª classe, é provável que o escalão não seja lá grande coisa. Mas pessoas com o mesmo tipo de qualificações, com o mesmo tipo de actividade, um a desenvolver actividade no sector público, outro a desenvolver actividade no sector privado e ao fim do mês, a diferença em termos de ordenado é brutal. A história das horas extraordinárias, para mim, não pega e sabe porquê? Porque é assim, na função pública faz horas extraordinárias quem quer. Eu não sou funcionário público (nem quero), mas trabalho numa instituição pública e sempre me foi dito que os funcionários públicos não recebem horas extra.

    Para mim, não há qualquer problema. Eu não faço horas extra, nem por sistema nem por excepção. Da mesma maneira que nem sequer promovo a cultura suor (até porque quem sua são os operários, os senhores transpiram). Essa de se ficar até mais tarde a trabalhar é tipico de quem não faz o seu trabalho dentro do horário estabelecido. Se têm muito trabalho, bom, aí o problema não é vosso, é de quem está à frente do vosso departamento.

    Quanto à história da exclusividade, entendo perfeitamente o que quer dizer e estou de acordo, embora também compreenda porque é que têm de ser exclusivos. Esse é o vosso ramo de actividade, tal como qualquer outro, tem as suas regras, vocês é que decidem se as aceitam ou não. Se não aceitarem, mudem de Ministério, por isso é que são funcionários públicos.

    Quanto às comparações com a PJ, ou qualquer outra força policial, é um tanto ou quanto despropositado. Porque por inerência de funções, o trabalho deles é um trabalho de risco, por isso protegê-los a eles mais do que qualquer funcionário público, faz todo o sentido e não é chocante. O que é chocante é estarem a comparar-se com eles quando não tem nada a ver.

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  7. Eu poderia indicar-lhe mais do que uma. Mas não o vou fazer por opção.
    Penso que as vitórias com greves não são nem devem ser alardeadas.
    Mas os casos de sucesso são muitos.
    O que se está a passar hoje em dia é a perda de força e significado de muitos dos sindicatos, o que terá que levar à reformulação do movimento reinvindicativo.
    Certo certo é que o poder político arranjar sempre forma de mostrar que não cedeu, mas muitas vezes cede.
    Às associações representativas exige-se, cada vez mais, imaginação, e não sempre o velho argumento da greve à Sexta Feira, ou simplesmente da greve.

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  8. Dear sweet Marga,

    A menina não se exalte, nem comece com palpitações. Pense no serviço nacional de saúde e pense que não lhe pagam os medicamentos para as úlceras nervosas!

    Marga, não pode comparar coisas que são diferentes, nem tentar descobrir chifres em cabeças de cavalos. Os investigadores da PJ são diferentes. Da mesma maneira que a função de PM é diferente, a função de PR é diferente, a função de trolha é diferente. Perdoe-me a expressão, mas cada macaco no seu galho.

    Eu também sei que os esforços que se pedem a todos, normalmente, só atingem alguns. Também não gosto porque calha sempre aos mesmos. Mas disparar em todas as direcções não resolve nada. Os problemas que a vossa classe tem, são exclusivos ao vosso trabalho e às condições que têm. Transformar isso, em algo que é comum a todos, é um erro.

    Pensem noutra forma, mais inteligente e mais eficaz, de defender os vossos interesses.

    Gostei da sua atitude em relação às horas extraordinárias! Eu acho exactamente o mesmo.

    Relativamente ao "mude-se". É exactamente isso que eu quero dizer. Se de repente, todos quisessem "mudar" obrigariam ou não a repensar algumas coisas?

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  9. Cara Marga,
    Coloquei esta pergunta porque se vai tornando cada vez mais evidente que as greves só têm dois resultados: fazem muitas notícias na comunicação social e estragam a vida a muita gente.
    Não sou contra o direito à greve, nem defendo a supressão deste direito. Mas é interessante verificar que a prática da greve nasceu no sector privado, para obrigar os patrões a melhorar os direitos dos seus assalariados e dava resultados porque o patrão perdia receita (logo lucro) quando havia greves. Hoje, as greves ocorrem quase exclusivamente no sector público e, paradoxalmente, o patrão-estado poupa nas despesas quando elas ocorrem.
    Com esta reflexão não pretendo atingir quem quer que seja, quero tão somente demonstrar que as greves estão para a política como certos chapéus para a moda. Ou seja, já não se deviam usar...

    P.S. Sobre as considerações de carácter pessoal que fez no seu primeiro comentário quero esclarecer que não sou deputado, nem profissional liberal. Sou trabalhador por conta de outrém.

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