quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Jornada de luta

Vinha eu hoje de uma viagem ao Norte do país quando sintonizei uma rádio local onde davam conta de um enorme concentração de estudantes do ensino básico e secundário à porta da Câmara Municipal de Tondela. Ao que parece, tratava-se de uma manifestação integrada numa jornada de luta nacional contra a política educativa. Entrevistada uma das alunas descontentes, foram com clareza e desembaraço indicadas as seguintes razões, que reproduzo:
- contra a imposição de substituição dos professores que faltam, porque ter um "furo" era sempre uma boa notícia, dava para descansar entre a brutal carga horária, lá se vai o convívio daqueles intervalitos tão bem vindos e o Ministério assim trata os alunos como máquinas de trabalho (que recusam vir a ser).
Uma violência intolerável, portanto.
- contra os exames globais, porque qualquer pessoa sabe que tudo o que se aprendeu num ano não pode ser avaliado num exame de duas horas, isso é arbitrário e além disso dá um stress e um nervoso que traumatiza os jovens e desmoraliza quem estuda.
Outra violência intolerável.
- exigir aulas de educação sexual desde a mais tenra idade e em número e qualidade pedagógica que deixasse os alunos definitivamente esclarecidos. Dizia a menina que a informação é escassa, os pais não falam sobre o assunto e os jovens, coitados, a quererem orientar as suas vidinhas sem saberem como.
Em resumo, abaixo as aulas, abaixo os exames, viva o que interessa...na escola, entenda-se.

2 comentários:

  1. Ok, então agora falemos de coisas um pouco mais sérias.

    A comunicação social em Portugal (excepto ilhas),é uma catástrofe ambulante. Pois com tanta coisa positiva que acontece nas escolas, eles só pegam nos aspectos negativos que, neste caso, é a cultura de ignorância, inconsciência e irresponsabilidade cultivada no meio social em que se inserem essas criaturinhas.

    No que respeita à carga horária, pode até nem ser muito leve, mas vejam o lado positivo das coisas, se fosse numa escola profissional era muito pior.

    No que respeita à avaliação, o problema não é local. O problema é nacional e pior do que isso é cultural. Os portugueses não gostam de ser avaliados. Por isso é que também não gostam de competir, nem de concorrência, porque qualquer uma destas situações implica uma avaliação de desempenho. Por isso também é que há muitas vozes que se levantam contra a história dos "méritos". É claro que a questão da avaliação é uma questão dificil que não se resume, somente, ao facto de que os portugueses não gostam de ser avaliados. Há outras coisas que entram nesta equação (e.g. quem faz, critérios, etc), mas que quando se parte de um princípio que já é negativo a constante vai ser levantar o máximo de obstáculos possíveis. Isto é um problema de mentalidades que não se muda de um dia para o outro.

    Já no que respeita à educação sexual nas escolas, ainda não consegui perceber nada do que se propõem fazer. Mas há uma coisa que eu já percebi, independentemente da quantidade de informação disponível não há modificações significativas no comportamento dos jovens e isso é um estudo cientifico que já foi efectuado pelos ingleses na tentativa de resolver o problema que têm das mães adolescentes.

    Conclusão, quando oiço coisas como as que a Suzana relatou, fico com muita vontade de bater em alguém porque são verdadeiros hinos à ignorância.

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  2. O que é espantoso, caro Anthrax, é que os alunos ao nivel do secundário já deviam ter uma mentalidade um bocado diferente (e a verdade é que muitos têm, mas esses não fazem número nestas jornadas gloriosas). Já são uma nova geração, a dos computadores e internet, a das viagens a preços spot, a da facilidade de acesso ao ensino, a dos horizontes mais largos pelo amplo acesso à informação... E ainda dizem coisas destas para justificar uma manifestação!

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