segunda-feira, 10 de abril de 2006

Frida Khalo



Vale bem a pena ir ver a exposição de Frida Khalo no CCB.
O espaço está muito bem arranjado, com uma simplicidade que consegue dar uma dimensão despretensiosa a uma breve amostra da obra e da vida da pintora. Tem um filme, que passa continuamente, e as obras expostas são alternadas com fotografias, trajes típicos como os que ela adoptou e uma recriação de um espaço funerário mexicano, dedicado a Frida K.
O contraste entre a carga dramática dos seus quadros, a revolta profunda contra um corpo que limitava brutalmente a sua ânsia de viver, e as fotografias que a mostram sorridente, sempre enfeitada de colares, anéis, flores, roupas coloridas e cabelo sempre entrançado num prodígio de ordem e domínio, deixam uma funda impressão de respeito, de admiração pela extraordinária força daquela mulher, muito para além dos filmes ou livros que se possa ter visto.
Se a pintura era surrealista ou não, interessa muito pouco. Como ela dizia, só pintou a sua própria vida, a dura realidade, para além do que parecia suportável.
Pintou-se a si própria como quem se devassa até ao limite, expondo tormentos de corpo e alma, sempre presa, sempre sobrevivente, sempre desafiadora. Nunca conformada, nunca apiedada da crueldade das suas provações.
Os seus quadros são terríveis, mas a expressão do rosto é sempre firme, a olhar de frente, as sobrancelhas unidas como quem sublinha uma vontade, para que ninguém duvide. Os pregos, os espinhos, a teia de aranha, a dor, a ameaça, a impotência. Mas também o amor, a avidez de olhar o que a rodeia, de analisar e de ser parte, como se nada a distinguisse se pudesse ter contado com um corpo inteiro e válido à medida da alma que a habitou.

1 comentário:

  1. hoje vou a lx..aproveito e sigo a sugestão da suzana!parece uma exposição zcelente!gostei do filme com a salma hayek..tambem ela tomou muitos espinafres como a jeniffer lopez!

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