sexta-feira, 19 de maio de 2006

“Alergias, processionárias e telenovelas”….

Ontem, tive que presidir a um júri de provas académicas, cujo tema abordava as atitudes, crenças e intenções comportamentais de adolescentes face à Sida/VIH. A temática, pertinente, focou dois grupos de alunos do sexo masculino de duas escolas, uma regular e a outra prisional. As diferenças eram notórias e, no seu conjunto, permitem compreender muito deste terrível fenómeno que atinge os portugueses. De facto, dos 25 países da União, Portugal apresenta a prevalência mais elevada de seropositividade, constituindo a sida uma das principais causas de morte antes dos quarenta anos.
Há muito que fazer nesta área, em que o factor cultural desempenha um papel primordial, mas, atendendo ao elevado abandono escolar e baixo nível académico, não se prevê grandes modificações nas atitudes e comportamentos dos nossos compatriotas mais jovens.
Os adolescentes são muito influenciáveis, adoptando comportamentos meio estereótipados com a maior facilidade. Veja-se a notícia, segundo a qual, começam a apresentar, quase sob forma epidémica, manifestações alérgicas. Claro que as velhas processionárias, que nesta altura do ano manifestam o seu direito à vida, podem, em conjunto com outros factores ambientais, ser responsáveis por muitos casos. Mas, o efeito de certas telenovelas, que estão a prender a atenção dos mais jovens, também podem ser responsáveis por vários casos, através de fenómenos de mimetização dos protagonistas. Fenómeno muito conhecido e perfeitamente quantificado poderá ser utilizado como forma de induzir e alterar o comportamento das massas, no bom sentido, ou seja, na promoção da saúde. Presumo que no Brasil já foram efectuados ensaios nesse sentido e, no nosso caso, os guionistas deveriam introduzir mensagens e informação que pudessem ajudar a modificar e alterar as crenças, atitudes e comportamentos dos jovens, de forma subliminar ou ostensiva, tanto faz. Num mundo em que a manipulação das vontades é uma constante, através de vários processos, por que não a utilizar para as boas causas? Bem estruturada e devidamente planeada, presumo que não ofende a ética nem mesmo a liberdade do ser humano, e, enquanto, não atingirmos o nível cultural adequado, sempre poderá ajudar a minimizar muitos flagelos que nos atingem.

3 comentários:

  1. Eu que tenho um filho que começa a ver Moranguices (e, claro, fui ver aquilo...), posso dizer-lhe que tomara que no meu tempo eu tivesse acesso a divertimento tão bem direccionado nesse aspecto.

    Neste aspecto, fiquei agradavelmente surpreendido com a consciência social de uma estação de televisão que, para os pais, se comporta de forma nojenta.

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  2. Bem... O «Clube dos Moranguinhos» (também conhecido por clube EB 2,3), já me dá cabo do juízo!

    Eu fico doente com aquilo (e não é por associação, nem por empatia), é porque aquilo é mesmo muito mau. Então com essa notícia da "intoxicação", fiquei VERDE!

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  3. Relativamente ao processo de educação /prevenção tudo o que se puder realizar é pouco.
    Sobre as questões ético/políticas, basta recordar o caso da África do Sul. Neste país o actual Presidente, responsável pela luta contra a SIDA, considerava que se tratava de um fenómeno colono/capitalista/conspirativo, logo, não se devia combater como de uma doença se tratasse, porque era um problema social.
    A taxa quase que quintuplicou e a esperança média de vida neste país baixou 10 anos, para alêm de outras misérias que não interessam para o tema.
    Resumindo, nestes coisas de saúde pública as "morais" e costumes sociais contam pouco, porque a natureza costuma retornar e em força...

    Cumprimentos
    Adriano Volframista

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