sábado, 19 de janeiro de 2008

Neurologia do marketing


Agora já começo a compreender por que razão certos vinhos são tão caros. A razão de ser prende-se com a vontade dos responsáveis pela comercialização dos ditos em “dar” o máximo de prazer aos consumidores.
O Instituto de Tecnologia da Califórnia, usando a técnica de ressonância magnética, estudou os cérebros de vários indivíduos que tinham bebido duas doses do mesmo vinho, embora lhes tenham dito que tinham preços diferentes, 5 e 95 dólares.
A maioria considerou melhor as doses dos vinhos “mais caros”. As ressonância magnéticas comprovaram a estimulação do córtex fronto-orbital, área que desempenha um papel importante na sensação de prazer. A percepção era mesmo real!
Obviamente que este achado deverá ter os seus equivalentes noutras áreas do mercado, abrindo uma nova área de especialização, a neurologia do marketing, que explora o prazer do consumismo.
By the way, os especialistas em vinhos não se deixaram cair no jogo...

1 comentário:

  1. Caríssimo Professor M.Cardoso, enalando ainda o suave bouquet que emana deste seu brevíssimo, mas saboroso post, apraz-me comentar o seguinte... hiq! perdão!
    ;)
    O pessoal do ITC, não tinha necessidade de enganar os incautos e ainda "verdes" bebedores de vinho Californianos, se a experiência tivesse sido efectuada com cerveja ou uisque, duvido que tivessem obtido do teste os mesmos valores.
    De todo o modo caríssimo professor, devo referir que a técnica do ludíbrio em matéria de vinhos é camuflada no nosso mercado, os bonitos epitetos de chocolate - frutos silvestres, frutos maduros, frutos secos, etc, etc. A questão do preço, que depende de diversos factores, tais como o maior investimento na vinha, nas adegas, tanto na producção como na armazenagem, embalagem e distribuição, assim como na contratação de pessoal especializado, colocando no topo dessa pirâmide o enologo, poderá, neste contexto garantir uma qualidade da bebida, superior. No aspecto do consumidor e do consumidor apreciador e conhecedor, sabemos que com uma acuidade mais apurada, ele constroi a sua garrafeira, vocacionada, ou não para o seu gosto pessoal, baseando-se imperativamente no conhecimento que adquire nas provas, ou (e) lendo as opiniões dos especialistas, correndo o risco de os mesmos estarem a promover uma marca ou uma região. Devendo porém acreditar no sentido ético de cada um deles.
    Eu, confesso-me, apreciador de todos os bons vinhos, das regiões demarcadas. Sobretudo vinhos construídos respeitando as castas e os processos originais, o que nos tempos actuais, é muitíssimo raro. Habitualmente, aprecio melhor os vinhos tomados nas regiões onde são produzidos, acompanhando os pratos típicos. Ah, devo dizer, não distingo esses paladares "marados" que nos impingem nos rótulos, excepto por vezes, as referências aos taninos. Limito-me a distinguir (e não faço avaria nenhuma) entre um Dão e um alentejano, ou da península de setúbal, ou um Colares, sebem que um Colares, não está acessível a qualquer boca ;)))
    Assim, caro Professor, peço-lhe desculpa, mas declaro que discordo da sua "receita" para o problema que aflige o seu paciente, O Toino marinheiro. Em vez de o aconselhar a deixar de beber, penso que se o tivesse aconselhado a beber melhor, iria provavelmente, incutir-lhe o gosto pelo prazer, logo... Quem sabe, Baco o protejesse e por entre os vapores etílicos, enviasse ao Toino uma das suas bacantes ?!

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