segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Não é, certamente, Portugal…

Na passada semana, o Banco de Portugal divulgou o Boletim Estatístico de Fevereiro, em que são disponibilizados os dados relativos ao investimento estrangeiro para o conjunto do ano de 2007.

E os resultados apresentados foram os seguintes:
  • O investimento directo do estrangeiro em Portugal caiu de 5.9 mil milhões de euros em 2006 para 3.7 mil milhões em 2007 – uma queda de 37.2%;
  • O investimento directo de Portugal no exterior subiu de 2.8 mil milhões de euros em 2006 para 5.2 mil milhões em 2007 – uma subida de 85.4%.

Quer dizer: os estrangeiros investiram muito menos em Portugal em 2007 do que em 2006; os portugueses investiram muito mais no exterior em 2007 do que em 2006.

Será esta a prova inequívoca da confiança dos investidores na nossa economia de que se gabava o Primeiro-Ministro na entrevista que concedeu à SIC faz hoje uma semana?... É que se os estrangeiros investem cá cada vez menos; e se os portugueses investem cada vez mais lá fora…

Não sei em que país vive o Engenheiro Sócrates, ou a que país se referia nessa entrevista – mas, em face desta desoladora realidade, só posso concluir que esse país não é, certamente, Portugal.

2 comentários:

  1. Parece-me incrível,eu, um microscópico comentador, vir comentar um post colocado por um insigne Mestre em Teoria Económica, sobre investimento nacional e estranjeiro, a debandada de um e a retracção do outro. Efeitos talvez desta nossa ainda jovem democracia reflectida neste tambem ainda muito jovem ambiente virtual da blogosfera.
    Talvez a observação do Sr. 1º Ministro, não seja tão desajustada como parece à primeira vista.Pois a mim parece-me que é necessário a um investidor português, possuir uma grande dose de confiança no governo, para manter a banca a mexer. Ou... será que aqueles que se mantêm por cá, investindo ainda, estão "como peixe na água" por falta de competidores?

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  2. Diz V. Exa:
    "não sei em que país vive o Engenheiro Sócrates, ou a que país se referia nessa entrevista – mas, em face desta desoladora realidade, só posso concluir que esse país não é, certamente, Portugal."

    Digo eu:

    Sabe sabe! Vive num país em que, quem tem um olho, é rei...e rodeado de tantos ceguinhos, até nem é nada difícil ser estrela!

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