quinta-feira, 3 de abril de 2008

Quem quer aprender, o que faz?

O DN publicou uma curiosa, bem feita e esclarecedora reportagem sobre a que é referida como a pior escola do ranking nacional.
O Presidente do Conselho Directivo parece ter orgulho no facto.
"Nesta escola, cerca de 80% dos alunos têm atitudes semelhantes à da estudante da Carolina Michaëllis e eu rejeito liminarmente a ideia de que a solução para estes problemas passe pela expulsão ou sequer mudança de escola, mas sim pelo acompanhamento", diz o Presidente!...
Logo, estão muito bem acompanhados, fiquei eu a pensar!...
Logo à entrada, a reportagem do DN testemunhou os conflitos relatados pelo Director: três rapazes com pouco mais de dez anos entretinham-se a deitar ao chão um colega e pontapeá-lo nas costas. "É o tipo de brincadeiras a que eles estão acostumados…”, diz o Director!...
Perante os problemas do bairro onde se situa a escola, a Escola optou por apostar na cidadania, para só depois se preocupar com os resultados escolares.
A aposta na cidadania mede-se pela amostra descrita. Mas a despreocupação com os resultados escolares teve um sucesso clamoroso e originou situações como a do ano passado, onde entre 20 alunos do 9.º ano, apenas um conseguiu ter nota positiva no exame final!...
Mas o caminho, pelos vistos, está certo. "O nosso modelo de intervenção individual pretende ir ao encontro dos alunos, resolver os problemas deles, com o recurso a psicólogos e assistentes sociais...” . De facto, muita gente ao barulho é o que está certo. Imperdoavelmente, faltou mencionar o mediador de conflitos...
À saída da escola, o Director teve que abandonar a reportagem à pressa. "Tenho de ir intervir. É só mais um grupo de miúdos que anda à pancada…”!
Vai longe, esta escola democrática e bem inclusiva!...
Naquela escola, virada para a cidadania, quem quer aprender, o que faz?

11 comentários:

  1. Estou quase certo que a culpa é dos pais. Se os meninos (como os professores gostam de designar depreciativamente a justificação do pão que metem na boca dos filhos) fossem para a escola já com o doutoramento em Astrofísica feito, nada disto acontecia, os resultados eram muito melhores e estava tudo muito mais concentrado na cidadania. Assim, pois, é natural...

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  2. Caro Pinho Cardão,

    Acabo de ouvir o PGR dizer que sabe de casos em que os pais dizem aos filhos para levarem armas para a escola (em Portugal, para que não haja dúvidas) e rematou:

    Já chegámos a isto!

    Isto é o que diz o PGR.

    Isto é um país? Isto é um PGR?, pergunto eu.

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  3. Os que querem aprender vão para outra escola. Mas todos têm direito a uma escola, à escola que querem.

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  4. Caro Pinho Cardão, percebo a sua pergunta, mas não posso deixar de achar notável o modo como o presidente do conselho directivo expõe e lida com a situação, sem desistir, a achar que é possível criar uma oportunidade para aqueles miúdos sem os deixar à sua triste sorte.Talvez eles não cheguem a aprender a ser bons alunos, ou mesmo a ser alunos, mas alguma coisa hão-de ganhar por estar ali, por ser "acompanhados", em vez de andarem nas ruas ao Deus dará.E os que querem aprender naquela escola talvez tivessem mais dificuldades em viver naquele bairro se, acabadas as aulas, só encontrassem para brincar outros jovens que nem sequer à escola podiam ir...

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  5. Cara Suzana:
    Também posso ser sensível à sua posição. Até já discutimos o assunto, deveras importante. Mas não consigo aderir ao seu raciocínio, quer intelectualmente, quer moralmente, isto é, quer com base em argumentos intelectuais ou morais.
    O Estado faculta a todos a escola e a oportunidade de aprenderem. Alguns querem; outros não. Os que querem não podem ser prejudicados pelos que não querem. Nesta ordem de ideias, a escola é para ensinar e tem que, primordialmente, ensinar. Se há alunos, ou professores, ou outros quaisquer agentes que perturbam o ensinar ou o aprender não têm lugar na escola. Porque prejudicam insanavelmente os melhores, os que querem, esforçam e têm vontade de aprender. Na escola em causa,entre 20 alunos do 9.º ano, apenas um conseguiu ter nota positiva no exame final. Muitos, com vontade, foram certamente prejudicados pelo bizarro programa dito pedagógico da escola em que os resultados escolares não constituem preocupação.
    E assim são arrastados para a lama, em vez de, através do que poderiam aprender, ascender a outros voos benéficos para todos. Acontece que a pedagogia da escola, para além de prejudicar os interessados, faz que os prevaricadores se sintam confortáveis, já que não "sofrerão" mudança de ambiente, por não haver expulsões nem mudanças de escola!...
    No fim, acaba por ser uma situação cómoda para quase todos, excepto para quem quer aprender ou ensinar. O Director escuda-se nos 80% de indisciplinados para não se interessar pelos resultados escolares, o que é gravíssimo, pelas consequências que arrasta. Os professores ficam logo desculpados. E os maus alunos têm 9 ou 12 anos garantidos para causar distúrbios, em paz e sossego, em nome da aprendizagem da cidadania.
    E devem agora considerar o Director um herói. Pois se foi ele mesmo a dizer que 80% dos alunos fazem igual ou pior do que a aluna da Carolina Michaelis!...
    Perguntará: mas para onde vão os indisciplinados e irrecuperáveis?
    Aí, o Estado tem que arranjar soluções fora da escola: reformatórios, casa de correcção, com bom acompanhamento pedagógico e psicológico, serviço cívico militarizado, serviço militar... Choca?
    Mas a mim choca-me mais que um bom alunos se perca devido ao mau clima instalado.

    Caro Arnaldo Madureira:
    Lamento discordar.
    Afinal, os bons é que seriam punidos. Os maus continuariam no seu belo ambiente!...

    Caro Rui:
    Agora não te percebi. Então, mas é criticável o que o Procurador disse?

    Caro Tonibler:
    Concordo que com tal programa pedagógico qualquer astrofísico bem formado logo se tornava um delinquente musculado!...

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  6. Caro Pinho Cardão
    Os que estivessem descontentes procuariam uma escola do seu contentamento.

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  7. Caro Arnaldo Madureira:
    Concordaria, se houvesse cheque-ensino. Mas não há!...
    Então, a regra tem que ser a que se aplica (aplica ou deveria aaplicar?) à generalidade das escolas: quem prevarica, muda.
    A questão é que lá os prevaricadores é que são premiados!...

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  8. Anónimo21:05

    Caro Pinho Cardão, aplaudo de pé, grito "BRAVOOO, BRAVOOOOO, BIS, BIS" à solução que dá na sua resposta à Suzana Toscano! BRAVOOO! É que é exactamente isso. Pode e deve haver sítios para lidar com os indisciplinados, educa-los para a cidadania e para a vida em sociedade. É uma obrigação do Estado para com a sociedade que o sustenta garantir isso. Agora, esses locais não se chamam "Escola" como eu já havia escrito algures nos comentários que vou fazendo e os bloguistas tão simpaticamente me permitem.

    O meu caro amigo disse que "Aí, o Estado tem que arranjar soluções fora da escola: reformatórios, casa de correcção, com bom acompanhamento pedagógico e psicológico, serviço cívico militarizado, serviço militar... Choca?". Pois aplaudo-o e de pé por esta solução desabrida que muitos defendem mas poucos têm a coragem de dizer. Os reformatórios foram extintos e não o deviam ter sido. Aplaudo alguém que defende publicamente o seu regresso numa versão moderna, com os acompanhamentos necessários mas também com a disciplina inerente ao próprio local, ao próprio reformatório. Aqueles que aí são internados aprendem não apenas as matérias escolares mas também os elementos necessários à vida em sociedade. E estou plenamente de acordo com a existência de uma componente militar na recuperação desses delinquentes. A disciplina castrense tem o condão de fazer de lixos com pernas homens válidos para a sociedade.

    Um URRAAAHHHHHHH a vossa excelência, deste seu humilde criado.

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  9. Pois é, Pinho Cardão, nesse dito "estabelecimento de balburdia", que sucedeu ao conceito arcaico e redutor de "estabelecimento de ensino", vigora hoje uma cultura social tipo ÁGUA-CHOCA - a velha função biunívoca ensinar-prender passou a constituir um subproduto ocasional, descartável e quiçá com sabor elitista!
    Viva pois a balburdia, factor decisivo de integração social e de promoção dos desabrigados da sociedade!

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  10. Caro Pinho Cardao,

    So agora respondo, e estou sem acentos e cedilhas, mas gostaria de clarificar: Sou da opiniao que se ha casos de posse de armas por miudos e graudos nas escolas e lamentavel que o PGR so agora, ao que parece, tenha dado conta disso. O seu desabafo e o desabafo do homem comum, ele nao e um homem comum: e o responsavel maximo pela execucao da justica.

    Critico tanto o Ministerio da Educacao que tem escamoteado a gravidade dos casos como a PGR que parece nao tinha conhecimento deles.

    O PGR nao deve levar as maos a cabeca aflito mas manter a cabeca fria e fazer o que deve: promover que estes casos, que sao casos de policia, nao acontecam.

    Salvo melhor opiniao.

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  11. Caro Rui:
    O PGR tem que actuar ao seu nível. E só o pode fazer, se lhe for presente queixa dos factos.
    É o que o Procurador quer, para poder actuar.
    Penso eu de que...

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