terça-feira, 8 de julho de 2008

Cegos, surdos, mas não mudos!...

"Quando um partido com responsabilidades, por ser o principal da oposição, vem criticar tudo quanto é investimento público, que é o motor do desenvolvimento da nossa economia e do bem-estar social, não posso deixar de os apelidar de velhos do Restelo".
Mestre Eng. Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes-Público de 5 Julho

Com que então investimento público, o motor do desenvolvimento da nossa economia?
Não enxerga a Mestre Engenheira que essa tese é a que nos tem posto de tanga, ao desviar para impostos recursos que seriam, sim, motor de desenvolvimento, mas se aplicados em investimento e consumo privados?
Não enxerga a Mestre Engenheira que, se fosse como diz, seríamos, há muito, dos países mais prósperos do mundo?
Mas se a Mestre Engenheira não enxerga tal, a Secretária de Estado tinha como dever primário sabê-lo.
Quando a ideologia se sobrepõe à mais elementar evidência, o resultado é a crise em que nos afundamos. Que a Secretária de Estado bem se esforça por ampliar!...
Há muito que temos a legítima suspeita de que grande parte dos nossos governantes possam ser cegos e surdos. Mas como mudos não são, basta ouvi-los, para ficarmos certos da cegueira e da surdez de que lamentavelmente padecem!....

9 comentários:

  1. Caro Pinho Cardão,

    Essa combinação Mestre Eng. é de facto comicamente deliciosa, fico-lhe agradecido.

    Sobre o investimento público ser o motor da economia eu, do alto da minha ignorância, desconfio.

    Se o estado "suga" uma % da economia como pode ele ser o motor daquilo que "suga"? É como dizer que o moscardo é o coração ou tutano da mula que pica? O que o telhado segura a casa?

    Cumprimentos,
    Paulo

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  2. É mesmo isso, caro Paulo.
    O cidadão e as empresas deixam de investir para entregar dinheiro ao Estado para este investir!...Investe com quê? Com dinheiro que deixou de ser investido na produção, normalmente, de bens transaccionáveis. Belo motor este!...
    Pressupondo que o investimento do Estado era racional, o investimento público poderia ser justificado como motor económico, quando muito por se servir de dinheiro captado por dívida pública. Mas, no contexto português, tal não é possível, por estarmos para além de tudo o que é defensável em termos de endividamento.
    Quanto à Mestre Ana Paula Vitorino, ela é mesmo Mestre em Transportes. Como tal, o seu grande objectivo é exercitar o mestrado...e nós cá estamos para financiar o entretém!...

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  3. Caro Pinho Cardão
    Não será tempo de começarmos a apontar concretamente as despesas do governo que ele não devia fazer? Quais são as despesas não justificadas que libertarão dinheiro dos contribuintes e que estes aplicarão como entenderem melhor (TGV, NAL, etc)? Ou aquelas que estão a ser improdutivas e que poderiam ser melhor utilizadas para a mesma finalidade (saúde, educação, etc)? Quais e como?

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  4. Caro Arnaldo Madureira, poderíamos começar por interrogar para que servem ~190 milhões de euros de "investimento" em infraestruturas aqui para a minha região Oeste. É para compensar a perda de Ota? Por essa ordem de ideias, não deveríamos compensar a Beira Interior ou o Alto Alentejo por o aeroporto também não ter sido lá feito? E não me venham com a treta das expectativas, senão vou para a rua exigir ao governo que me compense por defraudar as minhas!

    Como já foi dito anteriormente, este governo, de tanto estimular a economia, ainda vai acabar por matá-la (moribunda já ela está, basta ver o sector primário e secundário, verdadeiros criadores de riqueza numa economia sã).

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  5. Caro Arnaldo Madureira:
    Para apontar concretamente os "investimentos" concretos que deveriam ser deixados para melhores dias, seria necessário conhecê-los a todos, saber dos custos e benefícios no imediato e a médio prazo, conhecer bem o que fica a cargo do Estado, tanto no investimento inicial como nos custos de exploração, para não indicar outros items também importantes, como, por exemplo, os encargos imediatos e os futuros para os contribuintes, ou a localização, se no interior ou no litoral. Haveria ainda que saber o valor da incorporação nacional nos projectos e o da incorporação externa. Só de posse dos dados caracterizadores se poderão estabelecer prioridades. Por isso, parece-me exercício vago estar de antemão a escolher entre o que não se conhece devidamente.
    Uma coisa é certa: há que seleccionar, porque infelizmente o país não pode, sem grave risco de deterioração da já sua débil economia, sustentar tudo o que vem sendo anunciado. E, neste contexto, os investimentos públicos, ao contrário do que diz Ana Paula Vitorino, não seriam motor de desenvolvimento, mas constituiriam uma corrida rápida para a penúria geral, embora com fortalecimento imediato, mas transitório, de algumas empresas.
    De qualquer forma, é óbvio que, neste momento, o enorme investimento no TGV não é prioridade nenhuma, seja na linha Lisboa a Madrid, como na linha de Lisboa ao Porto(aqui para se ganharem 25 minutos na viagem). E, como este, muitos outros. Por isso, o que pede Manuela Ferreira Leite ao Governo é o mínimo que qualquer cidadão responsável pode exigir.

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  6. As grandes obras públicas de que se fala ainda não estão orçamentadas e já se diz que o governo é gordo. Comecemos por aqui. O governo é gordo onde? Concretamente! Pegue-se no OE 2008 e aponte-se concretamente o que o governo não devia fazer. E porquê.

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  7. Anónimo14:45

    Caro Pinho Cardão, há tantas e tantas coisas que a Mestre Engenheiro Ana Paula Vitorino devia saber, coisas da sua lavra de Mestre Engenheiro, que não sabe, quanto mais pretender que saiba essas e mais aquelas que deveria conhecer enquanto Secretária de Estado.

    Só assim se explicam muitas das barbaridades que a senhora Mestre Engenheiro tem conseguido fazer e dizer neste campo.

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  8. Caro Arnaldo Madureira:
    Como é que se vê que um indivíduo é gordo? Nalguns casos, é à vista desarmada; noutros, mais cientificamente, através do perímetro abdominal.
    Como é que se vê que o Estado é gordo? À vista desarmada, pelas funções inúteis que tem; mais cientificamente, pelo peso do seu consumo, corrente, e total, no PIB.
    Onde, concretamente, se deve cortar?
    Então é uma pessoa de fora que o vai dizer?
    Mas eu até dou um exemplo: se se cortasse 90% da verba afecta à estrutura central do Ministério da Educação, só se daria conta pelo facto de as coisas passarem a correr muito melhor nesse sector.

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  9. funções inúteis: muito bem, mas é preciso começar a dizer quais.
    peso: pelo peso não parece que possamos chegar a qualquer conclusão. portugal está na média da UE, até ligeiramente abaixo.
    quanto à sugestão de cortar 90% na estrutura central do ME, está muito bem. é isso mesmo e muito mais - concretamente - que gostava de começar a ouvir.

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