sábado, 7 de março de 2009

“Excomungo-o”!

Hoje é um dos dias em que gostava de fazer uma pergunta cara a cara a Jesus Cristo. Queria que me dissesse se concordava com a atitude do bispo brasileiro que “excomungou” a mãe, os médicos e não sei se a criancinha de nove anos grávida de gémeos. O bispo falou em nome de Deus! Não posso aceitar e nem quero acreditar que Deus lhe tenha dado qualquer autorização para lançar o opróbrio e a humilhação sobre os médicos, a menina e a mãe, ao excomungá-los.
Engravidar aos nove anos, na sequência de violação por parte do seu padrasto, é de uma violência que assusta qualquer um. A somar a esta tragédia, o peso social e cultural do ato da excomunhão é outra forma de violência.
A opção tomada, aborto, é legal e eticamente justificável.
Estou convencido de que Cristo nunca excomungaria os participantes desta tragédia e não se identificaria com a posição do senhor bispo.
Eu “excomungo-o”!

11 comentários:

  1. Caro Professor Massano Cardoso
    Permita-me que acrescente mais um dado. O violador da criança, o próprio padrasto, não foi excomungado. Só não consegui perceber porque foi "poupado"!

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  2. Cara Margarida

    Não sou teológo, no entanto, um recurso à Wikipédia permite verificar que "O Código de Direito Canónico prevê desde 1983 nove casos para a pena de excomunhão:

    * Profanação das espécies sagradas;
    * Violência física contra o Pontífice;
    * Absolvição por um sacerdote do cúmplice do pecado da carne;
    * Consagração ilícita de um bispo sem mandato pontifical;
    * Violação direta do segredo da Confissão;
    * Apostasia;
    * Heresia;
    * Cisma;
    * Aborto."


    Logo, como a violação de uma criança não está contemplada não é passível de excomunhão! Não entendo o que é "profanação das espécies sagradas", mas poderíamos incluir neste grupo as crianças que são, na minha opinião, uma "espécie mais do que sagrada", a mais sagrada de todas as espécies..

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  3. Caríssimo Professor Massano Cardoso, a 3ª regra prevê que seja aplicada a pena de excomunhão, ao sacerdote que absolva o cumplice do pecado da carne... sendo que, este caso, tanto o réu como o juíz, seríam uma e a mesma pessoa.
    Relativamente ao texto do post, gostaria de tecer uma ligeiríssima crítica (se assim lhe possa chamar), creio que o Senhor Professor, tem todos os dias a oportunidade de colocar, olhos nos olhos a Jesus Cristo, essa e outras interrogações, assim como acredito que que conheça "de gingeira" a resposta que D'ele obtem.
    Digo isto tambem, porque me recordo e releio uma das crónicas publicadas no seu livro "Chuva de pássaros mortos..." com o título «BULLYING POLÍTICO», onde, num contexto diferente, o caro professor, magistralmente, recria uma cena da sua adolescença e a enquadra numa problemática que apesar de política, se recheia de uma enorme dimensão humana.
    Permita-me caro Professor Massano Cardoso, que termine ese comentário citando a frase com que inícia aquele texto "Intimidar parece estar novamente na "moda".

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  4. Cara Margarida,

    O padrasto não foi excomungado, porque a Igreja Católica revela uma grande "compreeensão" por quem faz estas coisas às criancinhas...

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  5. Caro CMonteiro:
    Onde nós já vamos!...
    As taras de um membro de uma associação, de um membro de um partido, ou de um membro de uma igreja não se confundem com essa associação, partido ou igreja.
    E não podem apagar a acção dessa associação, partido ou igreja.
    E gostaria que alguém me dissesse qual a entidade que mais tem desenvolvido a solidariedade social em relação a todos os estratos populacionais desfavorecidos, aí incluindo as crianças, para além da Igreja Católica.

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  6. Desde o Funchal até aos EUA há um mundo de "árvores que não fazem a floresta" na Igreja Católica Apostólica Romana, caro Pinho Cardão...

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  7. Nio meio disto, só concordo com a ex-comunhão da mãe da criança. No que diz respeito aos médicos, acho a decisão injusta e violenta. Também não sou teólogo, mas mesmo deixando de parte as condições sórdidas em que se produziu a gravidez, é um facto médico de que a mesma punha em sério risco a vida da criança - e, em consequência, dos bebés. À luz da doutrina católica, a única circunstância em que se torna legítima a tirada a vida é quando esta tem como objectivo salvar vidas. Sem a intervenção médica, era enorme a probabilidade de morrerem os bebés e a criança. Graças à intervenção, salvou-se a criança. É uma intervenção que salva uma vida, portanto.
    Acresce que, independententemente deste facto, o bispo pode e deve "olhar para o lado nestas circunstâncias. Pode e deve condenar abostacionistas, mas nunca em circunstâncias como esta.

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  8. Caro Pinho Cardão,

    Foi provado que a hierarquia do clero americano tinha conhecimento dos abusos que os seus membros cometiam e o escondia, por isso teve que pagar indemnizações chorudas para não ser colectivamente acusada. Não vamos agora fazer como se fez com o homicídio dos judeus e negar a coisa. O facto da sociedade deixar passar em branco os recorrentes crimes da igreja, não quer dizer que cada um de nós o faça.
    Quem está a tomar a atitude de alguns membros da igreja (no caso da solidariedade) como se isso fosse uma prática generalizada da instituição é o meu caro. Aliás, que saiba, a igreja nesse aspecto não paga nada, só recebe. Qual é a obra da igreja (não de uns quantos religiosos mais voluntariosos que vão à luta) de solidariedade?

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  9. Caro Tonibler:
    Ninguém nega os abusos, desvios, crimes até, praticados, ao longo da história, por membros da Igreja Católica ou de qualquer outra igreja. Muito menos eu.
    Mas crimes de membros de uma associação são crimes individuais, não crimes da associação enquanto tal. A responsabilidade é individual, não é colectiva. Na mesma ordem de ideias, o facto de um homem branco praticar um crime não me responsabiliza a mim, enquanto homem branco, por esse crime.
    Claro que a Igreja é a maior instituição de solidariedade do país. É óbvio, não pode ser negado, é facto objectivo. E isso depõe, e de que maneira, e independentemente de crença ou fé, a favor da instituição.

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  10. Caro Pinho Cardão,

    O assunto é complexo, mas relembro que muitos dos crimes praticados por membro da igreja católica, tiveram cobertura das mais altas hierarquias da própria Igreja. Outros casos houve em que a atitude de distanciamento conivente, como na II Guerra em relação ao Holocausto, foram uma posição da Igreja enquanto instituição e não acto isolado. No caso em discussão, a discussão centra-se à volta de um altíssimo sacerdote da Igreja, o qual também vincula a Igreja enquanto instituição, à sua tomada de posição.

    Mais; devo lembrar que tantas vezes confundimos terroristas islamicos que nem são sacerdotes com posições do Islão enquanto religião (acima de qualquer Igreja, o que é mais grave), e isso não parece ser objecto de grande oposição dos católicos como é quando digo que a Igreja encobre pedófilos...

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  11. Caro CMonteiro:
    Pois é, caro CMonteiro, confunde-se muita vez o que não é confundível. E baralha-se, pondo tudo ao mesmo nível...

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