domingo, 29 de março de 2009

Que tal alinhar com 4 guarda-redes?

Passar os olhos pelos textos do 4R, ao longo dos tempos, é também recordar análises e interpretações de factos, relevantes, ou mais ligeiros, económicos, sociais, culturais da nossa vida nacional. E também desportivos.
Ontem, a selecção nacional de futebol empatou com a Suécia, pelo que só em sonhos, que espero sinceramente se realizem, Portugal poderá esperar estar presente no Mundial de 2010.
Não se pondo em causa a real valia dos nossos atletas, que actuam nos melhores clubes nacionais e, sobretudo, europeus, as razões da crise têm que ser procuradas fora. E, francamente, não vejo outras que não se prendam com a liderança. No futebol, como em todas as actividades, o Princípio de Peter tem plena aplicação. O seleccionador, pese as suas muitas qualidades, já por demais evidenciou que não é um líder eficaz e motivador. Aliás, basta ver as expressões de desânimo e impotência que ontem evidenciava a cada passo, durante o jogo. Com excepção do trabalho nos juniores, em condições irrepetíveis, a sua carreira não conheceu triunfos, seja na Selecção Nacional que, com ele, falhou o apuramento para o Europeu, em 1992, e para o Mundial, em 1996, seja nas selecções estrangeiras que treinou e de onde foi “despedido”, seja no Sporting ou no Real Madrid. Será um bom adjunto, como no Manchester, mas subordinado a uma personalidade forte como Ferguson.
Ontem, os erros foram clamorosos. Portugal, que precisava de ganhar, alinhou com quatro defesas centrais e sem ponta de lança!...
Claro que temos quatro bons centrais, mas não foram feitos para alinhar a defesas laterais. Se tivéssemos 4 bons guarda-redes alinhávamos com os quatro? E sem um rematador como se ganham jogos? Para quê então foram convocados laterais e pontas de lança?
E Ronaldo como capitão, depois das palavras desprimorosas proferidas contra os colegas?
Um fraco rei faz fraca a forte gente, já dizia Camões!...

5 comentários:

  1. Não deixa de ser curioso que as críticas quanto à liderança venham exactamente dos mesmos que criticavam o anterior seleccionador quando ele removia da selecção os elementos que prejudicavam essa liderança. E também, caro Pinho Cardão, procurar razões da crise fora do bando de milionários, quando há uns meses criticava fortemente o Manuel Fortes, um amador que reclamava pela "caminha"- quando, esse sim, tinha sido qualificado -, não é particularmente justo.
    O facto é que Ronaldo não é Figo, nem Meireles é Maniche, nem Deco é Rui Costa. Isso não é drama nenhum, simplesmente a selecção é fraca porque os seus jogadores são fracos. Apesar, claro, da fortuna que é absorvida nesta palhaçada, mas isso é outra história.

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  2. Caro Tonibler:
    Claro que Scolari também era passível de crítica, menos pelo processo de jogo e mais pelas "birras" a que era dado, no que respeita a certos jogadores. Custava-lhe a mudar, mesmo que a necessidade da mudança entrasse pelos olhos dentro. No Europeu, tinha uma equipa ali à mão, a que ganhou a Champions. Pois, no primeiro jogo, muito desses ficaram de fora. E só a derrota o levou a mudar de opção. Mas era um líder, um motivador, empolgava os jogadores. Mesmo muitos dos críticos, e eu também critiquei casos concretos aqui no blog, começam a ter saudades.
    Entre Queiroz e Scolari, a diferença é enorme. Apesar dos seus defeitos, Scolari mostrou trabalho e foi campeão nos diversos clubes ou nas selecções por onde passou, excepto agora no Chelsea. O seu curriculum não é comparável ao de Queiroz.
    Quanto ao Marco Fortes, o homem é cheio e piada.E os reparos que lhe deixei na altura foram feitos nessa onda.

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  3. Caro Pinho Cardão

    Não gosto muito de comentar post sobre futebol, porque trata-se de um tema demasiado subjectivo, assim como as classificações contabilísticas, mas não resisto a apresentar o seguinte comentário:
    Os Ingleses que inventaram o futebol e que são, antes dos brasileiros e dos portugueses, quem mais vive intensamente o jogo, compreenderam, faz já dez anos (ainda que com um pequeno intervalo) que a eficácia da equipa está intimamente ligada ao facto do seleccionador não ser nacional.
    Devíamos aprender com eles, mas pareçe que não aprendemos. Paciência, vamos ficar fora do Mundial e, talvez, talvez aprendamos a lição, porque não contratamos o Zico que, segundo consta, vinha por metade do que nos custa o actual seleccionador.
    Repare que não está em causa a capacidade técnica do mesmo, mas a nacionalidade, um brasileiro e um brasileiro campeão do mundo como jogador e treinador, reune mais respeito do que um nacional, junto de quem interessa: os jogadores.
    Cumprimentos
    João

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  4. Há que ser optimista, Pinho Cardão...o pessimismo não ganha jogos!
    Se formos optimistas, como a nossa imprensa tem sido - e de que maneira, à partida ganhamos os jogos todos por margens arrasadoras - ganharemos sempre, como se tem visto.

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  5. Temo bem que nem com o falhanço Carlos Queiroz venha a ser despedido, o mais certo será manterem-no no cargo até ao EURO 2012, para o qual sob o seu comando também não nos conseguiremos qualificar. Serão necessários 4 anos para desmistificar um perfeito embuste, com graves consequências para a FPF, e para o futebol portugês no seu todo.

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