quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Euro: 2º assalto de um longo combate começou...

1. Teve significativo impacto nos mercados internacionais de dívida um relatório de análise divulgado esta semana pela Moody’s, no qual é feita uma análise fina à situação e perspectivas das finanças públicas dos “famosos”: Espanha Grécia e Portugal.
2. Nesse documento a Moody’s apresenta diversos cenários de evolução das dívidas públicas destes países, concluindo que, no cenário mais desfavorável de crescimento da dívida:
- A Grécia chegaria a 2015 com um rácio juros da dívida/receitas orçamentais de 20%;
- Para Espanha e Portugal esse rácio seria de 14% e de 15%, respectivamente.
3. Com estas previsões, era óbvio concluir que por muito más que se apresentem, as situações da Espanha e de Portugal não eram comparáveis à da Grécia – ponto que a Moody’s reconheceu.
4. Tanto bastou para que os mercados acalmassem em relação às dívidas dos dois países ibéricos, permitindo por exemplo que o IGCP tivesse colocado ontem no mercado € 3 mil milhões de obrigações do Tesouro a 10 anos, com um cupão de 4,80% - com uma procura bastante superior mas que, a ser satisfeita, teria feito subir o cupão.
5. Entretanto, na cimeira europeia de ontem parece ter sido encontrado consenso para enquadrar um apoio às medidas que a Grécia terá de tomar com vista a resolver a sua fragilíssima situação financeira.
6. Apesar de não se conhecerem os detalhes desse consenso, a notícia da sua obtenção teve também por efeito acalmar os mercados, incluindo os de acções, de uma forma geral mas especialmente em relação à Grécia.
7. Em conclusão, o 1º round da crise da zona Euro parece estar terminado sem ida ao tapete.
8. Este é todavia um combate que, de acordo com as regras aplicáveis, terá pelo menos mais 3 assaltos, e é muito importante, dadas as características da luta, conseguir aguentá-los – 2011, 2012 e 2013.
9. Se tal acontecer, as hipóteses de o Euro não ser forçado a um K.O. serão elevadas.
Mas se assim não for, as coisas tornar-se-ão bem mais difíceis.
10. Estamos numa longa e penosa prova de resistência, com inúmeros obstáculos de percurso (alguns imprevisíveis), importa não descansar...nem dormir, tampouco.

10 comentários:

  1. Sempre nos deu jeito terem chegado primeiro à Grécia...

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  2. As coisas não parecem ainda convenientemente esclarecidas, caro Tonibler...
    Os mercados estão num ponto de desconfiança que simples palavras, promessas de tipo clássico (greco-romano) os não convencem de todo.
    Será conveniente aguardar mais algum tempo para avaliar melhor o resultado do 1º assalto...

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  3. Sim, mas não tivemos no 1º round e isso era importante. Claro que se não fizermos nada vamos estar no 2º round de certeza, mas era importante que a UE se chegasse à frente no apoio à Grécia, isso dará tempo, para haver tempo, de se corrigirem as asneiras. Corrigir asneiras numa situação de insolvência nacional não é a mesma coisa que corrigi-las com dificuldade, são dois níveis de "cinzento" diferentes mas, concordamos, não deixam de ser "cinzentos".

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  4. Anónimo12:18

    Caro Tavares Moreira

    Escrevo com mais de um dia depois da cimeira dos chefes de governo em Bruxelas.
    Neste momento, acho que ainda é cedo para se poder afiançar que existe uma solução sólida para o problema grego.
    As soluções, seguidas pelos membros da União quando são ditadas pela necessidade de auto preservação, costumam ser realizadas à pressa e, normalmente, são instáveis.

    Por outro lado, a (eventual) solução que tenha sido acordada, foi para a Grécia, sublinho esta singularidade.
    Em Portugal depressa se concluiu que, estaríamos abrangidos pelo acordo; interessante porque nas coisas más somos diferentes e nas boas iguais...; no entanto nada indica que se irá aplicar ao nosso país a mézinha grega...

    Até ao final do ano teremos de ohar com atenção para o que se irá passar no CITI e nas próximas emissões de obrigações japonesas, as reservas de aforro interno estão prestes a terminar....

    Isto para não falar da nossa crise....

    Cumprimentos
    joão

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  5. Caro Tonibler,

    Está optimista em relação ao 2º round/assalto, na parte que nos toca?
    Considera que estamos fazendo mais-do-que-nada?
    É importante conhecer sua análise, pois normalmente revejo-me nas suas profecias...

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  6. Caro João,

    A cimeira parece não ter poduzido os efeitos pretendidos...os mercados não apreciam particularmente meis declarações, sinal de que não foi obtido consenso para uma saída à Sarkozy.
    Terá reparado qu a reacção da imprensa alemã tem sido muito hostil em relação a qq ideia de apoio financeiro à Grécia...
    A explicação do comunicado da cimeira, segundo a qual não foi decidido qq apoio à Grécia porque esta o não pediu, soa a algo estranho...
    E já se fala, novamente, em intervenção do FMI...
    Muita confusão, que não dá apaga as reservas dos mercados. Esperemos os próximos episódios, mas parece-me que qq coisa estará a falhar.

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  7. Caro Tavares Moreira,

    Agradeço o elogioso desafio mas essa previsão nem o futuro vice-presidente do BCE para a estabilidade financeira (!?) conseguiria acertar.

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  8. Caro Tonibler,

    "Considera que estamos fazendo mais-do-que-nada", no âmbito do segundo round da crise do Euro?
    Isto é, considera a proposta de OE/2010 - admitindo que um dia será Lei - um passo positivo na direcção da ultrapassagem da crise económica e financeira que se instalou, sem culpa de ninguém, obviamente, na casa portuguesa?
    Não o questionei sobre mais nada...
    Acha ousadia excessiva?

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  9. Caro Tavares Moreira,

    O meu caro consegue ver uma relação entre uma proposta de orçamento e aquilo que o estado vai gastar. Eu lembro-me do ano em que MFL congelou os salários da administração pública e os custos com pessoal cresceram 4,2%, se não me engano. Portanto, um OE é apenas uma actividade lúdica que envolve uma série de doutores em métricas monetárias que irão fazer um festim no fim do ano com aquilo que a sorte lhes ditar. Se tiverem sorte dirão que foram rigorosos e que foi um passo positivo, senão, que a conjuntura é madrasta apesar do passo positivo que foi dado. Haja o que houver, foi um passo positivo.

    Será o que a sorte ditar...Se os impostos subirem o suficiente para a fuga aumentar, até podemos assistir a um crescimento económico surpresa.

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  10. Confesso-me rendido, caro Tonibler...
    A astúcia da sua argumentação atinge limites inatingíveis para o comum dos mortais, grupo a que pertenço.
    Quanto ao "wage drift" a que se refere, é um fenómeno que resiste até aos nossos dias, por isso a necessidade de muita cosmética para tentar esconder o seu impacto real...se não for os 4% do tempo de Manuela F, Leite, não será muito menos...

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