sexta-feira, 2 de março de 2012

É o "deixa andar"...

Não foi só a justiça que não funcionou. Nada funcionou porque está instalado o mau hábito que temos de procurar a culpa nos outros, de “sacudirmos a água do capote”, de nos sujeitarmos à mediocridade do funcionamento das estruturas sociais, económicas e judiciais que nós próprios criámos. Tudo falhou, também falharam os apoios sociais de uma mão cheia de instituições, umas nacionais e outras locais, que, pelos vistos, desconheciam o caso ou tendo dele conhecimento negaram a evidência.
Mas falhou, também, uma mão amiga, falhou toda uma sociedade por negar princípios e valores básicos. Não houve uma alma caridosa que se interessasse por este caso.
É o país que temos, muito mais interessado em auto-estradas e catedrais do consumo, agora desertas pela crise, do que no verdadeiro bem-estar dos seus cidadãos. Esta história é um péssimo exemplo do que somos, mostra-nos bem a profundidade e a natureza da nossa crise, o quanto temos que mudar se quisermos ser um país decente feito de pessoas decentes.
Alguém falava à hora do almoço que até parece que estas situações são de agora, toda a gente sempre soube que o país está cheio de “contentores”, qual é a novidade, qual é a admiração! Pois, digo eu, é aqui que está justamente o mal. Portugal é um país de conformados. É o "deixa andar" que havemos de sobreviver...

2 comentários:

  1. É, de facto!
    País onde se extremam posições, do “és por mim ou contra mim” da política, da falta de capacidade para ouvir, da falta de espírito acrítico, do cinismo hipócrita dos interesses, onde se vive num faz de conta arrepiante e num individualismo gritante.
    Ontem à pergunta de dinheiro para férias em feira de turismo de um país de turismo, Passos respondeu naquele modo insensível, contraditório, pouco conhecedor das realidades e pouco social - democrata que o caracteriza (e que bem enganou meio mundo social democrata que pede e bem a devolução do voto) que temos que adaptar as nossas necessidades às nossas possibilidades – verdade Palassiana que ninguém nega.
    Entretanto, no país que procura aumentar a competitividade, as autoridades tudo fazem para a diminuir, aumentando impostos, coimas, taxas, escarafunchando e locupletando-se com coimas ardilosas de más leis, exigindo aos pobres devoluções de verbas atribuídas pelo estado. E é o fisco com interesses próprios pelos prémios, a avaliar a propriedade por cima, para mais arrecadar em IMI, o qual irá manter as corporações políticas no seio autárquico (e que permitirá esbulhar dezenas de milhar de proprietários já incapazes de pagar os aumentos brutais dos custo ocasionados pelo estado)... custos de contexto que em vez de diminuírem para prover competitividade à economia, aumentam.
    A hipocrisia é gritante, a contradição total (mesmo em casa onde não há pão), a desumanidade e o assobiar para o ar total, perante o empobrecimento sem retorno de uma parcela substancial da população Portuguesa, perante o empobrecimento ocasionado pelo exílio dos recursos humanos mais dinâmicos, perante centenas de milhar, senão já milhões de afectados, sem qualquer tipo de protecção social (como irão viver milhões, jovens e crianças com pais sem emprego e qualquer subsídio – para além do anúncio da caridadezinha, em gerações muitas vezes com mais formação que muitos dos seus pais), num país onde as quebras de consumo atingem os dois dígitos (só ontem soube-se que o sector auto teve quebras de mais de 40% com previsões de despedimento de dezenas de milhar de trabalhadores - brevemente chegará à AutoEuropa - porque não há empresa que queira "sobreviver" num país onde não à vestígio de escoamento dos seus próprios produtos - e que pode funcionar como colateral de amortecimento de quebra em mercados externos.

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  2. (cont.)

    Como defendo quase desde o início, desde que o social democrata? Passos adoptou a cartilha neo - liberal: assim não, sr. Passos Coelho! Cortes salariais em rendas, cortes nos desperdícios do estado, cortes nos ordenados do não transaccionável impossíveis de manter numa economia fragilizada quase sempre pelo peso do estado, sim.
    Mas a saída de muitas empresas do radar do estado não significa mais energia privada, se o estado se mantiver alegremente a "produzir" mais uma panóplia infernal de obrigações...
    Este ajustamento, necessário, perante um estado falido por uma anterior gestão delirante e fantasista, que restringe simultaneamente o consumo, como o investimento, devia ter sido seguido por uma diminuição e profunda reforma fiscal que diminuí-se os verdadeiros impedimentos, que não permitem o regresso à sustentabilidade pelo transaccionável.
    As asneiras do ajustamento à bruta sucedem-se (no meio de algumas medidas positivas, como o meter em ordem os abusos remuneratórios, etc…), como foi o caso do aumento do IVA em bens que não traziam dependência externa (e que está a diminuir as receitas do estado não beneficiando a ninguém e empobrecendo quem podia fazer dar um novo impulso em bases mais sólidas e sustentáveis, caso do sector dos ginásios, da restauração, dos pequenos negócios, … ) e que serviam de amortecedor em sede de IRS, segurança social, IVA... da queda negativa de algum consumo (dos bens inferiores), em contraponto à queda positiva do consumo de muitos bens importados acessórios.
    E o CUSTE O QUE CUSTAR (quando se sabe que este ano duplicou o número da mortalidade idosa – a desesperança também mata - o que era previsível - experimente o sr. de Passos viver com 200 € por mês - já que os idosos morrem de esperança e de fome e brevemente de frio, quando começarem a ser postos pelos senhorios a viver na rua) é uma frase criminosa, própria de um ser pouco humano, insensível, frio e cínico, não de um verdadeiro social democrata, sr. Passos Coelho!
    E cá estaremos para analisar o índice de Gini sobre o aumento das desigualdades que empobrece a sociedade Portuguesa como um todo, quando assistimos a cortes radicais nos salários e aumentos de lucros nas empresas privatizadas sem concorrência (do oligopólio ou do monopólio) sem qualquer ganho importante para a sociedade como uma comunidade.

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