terça-feira, 6 de março de 2012

Paridade e diversidade...

O tema é recorrente. Deve ou não ser introduzido um sistema de quotas? O peso das mulheres nos conselhos de administração é baixo. O desafio lançado há um ano pela Comissária Europeia às empresas europeias cotadas em bolsa para que aumentassem voluntariamente o número de mulheres nos seus conselhos de administração (CA) não resultou. A adesão a este compromisso foi reduzida e o número de mulheres nos CA não registou um aumento significativo. Segundo o relatório da Comissão Europeia ao ritmo da evolução registada neste último ano seriam necessários 40 anos para se atingir uma paridade razoável (pelo menos 40% de ambos os sexos). 
Há, no entanto, contrates muito grandes na Europa. Veja-se o exemplo: Noruega com 36% e Portugal com 5,6%. O contraste tem que ver com a mentalidade, a cultura e a abordagem que é feita ao valor da diversidade do género, por quanto sabemos que sendo os homens e as mulheres diferentes todos perdemos se não formos capazes de uma representação equilibrada que favoreça a complementaridade.
Porque é que as mulheres não chegam ao topo na política e nas empresas? Em parte é explicado pela mentalidade machista mas também pela ausência da cultura do mérito e tem que ver com a cultura instalada que não é favorável a que as mulheres lutem por essas posições e em que é visto com normalidade que as mulheres não cheguem a lugares de topo.
Será que as quotas resolvem o problema? Tenho dificuldade em aceitar que as mulheres ascendam administrativamente a lugares de topo através da imposição de um sistema de quotas, relevando para segundo plano o critério do mérito. É uma desqualificação para as mulheres ascenderem por imposição da lei. O que é fundamental é assegurar o acesso pelo mérito.
A ascensão será um processo lento e gradual, imparável. Com mais mulheres em cargos intermédios a possibilidade de ascensão a cargos de topo aumenta. O caminho bottom up é necessário para alterar a mentalidade instalada e evidenciar os benefícios da diversidade do género.
O relatório Woman Matter da McKinsey vem reiterando que existe uma clara relação entre o desempenho financeiro e organizacional das empresas e o facto de estas terem mulheres nos seus CA. As evidências demonstram que as que têm mulheres em cargos de decisão têm melhores desempenhos  do que as que são exclusivamente geridas por homens. Mais do que a importância do factor feminino, ressaltam as vantagens da diversidade.
Será que se justifica pelos benefícios que advêm da diversidade que o processo seja acelerado com a introdução obrigatória das quotas?

7 comentários:

  1. E aí ... ..este blog não faz um comentário às notícias do Correio da Manhã sobre o rasteiro ..Vejam e comentem..
    http://doportugalprofundo.blogspot.com/
    Isto é um blog patriótico ..e o da quarta republica ?é o quê ? só banalidades ..??

    ResponderEliminar
  2. Cara Dra. MCA,

    Estou inteiramente de acordo com a sua reflexão.

    Honestamente, também não sou muito favorável à introdução de quotas embora reconheça, que a introdução das mesmas obrigaria a uma mudança.

    ResponderEliminar
  3. Eu discordo inteiramente com a atribuição de quotas!
    Quotas?!
    Quando aquilo se pretende atingir é o reconhecimento da igualdade de direitos e de competências?!
    Tenham paciência, mas em minha opinião, estabelecer a obrigatoriedade de admitir estes dois pontos fundamentais, é contrária à sua legitimidade.
    Quanto a mim; não ha que lutar pela obrigatoriedade do estabelecimento de uma percentagem que limite pelo mínimo, o número de pessoas de um determinado sexo que deve equalizar o número de pessoas do outro sexo.
    Essa imposição, é a meu ver, contrária à lógica.
    E a lógica está em a competência demonstrada ou aferida, para ocupar um determinado cargo, seja com ele compatível.
    E se essa lógica for deturpada, ou prepotentemente condicionada, deverão (homens e mulheres) pugnar pela justa punição de quem pratique os actos discriminatórios.
    A paridade, para ser possuidora de toda a carga cívica e humana que comporta, tem de ser defendida sem recurso ao estabelecimento de quotas, acho.

    ResponderEliminar
  4. Margarida, também não sou nada favorável a quotas, embora reconheça que podem ser um factor de aceleração dos progressos nessa matéria, de facto nos países nórdicos o acesso das mulheres ao ensino, incluindo ao ensino superior, começou muitas décadas antes de nós, basta comparar as estatisticas dos níveis habilitacionais dos vários países da OCDE para ver o que acontece nas faixas etárias a partir dos 40 anos, isso explica muita coisa e não só as mentalidades. Por isso, acredito que é uma questão geracional, a geração que, em Portugal, já teve igualdade de acesso ao ensino e ao mercado de trabalho qualificado está agora a chegar ao topo, tal como se constata em muitos campos profissionais onde o acesso ás mulheres era vedado (diplomacia e magistratura, por exemplo). QUanto aos lugares nas adminsitrações das empresas, é a própria organização de trabalhoq ue +e profundamente masculina, ou seja, não têm horas para nada, adoram reuniões intermináveis até à meia noite, disponibilidade total para o "trabalho", tudo está desenhado para ter a mulher em casa a tratar de tudo e os homens a tratar do que é "importante". Ridículo, na maior parte das vezes nada disto é necessário nem acontece nesses países onde, com toda a naturalidade, as mulheres assumem cargos de igual responsabilidade. Mas entre nós, o "estatuto" implica não ter espaço para mais preocupação nenhuma.

    ResponderEliminar
  5. Estava aqui a ler o comentário da Dra. Suzana e fiquei espantado com a agilidade do seu raciocínio, quando aponta como um dos motivos para a ausência de mulheres nas administrações de empresas o facto da organização do trabalho ser eminentemente masculina. É muito interessante este ponto de vista, tanto mais que espelha de modo geral a realidade do gestor que conhecemos ou ouvimos falar, que não sobra tempo da empresa e por via disso não chega a horas ao jantar, não acompanha os filhos na escola e muito menos ao consultório do médico. A mãe, essa terá de fazer tempo, o tempo que o marido desperdiça nas tais reuniões que se prolongam para lá do essencial...
    Mas há que reparar que as mentalidades estão a evoluir no sentido da "aceitação" natural da mulher nos mais altos cargos, tudo está em mudança, e assim sendo impor quotas seria isso sim um ato discriminatório, um favor prestado às mulheres...

    ResponderEliminar
  6. Não, não, caro jotac, o que está a mudar é que as mulheres são indispensáveis em casa e nos altos cargos (tal como o são nos menos altos!) e os homens já partilham hoje uma boa parte das tarefas que antes se dispensavam - e as mulheres os dispensavam, também é preciso dizer - de fazer. Por isso, vai ver que a nova geração já vai começar a ser mais organizada no trabalho e no tempo que gasta em reuniões, já se nota bastante os jovens pais a olhar para o relógio porque os filhos estão na escola à espera de os ver chegar, ou para irem ao médico, ou nas compras do supermercado. Felizmente, já não são olhados com estranheza ou mesmo com algum desdém, acho que se evoluiu bastante, mas como o ponto de partida era muito atrasado, ainda há muito caminho a fazer... Mas talvez as quotas venham tarde e a realidade lhes passe à frente, nunca se sabe.

    ResponderEliminar
  7. Concordo, Dra. Suzana, altero a parte do meu comentário que diz,
    "...Mas há que reparar que as mentalidades estão a evoluir no sentido da "aceitação" natural da mulher nos mais altos cargos..."
    para,
    "...o que está a mudar é que as mulheres são indispensáveis em casa e nos altos cargos (tal como o são nos menos altos!) e os homens já partilham hoje uma boa parte das tarefas que antes se dispensavam - e as mulheres os dispensavam, também é preciso dizer - de fazer..."

    ResponderEliminar