terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cautela com o dito ("Programa") Cautelar...

1. Já aqui expressei, há relativamente pouco tempo, o meu cepticismo em relação à utilização sistemática, por Comentadores e opinion-makers locais, da expressão “Programa Cautelar”: sempre me pareceu equívoca a utilização de tal expressão (e expliquei porquê) e sempre suspeitei que os muitos utilizadores de tal expressão não tinham uma ideia precisa - ou nenhuma mesmo - daquilo de que estavam a falar...

2. O episódio da Irlanda veio confirmar plenamente essa suspeita: a Irlanda veio dizer, PRETO no BRANCO, que ninguém verdadeiramente sabe em que consiste essa “Apis Rara” a que se convencionou chamar “Programa Cautelar”, que condicionalismo envolve, que riscos apresenta, que vantagens ou desvantagens oferece – na interpretação dos responsáveis irlandeses, os riscos e as desvantagens seriam tais que decidiram avançar, sem qualquer rede, para a fase pós-Programa de Assistência...

3. Não obstante a clareza da mensagem transmitida pelos responsáveis irlandeses, os nossos incansáveis comentadores e opinion-makers não desistem a até redobraram de intensidade nas suas perorações em torno do famoso “Cautelar”: até há quem recomende ao Governo que se lance desde já nessa estranha aventura, que comece sem demora a negociar o dito “Cautelar”, mesmo sem haver qualquer ideia das suas implicações ou condicionalismos...

4. É verdadeiramente feérico este cenário mediático, em que impera a confusão total de ideias e em que se assiste à tentativa de cada um se chegar à frente com a sugestão mais brilhante, com a frase mais inspiradora...ou com a última proposta salvífica para o País, evidentemente sem ter a responsabilidade de a executar, nunca correndo o risco de falhar a execução...

5. Pela minha parte, limito-me a dizer: atentem bem no caso da Irlanda, muita cautela pois com o dito “Cautelar”...que de cautelar, a crer no que dizem os irlandeses, terá mesmo muito pouco...

12 comentários:

  1. Antes, dizia-nos o nosso primeiro, que todos os sacrifícios eram necessários para o regresso aos mercados no final do “programa de assistência”.
    Agora, mudou o discurso e o que se anuncia é que todos os sacrifícios adicionais para 2014, a dose dupla de austeridade, tem como meta “um programa cautelar” seja lá o que isso for. Mais austeridade não para sair da austeridade, o que seria um absurdo, mas para regressar aos “mercados” que já não vai acontecer.
    E não acontecendo e não sabendo bem o que é isso de “programa cautelar”, o certo é que mais sacrifícios se esperam, pelo menos até ao estoiro final.
    Entretanto o mesmo primeiro que impõe cortes às famílias esbanja dinheiro na administração do estado. As despesas com aquisição de bens e serviços, (sim, os automóveis, os pareceres, o novo mobiliário, os novos equipamentos, etc) aumentaram de 2011 para 2012 em mais de 2.000 milhões de euros. Uma verba astronómica que evitariam os novos cortes de pensões e salários. É um escândalo de lesa pátria. Quem governa assim só merece ser julgado em tribunal e recolher às prisões.

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  2. Eu gosto da ideia de um programa cautelar porque, não comprando o bilhete inteiro, a probabilidade de levar com a terminação é, neste momento, quase igual.

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  3. Erros de anacronismo, caro Dr. Tavares Moreira. (vamos ver se consigo explicar-me de forma a que todos me compreendam)
    O "problema" não apareceu hoje, do nada. Não foi algo que os comentadores e os média de má índole, se lembraram de inventar, ou, que tinham guardado para fazer agora surgir. O "problema" vem de trás. E isso... todos sabemos que assim é.
    Vem sobretudo, ou cimenta-se, na falta de clareza e na falta de honestidade daqueles que se propõem governar o país e, que se deixam dominar por interesses de força superior às suas capacidades de avaliar e decidir.
    Diz o nosso Amigo Carlos Sério: «Quem governa assim só merece ser julgado em tribunal e recolher às prisões.» Ele esquece-se que quem governa está sob a protecção da iniquidade que o cargo lhe confere; é uma burocracia-zeca que a Constituição lhe confere, o que, torna quase impossível no nosso país , prender um membro do governo ou dos grupos parlamentares. Contudo, São eles que mexem este grande caldo envenenado que resulta na instabilidade, na desconfiança e na suspeita de que o país é ingovernável. Suspeita essa que já foi convertida em realidade, tanto para a tróica, como para as agências de ratting, como para as instituições de crédito. Por isso mesmo, o Sr. Presidente da República, apela insistentemente à concertação entre os partidos e o governo, por forma a que passe para o exterior, um a imagem de um Portugal onde cada membro rema no mesmo sentido. Algo que todos sabem não existir, nem poder vir a suceder. E não será um resgate ou um programa cautelar que irão alterar esta situação. O problema resume-se a algo trivial: DINHEIRO! O dinheiro que não temos porque não somos capazes de criar e gerir negócios que o gerem, mas que esperamos que alguém no-lo empreste, ou melhor; que no-lo dêem, de preferência; e de preferência também, que venha em grande quantidade, em imensas quantidades.
    Portanto, seja pedindo novo resgate, ou conseguindo uma cautela (de prego), o problema de base manter-se-á e resume-se ao mais simples de perceber: devemos uma “pipa”, não encontrámos ainda a forma de nos mantermos sem aumentar essa dívida e pior: sabemos que temos no nosso país «minas humanas de diferentes materiais preciosos» mas não descobrimos ainda a forma de valorizar esse património humano, tão pouco de o colocar ao serviço do país de uma forma estruturada e produtiva.
    Em suma, continuamos convencidos que a atitude de “mão estendida” é melhor, porque nos resolve os problemas imediatos, no mais curto espaço de tempo, sem precisarmos de nos chatear muito.
    Comecei por referir neste comentário que atribuo a uma falta de cronologia nas superiores decisões do governo, a dificuldade, ou a impossibilidade de ser encontrada uma solução de fundo, concisa e precisa, para o problema que o país vive e no qual está mergulhado até ao pescoço. Admito que, face aos relatórios de crescimento e às estatísticas de recuperação da economia, esteja diametralmente equivocado. Para mim, contam os relatórios pessoais daqueles que vejo perderem os empregos e não conseguirem empregar-se de novo, que vejo a terem de entregar as casas aos bancos e terem de recorrer à caridade alheia para se conseguirem manter-se vivos e ao seu agregado familiar. Para formar a minha opinião, contam também as potenciais aptidões dos nossos jovens que só conseguem emprego em call centers e em caixas de supermercados, ou a fazer servicinhos de caca que não lhes dão para comprar uma sande de cachucho. Com a agravante que me parece de tudo, uma das piores e mais nefastas consequências; é que, os nossos jovens recém-formados, cheios de ideias, de objectivos e sangue-na-guelra para dar tudo ao país, e que passam o dia agarrados ao portátil a mandar currículos para casa do “coiso”-mais-velho e a obter carradas de não-respostas, daqui por 5 anos, estão ao nível de um analfabeto, tendo esquecido uma boa parte do que aprenderam, tendo criado uma forma de ver a vida e mundo, desanimadora e tendo deitado pelo cano abaixo um capital humanos, técnico e dinâmico que o país nunca mais poderá recuperar.

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  4. Caro TavaresMoreira,

    não entendo as razões para a cautela e o receio.

    Senão vejamos:

    1- as avaliações da Troika teem sido todas favoraveis e positivas - algumas até com louvores.

    2- o Programa está a ser cumprido, e segundo tem sido recorrentemente afirmado, é o Programa certo para nos salvar.

    3- o Desemprego até está a baixar e o crescimento está ai (pelo menos hmologamente falando)

    Assim sendo, e á luz disto que repetidamente nos tem sido afirmado - quer plo governo quer tambem por variadissimos opinadores - não me parece logico que se levantem receios!


    A menos que tudo isto que tem sido a nossa realidade recente...não passe de um monte de retoricas demagogicas e meras falácias.

    Mas não, não pode ser! Quero acreditar no muito que aqui tenho lido, e no que oiço do Governo: Isto está mesmo a correr bem e já devemos estar mesmo a chegar ao fim do tunel.

    Pelo que quem fala de "programa cautelar" ou similares, só pode estar a exagerar...


    ...e assim sendo, não á razões para preocupações. Vai correr bem!

    Certo ?

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  5. Caro Bartolomeu,

    De acordo, excluindo, obviamente, a citação de outro autor...

    Caro Tonibler,

    Gosta da ideia é uma coisa - e como eu o entendo, perfeitamente - opinar sobre a mesma ssem fazer ideia daquilo em que consiste, é outra, bem diferente...

    Caro Pedro,

    O facto de o Senhor se mostrar mais esclarecido que os irlandeses nesta matéria, deixa-me muito pouco confortado, não me leve a mal...

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  6. Caro Tavares Moreira

    O nosso povo, tem "coisas" que só quando experimentam os efeitos percebem o que se lhes pretendeu informar com antecipação.
    O "cautelar" é uma dessas "coisas".
    Em Junho, se as "coisas" correrem o melhor que se pôde arranjar e não, como deviam correr, vamos passar de ajustados a acautelados.
    A única coisa que, se assim for o caso, não vai alterar-se são as carpideiras e as lamúrias.
    Cumprimentos
    joão

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  7. Pois é caro Tavares Moreira, eu tambem me sentia pouco confortado...e muito antes de sequer fazer comparações com o Irlandeses.

    Mas depois aprendi a ouvir o Governo e seus arautos...e percebi, que nem precisamos de olhar os Irlandeses.

    Vai tudo correr bem. E nem sou eu que lhe digo...é mesmo o programa da Troika, o proprio Governo, e tambem as agencias de ratings.

    Perante isto, não há que ter receios.

    (a menos que se seja "crescimentista", ou vá lá...se tenha os pés assentes nesta lusa terra! mas tirando isso...tudo está a correr bem!Acredite....)

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  8. Caro João Jardine,

    Creia que achei mesmo graça a essa ideia da passagem de ajustados a acautelados...
    Será curioso se viermos a verificar - não é tão improvável quanto isso - que a diferença entre um e outro desses estados se coloca, quase exclusivamente, no plano da sintaxe...

    Caro Pedro,

    Nem mesmo assim fico confortado; na minha óptica - não será possivelmente a sua, mas tudo bem -os problemas de política não se resolvem exclusivamente com a opinião dos agentes da mesma...
    Relevam muito mais, na minha perspectiva, os méritos ou deméritos intrínsecos que encontro nessas políticas...
    A opinião dos agentes, não sendo irrelevante, certamente, tenho-a claramente na conta de tema de 2º grau.

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  9. Mas quem é que não sabe do que está a falar? Aquele senhor que dizia que a dívida pública não se paga, o que dizia que não era preciso dinheiro para os bancos emprestarem ao estado, o que quer sair do euro ou o outro dos "walking dead" que anuncia todas as semanas uma revolução para a semana?? Eu não acho que estas pessoas não saibam do que estão a falar... elas só não sabem o onde, o quando e o porquê.

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  10. Essa distinção é muito sibilina, caro Tonibler: não sabem o quando, o porquê e o onde...mas sabem bem do que estão a falar!
    Saberão tb donde vieram, o que andam por aí a fazer, o que custa a vida e para onde vão?
    Admito que não tenham necessidade de saber, uma vez que no cerne do seu pensamento filosófico estará sempre ínsito um sagrado princípio: serão sempre os outros a pagar...

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  11. Oor isso mesmo aquele guru da alta finança afirmou: ...ai pagam, pagam!

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  12. No caso vertente a lógica da afirmação é oposta à da declaração que refere, caro Bartolomeu...
    Neste caso são os teóricos do assistencialismo estatal que nunca se preocupam com o dia de amanhã: como diria o grande Victor Hugo, para um bom assistencialista o assistencialismo começa por si próprio...bem entendido, os outros que paguem!

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