quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Desemprego cai na Península Ibérica - Crescimentistas reagem muito mal...


  1. Foi ontem noticiado que o número de desempregados em Espanha (oficialmente registados, como é evidente), tinha baixado em Julho para 4.046.276, o nível mais baixo desde Setembro de 2010, sendo a queda observada em Julho, com menos 74.028 desempregados a maior queda mensal desde 1998.
  2. Em qualquer caso a percentagem de desempregados em Espanha é ainda muitíssimo elevada, em torno de 22% da população activa, mas chegou a atingir  27% no período mais crítico de 2012/2013.
  3. Em Portugal, é hoje notícia, divulgada pelo INE, uma quebra muito pronunciada do número de desempregados registados, no 2º trimestre de 2015, para 11,9% da população activa.
  4. A minha interpretação deste fenómeno, desde sempre aqui expressa, consiste em atribuir o mérito por esta evolução ao sector empresarial - quase em exclusivo aos investidores privados, com as PME’s claramente na vanguarda - que tem sido nestes anos o grande impulsionador da retoma económica, em todas as frentes (contas externas e receitas fiscais também).
  5. O Estado, se alguma contribuição deu, foi no sentido de repor a confiança dos investidores, criando condições para uma recuperação da actividade económica, mas não se lhe pode atribuir o principal mérito por esta recuperação – e isto é verdade tanto em Portugal como em Espanha.
  6. O que ao Estado deve ser assacado, nos anos que antecederam o período crítico de 2011/2013, foi a lamentável criação de condições para o aumento em flecha do desemprego e do fluxo emigratório, ao lançar o País numa pavorosa crise financeira, cuja solução acabou por exigir uma forte contração da actividade económica…
  7. … com um sem número de falências/cessações de actividade por parte de milhares de empresas sobretudo nos sectores da produção de bens e de serviços não transacionáveis que suportaram, em cheio, o colapso da procura interna.
  8. Por este motivo, não consigo, de todo, entender a reacção birrenta, quase pueril, dos simpáticos Crescimentistas, na sequência das boas notícias quanto ao desemprego, atirando-se (literalmente) ao Governo, responsabilizando-o pela destruição de milhares de empregos…
  9. É um tipo de discurso que lhes fica muito mal, fariam muito melhor – e seriam muito mais justos, certamente – se aproveitassem a oportunidade para saudar o sector empresarial, atribuindo-lhe o mérito desta evolução.
  10. Não lhes custava nada e creio que até cairia bastante bem na opinião pública. Com reacções destas, tenho muita pena, mas arriscam não ir longe.

14 comentários:

  1. Dou-lhe toda razão, caro Dr. Tavares Moreira, quando atribui o mérito da retoma de emprego aos pequenos e médios empresários. Quanto ao esforço do governo... para lá de ser o espectável, pois cabe ao governo criar as situações ideais para que haja investimento privado e consequentemente criação de postos de trabalho, é também, digamos o principal benefíciário dessa retoma (ainda insípida face às causas e aos objectivos) pois ela vai traduzir-se em votos eleitorais. Daí, a "guerra" que nos últimos tempos estalou entre PS e governo à volta desta matéria, na qual os de um lado acusam os outros de ter destruído milhares de postos e os outros defendem-se acusando-os de terem herdado uma taxa de desemprego demasiado alta.
    Fazem lembrar os putos da escola quando são chamados ao Conselho por terem partido o vidro do ginásio, e se acusam mútuamente. O busílis é que o vidro se partiu e ambos estavam a jogar com a mesma bola.

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  2. Caro Bartolomeu,

    E consegui não falar da Venezuela e do Zimbawe, dois produtos da minha imaginação criadora segundo consta.
    Quanto à guerra que menciona, não prevejo o seu fim, no formato corrente, antes de 4 de Outubro próximo...
    Mas esta reacção dos Crescimentistas, por demasiadamente infantil, cheira mesmo a "esturro"...estarão assim tão inseguros do que vai acontecer e o nervosismo vai dominando suas tomadas de posição?
    Note a inteligente reacção da UGT, por exemplo, congratulando-se pelas melhorias registadas, sem entrar em polémicas políticas.
    Também não apreciei, nada, alguma euforia do lado de partidos da Coligação, chamando a si um mérito que tem mais donos e bem mais legítimos.

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  3. Pois não mencionou neste caso o Zimbabwe e a Venezuela, a meu ver, muito bem, caro Dr. Tavares Moreira. Pois se considero ambos genéticamente a uma distância abismal da Grécia, de Portugal essa distância ainda seria mais acentuada.
    Mas volto a concordar com o que refere, relativamente à "estranha" posição de Carlos Silva (por precaução ou astúcia) quanto aos resultados publicados pelo INE, relativamente aos nºs do desemprego (nºs da discórdia).
    Mas continuo na minha, guerrinhas à parte, o problema mantem-se e não suavizado pela estatistica apresentada, não forjados, é certo, mas, compilados de forma que não refletem a realidade. Sabemo-lo bem.

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  4. Caro Tavares Moreira, se não for o estado a dar emprego por via administrativa, vai haver muita gente que vai mesmo ter que arranjar emprego trabalhando.

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  5. Caro Pires da Cruz,

    Essa distinção entre emprego criado por via administrativa e trabalho é fundamental para se entender a diferença entre Crescimentismo e crescimento económico...
    Creio que há muita gente que procura emprego mas não pensa seriamente em trabalhar. A menos que a leitura de jornais, uma das ocupações mais bem pagas pelo Orçamento, seja considerada criação de valor.
    Tema que os nossos ilustres Tudólogos, utilizando seu irrecusável talento analítico, poderiam tratar com profundidade.

    Caro Bartolomeu,

    Não só a Grécia, mas também muitos outros países europeus, situam-se a milhas de distância (atrás) do nível de autonomia monetária de que beneficiam os dois citados países...sendo assim, como ousa o ilustre Comentador considerar estes dois países menos avançados?

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  6. Na verdade, caro Dr. Tavares Moreira, não considerei aqueles dois países menos avançados. Antes, para isso, teríamos de definir"avançado", estabelecer um padrão e então, classifica-los de acordo.
    Mas adiante.
    Referi-me sim, à genese, àquilo que os caracteriza e em que diferem abismal-mente. Tanto o Zimbabwe como a Venezuela são Repúblicas governadas por ditaduras, uma de Robert Mugabe a outra, de Nicolás Maduro. Mas ambos os países possuem riquezas naturais de dimensão e valor inestimáveis, portanto em tudo genéticamente diferentes da Grécia que possui uma democracia e zero de riquezas naturais. Bom... estou a mentir, possui duas riquezas naturais, uma, as condições excecionais para o turismo e a outra que está agora a ganhar dimensão; as ilhas devolutas para venda. Esperto foi o Ronaldo que já tratou de adquirir uma, antes que a especulação expluda, ou o governo grego se lembre de reformar o PDM, ou os gajos do green peace apareçam por lá embandeirando faixas exigindo a proteção das ilhas...

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  7. O que mais me apoquenta é o coro de criticas, sobretudo do PS - os outros verdade seja dita não querem governar, portanto tudo estará sempre mal. Ora o PS apresenta um programa de Governo, e um candidato, que partem do principio que o país está bem (mesmo que não o reconheçam na praça publica), ou pelo menos bem o suficiente para fazer aquele tipo de projecções com que as suas medidas se sustentam, tudo com base no crescimento (folgado) e no consumo (interno). Ora ou é dissonância cognitiva ou é muita lata que ao mesmo tempo que se baseiam no Portugal de hoje para fazer um programa tão ambicioso agora vêm contestar números e as realidades actuais. Se Portugal tivesse assim tão mal o PS não podia nem devia ter coragem de assumir os níveis de crescimento que defende, por exemplo. Em que é que ficamos afinal? Portugal só está bem quando se fala para chineses e quando se escrevem programas? Hipócritas.

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  8. Caro Bartolomeu,

    Fui informado de uma novidade absolutamente lamentável, quase diria desastrosa...a decisão das "autoridades" do Zimbawe de por fim à moeda nacional, ficando apenas a circular o USD e o Rand sul-africano.
    Bem sei que existiam alguns problemas logísticos na utilização da moeda local: para pagar o consumo de um simples café, em dólares do Zimbawe, era já necessário mobilizar uma extensa coluna de camions pesados, carregados de maços de notas...
    Mas isso era um mal menor, face aquilo que considero um verdadeiro retrocesso civilizacional: a renúncia ao privilégio da autonomia monetária e a sujeição às leis do mercado cambial!
    Hoje é um dia bem negro para a academia de Coimbra, na sua vertente económica-financeira, e alguns Tudólogos deverão trajar de luto.
    Ganham força o Euro, o USD, o Renmimbi, o Iene, e outras divisas de países submissos às leis do mercado.
    O bolívar, sem a companhia do dólar zimbaweano, provavelmente não se vai aguentar, nem quero ouvir falar disso!

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  9. Pois, caro Dr. Tavares Moreira mas, como diz o pobõe: num ha male que num dê em beim. E vai ver o meu estimado Amigo que essa desastrosa decisão vai ter o bem resultado de fazer reverter a zero a inflação do país. E, quem sabe, fazer afastar os especuladores e exploradores estrangeiros do país e das suas gentes. :D

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  10. Caro T,

    A essa vertente da falta de coerência dos políticos já me habituei, nem reparo (mau hábito, porventura); impressionam-me bem mais as manifestações de "pura burrice" (salvo seja) como me pareceu ser a reacção a que fiz referência neste Post.
    Este tipo de manifestações, eventualmente induzidas por estados de intranquilidade, parecem-me bastante mais significativas...

    Caro Bartolomeu,

    Não imaginava que os exploradores e especuladores ainda vagueassem pelo Zimbawe...talvez procurando investir no transporte de notas e cobrando por tal serviço verbas exorbitantes ( 2 camiões de notas por cada camião de notas transportadas?).
    Não vejo outro sector em que pudessem ter interesse, tudo o resto terá sido nacionalizado, ou abandonado no caso das grandes unidades agrícolas, em qq dos casos para benefício óbvio das populações.

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  11. Os meus estimados Amigos Taveres Moreira e Tonibler Cruz insistem na pândega de assestar as miras na política económica e financeira do Zimbabwe mas, esquecem-se, ou não querem lembrar-se, que as vítimas dessa´s políticas é o povo Zimbabweano.
    E insiste o meu caro Dr. Tavares Moreira em colocar as opções do governo grego ao mesmo nivel do governo Zimbabwena e Venezuelano, esquecendo-se que entre as três realidades não existem pontos de convergência capazes de as comparar.
    O povo do Zimbabwe vive sob uma ditadura e tem de se sujeitar a qualquer decisão do governo, o povo Grego vive em democracia e é-lhe dada a liberdade para escolher os seus governantes e ainda para decidir sobre a vontade de permanecer ou sair da UE. O Zimbabwe vive sob o governo de um presidente fraco para com os interesses e influência estrangeiros e demasiado forte para com o povo do seu país. O governo grego, cede o menos possível às exigências que lhe são impostas pelo estrangeiro para manter os interesses da população.
    É verdade que o poovo grego sofre. Mas, sofre porque deixou de ter. Enquanto que o povo Zimbabweano sofre porque nunca teve.
    Não sei se os meus amigos já se deram conta do êxodo que está a crescer, das populações oriundas da África Austral e Central e que está a desaguar na Europa... na Europa dos Grandes, dos Sábios, dos Poderosos, dos que Tudo Sabem e Tudo podem e em que Tudo Mandam. Pois é... seria bom (penso) que em lugar de equacionarem camions de notas, reflectissem sobre esta preocupante realidade. A menos que estejam a pensar refugiar-se no meu monte, quando a coisa der para azedar...

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  12. Caro Bartolomeu,,
    Não fui eu que sugeri que os especuladoras e neoliberais (andam sempre de mãos dadas ao que consta na academia de Coimbra) ainda vagueassem pelo Zimbawe, quais almas penadas...foi o Senhor, meu ilustre amigo.
    Assim sendo, a sua (legítima) manifestação de incomodidade em relação às possíveis comparações entre Grécia e Zimbawe deveria dar lugar a uma profunda introspecção, pois, pelo menos por minha parte e com o devido respeito, posso dispensa-la.

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  13. A mim, nada me incomoda, caro Dr. Tavares Moreira. Aliás, estou até bastante disponível para me juntar à grande Casa De Cluny, caso venha a ser restaurada e partir na companhia desses bravos, na demanda e defesa dos lugares santos. Aliás, alcançar a beatitude sempre foi o meu objectivo maior.

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  14. Caro Bartolomeu,

    Começo a intuir melhor a razão pela qual os Crescimentistas estão reagindo tão desajeitadamente a estas notícias...mas terão de entender que, com este tipo de reacções, só vão piorar a sua já incómoda posição...
    Não pode o Amigo avisa-los? Seria uma obra meritória.

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