quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A pitoresca unidade da esquerda II


O voto no Partido Comunista e no Bloco de Esquerda é um voto na Coligação da direita 

Carlos César, Presidente do Partido Socialista

E onde fica o PS? Na esquerda, que engoliu a direita ou na direita que assimilou a esquerda? Que grande confusão reina nas hostes socialistas....

3 comentários:

  1. O PS, na sua estratégia para as eleições de 4 de Outubro, entendeu que os votos ao centro eram seus face ao desagrado criado contra o Governo, pelos anos de troika. Pelo que enveredou por um discurso à esquerda, à Syriza, com vista a ganhar o voto útil na zona, em prejuizo do PCP e do BE.
    Correu tudo mal.
    Primeiro, aquele grupo (ao centro) mesmo desagradado com o Governo, entendeu que os anos de troika foram uma consequência simples da governação anterior. E que os anos difíceis foram a paga dessas políticas erradas à esquerda. E perceberam que simplesmente coube a este governo (à formiga) resolver o problema antes criado (pela cigarra). Juntando este pressuposto ao dicurso irresponsável à esquerda, os indecisos não se balançaram para o PS. E mantiveram-se indecisos. Mas a indecisão já está do lado da balança que menos serve ao PS. Ou se mantêm indecisos ou renovam o voto no PaF. Mas a estes já voltamos.
    À esquerda, a luta é fraticida, na conquista do voto.
    Chegados à campanha eleitoral, com tudo empatado entre o PaF e PS, ficou clara a impossibilidade da maioria absoluta. Pois o PS não conquistou o centro indeciso. Foi demasiado Syriza, criou desconfiança...
    Com a maioria absoluta inalcançavel, esbateu-se a importancia do voto útil à esquerda. O que leva (e levará) mais alguns pontos do PS para o PCP e BE que concentrarão os seus esforços na reta final da campanha nesta recuperação de votos.
    Com o PS reduzido a intenções de voto cada vez mais "relativas" ficará claro aos indecisos do centro que à esquerda teremos um PS fragilizado e dois partidos reforçados ainda mais à esquerda, com votações ao nível dos respetivos máximos.
    E é este panorama de uma maioria à esquerda onde as políticas serão controlados pelo PCP ou BE e que poderá levar o País em 2 anos à troika, que pode fazer com que os indecisos se decidam e votem pela estabilidade dada pelo PaF.
    É esta perspetiva que terá de ser "batida" pelo PaF nessa reconquista (para o voto) da maioria de indecisos ao centro. O que levaria a um reforço da maioria do PaF, se não para a maioria absoluta, para uma maioria "boa e grande" que asseguraria uma governação equilibrada com um (outro) PS mais ao centro e responsavel, depois de afastadas as tendências (mais à esquerda) que lideraram o partido após Seguro. Que, a propósito deve estar com um leve sorriso, à espera do dia 4 para libertar uma enorme gargalhada.

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  2. Cito o seguinte do comentário anterior: "O que levaria a um reforço da maioria do PaF, se não para a maioria absoluta, para uma maioria "boa e grande" que asseguraria uma governação equilibrada com um (outro) PS mais ao centro e responsável, depois de afastadas as tendências (mais à esquerda) que lideraram o partido após Seguro". Ora bem, as pesquisas diárias valem o que valem, mas indicam uma tendência de vitória da Coligação, embora sem maioria absoluta. É possível uma maioria absoluta da Coligação? Penso que sim, apesar de diversos erros cometidos pelo Governo. Mas se na noite das eleições a Coligação vencer sem maioria absoluta? Interessante que em declarações de agora o Presidente da república afirmou que sabe muito bem o que fazer. É preciso assegurar a estabilidade, sob pena de uma crise política gravíssima e dos impactos dessa crise na economia. António Costa cometeu o erro crasso de radicalizar, dizendo que o PS não viabilizará um Governo da Coligação. Mas também e, por outro lado, a esquerda não se entende. Ou melhor, entende-se para não viabilizar a Coligação, mas não se entende para governar. Há socialistas que não aceitam a deriva radical de António Costa. É aqui que talvez façam sentido as palavras do Presidente da República. Nada impede que, tendo em atenção os resultados eleitorais, ele dê posse a um Governo de sua própria iniciativa. Isto no caso de a Coligação não alcançar a maioria absoluta. Poderia ser um Governo liderado por Passos Coelho, com a presença do CDS-PP e de elementos socialistas ou independentes socialistas que se mantém no centro político e não aceitam uma deriva radical. Esses elementos teriam de concordar com a consolidação orçamental e com o cumprimento das regras europeias, nomeadamente do Tratado Orçamental. Mas antes disso, teria António Costa de se demitir na noite das eleições, abrindo espaço para a sua própria sucessão, vindo a ocupar o seu cargo eventualmente Francisco Assis, nitidamente de centro. Este já fez um elogio envenenado a António Costa ao dizer publicamente que certamente António Costa vai ganhar as eleições...É uma forma de dizer que se deve demitir se as perder...

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  3. Chris Gupta: "A constituição de uma «Democracia Representativa» "consiste na fundação e financiamento pela elite do poder de dois partidos políticos que surgem aos olhos do eleitorado como antagónicos, mas que, de facto, constituem um partido único. O objectivo é fornecer aos eleitores a ilusão de liberdade de escolha política e serenar possíveis sentimentos de revolta..."


    Donde, caro Pinho Cardão, o voto no BE ou no PCP seja um multiplicar de vozes a chamar mentirosos e ladrões aos que de facto o são...

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