quarta-feira, 25 de março de 2009

“Shirakuterapia”

Quando chego a casa à hora do almoço é frequente assistir ao rabo do programa do Jorge Gabriel. Não me deixa de surpreender. Um asiático, um diabético, uma senhora de meia idade avançada, um jovem e, naturalmente, o apresentador. Tema? Mais uma vez “terapias”. Gostam muito deste tema. Desta feita, o que é que irá sair daqui? Pensei eu. E não é que saiu a “Shirakuterapia”? Mas afinal o que é a "Shirakuterapia" (era o que estava escrito em nota de rodapé!)? Uma terapia que serve para tudo, ponto número um e que é igual a todas as outras. O asiático, que falava português, lá divagou com as suas teses de causas de doenças, resumidas apenas a três, e explicou que através de pequeninas picadelas nos dedos das mãos e dos pés, mais massagens nesses pontos, estimulava o sistema imunológico, as energias e sei lá que mais. O mais jovem, com uma agulha – daquelas que os diabéticos usam para medir a glicemia -, ia espetando nos dedos da senhora, que tinha muitas maleitas, reumatismos, formigueiros, e, ao fim de algumas picadelas, duas ou três, já estava melhor. O senhor mais idoso era a prova viva de que aquela terapia funciona. O Sr. Frutuoso, diabético, insuficiente cardíaco e insuficiente renal, a tomar doze medicamentos por dia, e à beira de fazer hemodiálise, foi ao professor asiático que lhe resolveu o problema! Enfim, o homem só toma agora dois comprimidos por dia. O animador cultural perguntou ao oriental se também funcionava com as doenças do foro oncológico. Antes de responder, já eu tinha previsto: Claro que funciona! E não é que o senhor disse que sim! A cara do Jorge Gabriel era de um desconfiado, o que deve ter produzido algum efeito no professor que disse que neste casos os médicos têm, também, que atuar. Pois é! Nós também temos que atuar, mas só depois da Shirakuterapia!
Mas será que estes programas matinais servem para alguma coisa? Eu, pessoalmente, não me coibiria de fazer “Pontapénokuterapia” naqueles agentes culturais que poluem as mentes de muitos ingénuos e incautos. Garanto que se trata de uma terapia altamente eficiente, sem necessidade de recorrer à medicina.
Irra! É demais. Como é possível promover estas coisas?

7 comentários:

  1. Diz uma vizinha sábia aqui da minha serra «Todo o burro come palha, o qué preciso é saber dar-lha»
    Ai caro Professor M.C.,
    que escuro vai dentro de nós
    Agente morre logo ao nascer
    Com os olhos rasos de lezíria
    De boca em boca passando o saber
    Com os provérbios que ficam na gíria
    (do Carlos T e Rui Beluoso)
    ;)))

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  2. Anónimo21:50

    Meu caro Professor, essa "pontapénokuterapia" era solução, garanto-lhe, para muito mal. E não só maleitas físicas!

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  3. O quê, asiáticos para terapias? Devia ver os ciganos que arranjam para o governo. E há quem se queixe da diversidade étnica...

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  4. Como é possível, caro Professor?
    Então, mas não temos um serviço público de televisão do melhor que há?
    E um SNS à altura?

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Para quem não percebe nada do que diz e ficar criticando o trabalho dos outros devia era ficar CALADO! Trafulha são aqueles que o sr. deve estar habituado a fazer no seu trabalho para ganhar o pai do dia-dia porque para se ganhar algum dineiro neste pais é trafulhando os outros e criticando o trabalho dos outros! Isso é um grande exemplo do povo português saber criticar e falar mal dos outros sem saber do que se trata! Tenha é vergonha na cara!

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  7. Apague este tópico porque o senhor não sabe o que escreve e opiniões estúpidas já nos chega o Sócrates que inferniza o país. Se quer ser humano com coração bom faça isso. Obrigado.

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