segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sell in May and...go away!

1. A expressão em título é muito popular nos mercados financeiros, querendo dizer que os ganhos se fazem melhor na primeira parte do ano...sendo boa opção “fechar a loja” em Maio e voltar só no ano seguinte.
2. Esta expressão poucas vezes terá tido tanto sentido útil como no ano em curso...a recuperação das cotações e dos índices a que se tem assistido apresenta um sinal algo estranho, quando ainda não existem certezas quanto à profundidade e (sobretudo) a duração da crise económica que tem abalado o Mundo.
3. Bem sei, já aqui mencionei há dias (“Rays of hope, pockets of gloom”), que existem sinais de que estaremos bem dentro do primeiro andamento do “programa” de saída da crise: em várias economias e sectores regista-se um claro abrandamento do ritmo de contracção da actividade, nalguns casos sinais de estabilização...
4. Mas partir daqui para uma vaga de quase euforia nos mercados de títulos, afigura-se uma temeridade, nada garante que este movimento não tenha ainda um retrocesso sério...
Na crise de 1929-1932, mais profunda do que a actual pelo menos no que aos USA respeita (o PIB caiu então cerca de 50%...), existiram vários movimentos de recuperação dos mercados de títulos que...se desvaneceram em pouco tempo.
5. Dá por vezes a impressão que “esta gente” não aprende com os erros cometidos, apesar de tão recentes e tão graves, alguns dos quais ainda em processo de “disclosure”, nomeadamente entre nós...
6. Não foi exactamente, entre outras razões, um excesso de confiança, por vezes tão cega (para lá da cegueira obnóxia de reguladores) que conduziu à “debacle” financeira cujas consequências ainda estamos a testemunhar diariamente?
7. Especificamente para o caso do sector financeiro, já se pensou no impacto que a queda da actividade económica pode ter no balanço dos bancos por exemplo? E que este efeito se produz com uma “lag” considerável, de um ano ou mais? Faz sentido, a esta luz, um clima de quase euforia impulsionando as cotações das financeiras?
8. Não vou negar que, em alguns casos, um sentimento de pânico tenha arrastado a queda das cotações muito abaixo do que seria justificado pela diminuição do valor fundamental das empresas - e que por isso, passado o pânico, uma correcção faria sempre sentido...
9. Quer-me todavia parecer que se está passando do pânico à euforia sem se perceber bem porquê...assim sendo, a opção mais sensata não será “Sell in May...and go away”?

8 comentários:

  1. Caro Tavares Moreira,

    Os ganhos dos últimos tempos estão a trazer as bolsas para 50% do valor que tinham há 15 meses, não para valores absurdos. Aliás, as asneiras tanto se fazem para cima como para baixo.

    ResponderEliminar
  2. Caro Tonibler,

    Quer dizer que as subidas podem então tranquilamente continuar, que ninguém vai "queimar os dedos", é isso?
    E só pararão quando atingirem os tais valores a que chama absurdos?

    ResponderEliminar
  3. Hoje ouvi que o BCP teve não sei quantos milhões de lucros, até me pareceu ouvir que o resultado foi 600 e tal vezes mais do que no fim do ano. Um dia estão falidos, como também se disse do Citigroup, outro estão radiosos,vá lá uma pessoa perceber o que é que aconteceu entretanto ou vai acontecer depois de amanhã...

    ResponderEliminar
  4. Caro Tavares Moreiria,

    Há sempre a possibilidade da queima dos dedos já ter acontecido, 50% já é uma perda considerável num ano e pouco.

    ResponderEliminar
  5. Caro Tavares Moreira

    Se bem que possa não ser significativo, existem fortes indícios que, nestas últimas duas semanas, se assistiu, nos EUA, à venda de activos originários das opções sobre acções que fazem parte da remuneração dos gestores.
    É caso para se perguntar, será que eles sabem algo mais, (sobre as suas empresas) que nós não sabemos?
    Cumprimentos
    João

    ResponderEliminar
  6. Cara Suzana,

    O resultado do BCP tem de ser apreciado em comparação ao do ano anterior (1º trim) nas suas diversas componentes...quem o fizer com atenção constatará que a realidade é bem distinta da que é sugerida por essa taxa gordíssima de crescimento...

    Caro Tonibler,

    Na sua opinião a operção de "queima dos dedos" é, por definição, irrepetível?

    Caro João,

    Boa observação, caro João, tb me foi dito que a melhoria dos resultados dos bancos americanos se deve, em boa medida, à aplicação de fundos obtidos a taxa zero junto do FED em títulos de dívida (corporate bonds,em especial), já cotados em bolsa, aproveitando os elevados spreads proporcionados por essa dívida...
    Isso é que se chama "apoiar" a economia!

    ResponderEliminar
  7. Não, apenas que até agora não me parece que se estejam a por os dedos ao lume.

    ResponderEliminar
  8. Caro Tonibler,

    Aguardemos então a próxima "Queima", não das fitas mas dos dedos...restando saber se não será de seguida...

    ResponderEliminar