sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Há coisas que não deviam acontecer...

Terminar com a gratuitidade de uma linha de emergência que tem por missão auxiliar pessoas que se encontram em sofrimento agudo - motivado por solidão, ansiedade e depressão - é uma verdadeira aberração.
Saber que pessoas em dificuldade que necessitam de apoio na hora certa não recorrem à linha SOS Voz Amiga porque não sendo a chamada gratuita não a podem pagar é confrangedor. É possível pensar que verdadeiras vítimas deixaram de telefonar.
Incompreensível é, também, que não haja sentido de responsabilidade política e social por parte de entidades públicas e privadas capaz de resolver o financiamento dos custos de comunicações telefónicas de uma instituição de solidariedade social que presta um serviço meritório e humanitário de prevenção do suicídio.
Andamos tão perdidos com coisas demasiado complexas e importantes que depois nos esquecemos das coisas mais simples e básicas da vida…

6 comentários:

  1. Quando olho, vejo coisas que não podem ser vistas, algumas, que nem coisas são.
    Vejo verdades e mentiras, mentiras de verdades, vejo sonhos, frustração.
    Quando olho vejo rostos, com olhares que transportados para uma existência afastada.
    Vejo dor, vejo solidão, buscas de amor, compaixão, rastos de uma vida acabada.

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  2. Anónimo09:54

    Margarida,
    Tem toda a razão. Há gestos e omissões que desmentem as grandes proclamações e pias intenções de apoio aos que mais necessitam. Desconhecia o facto e desconheço o valor que a linha em funcionamento significava para o erário público. Não me custa a acreditar que custasse menos do que algumas das acções de propaganda a que todos os dias assistimos.

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  3. Cara Dra. Margarida Aguiar:
    Estou completamente consigo. Não se compreende que se tenha acabado com a gratuidade de um serviço que tem como objectivo minorar o sofrimento de alguém necessitado de uma palavra de apreço, um conselho amigo que, por vicissitudes da vida de variadíssima ordem, fraquejam, perdem a auto-estima, chegando muitas vezes a estados de autodestruição do qual não há retorno. Por tudo isto, afigura-se-me serem medidas economicistas tomadas por gente de duvidoso bom senso.

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  4. Estas coisas deixam-me perplexo. Era mesmo preciso um governo socialista para extinguir tudo o que não dê lucro ou que não se pague a si próprio.
    Perdeu-se completamente o sentido do Estado.

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  5. Caro commonsense,

    Tudo não diria, caso contrário auto-extinguir-se-iam, juntamente com os amigos, afilhados e outras aventesmas da dinastia socialista e, quem sabe, seria efectivamente o princípio do fim da crise. A realidade, “malheureusement“, encarrega-se de perpetuar o disparate em detrimento do bom senso e da responsabilidade social, quer do Governo quer da Portugal Telecom. As negociatas dão mais lucro, pelo menos no curto prazo, aos actores envolvidos.

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  6. Caros Comentadores
    Por este caso se vê como estamos longe de ser uma sociedade desenvolvida e como descoramos as coisas mais básicas da vida. Estamos convencidos que os "choques tecnológicos" são a resposta para tudo. Andamos deslumbrados com o dito desenvolvimento. Anunciamos e proclamamos aos quatro ventos a responsabilidade social. Está na moda fazê-lo.
    São casos como o da SOS Voz Amiga que nos mostram a falta de critério da gestão da coisa social e a indiferença social que ainda reina na cabeça de muitos decisores e cidadãos.

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