sábado, 18 de setembro de 2010

Saberes fundamentais

«Para mim, foi óptimo, Mas é claro que é bastante injusto porque os outros passam anos a esforçar-se para terem boas médias. Com o Novas Oportunidades, uma pessoa que só tem o 7.º ano pode fazer o 9.º em seis meses e a seguir, em ano e meio, consegue tirar o 12.º. Se tiver sorte, pode passar à frente [no acesso à universidade] e tirar o lugar às pessoas que fizeram esse esforço”.
Tomás Barcelos em declarações ao Expresso.

Tomás Barcelos chumbou várias vezes no ensino secundário, inscreveu-se num Centro de Novas Oportunidades em Esposende, frequentou os módulos de Saberes Fundamentais e Gestão, conseguiu a equivalência ao 12.º ano, teve 20 valores na prova específica de Inglês (não contaram as notas do secundário), entrou na Universidade de Aveiro, no curso de Tradução, e é o aluno com a nota mais elevada de entrada nas Universidades portuguesas. Vinte valores, redondos!...
No meio disto tudo, releve-se a atitude do Tomás, que considerou injusto o processo, mesmo beneficiando dele.

11 comentários:

  1. Aqui vão mais vinte valores para o Tomás, do Bartolomeu, pela humildade e capacidade de reconhecimento.
    O rapaz faz-se... em pouco tempo têmo-lo na bancada de um partido, depois na liderança e em seguida a ganhar eleições (é desta massa que eles se fazem). Para que não se venha a estragar... não pode escolher inginharias... e tal.
    Força Tomás... tu és capaz!

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  2. :) :)caro bartolomeu, isso é que é espírito positivo...

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  3. Caro Pinho Cardão,

    Uma das razões porque vivemos num país de trampa é porque tudo o que é feito é no princípio de que somos todos uns trafulhas que tentam furar os esquemas e, por isso, tudo o que existe é feito de certificados, testemunhos, certidões, certificações, vistos, etc.
    Apesar de parecer aberrante, não vamos pegar num caso para julgar todo um programa que, se olharmos para os factos, mesmo os deste caso, só podemos julgar como positivo.

    Facto 1: o Tomás era um sujeito perdido no sistema educativo se não fosse o programa.

    Facto 2: Não fez a prova de Inglês ao domingo com um cartãozinho a um trafulha qualquer de uma universidade privada, fez a prova de acesso e teve 20.

    Facto 3: Com que idade está o Tomás a fazer este esquema? Não é o mesmo do que se esforçaram.

    As perguntas, caro Pinho Cardão, que deveriam sair são: Como é que alguém que deve ter sido chumbado várias vezes chega a uma prova de acesso e tem 20? Quem foram os professores que não conseguiram tratar de um miúdo que meteu na cabeça que ia entrar e tirou 20? Se esses professores não conseguem cuidar de alguém que vai tirar 20 numa prova de acesso, como conseguem cuidar dos outros? Quantos que poderiam ter 19, 18, 17,... 13 ficaram pelo caminho??

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  4. Vinte valores será coisa rara! Numa prova de uma língua estrangeira ainda mais... a não ser que essa língua seja a língua materna do aluno ou da aluna e mesmo assim...Contudo, parabéns ao rapaz.

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  5. O único erro do Tomás Bacelos é pensar que é injusto. Fez um exame igual aos outros, teve nota mais alta, entrou. É justíssimo.

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  6. "Quem foram os professores que não conseguiram tratar de um miúdo que meteu na cabeça que ia entrar e tirou 20?"

    Argumentos há muitos, mas este faz lembrar o vídeo da Senhora Ministra da Educação (Alçada, 2010)... e a cultura bilubilu (Coutinho, 2010) instalada na sociedade portuguesa.

    (Alçada, 2010), http://www.youtube.com/watch?v=Nsto0NMz_BA&feature=player_embedded.

    (Coutinho, 2010), (http://economico.sapo.pt/noticias/sigamos-o-estilo-bilubilu-quem-e-a-coisinha-mais-linda_99315.html).

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  7. O que é curioso é encontrar o termo "óptimo" numa notíca do Expresso, uma vez que este jornal já adoptou a ortografia brasileira.
    Mas enfim, eles de vez em quando esquecem-se...

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  8. Anónimo13:10

    Honestamente, o principal erro da implementação deste sistema é o seu objectivo principal ser meramente estatístico o que acaba por transformá-lo num percurso alternativo pouco credível.

    O tipo de público para quem as novas oportunidades foram desenhadas, não tem nada a ver com o público que frequenta o modelo de ensino formal. O público para quem esta iniciativa foi desenhada não tem o perfil dos tipos que são quadros superiores numa empresa. O perfil da maioria desta gente corresponde àqueles que - ao fim de não-sei-quantos-anos a trabalhar - precisam de ter as suas competências reconhecidas para poderem ganhar mais um bocadinho ao fim do mês.

    Existem N razões que podem fazer com que um indíviduo se exclua e/ou seja excluído do sistema de ensino formal e sinceramente creio que ninguém tem o direito de julgar as razões pelas quais, num período da sua vida , alguém optou por abandonar a via formal.

    Por isso, posso fazer imensas críticas quanto à forma como está a implementar a coisa e que se traduz em inúmeros abusos, mas quanto ao seu objectivo, definitivamente, não é injusto.

    Neste sentido, tal como diz o Arnaldo Madureira, o único erro do Tomás Barcelos é pensar que é injusto.

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  9. Julgo que o que podemos extrair deste "pequeno-GRANDE" exemplo do Tomás é a conclusão seguinte:

    - Cuando eh q vamox ter aplicadu o rejime das NOVAZ OPURTONIDADES no Emcino Obrigatório ?

    (Sim, em vex de eça sena do Ençinu teradiçional ...qe já ce viu só fax o pipól xumbare ??? )

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  10. Subscrevo na integra os comentários do Tonibler e do Arnaldo Madureira.
    A mim não me interessa onde e como conseguiu aprender, mas conseguiu tirar 20 no mesmo exame que os outros todos. Há maior justiça que esta, demonstrar competência a par dos outros?
    Este é, afinal, um excelente exemplo da utilidada deste programa.
    E caro ANTRAX, quem é que disse que o objectivo principal deste programa são as estatísticas?
    Deixemo-nos de fazer proposições levianas na construção de falácias.
    A credibilidade somos nós que a damos e estas falácias não ajudam.

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  11. Anónimo12:25

    Caro SC,

    Uma coisa é o que se diz, outra coisa é o que se vê e o que eu vejo são críticas feitas por professores e especialistas feitas à forma como o modelo está a ser implementado e não é só este.

    Giro mesmo é ler os relatórios dos especialistas europeus que cá vêm para ver algumas medidas - e que nós alegremente achamos que são "boas-práticas" - e depois escrevem lá no papelucho "é uma má práctica, que mais nenhum pais siga este exemplo" e zuuuuuuuca! Toca de enviar o relatório para a Comissão Europeia. Esses sim, têm um piadão gigantesco.

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