sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Austeridade boa...austeridade má...

Em Carta Aberta, Mário Soares e mais 69 companheiros pedem que Passos Coelho se demita devido à sua política  que “está a fazer caminhar o país para o abismo” e a acabar com “toda e qualquer esperança”.
Muitos deles teriam feito o mesmo, em 1983, se Mário Soares se tivesse lembrado de também escrever uma Carta Aberta a pedir a demissão do seu Governo.
Porque o acumulado das medidas de austeridade que então tomou (corte de salários, aumento de impostos e desvalorização forte do escudo num ambiente de inflação a 30%)  foram pelo menos tão gravosas para os portugueses como as que neste momento sentimos. Com as famílias numa base económica muito mais débil do que a actual.
Também nessa altura  na rua se dizia que o país ia para o abismo e não havia esperança.
Mário Soares, Mota Pinto e Hernâni Lopes assumiram-se, na ocasião, como verdadeiros estadistas.  
Graças às medidas então tomadas, o mau tempo passou. Soares devia lembrar-se.

8 comentários:

  1. Há um desfasamento tão grande entre o que interessa de facto e aquilo que fala alto que se essas pessoas tomassem consciência disso cobriam-se de vergonha e desapareciam. Será que Mário Soares realmente acredita que interessa a alguém? Será que ele pensa que há mais que 0.2% dos portugueses que realmente leem as patacoadas que ele escreve?

    Quando os jornais e os media em geral se reduzirem ao seu valor económico de facto e este protagonismo artificial desaparecer a nossa vida ficará tão melhor... Mário quê? Aníbal? O dos elefantes?...

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  2. A situação, o tempo, os meios, as pessoas, são incomparavelmente diferentes; No entanto gostaria de ter a sua boa fé...

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  3. Caro jotaC:
    De facto, a situação, o tempo, os meios, as pessoas, são incomparavelmente diferentes, como bem diz.
    Vivia-se pior, as pessoas não eram as mesmas, havia apenas uma estação de televisão, os noticiários eram muitíssimo mais escassos.
    Mas as medidas de austeridade foram mais gravosas.

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  4. Anónimo21:21

    Sim, Pinho Cardão, mas quanto tempo duraram?

    Isso é capaz de fazer alguma diferença, não.

    O problema atual é que as pessoas estão a ser assaltados à descarada e não veem resultados. Resultados, Pinho Cardão, resultados!

    E dizem-lhe: vamos esfolar mais ainda e é por longos anos.

    Mário Soares aplicou medidas duríssimas, mas elas tiveram um horizonte muito curto de duração.

    Percebeu ou é preciso fazer um desenho?

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  5. Pelo menos duraram 3 anos, 1983, 1984 e 1985.
    E também, na altura, "ninguém" via resultados. Acontece que o remédio, "duríssimo", que ninguém queria tomar, resultou.
    E não é preciso desenho.
    Estou certo que Soares, Ernâni e Mota Pinto também não gostaram das medidas que foram obrigados a tomar.

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  6. Anónimo00:20

    Exato, Pinho Cardão!

    E agora quanto tempo vai demorar?

    O amigo sabe muito bem que, muitas vezes, não é a doença que apressa a morte, antes a falta de esperança numa cura.

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  7. E os resultados não terão tido a ver com a entrada de Portugal na "Europa" e a chegada de fundos estruturais? Quando o que agora se perspectiva é precisamente...a saída ou, no mínimo, a perda desses fundos a favor dos novos membros! Não creio que estas comparações entre os anos 80 e agora possam contribuir muito para escolhas sensatas dos cidadãos e, sobretudo, para desmotivar iniciativas que agitam varinhas mágicas, se as pessoas não compreenderem exactamente o que se está a passar e as probabilidades que temos que (não) recuperar, a vida de cada será ainda mais difícil.

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  8. Na crise de 1983-1984 o PB apenas decresceu 3% em 1984.

    Em 1985 o PIB já cresceu !

    Mas é sabido que as medidas de austeridade em 1984 foram exageradas, nomeadamente o aumento colossal dos juros !

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