quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Vinho e surdez



Não sou um enólogo, mas sei apreciar um bom vinho, uma bebida com história, que nos faz sentir, por vezes, deuses ou demónios.
O ser humano, com arte e engenho, descobriu há muito a forma de se fazer transportar até ao Olimpo e ao Hades, através da mais fascinante das bebidas. Nunca me apeteceu fazer concorrência aos deuses nem ao diabo, não os considero boas companhias, por isso é melhor deixá-los em paz nos seus universos. Sendo assim, prefiro apreciar um bom vinho na qualidade de simples mortal para que a alma sinta algum prazer e conforto.
Acompanho com muito interesse e, por vezes, com preocupação a divulgação de estudos sobre as propriedades terapêuticas do vinho. Considero um exagero e não sei se não será contraproducente a divulgação dos mesmos, porque podem aumentar a sua procura por parte de determinadas pessoas. Este fenómeno não é novo, e não se limita apenas ao vinho, outros produtos e alimentos estão a ser constantemente conotados com efeitos benéficos na saúde. Podem ter, não é esse o problema, porque são úteis e indispensáveis a uma existência, logo, dificilmente encontraremos algum elemento que seja prejudicial, exceto em doses excessivas ou em casos particulares de patologias específicas.
Um dos últimos estudos a propósito do vinho veio demonstrar que uma substância, o resveratrol, cujas propriedades terapêuticas têm sido relatadas desde há alguns anos - prevenção de cancros e doenças cardiovasculares, proteção contra as lesões de acidentes vasculares cerebrais e efeitos de radiações, trava ou mesmo impede o crescimento de certas células malignas e, até, aumenta o efeito antitumoral de algumas substâncias -, apresenta mais um efeito digno de registo, "proteção contra as perdas auditivas e o declínio cognitivo".
Ora aqui está uma boa notícia que vai justificar alguns comportamentos. O jovem que anda de noite, sujeito a ruídos, e a provocar ruído, passa a beber "tintos" para se proteger da surdez! Entretanto, o velhote, surdo que nem uma porta, pede ao taberneiro: - Oh Quim, bota aí meio quartilho, hoje não estou a consegui ouvir nada, nadinha. Pode ser que melhor, dizem que é bom para a dureza de ouvido.
Entretanto, indiferente a todas estas particularidades que acabei de enunciar, opto apenas por uma - não obstante sentir alguma perda na audição e estar sujeito ao ruído citadino -, desfrutar a deliciosa sensação de prazer que um copo de bom tinto pode transmitir. Para mim chega, e não quero "ouvir" mais nada!  

16 comentários:

  1. Ora aí está, Sr. Professor, um motivo "de peso- líquido" que justificaria, se outros não houvessem com peso idêntico ou superior, a reunião que se espera, aconteça amanhã em Alcochete, com a participação de alguns quartarepúblicanos.
    Será que o caro Amigo irá acrescentar à lista dos confirmados a sua inestimável presença?
    Olhe que iremos ter oportunidade de provar bons vinhos da região de Almeirim.
    Aliás, alguns deles, obtiveram já prémios que lhes reconhecem as qualidades.
    Um bom vinho, tomado em boa companhia, acompanhado de uma boa conversa e "aberto" com amizade, tenho a certeza que irão fazer-nos sentir deuses.

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  2. na Baixa Velha havia a tasca do 'olho do cu' onde a maralha ia 'tomar uma atitude'.
    o 'filho do olho' foi Prof de Medicina

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  3. Floribundos está a sugerir que os quesitos de admissão ao curso superior de medicina, deviam ser, para além da média das notas nas disciplinas, a filiação e a profissão do pai?
    Certo fulano, no final da consulta, pede ao medico que lhe desfaça uma dúvida que ha muito lhe ocupa o espírito.
    O médico, solicito, responde-lhe que se for da sua competência, terá todo o gosto em esclarecê-lo.
    Pergunta então o doente:
    - Senhor Doutor, existe alguma relação entre a vista e o olho-do-cu?
    - Que ideia, homem... mas como raio chegou a tão estapafúrdia conclusão?
    - Bem... não será tão estapafúrdia assim... é que sempre que me sucede puxar um cabelo do cu, vêem-me imediatamente as lágrimas aos olhos.

    Depois disto, conto que os estimados autores e comentadores (sobretudo os mais conservadores e menos tolerantes) me cantem a Grândola Vila Morena e me perguntem « mas porquê não desapareces, pá?!»
    ;))

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  4. Amanhã, Bartolomeu, não posso, infelizmente, mas façam o favor de beber um copo de tinto à minha saúde. Ainda não foi feito nenhum estudo sobre os efeitos terapêuticos nos outros, mas é um bom motivo para beber...

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  5. Dou-lhe a minha palavra de honra que dedicaremos um brinde sincero à sua saúde, Sr. Professor.
    E dos restantes igualmente.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Ora nem mais caro Professor. Patologias à parte (por motivo diferente do seu, obviamente, pois não tenho o conhecimento bastante), basta-me o deleite que o palato me transmite para ajuizar se é bom ou mau…

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  8. Caro Professor,

    Pois pode o meu ilusrtre Amigo estar certo de que hoje vai ser lembrado em Alcochete, no convívio,que começa a ganhar alguma regularidade, entre escribas (poucos, infelizmente) e comentadores (tb poucos, mas bons) do 4R.
    Mas não será apenas lembrado, pois faremos questão de brindar à sua saúde, com votos de que assuma a condição de vitalício escriba no 4R!

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  9. E lembrámos, e brindámos efectivamente, com um tinto "Vale da Judia" Colheita Seleccionada, que estalou de agrado na boca de quantos o tomaram! Brindamos também aos restantes quartarepublicanos.
    Esperemos que no próximo encontro, possamos contar com a sua presença.

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  10. Que inveja! De qualquer modo as minhas felicitações

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  11. Não poderei ir a Alcochete mas, não obstante, também bebi meia taça de “Open” à saúde do caríssimo Prof e à minha tb! : )

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  12. Que manifestação tão grande de egoismo, cara Catarina!!!
    Então e nós?
    ;))

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  13. Uma falta imperdoável, Bartolomeu. : )

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  14. que pena estar em londres! saude para todos!

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  15. Caro MM:
    Há mais marés que marinheiros. E almoços, contamos fazer muitos. E vale a pena. O Bartolomeu é exímio nessa matéria organizativa!

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  16. O próximo almoço/reunião/tertúlia, ficou agendado para dia 25 do mês de Abril, e vai ter lugar no Largo do Carmo, em Lisboa.
    A organização está já em plena negociação com as forças armadas, no sentido de serem cedidos ao 4R 2 chaimites, devidamente armados com misseis terra-terra. Para abrilhantar o encontro, será montado um palco , onde vários ministros entoarão em coro e afinados "Grândola Vila Morena". O menu será composto de sardinha assada, coiratos na brasa, pão casqueiro e tinto.
    As incrições para participar no evento, abrirão a dia 26 do mesmo mês.

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