quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Por terras de nuestros hermanos

Por estes dias em que os media espanhóis abordam no essencial os temas estupidificantes próprios da época, dois assuntos sérios chamam a atenção: o caso do ex-tesoureiro do Partido Popular no poder, Bárcenas, que confirma que a profunda crise de credibilidade dos partidos (e de honestidade dos seus dirigentes) atinge todos e não é um fenómeno endógeno de Portugal como muitos por cá querem fazer crer (encontraram por aí o acesso à glória mediática); e o conflito aberto entre Espanha e Reino Unido, agora a propósito da passagem de vasos de guerra ingleses e as medidas mais ou menos assumidas de retorsão com o reforço de controlo do que se tornou numa verdadeira fronteira entre territórios de Estados que pertencem a um espaço político-económico sem fronteiras. Este litígio põe a nú uma das fragilidades da UE, a falta de uma política externa comum, recte, de uma política que permita resolver nos centros de decisão europeus conflitos territoriais entre Estados membros. E ainda há quem jure que o futuro da UE é o federalismo...

8 comentários:

  1. A politica está apodrecendo com estes roubos desavergonhados de gente que devia ser o exemplo de dignidade e de boas maneiras...

    A UE se não surgirem personagens melhores parece-me que acabamos numa federação ao abrigo de qualquer europeu com olho para o negócio...

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  2. José Mário
    Mais uma área em que os Estados membros não querem ceder soberania, não apenas para a resolução de conflitos e interesses no espaço interno, mas também na frente externa.

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  3. Pois é, a força e a credibilidade das uniões só se vê quando há problemas, quem havia de dizer que Gibraltar ia fazer-nos recuar aos tempos do século passado?

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  4. OS problemas de segurança são problemas inventados por estados moribundos. Que estão moribundos porque os seus cidadãos encontram um verdade inquestionável: já foram muito mais roubados pelos seus políticos que pelos políticos dos outros e estão prontos para outras realidades organizativas. Para além do mais, o valor económico do território está em queda abrupta desde que a união fez com que um português esteja a negociar com um inglês em poucos segundos, sem constrangimentos de fronteira, de língua, de cultura e, muito em breve, de lei.

    Não só juro como tenho a certeza absoluta, Esse é o caminho economicamente mais provável e tenho a impressão que vai ser em Portugal que a nova ordem vai nascer.

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  5. Anónimo21:12

    Meus caros, não deixa de impressionar que, neste preciso caso, a Comissão se tenha declarado neutra, como aliás já o tinha feito quando a administração inglesa impediu no princípio deste ano a atividade dos pescadores na baía. Se as instituições europeias não têm sequer capacidade de arbitramento de conflitos entre estados membros, admira que não consigam tomar decisões em matéria de outras soberanias, porventura ainda mais delicadas pois podem por em causa o status dos mais desenvolvidos?

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  6. Anónimo01:11

    Caro Ferreira de Almeida, Gibraltar não impediu os pescadores de fainar na baía. Esses rife-rafes são antigos e é muito comum irem pescadores de Algeciras presos pela polícia de Gibraltar e haver aproximações demasiado próximas entre a polícia de Gibraltar e a Guardia Civil do Mar. A questão agora foi um ponto mais além e daí todo este escalar. A administração de Gibraltar lançou blocos de cimento com uns ferros salientes para o mar inviabilizando fisicamente a pesca naquela zona. Foi aí que começou toda esta história.

    No que toca à UE, ainda existe? Já há muito tempo que faz lembrar a Sociedade das Nações que já tinha morrido em principios da década de '30 mas só lhe passaram a certidão de óbito em 1946. De resto, era o destino que tinha de mais certo desde o momento em que foi criada.

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  7. Deve ser mesmo por isso, caro Zé Mário, se fosse entre países pequenos já teria a Comissão ameaçado com não sei quantas medidas punitivas, assim, declara-se neutra até ver para que lado cai o destino.

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  8. Caro JMFAlmeida

    Curioso post porque é uma interpretação interessante e inovadora.
    A "atitude" da Comissão não coloca a nú nenhuma fragilidade da UE.
    Espanha inventou um problema que,como sucede com outros (bem mais graves) na UE, a Comissão, fez (por bem) ignorar.
    Admitindo que Espanha "resolva" Gibraltar (que diga-se de passagem, apenas e só o governo de Madrid assume reivindicar a "devolução"), tinha que "tratar" do "problema" de Olivença (sim "esse") e o de Ceuta e Mellila que, pelo menos da última vez que observei ainda se encontram em território marroquino.
    A Comissão é "sábia" quando evita, ostensivamente, abordar o divórcio belga mas deixa de o ser quando se trata de uma birra espanhola que, manifestamente, serve para desviar as atenções dos enormes problemas por que atravessa o país vizinho...
    Não esperava que o Governo de Madrid usasse de expedientes argentinos para "safar" questões internas, mas, pelos vistos....
    Cumprimentos
    joão

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