sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Contas externas até Nov/2015: petróleo continua a ajudar...


  1. A divulgação, ontem feita pelo BdeP, dos dados das contas com o exterior em 2015, até Novembro, mostra uma situação confortável que, como aqui tem sido assinalado, continua a dever muito à redução da factura do petróleo.
  2. Com efeito, o superavit conjunto das Balanças Corrente e de Capital atingiu € 3.650,2 milhares, um valor superior em 7,65% ao registado em igual período de 2014 (€ 3.391 milhares).
  3. No que respeita à Balança Corrente, a melhoria é mais expressiva, pois o superavit passa de € 1153,6 milhares em 2014 para € 1631,9 milhares em 2015, + 41,5%.
  4. Para o superavit da Balança Corrente concorrem:

(i)               Diminuição do défice dos Bens em 5,9%, passando de € 8326,5 milhares em 2014 para € 7.839 milhares em 2015;

(ii)             Melhoria do superavit  dos Serviços em 2,5%, passando de € 10.639,9 milhares em 2014 para € 10.910,1 milhares em 2015 (com destaque, como habitualmente, para a rubrica de Viagens e Turismo, cujo saldo positivo aumentou de € 6.569,9 milhares em 2014 para € 7.268,1 milhares em 2015, ou seja + 10,6%);

(iii)           Agravamento do défice dos Rendimentos, que passa de € 1.159,8 milhares em 2014 para € 1.439,2 milhares em 2015 (+ 24%);

  1. Quanto à Balança de Capital, o respectivo superavit em 2015, embora confortável, de € 2.018,3 milhares, continua a ser inferior ao de 2014, de € 2.237,5 milhares.
  2. Resta acrescentar que, subjacente a este conforto nas contas com o exterior, continua a estar o enorme ganho de termos de troca adveniente da forte queda do preço do petróleo: segundo o INE, a melhoria registada no saldo dos Bens, de € 691 milhares, com exclusão dos combustíveis transformar-se-ia num agravamento de -€ 1.177 milhares…
  3. …o que equivale por dizer que o efeito “bonanza” do petróleo, até Novembro, terá sido de € 1.868 milhares, superando o saldo positivo da Balança Corrente.
  4. Convém relevar, entretanto, que os dados do INE quanto à Balança de Bens são apresentados em versão CIF e os do BdeP em versão FOB - o que explica a diferença entre os resultados para melhoria da Balança de Bens num e noutro caso: € 691 milhões na versão INE e € 485,5 milhares na versão BdeP.
  5. Mas, mesmo na versão BdP, a exclusão do efeito dos combustíveis eliminaria, praticamente, o saldo positivo da Balança Corrente. A reter

  

7 comentários:

  1. Caro Tavares Moreira,

    para ganhar duas vezes, o governo aproveita o petróleo estar a um preço baixo, para subir os impostos sobre os combustíveis. Para os Portugueses não há folga.

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  2. Dette publique par État membre à la fin du troisième trimestre 2015

    Les ratios les plus élevés de la dette publique par rapport au PIB à la fin du troisième trimestre 2015 ont été enregistrés en Grèce (171,0%), en Italie (134,6%) ainsi qu’au Portugal (130,5%) , et les plus faibles en Estonie (9,8%), au Luxembourg (21,3%) et en Bulgarie (26,9%).
    Par rapport au deuxième trimestre 2015, vingt-et-un États membres ont enregistré une baisse de leur ratio de dette publique par rapport au PIB à la fin du troisième trimestre 2015 et sept autres une augmentation. Les baisses les plus marquées du ratio ont été relevées en Irlande (-2,7 points de pourcentage - pp), en Italie (-1,4 pp), en Bulgarie (-1,3 pp), en Finlande (-1,2 pp) ainsi qu’à Malte (-1,1 pp), et les plus fortes hausses en Slovénie (+3,3 pp), en Grèce (+2,1 pp) et au Portugal (+1,9 pp).
    Eurostat

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  3. Caro Alberto Sampaio,

    Evidentemente, também nesse plano a "bonanza" do petróleo permite mais um agravamento fiscal...que não será certamente o último, estou crente.
    Mas, como acabaremos todos a andar de bicicleta ou a pé, o que até é bom para a saúde, no futuro esta tributação não fará qualquer diferença...

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  4. A alternativa deste governo ao anterior é aumentar ainda mais os impostos.

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  5. Caro Alberto Sampaio,

    Mas são as originalidades do Virar de Página, ou desse Tempo Novo anunciado, em tom profético, por um dos mais distintos candidatos à presidência da República.
    Tempo Novo com soluções fiscais absolutamente gastas!
    E estes agravamentos fiscais não vão adiantar nada, pois já se percebeu que este Orçamento não dura 6 meses, lá para o Verão teremos um Rectificativo em grande escala1
    Enfim, tudo "déjá vu" com roupagens de Tempo Novo, uma lástima!

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  6. Peço desculpa, mas as soluções fiscais não estão nada gastas. Não me lembro de ninguém ter orçamentado o não pagamento de uma dívida como uma redução de despesa. Pelo menos ninguém que ainda possa andar na rua.

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  7. Caro Pires da Cruz,

    Receio que o meu ilustre amigo ainda não esteja suficientemente adaptado a este Tempo Novo, proclamado pelo candidato SdaN, doutro modo não estranharia que o não pagamento (ou o diferimento) de uma dívida constitua uma redução de despesa.
    Temos que nos adaptar, estes tempos são outros, há o Cenário, o Virar de Página e muitas outras criações fundamentais, que vão projectar o País para a primeira plana dos mais desenvolvidos, fazendo esquecer todo um passado de penúria!

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