quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O neocorporativismo

Quando o Governo aceita sentar-se com sindicatos sob a ameaça de uma greve já anunciada, revela não entender que, em qualquer negociação, não é só a afirmação do diálogo que conta. Conta mais a boa fé com que se parte para o diálogo. Refiro-me, naturalmente, às condições concretas em que se iniciou o processo de negociação entre o Governo em funções e os sindicatos dos trabalhadores das administrações públicas. E escrevo esta nota sobre o efeito perturbante das declarações empapadas do senhor ministro Centeno acerca das virtualidades do diálogo.

Está à vista que solução política que deu vida a este governo transporta uma enorme fragilidade: a sua subsistência, dependendo do apoio do PCP e, logo, da CGTP, vai ter como enorme custo o abandono de alguns princípios que até agora permitiram impedir o pior do neocorporativismo. Para um País que tem um problema grave no poder irrazoável das corporações, em especial de alguns sindicatos (e suas confederações que são autênticos centros de exercício de poder político, de fazer inveja a muitas das formações partidárias), esta rendição é muito preocupante. Não só pelos efeitos imediatos, mas sobretudo pelo tempo que demora a repor o que é devido na sã e equilibrada relação dialógica entre o Estado e os atores sociais, ou melhor, entre o interesse geral e a miríade de interesses de grupo.

12 comentários:

  1. Hmmmm...
    Então aquela conversa do diálogo e da concertação, é só treta...

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  2. Pode até não ser, Bartolomeu. Mas negociações sobre pressão de um pré aviso de greve, isto é - em mau português -, sob chantagem, normalmente conduz a resultado da teta, perdão, da treta.

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  3. Pois é, caro Dr. Ferreira de Almeida... o mesmo cenário que se passou com o anterior governo e os sindicatos dos trabalhadores da TAP.
    Conversações da teta, perdão, da treta.

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  4. 1 - Os carrascos da linha do Oeste

    Publicado a 14 de Outubro de 2012

    Se não houver comboios não haverá maquinistas para os conduzir

    Conforme tem sido noticiado na comunicação social, desde Março deste ano que o Sindicato dos Maquinistas instruiu os seus afiliados (na prática a quase totalidade dos maquinistas) a fazer greve ao trabalho extraordinário (horas extra e em dias de descanso) e em dia feriado.

    Face a isto, numa medida de gestão que, apesar de tudo, nos parece correcta e legítima, a CP tem gerido esta situação de forma a garantir que não sejam afectados os serviços de maior procura, nomeadamente os comboios Alfa Pendular e Intercidades. Em contrapartida, o serviço inter-regional e regional tem sido fortemente afectado, sendo suprimida todos os dias uma grande quantidade deste tipo de comboios em todo o país.

    Sendo a linha do Oeste unicamente percorrida por comboios regionais e inter-regionais, tal facto está a ter consequências catastróficas para o transporte ferroviário na região e coloca em risco a sobrevivência da própria linha.

    Para quem procura transporte um dos factores mais dissuasores, se não mesmo o mais dissuasor, é a incerteza e a falta de fiabilidade do serviço prestado. E o resultado prático desta greve para os passageiros da linha do Oeste tem sido a sistemática supressão dos comboios de forma casuística e sem aviso prévio. Ou seja, a realização ou não de qualquer comboio na linha do Oeste é uma realidade inteiramente aleatória para o passageiro, cuja concretização favorável não irá correr o risco de assumir na sua opção de viagem. E o resultado é que actualmente na região do Oeste já ninguém conta com o transporte ferroviário. As páginas da Gazeta, outros órgãos de comunicação social e o universo bloguista, têm espelhado inúmeros testemunhos disso mesmo, com situações indescritíveis e globalmente nada favoráveis para o futuro do transporte ferroviário nas linhas ditas secundárias.

    Até os passageiros que eram tipicamente cativos da linha do Oeste, ou seja, estudantes e pensionistas, desviaram-se para o inevitável meio rodoviário, transferência esta favorecida ainda pela agressiva campanha de captação de clientes que tem sido inteligentemente desenvolvida pelos operadores rodoviários da região.

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  5. 2 - De tal forma que, presentemente, mesmo sem acesso a quaisquer dados oficiais, é fácil concluir que a procura da linha do Oeste caiu seguramente para menos de metade da que se verificava em 2010.

    Ainda que o Sindicato dos Maquinistas afirme que privilegia as linhas ameaçadas pelo designado “Plano Estratégico de Transportes” e, se, como por vezes tem alegado, são as opções de gestão da CP que conduzem a essa situação, não se percebe como continua a pactuar com elas.

    Uma greve tendo como objectivo condicionar ou modificar a actuação do empregador, para atingir os resultados pretendidos tem – por definição – de causar prejuízo à entidade patronal, seja esse prejuízo directo ou indirecto.

    Ora, será possível que o Sindicato dos Maquinistas não compreenda que o modo como esta greve às horas extraordinárias está a ser feita, com os resultados práticos que efectivamente tem, é inteiramente prejudicial aos seus objectivos e nunca suscitará na administração da CP ou no Governo qualquer motivação para atender às pretensões dos grevistas? Não perceberá o Sindicato que, pelo contrário e acreditamos que inconscientemente, está a fazer um favor às intenções declaradas pela sua empresa e pelo Governo de supressão dos serviços regionais?

    Afinal de contas, o objectivo completamente contrário à greve!

    Não compreendemos como não é óbvio para o Sindicato que a supressão significativa, mas intempestiva e irregular, dos comboios regionais e de alguns suburbanos, afinal os serviços da CP cuja operação é mais deficitária, que resulta da greve ao trabalho extraordinário tem dois resultados evidentes:

    * Diminuir os custos operacionais (pela não operação dos serviços e pelo não pagamento de horas extraordinárias) num valor muito superior às receitas que deles adviriam;

    * Reduzir significativamente a procura dos serviços regionais, tornando-os, entretanto, efectivamente desnecessários.

    Ambos estes resultados são benéficos e colaborantes para os objectivos expressos no PET no sentido de diminuir significativamente o serviço regional e, por absurdo, dificilmente se poderia arquitectar uma estratégia mais bem concertada.

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  6. 3 - Por muito legítimas que sejam as razões que assistem à classe profissional dos maquinistas, o que não colocamos em causa, os fins não podem justificar os meios! E os meios que estão a ser utilizados nesta greve estão a fazer a decadência do serviço ferroviário na linha do Oeste atingir o seu ponto de não retorno, se é que o não atingiu já.

    Com a implementação das medidas preconizadas no “Estudo sobre a linha do Oeste”, entregue pelos municípios da região interessada ao Governo e que terá permitido suster até ao momento as intenções constantes no PET de supressão em parte da linha do serviço de passageiros, acreditamos que seria possível revitalizar o serviço, aumentando a quota de mercado da ferrovia no corredor e melhorando os seus resultados operacionais.

    Em torno deste objectivo concretizável se reuniram os municípios, o tecido empresarial e a sociedade civil da região Oeste, numa união de esforços invulgar e que deu frutos.

    Mas após os efeitos desta greve – que se prolonga continuamente há seis meses – aquilo que seria possível torna-se impossível e é todo o sentir da região Oeste que fica defraudado. Não esqueçamos a velha máxima em transportes: “É fácil perder um passageiro; é muito difícil trazê-lo de volta”. E neste momento já não é só o troço a norte das Caldas que está em risco, mas sim toda a linha, pois o troço a sul das Caldas é aquele onde a diminuição do número de passageiros tem sido mais significativa, mesmo sem os factores desestabilizadores da presente greve.

    Muitas têm sido as atrocidades que, por negligência e incompreensão de sucessivas equipas de gestão do operador ferroviário, têm sido feitas à linha do Oeste, mas, se a linha encerrar com base em, agora sim, real ausência de procura, a machadada final só tem um responsável e um motivo: o Sindicato de Maquinistas e a forma absurda e contraproducente que escolheu para defender os interesses da classe profissional que representa.

    E, quanto menos linhas e comboios houver no futuro, menos pessoas serão necessárias para os fazer funcionar…

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  7. A - Retirado daqui:

    http://www.opolvodanoticia.com/2011/12/cp-manobra-dos-maquinistas-da-cp-para.html



    CP - manobra dos maquinistas da CP para abrir caminho à privatização – por trás, administradores e velhos sindicalistas engajados.

    Greve da CP - jogada escondida entre sindicalistas e administradores da confiança do capital - querem aproveitar o descontentamento popular para privatizar.

    Passos quer «programa mais robusto de privatizações»

    Anos a fio sem tomar decisões e agora tudo é feito à pressa

    As greves dos maquinistas da CP, em conluio com outros sindicalistas do sector, mais não visam que dar pretexto à direita para abrir caminho à privatização - Trata-se de anafados funcionários da CP, que recebem altos salários em fim de carreira, que têm interesses obscuros no chorudo negócio que se antevê (tal como os pilotos da TAP, a quem foi prometida uma fatia da empresa.

    Pilotos da TAP querem uma fatia daprivatização

    Obviamente, também na CP, nos transportes públicos, não faltam estratégias do mesmo género - Tratando-se, como sabe, de um dos sectores mais apetecidos da gula privatizadora.

    Greves dos "proletários" da CP é isto que eles querem - que os utentes aceitem, sem pestanejar, a privatização das linhas mais lucrativas.

    Há uma enorme indignação com a greve dos maquinistas da CP. No caso, fizeram uma greve total para impedir os processos disciplinares contra alguns dos que aderiram à greve anterior.

    Pois claro - uma greve que vai muito para além das reivindicações salariais.

    O presidente da confederação do comércio e serviços de Portugal, João Vieira Lopes, instou o governo a acelerar o processo de privatização do setor dos transportes e manifestou-se disponível para ajudar no enquadramento do processo.

    CCP PEDE CELERIDADE NA PRIVATIZAÇÃO DO SETOR DOS TRANSPORTES - RTP

    O PSD E OS AUMENTOS COLOSSAIS DOS TRANSPORTES ........O processo de privatização do Sector Público de Transportes ...

    Fizeram a greve, na altura das eleições, agora fazem-no pelo natal - mas só favorecem os desígnios da direita - que, tendo a maioria, está-se nas tintas para as sondagens.

    Plano Estratégico dos transportes "é plano de privatizações .......PSD propõe saneamento das empresas públicas de transportes....Com os aumentos dos transportes o governo prepara a privatização....Plano governamental contra transportes públicos ...

    Marques Mendes - Segundo o ex-líder do PSD, o Governo prepara-se para fundir metro e autocarros, em Lisboa e no Porto, e os barcos que ligam a capital à margem sul.

    Quanto às fusões - Carris e Metro de Lisboa; Soflusa e Transtejo; STCP e Metro do Porto -, Carlos Braga entende que se estão a "criar condições para entregar o sector público dos transportes aos grandes grupos privados", uma vez que o que se pretende é "concessionar aos privados as linhas mais rentáveis".

    mudanças no sector dos transportes


    Novas medidas para sector dos transportes penalizam as famílias


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  8. B - Quem está por detrás das greves do Metro, Carris, Correios e CP: são as próprias administrações, em conluio com a burguesia dos sindicalistas e auto-denominados trabalhadores, funcionários antigos, à beira da reforma, com altos ordenados, mascarados de comunistas, mas que, na realidade, não passam de pontas de lança dos que querem promover a destruição das empresas e facilitar a sua privatização.

    Trabalhadores da CP voltam à greve - Sociedade - Sol.


    Se não houvesse essa obscura cumplicidade, de duas uma: ou atender-se-ia às suas reivindicações (e estas seriam razoáveis) ou essa gente era imediatamente corrida, pois ficaria mais barato a essas empresas públicas, pô-los na rua (mesmo por justa causa) de que alimentar greves sucessivas, com as gravíssimas perturbações sociais e os consequentes prejuízos, desastrosos, que o Estado, os bolsos dos contribuintes, terão que sanar. Faz tudo parte do mesmo jogo: as reivindicações são incomportáveis e as administrações é justamente no argumento a que se agarram. Ambas as partes não cedem porque, na essência, são correias transmissoras dos mesmos objectivos: servir interesse obscuros.

    Os velhos sindicalistas, que já nos habituámos a ver há dezenas de anos, nas televisões, sempre os mesmos e a fazerem as mesmas greves: - ganham chorudos ordenados, sem mexerem uma palha, comem e bebem à grande e à francesa, gozam as férias onde querem e lhes apetece; têm casa e automóvel e não lhes falta nada. Há muito adquiriram hábitos burgueses: desprezam as dificuldades das populações; estão-se nas tintas para o futuro dos trabalhadores, com vínculos precários ou que se sujeitam a contratos que agora não lhes oferecem as antigas garantias. Dizem defendê-los, mas isso não passa de uma rotunda hipocrisia; os seus intentos, são outros.

    Pois todos sabem que, com o seu persistente comportamento, o liberalismo avançará, ainda mais rápido e implacavelmente, dar-lhe-ão ainda mais pretextos para se apoderaram das empresas públicas, flexibilizando as leis laborais ou fazendo delas letra morta - Quem não se lembra do

    o couto do vigário:..

    Mas não se pense que as velhas estruturas dos sindicatos (com os seus eternos dirigentes, arvorados em vedetas), diferem grandemente umas das outras.

    Escândalos da democracia: chamaram-lhe o couto do vigário:..

    O caso da UGT/Fundo Social Europeu envolveu 23 arguidos... Mas não se pense que os maduros e bem nutridos da

    CGTP-IN

    (unidade sindical) são uns santinhos e difiram muito de outros, igualmente bem gordinhos, da

    União Geral de Trabalhadores

    Nos tempos que correm, quem promove a greve é quem tem o emprego assegurado - Já notou alguma diferença entre os diversos sindicatos, quanto toca a defender privilégios?

    Não haja ilusões: - hoje, em dia, certas estruturas sindicais, constituem-se como autênticas organizações mafiosas, em perfeita sintonia com os interesses obscuros dos administradores das empresas do Estado, grupos económicos e certas forças partidárias - Só assim se compreende, que, em Itália, Berlusconi, seja reeleito e, em Portugal, tenhamos que aturar Cavaco Silva (onde a media, o idolatra) por mais cinco anos. Isto para já não falar de Sarcozy e de Putine - e tantos outros.

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  9. Caro Diogo,

    independentemente do interesse, isso assemelha-se mais a spam.

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  10. Caro Alberto Sampaio,

    Os textos não são meus. Limitei-me a fazer COPY e PASTE. Mas estes textos não são mensagens publicitárias. São, em minha opinião, uma excelente descrição sobre o que está por trás dos sindicatos e das greves.

    Cumprimentos

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  11. Caro Diogo,
    compreendo, mas é muito extenso para comentário.

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  12. É uma óptima oportunidade para arranjar um blog.

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