quinta-feira, 30 de junho de 2005

Adeus

"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana , os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem"
Jean-Paul Sartre


Tombou Guerreiro, aos 105 anos.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Maria de Belém


Coelho, não o Jorge, o Miguel, o homem da Federação de Lisboa do PS que ao que parece não vai à bola com Carrilho mas que o teve de engolir como candidato, diz que Maria de Belém tem "perfil" para se candidatar a presidente da assembleia municipal da capital.
Vendo bem, acho que sim. Compensa com simpatia a soberba do pai do Dinis.
Como os partidos se convenceram que muito do que se decide em eleições depende da imagem, é capaz de ser uma boa escolha.
Além de que, neste caso - diferentemente do outro -, não se sacrifica a pensão vitalícia que se vence no final da legislatura...

Educação Sexual e referendo sobre o aborto

Há que reconhecer o oportunismo do PS e do Governo ao relançar o debate sobre o referendo ao aborto logo a seguir à confusão do novo Orçamento Rectificativo. Quer queiramos quer não, o debate já havia sido aberto e lançado com a polémica da educação sexual nas escolas e é provável que se acentue logo a seguir às autárquicas. Com a perspectiva de uma derrota nas presidenciais, o PS vai aproveitar para pôr a "esquerda dos costumes" à frente do palco a berrar com os temas "fracturantes". Lança, assim, uma autêntica cortina de fumo sobre a esperada constestação sindical no último trimestre do ano.
Correndo o risco de "morder o isco" do PS, há que começar a reunir materiais e a recensear argumentos. O meu primeiro contributo é publicado em "O quarto da República", recuperando um texto de 2004 sobre a educação sexual nas escolas. Acrescentei, entretanto, o texto da resolução sobre interrupção voluntária da gravidez aprovado na Assembleia da República em 2004.

Água e vida

Foto de Sebastião Salgado
Bombaim (hoje Mumbai), Índia


Nesta foto de 1985, uma mulher da classe alta distribui alimentos e roupas aos pobres que vivem na praia. Salgado disse que admira a solidariedade entre as castas indianas, que realmente existe no país, ao contrário das aparências e do pensamento ocidental sobre o assunto.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/index.shtml

terça-feira, 28 de junho de 2005

Um poema de Sophia de Mello Breyner

Com fúria e raiva
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner (Junho de 1974)

As neves que já foram eternas



A revista ´Publica´ deste fim-de-semana abordava a questão dos impactos ambientais à escala planetária, reproduzindo impressionantes imagens de satélite que ilustram as mutações verificadas em alguns pontos do mundo. Uma das mais marcantes é, sem dúvida, a que comprova a perda em menos de uma década de parte considerável das neves eternas do cume do Kilimanjaro por efeito do aquecimento global.
As fotografias acima revelam bem a dimensão do fenómeno.
A primeira foto é de 1993. A segunda de 2000.
Em Março de 2005 correu mundo a foto que mostra o Kilimanjaro liberto de neves. Afirmam os cientistas que foi a primeira vez em 11000 anos.
Será a prova de que nas mãos do homem, nada é realmente eterno?

Uma vergonha

Foi esta semana aprovada na Assembeia da República a alteração ao diploma dos dirigentes da Administração Pública. Esta alteração, enganosamente apresentada como uma clarificação da natureza política ou técnica dos cargos dirigentes, veio concretizar uma lamentável politização da Administração Pública. Ao contrário do reforço da independência e da credibilização de que tanto se necessita, o Governo optou por legitimar as escolhas arbitrárias, fora de qualquer projecto duradouro e isento. Optou por transformar a administração num espelho dos sucessivos governos, com a mudança de todos os dirigentes quando cessa cada Governo, fragilizando ainda mais as instituições e os organismos. Pelo caminho, remendou mal remendada a questão da formação obrigatória, substituindo um regime lógico e de médio prazo por um formalismo ridículo e pouco consistente, paralizou os recrutamentos dos cargos intermédios em troca de dois ou três títulos de jornal escritos por quem não sabe do que fala; enfim, pura e simplesmente lamentável.
Independência e credibilidade como factor essencial da mudança na Administração Pública, como ainda hoje exigia o Dr. Artur Santos Silva no "Prós e Contras", estão longe como nunca. Não interessa, a notícia até "passou bem" e, ao que li, na AR o debate limitou-se a discutir o número de pessoas nomeadas para os Gabinetes...Assim não vamos longe.

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Comércio extra-comunitário

Os últimos dados do INE referentes a 2004 confirmam a má conjuntura externa. As exportações para países terceiros registaram um aumento de 7,5%, mas as importações continuam a crescer mais (16,6%). Resultado: agravamento do deficit da balança comercial extra-comunitária. Principais responsáveis: as importações de combustíveis e de veículos motorizados. Com os preços do petróleo aos níveis “record” a que estão e a cotação euro/dólar sem ajudar, o quadro é cada vez mais negro.

O orçamento rectificativo rectificado

Compreendem-se agora melhor algumas pulsões para a liberalização do aborto...

domingo, 26 de junho de 2005

Vacinação e stress

A vacinação constitui uma das mais felizes e brilhantes conquistas na área da saúde. Hoje em dia, graças a este meio, larguíssimas centenas de milhões de pessoas, por esse mundo fora, vivem e não adoecem.
As crianças são o principal alvo. A partir de determinado momento, muitas apercebem-se de que alguém as vai "magoar" e, frequentemente, gritam que nem umas desalmadas. Coitadinhas! Dizem, sobretudo as mamãs. Lá fizeram mais uma maldade ao filhinho. Mas é para o seu bem.
Este stress infantil, curto, embora às vezes intenso, poderá ter um efeito positivo ao reforçar a imunidade. Estudos recentes apontam que a imunidade é estimulada quando ocorre uma situação de stress intenso mas de curta duração. Afinal, aqui está mais um comprovativo de que uma certa dose de agressão pode ser positiva. Claro que, em contrapartida, agressões persistentes têm efeitos perversos já que diminuem a capacidade imunológica. Há muitos anos que vêm a ser estudadas as relações entre o stress e muitas doenças degenerativas. Estamos a falar de stress intenso e prolongado. A relação entre o meio ambiente, o nosso cérebro e as defesas imunológicas, disciplina conhecida por psiconeuroimunologia, estuda a interacção entre os diferentes agentes e muitas consequências nefastas. Nas profundezas do nosso organismo ocorrem fenómenos, muitos deles nefastos, que são a tradução daquilo que nos rodeia. Não são só os factores físicos, químicos ou biológicos os determinantes da doença. Acontecimentos que possam alegrar ou entristecer os nossos espíritos também têm os seus efeitos e começam a ser esclarecidos. Tudo está interligado. O nosso cérebro pode atenuar esses efeitos, mas, por vezes, potencia-os de tal modo que chegam a alterar as capacidades de um dos nossos mais importantes mecanismos de defesa: o sistema imunológico.
Sendo assim, os novos dados, entretanto surgidos, apontam para os aspectos benéficos das agressões, desde que sejam limitadas a um curto período de tempo, ao contrário do que acontece quando se prolongam no tempo. Claro que não é preciso chegar ao ponto de expor as crianças a cenas de terror no momento da vacinação! Já nos adultos, quem sabe se não melhoraríamos a sua imunidade se procedêssemos à sua vacinação em determinados momentos stressizantes, tais como: anúncio de aumentos de impostos, retirada de certas regalias, no momento em que o fiscal das finanças resolve inspeccionar o IRS, no final de um jogo de futebol, em que a nossa equipa favorita perdeu, na altura dos exames, no momento em que o chefe decide recusar a promoção, entre outros. Mas, atendendo ao facto do nosso país estar em constante e intenso stress, o mais provável é que haja mais redução do efeito da vacinação do que um desejável estímulo...

Uma equação pontiaguda

A equação rodoviária, segundo J. Sampaio


Revista ACP- Como condutor, o que mais o aflige na condução?

-Dr. Jorge Sampaio- O que mais me aflige é a pouco simpática relação que normalmente existe entre os três vértices da equação rodoviária: nós, condutores, a estrada versus ambiente e o veículo, não se respeitando uns aos outros, num equilíbrio que deveria ser de triângulo equilátero e acaba por ser escaleno.
(transcrito de o Independente de 24.06.05)
Com uma equação com três vértices, a solução, de facto, só pode ser escalena e bem pontiaguda !...

"Volta, Guterres, estás (quase) perdoado!"

“O título desta coluna é, por enquanto, um exagero, mas não tardará a parecer razoável, caso o Governo Sócrates prossiga na mesma via. Antes um “verdadeiro mole” do que um “falso duro”.

Mário Mesquita não poderia ser mais claro, na edição de hoje do Público. Não o conheço como portador de recados, mas terei de reconhecer que o que Mário Mesquita escreve anda muita gente do PS a pensar. Tal como à sua direita, também a esquerda socialista se surpreende com o ímpeto reformista do Governo Sócrates, tal como eu - porque não reconhecê-lo - me surpreendo face às baixas expectativas que tinha.

Esta opção de Sócrates limita a capacidade de oposição do PSD e do CDS, mas potencia o descontentamento e a oposição interna no Partido Socialista. Não faltará muito tempo para que certas figuras (incluindo o “pai” omnipresente) se queixem da “descaracterização” do PS e da deriva neo-liberal.

A ver vamos …

O sufoco da despesa pública

Fez bem Marques Mendes ao classificar de “escândalo” o orçamento rectificativo apresentado pelo Governo à Assembleia da República. A barreira psicológica dos 50% foi finalmente ultrapassada: a despesa pública equivale a um pouco mais de metade do produto nacional.

Decerto que os assessores do Governo já estão a trabalhar no argumentário para o debate e quase certo também será a invocação do modelo nórdico tão do agrado do Primeiro-ministro.

Na Dinamarca, Finlândia e Suécia, o peso da despesa pública total no PIB, para qualquer dos três países é superior a 50%. A estes países poderemos ainda juntar a Grécia, a Áustria, a França, todos eles com valores acima da barreira psicológica.

O que geralmente não se diz é que a tendência registada nos países nórdicos é para uma diminuição progressiva desse peso: Dinamarca (61,6% em 1994, 56,3% em 2004), Finlândia (62,9 e 50,7), Suécia (70,9 e 57,3), Noruega (54,1 e 46,4). Se olharmos para os países que têm conseguido escapar à crise essa tendência é marcante. A título de exemplo, Espanha (45% em 1995, 40,5 em 2004), Irlanda (44,4% em 1994, 34,3% em 2004), Reino Unido (45,3 e 43,9), Áustria (56,2 e 50,7).

O que aconteceu em Portugal? Em 1994 o peso da despesa pública equivalia a 46% do PIB, em 2004 a 48,4% e para 2005 anunciam-se 50,2%.

Este é que é o problema e o “escândalo”.

Fonte: Eurostat, Indicadores estruturais

Concorrência às avessas

Cento e sete dias (107!...) dias depois de ter adquirido a a Lusomundo Media, o comprador ainda não tomou posse do bem adquirido.
Segundo o Expresso de ontem, falta um parecer da Autoridade da Concorrência, que tinha 30 dias para o emitir!...
Entretanto, o comprador teve que incorrer em custos com garantias e financiamentos bancários, vê as empresas, geridas pelas anteriores administrações, perder leitores para a concorrência, não pode intervir na gestão do que comprou e vê o produto a desvalorizar-se.
O produto que comprou já não é o mesmo.
Quando tanto se apela aos Empresários e Bancos para correr riscos, este é um exemplo acabado de como a prática do Estado burocrático e dos seus Organismos, mesmo burocraticamente independentes, está longe desse propósito.
O estranho é que este procedimento venha da Autoridade da Concorrência, cujo fim último é, precisamente, dar condições de igualdade no acesso ao mercado.
E também é estranho que o Estado, longamente ultrapassados os prazos legais do Parecer, nada faça e lave as mãos como Pilatos!...
Vamos, assim, a algum lado?

sábado, 25 de junho de 2005

Vitorino Henriques Godinho

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A recém publicada biografia de Vitorino Henriques Godinho, oficial republicano, deputado e combatente em La Lys, tem dois atractivos irrecusáveis: o facto de ser escrita por um dos maiores historiadores portugueses, Vitorino Magalhães Godinho, e o de constituir um exercício historiográfico do melhor que se tem feito em Portugal - contar o "percurso de uma nação através de uma biografia". Dela se descobrem aspectos desconhecidos, mas decisivos, da história do 5 de Outubro, do regime republicano, da participação de Portugal na I Guerra Mundial e do próprio fim do regime. Vitorino Magalhães Godinho deixa-nos mais um legado indispensável para a nossa história contemporânea. A ler, "Vitorino Henriques Godinho (1878-1962). Pátria e República", Assembleia da República-Publicações D. Quixote.

Duque de Ávila e Bolama

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A pouco e pouco vai-se reescrevendo a história do liberalismo português de oitocentos. Os trabalhos de história política têm revelado nos últimos anos um assinalável dinamismo e as biografias parlamentares têm assumido uma expressão meritória e, em muitos casos, inovadora. O mais recente trabalho de José Miguel Sardica dedicado à biografia de António José de Ávila é um dos melhores exemplos desse esforço da historiografia portuguesa por reescrever a história do liberalismo português, tradicionalmente dominada pelas obras e ideias de Oliveira Martins e Alexandre Herculano. Esta é a história de um liberal açoreano que nasceu plebeu e morreu Duque, com uma das mais extensas (55 anos) e marcantes carreiras políticas. A ler "Duque de Ávila e Bolama. Biografia", Assembleia da República- Publicações D. Quixote.

Demagogia cara

A intenção de prolongar os horários de funcionamento das escolas do 1.º ciclo, sendo teoricamente positiva, enfrenta uma dificuldade que tem sido omitida no discurso do Governo. Fala-se em cerca de 50% das escolas, mas não se revela a percentagem dos alunos que serão beneficiados com essa medida. Como é já sobejamente conhecido, a rede escolar do 1.º ciclo apresenta disparidades profundas: sobrelotada nas regiões mais urbanizadas e quase desertificada nas regiões do interior. Sabendo-se que um quarto das escolas do 1.º ciclo têm menos de 10 alunos, os 50% das escolas abrangidas pelas medidas não ultrapassarão os 30 a 35% dos alunos, na melhor das hipóteses. Sabe-se também pelas mesmas razões que existem cerca de 18% dos professores do 1.º ciclo que não têm funções lectivas atribuídas (cerca de 6.000 que tenderão a ser muitos mais com o aumento da idade de aposentação), estando uma parte deles disponíveis para assegurar os complementos previstos.

Como é possível então o Ministro dos Assuntos Parlamentares (e ex-Ministro da Educação!) dizer que estas medidas vão aumentar a oferta de emprego? Estará a Ministra da Educação a puxar para um lado e o dos Assuntos Parlamentares a puxar para outro? Ou estaremos apenas perante mais um acto de demagogia do núcleo político do Governo?

Não seria mais urgente acelerar o plano de concentração das escolas com poucos alunos (como estava a ser feito) e racionalizar a rede de oferta?

Listas de ordenação e colocação de professores

O Ministério da Educação publicou a lista definitiva de ordenação e colocação de professores, duas semanas antes da data prevista. Há que aplaudir e enaltecer o trabalho de todos aqueles que contribuiram para este sucesso e para o virar de página que este facto poderá representar. Só demonstra que era possível e que o modelo era exequível.
Apenas um lamento: continuamos sem conhecer o relatório da Comissão de Inquérito. Continuamos sem saber, de forma objectiva e em toda a extensão do processo, quem e o que falhou no ano passado. Enquanto não for divulgado esse relatório será a sentença da praça pública a imperar e a escrever uma história mal contada.

sexta-feira, 24 de junho de 2005

O Quarto da República

Limitados pelo estilo de um blog cujos "posts" se querem sintéticos, objectivos e, tanto quanto possível, actuais, decidimos criar uma espécie de refúgio, onde se possa ler devagar textos mais longos, eventualmente mais elaborados, de forma a que a sistematização das ideias não seja prejudicada. Para o efeito criámos "O Quarto da República", uma espécie de quarto dos fundos do 4R. O primeiro texto - do Prof. Massano Cardoso sobre a obesidade infantil e do adolescente - está disponível. Outros se seguirão a bem da República. Boas leituras!

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Pessoa



«Não é no individualismo que reside o nosso mal, mas na qualidade desse individualismo. E essa qualidade é ele ser estático em vez de dinâmico. Damo-nos valor por o que pensamos, em vez de que por o que fazemos. Esquecemos que o não fizemos, não o fomos; que a primeira função da vida é a acção, como o primeiro aspecto das coisas é o movimento».

Fernando Pessoa, Barão de Teive, in 'A Educação do Estóico'

La Fontaine



Sócrates fez umas casas
De Atenas em certa rua,
Para nelas habitar
Coa pouca familia sua.

Que eram baixas uns diziam,
E outros bastante elevadas,
E em suma convinham todos
Em que eram muito apertadas

«São apertadas é certo»
Disse o sábio; «mas eu sei
Que de amigos verdadeiros
Jamais cheias as verei»

É mais raro do que a Fenix
Um amigo verdadeiro:
Não há nome tão sagrado
Que seja mais corriqueiro
__
"Fábulas" - Trad. Curvo Semedo


Miguel Frasquilho no 4R

É a mais recente aquisição (está na época!) do Quarta República. Com alguns ex-governantes e alguns ex-deputados, faltava alguém que estivesse no activo. Vamos poder ficar um pouco mais a par da política orçamental e, mais importante, começar a discutir soluções porque problemas já nos bastam. Miguel, seja bem vindo!

Educação na AR

Tudo leva a crer que o tema do debate mensal agendado para amanhã na Assembleia da República vai ser a educação. Só espero que não mandem mais achas para a fogueira. A tendência para discutir questões acessórias (serviços mínimos, providências cautelares, supostas "gaffes", etc.), relegando o fundamental para o silêncio, é uma das maiores rasteiras para qualquer ministro da educação.

quarta-feira, 22 de junho de 2005

Hipocrisia Saloia


saloio


Os Sindicatos dos Professores marcaram greves “coincidentes” com as datas dos exames, numa atitude de pura chantagem.
Para assegurar a realização dos exames, o Governo “requisitou” os professores, numa atitude de pura ilegalidade.
Foram dignos uns dos outros.
Vem agora o PS congratular-se, e transcrevo, “pelo modo como o Governo assegurou o direito dos alunos a fazer exames, sem prejudicar o direito à greve dos professores”.
Se não tivesse lido, não acreditava, tal o grosseiro descaramento:
- o PS congratula-se com a ilegalidade, aliás já verificada por um Tribunal dos Açores.
- o PS congratula-se pelo facto de não ter sido prejudicado o direito à greve dos professores… mesmo com ameaças de faltas injustificadas e de processos disciplinares caso não comparecessem…digo eu.
São eles que estão doentes, ou serei eu?

terça-feira, 21 de junho de 2005

Excelência reconhecida

"O Conselho Ibero-Americano para a Excelência Educativa, sedeado na cidade de Lima, Peru, depois de ter recebido e trabalhado as informações prestadas por diferentes Associações, Organismos Estatais e Instituições de Ensino de Espanha e Portugal, decidiu atribuir, no presente ano lectivo, o Prémio de Excelência Educativa 2005 ao Colégio Internato dos Carvalhos. Para além deste prémio o seu Director Pedagógico, Padre Manuel Rocha, será distinguido com os títulos e medalhas de Master em Gestão Educativa e Doctor Honoris Causa".

A distinção é mais que merecida, só é pena que estas distinções sejam mais facilmente reconhecidas lá fora do que cá dentro. É a primeira vez que uma escola portuguesa é distinguida. O Sr. Presidente da República perdeu uma boa oportunidade para atribuir uma condecoração justíssima. Tratando-se de uma escola vocacionada para o ensino tecnológico e usufruindo de um contrato de associação com o Ministério da Educação, merecia pelo menos uma visita para que se soubesse que há escolas em Portugal que estão a desenvolver um trabalho meritório.

Portugal reduz emissões de gases com efeito de estufa

É, aparentemente, uma boa notícia: Portugal reduziu, em 2003, os níveis de emissão de gases com efeito de estufa, contrariando a tendência de praticamente toda a Europa (que comentámos aqui).
Falta saber se, no que respeita ao sector industrial, a redução resulta de um bem sucedido esforço de reconversão tecnológica e de uma aposta nas boas práticas ambientais; ou se é mera consequência da menor produção industrial.
Só o conhecimento das causas permitirá concluir se redução é sustentável e coloca o País no caminho certo do cumprimento de Quioto. Ou é um puro e circunstancial efeito da conjuntura de crise económica
.

Para quem governa este Executivo socialista?

A pergunta é colocada por Luís Delgado na edição de ontem do DN, como resultado da avaliação dos primeiros cem dias de governo. A pergunta pressupõe a ideia de que um governo deve governar para alguém, para um grupo social específico: para a classe média ou para os idosos, para os mais pobres, ou para a élite financeira. O que me espanta é o facto de um "analista" como Luís Delgado não colocar a hipótese de se poder e ter de governar para o país, em defesa de um conceito que eventualmente não conhece, "interesse público" ou "bem comum". O conceito de governação de Luís Delgado subjacente à pergunta é a identificada com a defesa e satisfação de interesses, de promoção do "bem" de alguns.
A estratégia do Governo de "disparar" em todas as direcções pode ser criticável, mas até a um oposicionista como eu se revela necessária desde que orientada para um desígnio que todos - e não só alguns - possam perceber e mobilizar-se para a sua concretização.
Afinal para quem é que governou Durão Barroso? E Santana Lopes?

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Abaixo a ditadura

Abaixo a ditadura

Eu estou sempre a aprender com o ensino em Portugal!...
Ontem mesmo, ao ler o Público, aprendi duas coisas novas que, apesar de tudo, não me passavam pela cabeça:
Nesse jornal, uma professora de Matemática dizia o seguinte:”…Cumprir o programa da disciplina até ao fim foi uma pressão enorme. A Geometria, por exemplo, que é a última unidade do programa, que normalmente não damos porque não temos tempo, agora vale 40 pontos no exame….Este ano, disse logo aos meus alunos que íamos ter que batalhar na geometria…”.
E um aluno dizia:”…tenho medo que me mandem para a rua durante o exame. Há uma série de regras, aquilo é uma ditadura. Não podes sair da sala por nada, só com um ataque cardíaco”.
Esta também era a opinião dos colegas que se indignavam: “ temos de ir à casa de banho com uma auxiliar…”
Então aquilo que aprendi foi o seguinte:
- no que respeita aos professores, aprendi que normalmente os programas escolares não são cumpridos e os que o foram, este ano, foi devido aos exames!...Mas não foi fácil ( prejudicou-se o ensino tipo lúdico…), foi uma grande pressão, segundo a professora!...
- no que respeita aos alunos, aprendi que o tempo de uma aula é verdadeiramente insuportável, exigindo pausas para ir à casa de banho ou outras actividades! Como as coisas estão, é uma verdadeira ditadura, referia um aluno!...
Perante isto, os Sindicatos têm toda a razão em fazerem greve: querem deitar abaixo a ditadura!...

Greve de professores e exames

Que os sindicatos queiram contestar as medidas do Governo e defender os direitos adquiridos dos professores, ninguém lhes poderá levar a mal. Que o tenham feito escolhendo como alvo os exames e os mais de 100 mil alunos que os vão realizar, parece-me eticamente reprovável. O problema é que os sindicatos também não gostam dos exames, sempre estiveram contra a sua realização porque contrariam o modelo educativo que sempre defenderam.
Neste aspecto, a actual greve não é pela defesa dos interesses dos professores, é, antes de mais, contra os exames. Assim, a contabilização do sucesso ou insucesso da greve vai ser feita pelo número de alunos que fizeram exames e o dos que não fizeram, mesmo que todos os outros professores e educadores tenham feito greve.
Mas há um outro propósito nesta greve: acumular capital de queixa para o que vem a seguir, ou seja, a negociação das alterações ao estatuto da carreira docente. A polémica em torno da legitimidade dos serviços mínimos alimenta esse capital de queixa e potencia o descontentamento dos professores (que se veem obrigados a ficar fechados numa sala, em cada escola, à espera de poderem ser chamados para qualquer serviço de exames). Nesta matéria por cada dez juristas a favor das medidas do Governo arranjam-se facilmente dez contra, qualquer deles com interpretações atendíveis.
Seria bom que o Governo não se iludisse com a presença "esmagadora" dos professores aos exames. A "esmagadora" maioria tem revelado sentido de responsabilidade e brio profissional, mas isso não ilude o descontentamento crescente que se está a gerar. Acima de tudo, não gostam de ser o alvo privilegiado das políticas de saneamento da despesa pública, como se fossem os únicos beneficiados.

Tenha paciência...

O artigo de Maria Filomena Mónica do Público de Domingo - Caíu-me um "menor em risco" no Colo - é a viva imagem do desespero de alguém que quer fazer alguma coisa por imperativo de consciência e esbarra inexoravelmente com a indiferença - ou a lamentável impotência - dos organismos que deviam (ao menos) colaborar. Trata-se da narrativa minuciosa das diligência efectuadas pala autora do artigo para encontrar um sítio de acolhimento para uma criança em risco. Uma história impressionante, não só pela absoluta frustração das tentativas em si mas também pelo percurso de silêncios e indiferença que conduziu a uma situação como a que descreve - a situação da mãe, surda muda que vive ao abandono e à mercê das piores agressões, um miúdo que cresce ao Deus dará e que mesmo assim frequenta a escola da aldeia. Deixa de ir às aulas por se sentir excluido e mal visto pelos colegas e, pelos vistos, também pelos professores. Abandonou a escola sem que alguém se preocupasse com isso, terá até sido um alívio...
Pois o que Maria Filomena Mónica relata é que julgou ser possível ajudar o rapaz, agora com 14 anos, a encontrar quem o acolhesse e ajudasse a encontar um caminho. Entre lista telefónica, telemóveis, faxes e sucessivos contactos, oficiais e pessoais, vai sendo "empurrada" de seca para meca, com o apoio algo tímido de uma assistente social que lhe diligicenciou os papéis que iam sendo enunciados como necessários. Sem êxito, porém. "Aqui não", "volte mais tarde", "afinal não pode", além de inúmeros psicólogos, sociólogos, assistentes sociais, comissões de apoio, institutos e o que mais se possa imaginar, tudo em vão.
- Não é assim tão fácil o que deseja, logo se vê.
Para além da história em si e da crua realidade dos factos descritos, o que impressiona no artigo é que ninguém, mas ninguém, resolveu assumir a resolução do problema, quanto mais não fosse por ser mais fácil uma instituição, ou uma comissão ou o que se lhe queira chamar ter, em princípio, mais facilidade e conhecimento de quem e onde se devia ocupar do assunto. Mas não, assiste-se a um inacreditável lavar de mãos, com motivo ou sem ele, de modo a que tudo fique de consciência muito tranquila - e o garoto à deriva.
É o país de faz de conta na sua versão mais triste, porque não se consegue apurar um "culpado" mas consegue-se sentir com uma lâmina a fragilidade das aparências institucionais e a impotência de quem resolve intervir.

domingo, 19 de junho de 2005

Desculpas de mau pagador

Das notícias que contam o que foi a visita do Presidente da República ao Bairro da Cova da Moura, no Concelho da Amadora, gostaria de destacar esta relativa às propostas do Presidente da Câmara para combater o insucesso escolar dos jovens residentes nos bairros degradados daquele concelho.

Joaquim Raposo avança desde logo com a tese de ser o seu concelho o que “regista a maior percentagem de abandono escolar … sem querer revelar dados”. Ainda bem que não revela os dados porque seria imediatamente desmentido. Como se pode constatar pelos estudos oficiais, o Concelho da Amadora até apresenta valores inferiores à média nacional.

Joaquim Raposo tomou a iniciativa de apresentar à Ministra da Educação “um projecto alternativo destinado aos jovens entre os 12 e 15 anos” visando tornar a escola mais atractiva. A razão invocada é a de que “o ensino escolar uniformizador também não capta a atenção dos estudantes que não se encaixam nos currículos escolares”. Se eu já não conhecesse a cantilena era capaz de pensar duas vezes, mas como a conheço só tenho uma pergunta a fazer: e os jovens residentes noutros concelhos, tão africanos ou excluídos como os da Cova da Moura ou dos inúmeros bairros da Amadora, porque é que não poderão usufruir de idêntico projecto. Por ventura, porque não precisam dele.

Este tipo de projectos tem vindo a ser aplicado no Concelho de Amadora já há muitos anos. Este é mais um cujo propósito é simples: atirar para cima do Ministério da Educação responsabilidades que são exclusivas da Autarquia.

O Sr. Presidente da Câmara de Amadora deveria, em definitivo, pôr mãos à obra e começar por erradicar os bairros degradados do seu Concelho, realojando condignamente os seus habitantes. Deveria igualmente olhar para os concelhos vizinhos e concluir que filhos das famílias realojadas passaram a ter melhores resultados escolares e menores taxas de abandono. Vir agora com mais um projecto de currículos alternativos é repetir uma receita já muito estafada e de (maus) resultados comprovados.

A presença, mais uma vez, do Sr. Presidente da República neste tipo de cenas só pode ter um significado: concorda com elas e dá-lhes cobertura, até com medalhas e condecorações.

Dêem uma oportunidade a esta gente, a começar pela casa e por um ambiente urbano que os dignifique e que não os estigmatize.

De regresso a nidificação em Portugal?



Excelente o trabalho publicado hoje, no ´Publico´sobre a águia-imperial ibérica.

sábado, 18 de junho de 2005

"Saúde da mulher em risco"


Capa da Science


A Assembleia da República, em Março de 2004, aprovou uma resolução sobre “Medidas de prevenção no âmbito da interrupção voluntária da gravidez”. Foram objecto de atenção várias recomendações. No tocante à área do planeamento familiar destaco a seguinte: O Governo deve garantir que todas as farmácias, de forma permanente, assegurem a dispensa de todos os meios e métodos contraceptivos previstos na legislação em vigor”.
A razão de ser desta medida nasceu do facto de termos tido conhecimento da recusa de alguns farmacêuticos em disponibilizar a “pílula do dia seguinte”, por motivos de crenças pessoais.
A última revista da Science aborda a problemática, em termos de ameaça à saúde da mulher, da rejeição de alguns farmacêuticos em disponibilizar os meios da contracepção de emergência. O fenómeno começa a tomar proporções algo preocupantes, não só em alguns estados norte-americanos, mas também na Europa e na Austrália.
A constituição da organização Pharmacists for Life International, que já agrupa mais de 1.6000 membros dispersos por 23 países, tem como objectivo, entre outros, não respeitar a prescrição contraceptiva.
As consequências podem ser dramáticas para a saúde da mulher, já que a eficiência do fármaco está limitada a um período muito curto. Assim, no caso de falência contraceptiva, sexo não protegido ou violação, a mulher fica numa situação bastante delicada.
Nos Estados Unidos, muitos estados obrigam a que a pílula seja dispensada, mesmo contra a vontade dos farmacêuticos. Entretanto, outros concedem o direito de recusa com base nas suas crenças.
Na Europa, um farmacêutico francês, condenado pelo facto de se ter negado a fornecer a “pílula de emergência”, apelou para o Tribunal Europeu de Direitos Humanos. O tribunal estabeleceu que o direito de liberdade religiosa não permite ao farmacêutico impor as suas crenças religiosas a terceiros, desde que a venda dos contraceptivos seja legal.
Convém realçar que os farmacêuticos, ao invés dos clínicos, não têm capacidade para seleccionar, administrar tratamentos ou realizar actos médicos.
As mulheres têm todo o direito em aceder à prescrição médica. Qualquer tentativa, por parte do farmacêutico, de recusa, de atraso no fornecimento ou de informação incorrecta, nas situações de contracepção de emergência, deverá ser considerada má prática profissional, conduta não ética e, consequentemente, ser passível de sanção legal.



Carrilho e o Expresso

Título na 1.ª página: "Carrilho diz que jornalistas são débeis mentais"
Texto da entrevita na pág. 8:"...porque permitiu que um vídeo sobre a sua vida privada se misturasse e sobrepusesse ao seu projecto? M.M.C. - Acho isso um argumento hipócrita: o que está a dizer é que os jornalistas são débeis mentais e não se interessam pelo essencial."

Carrilho sobre Carmona Rodrigues:
"sonso", "estado de indigente competência", "duplicidade sonsa", "enorme incompetência"

Carrilho sobre Carrilho:
"Eu sou a nova política. Digo o que penso e faço o que digo"

Ainda agora começámos. Não estou a reconhecer o Manuel Maria Carrilho. Deve ser a construção de um novo estilo "autárquico" para o distinto Professor Catedrático de Filosofia e colega de faculdade. Depois do vídeo familiar - cada um revela a intimidade que quer, mas depois não se queixe se os jornalistas quiserem saber mais - estas declarações, mesmo que deturpadas pela 1.ª Página do Expresso, vêm dar um empurrão importante à sua candidatura, para o fundo como é bom de ver.

Merecem-se uns aos outros!...

O Governo e o conjunto dos Sindicatos dos Professores que aderiram à greve aos exames merecem-se um ao outro.

Os Sindicatos, porque convocaram uma greve para um momento eticamente reprovável:nas circunstâncias, a greve configurava uma chantagem pura e simples.

O Governo, porque, ao arrepio da lei vigente, "requisitou" os professores todos, na base do serviço mínimo que os exames exigiriam!...

O que é um facto é que os Professores compareceram, por medo ou por não aderirem voluntariamente à greve.

Verifica-se, mais uma vez, que neste país tudo é possível: um Governo socialista contrariar os princípios básicos de um direito à greve e os Sindicatos cada vez mais a não representarem nada, a não ser apenas o seu interesse corporaivo, já não o dos professores, mas o seu, de cúpulas sindicais!....

sexta-feira, 17 de junho de 2005

Ainda a propósito da Universidade de Viseu

O Professor Massano Cardoso chamou aqui à colação a questão da prometida Universidade de Viseu. O caderno Local Centro da edição de hoje do ´Público´revela que "Correia de Campos admite licenciaturas de outras Universidades em Viseu. O actual ministro da Saúde, natural de Torredeita, é o cabeça de lista do PS à Assembleia Municipal de Viseu".

A legitimação do discurso dos media

Vem a propósito do comentário de Pacheco Pereira no Abrupto (NOTAS BREVES SOBRE OS ÚLTIMOS DIAS) sobre a tentativa de legitimação técnico-científica do discurso mediático sobre a política, como expressão de uma atitude “anti-política” por parte dos órgãos de comunicação. A prática, de há muito enraizada, consiste em recolher a opinião de alguém, geralmente dos meios académicos, que ao abrigo do estatuto de “especialista”, “investigador”, “cientista”, possa conferir “credibilidade” à notícia. O recurso frequente a esta prática leva a que os ditos, em número muito reduzido, acabem por falar de tudo e mais alguma coisa, saibam ou não do que estão a falar. Esta prática fez-me lembrar um pequeno episódio.
Há uns bons quinze anos atrás, o meu nome caiu na agenda de alguns órgãos de comunicação, facto que me levou a funcionar como uma espécie de “sociólogo de serviço”. Fiz dois ou três comentários até que um dia me pedem para falar sobre a “Santa da Ladeira”. A resposta foi rápida:
- Sobre isso não falo!
- Então? Questiona-me a jornalista.
- Olhe, eu só falo sobre o que tenho conhecimento e sobre esse tema não tenho conhecimento que me autorize a fazer comentários.
- Então, mas não é sociólogo? Não me diga que não consegue fazer um comentário sobre o tema.
- Honestamente, não consigo.
Desligou-me o telefone na cara. Deve ter retirado o meu nome da agenda, dado que não voltou a importunar-me. Confesso que fiquei mais feliz, ainda que sabendo que outro o faria, eventualmente com menos conhecimento do que eu sobre a “sociologia” da Santa da Ladeira.

Não entendo...

Confesso humildemente que coisas que ultrapassam a minha capacidade de compreensão.
Segundo rezam as crónicas da sessão de ontem do Conselho Europeu, confirmou-se que os líderes dos 25 chegaram a consenso quanto à necessidade de suspender o processo de ratificação do tratado constitucional.
O senhor presidente da Comissão chamou-lhe o Plano "D" de "democracia, debate e diálogo" (dando à luz o novo conceito do plano a posteriori...), alternativo ao Plano "A" que seria, naturalmente, a pacífica ratificação do dito pelos estados membros.
Mas anunciou também que "não há uma alternativa a esta Constituição" e que está excluída qualquer hipótese de renegociação do conteúdo do tratado.
Ou seja, a democracia, o debate e o diálogo têm um e um só desiderato: insistir na ratificação desta mesma, assim chamada, constituição europeia.
Faz sentido?
Se calhar até faz...

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Na diversidade



A propósito do post anterior, é bom que nos lembremos que Portugal sempre se orgulhou do seu multiculturalismo. Portugal afirmou-se ao longo dos séculos pela assimilação de culturas, pela simbiose de raças. Os períodos sem glória da nossa História estão quase todos ligados à intolerância e ao maniqueísmo.
Há só uma coisa que não pode merecer contemplação ou tolerância de espécie alguma: a violência. Qualquer que seja a sua cor!

Isto NÃO!

Com todos os defeitos e virtudes, potencialidades e limitações, Portugal não merece isto nem isto.

Aviz e os Pais da Pátria

Blog de leitura obrigatória e regular (tanto quanto possível!) o Aviz de Francisco José Viegas dá hoje uma "sapatada" nas consciências pátrias. Em dia de aniversário, não poderia ficar melhor: conciso e incisivo q. b.

A “farmacolização” do vinho.


Vinho ou fármaco?


Há muitos anos começaram a surgir evidências de que o vinho e outras bebidas alcoólicas poderiam ter um efeito protector cardiovascular. De facto, a presença de algumas substâncias, tais como os polifenóis e o resveratrol, poderão explicar parte daqueles efeitos.
A divulgação reiterada desse papel atingiu e continua a atingir todas as pessoas. Ainda bem, porque a informação nunca fez mal a ninguém, desde que seja transformada em conhecimento. Só que esta última transformação não é nada fácil.
A forma como, por vezes, se faz a informação pode ser perigosa, ao acabar por legitimar ou, mesmo, incentivar o consumo de bebidas alcoólicas.
Há muito para fazer no combate ao flagelo do alcoolismo. Tentar moderar o consumo do álcool é a única solução.
Hoje, ao ler um jornal, não fiquei surpreendido com a notícia de que “os produtores vitivinícolas de Vila Nova de Foz Côa vão conhecer os benefícios na prevenção das doenças cardiovasculares e os seus efeitos anticancerígenos numa iniciativa da cooperativa para promover a qualidade”.
Aqui está uma tentativa de “medicalização” do vinho. A meu ver, errada. Até porque só vão falar dos efeitos benéficos, “esquecendo-se” dos efeitos negativos que, mesmo nos consumidores moderados, podem ser muito graves.
O vinho sabe bem, faz parte da nossa cultura, simboliza parte do nosso hedonismo, deve ser ingerido com regra, até pode ser benéfico em termos de saúde, mas daí a “farmacolizá-lo” é um perfeito disparate.
Na mesma linha andam os produtores de cerveja e, qualquer dia, até a ginjinha passa à categoria de genérico (mas com “elas”), isto para não falar do vinho do Porto ou do clássico cordial…

Terri Schiavo

Afinal, como seria de esperar, Terri Schiavo, a americana que esteve em Estado Vegetativo Persistente durante mais de uma década, e que foi alvo de uma medida que levantou tanta polémica, a interrupção da alimentação e hidratação, apresentava alterações neurológicas de tal ordem que nenhuma solução médica poderia devolver dignidade à sua “vida”.
Os dados foram mais do que conclusivos.
Terri, que foi uma verdadeira “schiavo” (escravo em italiano) da morte, merece estar em paz, consigo, com o mundo e se possível com Deus.

quarta-feira, 15 de junho de 2005

A Real Expedição Filantrópica da Vacina


Francisco Xavier de Balmis



A propósito da utilização de vacinas alimentares, ou seja, alimentos modificados geneticamente de modo a produzir vacinas que possam ser conservados na ausência de redes de frio e, consequentemente, permitir a imunização em zonas do globo, onde não existe, é aliciante, mas controversa. Deixemos para outra altura a análise desta técnica.
O que gostaria de transmitir é a forma genial encontrada pelo médico espanhol, Francisco Xavier de Balmis, que, ao serviço do rei Carlos IV de Espanha, foi responsável por uma das mais gloriosas histórias da medicina.
Os espanhóis foram os responsáveis pela introdução da varíola no continente americano e, à custa desta terrível doença, e de muitas outras desconhecidas naquelas bandas, conquistaram vastos territórios. A acção dos vírus foi mais eficaz do que as espadas de Toledo.
Em 1803 partiu uma expedição – A Real Expedição Filantrópica da Vacina – que marca o início da luta concertada contra o vírus da varíola que, em 1978, foi erradicado do planeta.
Balmis, utilizando o vírus da vaccinia bovina, cujo efeito protector contra a varíola tinha sido descoberto por Jenner, tentou levá-lo para as colónias espanholas. Mas, havia um grande obstáculo. Como transportá-lo nas longas travessias? Balmis encontrou a solução. Transportando crianças órfãs, que, na altura abundavam, procedia à inoculação numa delas. Ao fim de 10 dias, quando se formavam as pústulas utilizava o produto rico em vírus e inoculava nova criança (técnica de braço a braço). Desta forma, utilizando verdadeiras culturas humanas, conseguiu que o vírus da vaccinia chegasse ao continente americano, onde através de uma rede procedeu à primeira vacinação em massa. Até as colónias espanholas e outras nações do Pacífico foram premiadas com este procedimento. No longo trajecto ia “obtendo” novos órfãos a fim de conservar o vírus.
Há um aspecto que merece ser realçado em todo este procedimento. O facto de utilizar crianças órfãs, não significa que não as respeitasse. Pois bem, assim que as crianças ficavam vacinadas procedia à procura de lares para albergarem as suas “cobaias” que, além de ficarem vacinadas, tinham sido úteis a inúmeras comunidades, acabando por ganhar uma família. Se os seus compatriotas foram responsáveis por tremendas mortandades, Balmis redimi-os com a sua técnica e visão.

Universidade de Viseu

A polémica ao redor da criação da Universidade Pública em Viseu exige alguns comentários.
Em primeiro lugar, nunca compreendi, por que razão se fez uma promessa nesse sentido. Viseu dispõe de um Instituto Politécnico, da Universidade Católica e do Instituto Piaget. Além destas estruturas dispõe de duas cidades universitárias, Coimbra e Aveiro, na sua periferia.
Convém não esquecer que o número de estudantes a procurar o ensino superior não tem tendência para crescer, até pelo contrário.
A tentativa de criar algo de diferente ilustra a necessidade de arranjar expedientes para justificar o injustificável. Tive sempre alguma relutância em aceitar este tipo de solução. Num país com o maior número de instituições de ensino superior (face à nossa dimensão) da OCDE, com uma das mais baixas taxas de licenciados e com um sub-financiamento crónico para o ensino superior, só uma atitude de novo-riquismo provinciano é que pode justificar as pretensões locais.
Quem navega nestas áreas tem a percepção nítida da inviabilidade de algumas instituições privadas e até públicas, facto que irá exigir a fusão ou até a sua extinção.
O país não pode nem deve embarcar em aventuras deste género.
A determinação do actual ministro parece-me correcta. Espero que tenha também a coragem de proceder à reestruturação de muitas outras situações que enfermam o ensino superior, nomeadamente a redução dos cursos.

Autoridade histórica...

Mário Soares terá afirmado, sobre Cunhal, que este nunca entendeu o significado do verso camoniano "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".
Penso que Soares tem particular legitimidade histórica para fazer a afirmação. De facto, ficou célebre a gaveta onde guardou o socialismo. Nessa altura tinham-se mudado os ventos, perdão, os tempos...

Aqui ao lado é-se mais prosaico no comentário à afirmação do Dr. Soares: "É preciso ter uma grande latosa!"

A polémica da educação sexual nas escolas

A capacidade que alguns sectores da sociedade portuguesa revelam na criação de polémicas estéreis é incomensurável. Aliás, em Portugal, a polémica pública é a melhor forma de não se discutirem os problemas com o rigor e a seriedade que eles exigem. E como a memória é curta, não importa saber o que se fez ou não se fez, o que mudou ou não mudou, que obrigue a reformular o problema. Uma das características das polémicas nacionais é o facto de serem recorrentes e repetitivas até à exaustão.
Tudo começou com uma notícia do Expresso sobre o conteúdo, “chocante” para alguns, de alguns manuais citados na bibliografia das orientações sobre educação sexual nas escolas. O “escândalo” desenterrou o “morto”, tornando-o aos seus olhos tão vivo quanto qualquer criatura de Deus. Ninguém se interessou em saber se o referido programa estava em vigor, em que escolas, com que alunos, com que professores. O “escândalo” valia por si. O “morto” ressuscitara.
A reacção não se fez esperar. Os pais, os tios, os padrinhos e os amigos do “morto”, saltam a terreiro e dispõem-se a enfrentar a nova cruzada reaccionária. Não se preocuparam em saber o que havia sido produzido entretanto sobre o tema, quais as orientações que foram definidas ao mais alto nível (ainda que ignoradas há quase um ano nas gavetas do Ministério da Educação). Isso não é importante. O que é importante é defender o “morto” agora ressuscitado.
Com tudo isto, recua-se cinco ou seis anos, repondo os mesmos argumentos estafados, as mesmas ideias esgotadas, sem que nada de novo possa emergir da polémica.
Para mim, este é o início do confronto anunciado em torno da despenalização do aborto. Só é pena que o façam sacrificando o elo mais fraco: a escola e os miúdos que a justificam.
Porque algo de novo se pode construir, voltaremos em breve ao tema, com um pouco mais de tempo e espaço. Para já ficam identificadas as “trincheiras”: os “escandalizados” e os “familiares do morto”.

Sim, mas, não obstante, claro que não.

O pequeno truque de pôr o MNE a defender a posição oficial do Governo, relativa à continuidade do processo de ratificação do TCE, e Freitas do Amaral a posição contrária, foi devidamente combinado com o Primeiro-ministro. Penso que já ninguém terá dúvidas.
Também ninguém terá dúvidas que o mesmo truque terá sido utilizado por Marques Mendes e Pedro Passos Coelho, seu Vice-Presidente, na intervenção que fez no último Conselho Nacional, bem debaixo das barbas do líder. O primeiro reafirmou a posição oficial do PSD de continuidade do processo, o segundo avançou para a posição contrária, a de “parar para pensar”.
Como se demonstra por estes dois factos os dois principais partidos portugueses continuam a revelar a tradicional convergência de posições face às questões europeias. Mais era difícil. Por isso já estou a adivinhar as declarações futuras de Sócrates e Marques Mendes:
Sócrates: “ A posição do governo português é clara e inequívoca …”
Mendes: “É minha profunda convicção …”

Finalmente, alguma sensatez

O presidente da Comissão Europeia veio dizer, finalmente, que é tempo de parar para pensar.
Já começava a ser tarde, porque de há muito que era óbvio que a Europa lá que corria, corria, mas sem pensar onde a desenfreada correria a levava. Por isso o mais avisado é mesmo parar de correr. E pensar.
O reiterado discurso de que os não francês e holandês criaram efectivamente um problema, mas que seria importante que todos os Estados se pronunciassem sobre o assim chamado tratado constitucional europeu, ameaçava assemelhar-se a autismo.
Não é saudável pensar e agir como se o tratado, o processo que a ele conduziu e o projectado aprofundamento da união política não estão em causa. Estão-no, como está, igualmente, a questão da democraticidade das instituições europeias. Não o entender e forçar mais cidadãos europeus a pronunciar-se só teria como provável consequência que aquilo que até agora não esteve em causa - a união económica e monetária - começasse igualmente a ser questionado.
Já tivémos, aliás, indícios disso mesmo, com o tal ministro italiano a reclamar pelo regresso da lira, culpabilizando a moeda única pelas dificuldades actuais da Itália.
A declaração de José Manuel Barroso, se demonstra sensatez - tardia, mas sensatez - tem porém o significado de preparar não o Conselho Europeu, mas o que virá depois dele.
Barroso limitou-se a repetir o que Tony Blair dissera um dia antes. Desalinhou, mais uma vez, das posições de Schroeder e Chirac. Saiu do "eixo", mas prepara the day after ao mais que certo flop do próximo Conselho Europeu.
Fê-lo, estou convencido, porque um passarinho lhe terá cantado ao ouvido que Blair se assumirá como lider efectivo da Europa nos próximos tempos. Não só porque é a vez de o Reino Unido presidir à União. Sobretudo porque sabe que o braço de ferro é entre um lider europeu forte, de um Estado a crescer economicamente e recentemente legitimado, e dois lideres enfraquecidos pelas cada vez mais audíveis oposições internas e inapelavelmente algemados ao insucesso da estratégia europeia dos últimos tempos e à sua delibilidade económica.

É, pois, um caso clássico a comprovar a actualidade de Maquiavel: ou se é forte ou se está com os fortes...

Seniores e velhos

A propósito do post do Pinho Cardão, onde o anúncio fala da "alegria dos velhos", lembrei-me de um texto muito interessante que li há uns tempos (já não sei onde...) sobre alguns dos conceitos (ou mitos) da actualidade. Um desses conceitos engloba um largo extracto social e inclui as pessoas que têm mais de 50 anos , que vão deixando a vida activa mas que são supostas manter-se saudáveis, dinâmicas, bem dispostas, rodeadas de filhos e netos muito felizes, enfim, com uma imagem pública de bem estar e felicidade. Entre os adultos e os velhos "nasceu" uma nova classe social, heterogénea, alvo das mais diversas ofertas da sociedade de consumo e, muito especialmente, de programas de lazer. Mas também de habitações para "seniores", de produtos de beleza para tirar os sinais denunciadores do envelhecimento, de linhas próprias de vestuário, enfim, uma lista crescente ou, por outras palavras, de uma oferta crescente para esse novo segmento de mercado.
Essa fase da vida assim rebaptizada é apresentada como que uma nova oprtunidade de viver, já livres dos encargos do trabalho, já com as preocupçaões familiares resolvidas, em resumo, já com o direito e as condições para colher o que se semeou.
À antiga"terceira idade" já não se chama "velhos", mas "seniores" ou seja, pessoas bem instaladas, que não só não dão problemas nem exigem atenções especiais, antes podem e devem gozar a vida e a liberdade reconquistada.
O pior é que se deixa de ser "senior" quando se perde essa independência e se frustram as expectativas comerciais que contavam com esses consumidores. Para os doentes, os sozinhos, os que não têm meios económicos para aparecer sorridentes e bem dispostos, continua a reservar-se a palavra "velho". Não como sinal de respeito ou de merecido descanso, mas como sinal de exclusão de um mundo-maravilha que parecia feito à sua medida. E então, por pudor, para esconder essa realidade que não se quer encarar, a palavra "velho" foi sendo empurrada para as franjas do esquecimento,como se não valesse a pena perdermos muito tempo a lembrar que "eles" existem...
É por isso que o anúncio encontrado pelo Pinho Cardão aparece como um pouco estranho - é que, na nossa linguagem crua da modernidade, já pouco se encontra um produto destinado "à alegria dos velhos". A imagem hoje seriam dois seniores, muito direitos e bem vestidos, a mulher não estaria atrás mas ao lado de mão dada, a mesa posta num relvado muito verde na casa de campo.
Dos velhos não se falava.

terça-feira, 14 de junho de 2005

Tão novinhos e já tão velhotes!...


Velhotes

Segundo notícias dos jornais, o INA organizou um seminário com o tema “Melhores políticas públicas para Portugal”, dirigido a jovens com menos de 35 anos, com experiência em meios políticos ou associativos.
A missão era elaborar um Orçamento de Estado para 2005, com base no de 2004 e que cumprisse o Pacto de Estabilidade e Crescimento.
O Grupo que venceu apresentou uma estratégia baseada na ”requalificação dos recursos e competências da administração pública, para tornar mais célere e eficaz a prestação de serviços”, opção que os obrigou a aumentar o IRS e os impostos indirectos.
Três conclusões, para mim, tristes conclusões:
-a primeira é que, pelo menos na notícia que, aliás, apresentava mais detalhes, o Grupo nenhuma referência fazia à diminuição da despesa.
-a segunda é que a opção do Grupo foi aumentar impostos.
-a terceira é que o Grupo inventou mais uma razão para aumentar os impostos: requalificar a administração pública…
Tão novinhos e já tão iguais!...
Perguntei-me como é possível que já tenham todas as taras dos mais velhos?
A resposta está na notícia: os jovens já tinham experiência nos meios políticos…
Estão velhotes antes do tempo!...

A propósito do referendo italiano sobre a “procriação medicamente assistida”

O referendo realizado em Itália sobre a procriação medicamente assistida teve fraca afluência. Os referendos são, por natureza, pouco susceptíveis de atraírem os eleitores, a não ser para votarem “Não” sobre o Tratado da Constituição Europeia.
Na Itália, a influente Igreja Católica actuou como promotor da abstenção invocando que a “vida não se vota”.
O referendo tinha como objectivo criar na legislação, aprovada recentemente, um certo grau de flexibilidade. De facto, a lei italiana limita o acesso a técnicas de procriação assistida apenas a casais estéreis e proíbe a congelação e a investigação em embriões humanos, assim como a procriação heteróloga e o diagnóstico pré-implantatório.
A Itália assume assim uma das posições mais radicais relativamente a este assunto.
Em Portugal ainda não existe legislação. Na última legislatura por pouco não foram discutidos e votados diplomas dos vários grupos parlamentares.
Tive oportunidade de dar o meu contributo para a elaboração de um projecto-lei. Houve todo o cuidado em respeitar princípios éticos. No entanto, ficaria sempre em aberto a possibilidade de serem contemplados casais que, embora não fossem estéreis, pudessem usufruir destas técnicas (casos de graves doenças infecciosas). Também ficaria contemplado que não deveriam ser criados embriões em excesso. Mas, sabemos, por razões óbvias, que, desde o momento da fecundação à implantação do embrião, pode ocorrer muita coisa. Sendo assim, o embrião deveria ser congelado. A preocupação na adopção dos embriões estava contemplada. Acontece que, caso não se consiga a adopção, não se pode eternizar esta condição, facto que levaria à possibilidade de serem utilizados para efeitos de investigação científica. A discussão ao redor do uso de dador fora do casal levantou vários problemas, mas havia possibilidade de vir a ser contemplado. Quanto ao diagnóstico pré-implantatório não fazia parte do diploma, mas havia uma corrente forte para a sua aprovação posterior.
Sem desrespeitar princípios éticos tentou-se elaborar um projecto-lei que colocasse o nosso país dentro da esfera da modernidade e de um futuro promissor.
Estou convencido que, com o tempo, estes aspectos acabarão por ser contemplados na maior parte dos povos ocidentais. Entretanto, noutras partes do globo, pautados por formas de ser e de estar próprios, verificamos uma evolução extraordinária nestas áreas.

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Passamos pelas coisas sem as ver

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

Escrita ibérica


hieroglifo português


Não, não é um exemplar da escrita ibérica, que não posso reproduzir, mas um hieroglifo autêntico.
Mas, à primeira vista, e para um leigo, os caracteres da escrita ibérica têm um traço semelhante!...
Interroguei-me, várias vezes, e também perguntei a outras pessoas, como seria a escrita no território da Lusitânia, antes da chegada dos Romanos.
Não consegui nenhuma resposta satisfatória até que, há dias, folheando um livro de mistérios e enigmas, encontrei o que queria, através de uma descrição da chamada escrita ibérica.
Trata-se de uma escrita datável da 1ª Idade do Ferro, entre os séculos VIII e VI a.C.
Marcou toda a região andaluza e o sul do actual território português, nomeadamente o Baixo Alentejo e o Algarve.
Denota parentesco com as escritas do Mediterrâneo Oriental e com o grego arcaico.
Os especialistas apontam para uma origem cananita hebraica-1700 anos a. C., na qual também se filia a escrita fenícia (1100 anos a. C.)
É precisamente no Baixo Alentejo e Algarve onde se encontram uma significativa colecção de estelas epigrafadas em escrita ibérica, cerca de 80, com sete exemplares conhecidos do lado espanhol.
Um dos achados mais curiosos é o tabuleiro de Espanca, um abecedário de 27 signos.
Na localidade de Bensafrim encontraram-se bastantes achados epigráficos, o que explica o nome.
Deriva do hebreu sefer-livro e de soferin-escriba,ficando ben-soferim como o sítio onde estão os escribas.
A explicação é que no local terá existido um entreposto de cereais, já com contabilidade organizada!…
E pensamos nós que estamos sempre a descobrir a pólvora!...

Força de carácter

O País presta homenagem a Álvaro Cunhal. Concorde-se ou não com a suas ideias e com o modo como influenciou a política nacional, a verdade é que foi um homem de coragem inabalável, de convicções, capaz de lutar pelos seus ideais para além de toda a sensatez e de todos os calculismos.
Homem de múltiplas dimensões, a paixão por uma causa ditou-lhe o seu destino e fez dele uma referência mesmo para os seus inimigos políticos e para as pessoas que não partilham o seu credo. Num tempo em que a política é sobretudo marketing e espectáculo, em que se vende superficialidade e discursos "fast food", é com assombro que se vê um cavaleiro solitário resistir, no seu modo de ser e de estar, e manter uma aura de grandeza que parecia condenada a desaparecer fora do mundo mediático. Mas não. A verdade é que a essência das atitudes da cada pessoa continua a ser avaliada e é reconhecida e admirada quando é ditada pela força de carácter e pela coragem de afirmar convicções. Apesar de tudo...

“Não fume em locais fechados”



O Ministério da Saúde está a divulgar na televisão informação muito interessante sobre o tabaco. “Não fume em locais fechados” está bem elaborado e é perfeitamente esclarecedor. O fumo passivo constitui um factor de risco para várias afecções, havendo, por isso, necessidade de acabar com a sua prática.
Concordo com a medida e felicito os promotores. No entanto, gostaria de exprimir que, para alcançar o objectivo em causa, é necessário medidas legislativas. O governo anterior aprovou um decreto nesse sentido. Mas, o senhor Presidente da República não promulgou o documento, devido à transição dos responsáveis.
O actual ministro da Saúde já veio a terreiro criticar as medidas propostas. Sendo assim, aguardo para ver o que é que vai sair relativamente a este assunto. Em princípio, um documento mais “expressivo” e com alcance superior ao vetado. Espero que seja decretada a proibição de fumar em locais fechados susceptíveis de por em causa a saúde dos trabalhadores, assim como do público em geral.
A medida que está decorrer tem o seu valor, mas é insuficiente para resolver o problema. As medidas legislativas têm um impacto extraordinário na saúde pública.
Vou estar atento às iniciativas do senhor ministro da Saúde. Se não houver medidas concretas e corajosas, então algo vai mal por aquelas bandas…

Xenofobia ecológica


Não afundem Tuvalu


A xenofobia constitui uma manifestação de intolerância estando na base de inúmeros conflitos. Apesar de todo o esforço, no sentido de evitar discriminações, continuamos a assistir nos quatro cantos do mundo às mais diversas manifestações xenófobas que não são propriamente orgulho da espécie humana. Cor da pele, diferenças religiosas, ódios ancestrais, difíceis de explicar, medos do "roubo" de empregos, culturas diversas, constituem motivos para as mais diversas manifestações.
Agora, adiciona-se uma nova forma: xenofobia ecológica. Nos E.U.A., um grupo ambientalista propôs uma moção no sentido de limitar a entrada de imigrantes com o seguinte e original pretexto: como os americanos são os principais poluidores deste planeta, ao evitarem a entrada de novos imigrantes impedem a "produção" de novos americanos e, consequentemente, de menos poluidores. Original, no mínimo, esta posição. Na mesma linha de raciocínio, o melhor seria exportar norte-americanos para as zonas menos poluidoras deste planeta, obrigando-os a mudarem de cidadania. Deste modo, o planeta agradeceria.
Os norte-americanos, como é do conhecimento geral, são os principais responsáveis pelo aquecimento global e, teimosamente, recusam-se a assinar o protocolo de Quioto. Aliás, esta atitude é habitual sempre que há necessidade de assinar convenções internacionais. Se o aquecimento continuar é muito provável que, no Índico e no Pacífico, iremos observar ao desaparecimento de alguns países. Tuvalu, no Pacífico, será o primeiro a afundar-se. Claro que o afundamento da ilha de coral parece ser o factor número um, mas a elevação das águas irá acelerar o processo. E o que dirão os habitantes do país encharcado que é o Bangladesh? O que acontecerá à maioria da população deste país? Morrerão afogados ou terão de emigrar para qualquer canto do planeta. E, não são poucos! Os povos dessas zonas sentir-se-ão com todos os direitos a invadirem os espaços dos poluidores ocidentais que estão na base de mais uma tragédia. Será que esta xenofobia ecológica é mais um sinal de incapacidade face aos graves problemas que ameaçam o planeta?

Adeus

Frente a frente

Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!

Eugénio de Andrade, 1923 - 2005, hoje.

domingo, 12 de junho de 2005

Convém não esquecer que existe...


12 de Junho - Dia mundial de combate ao trabalho infantil

Convém não esquecer que existe.
Uma das mais vergonhosas práticas que compromete o futuro de muitas centenas de milhões de crianças. Uma em cada seis é vítima.
O lugar da criança é na escola.

O “arrastão” de Carcavelos

Nos últimos anos, o início da época balnear na Costa do Sol tem vindo a ser marcado por acontecimentos de violência em grupo, cujos protagonistas tendem a ser sempre os mesmos: autênticos bandos informais de jovens negros, residentes em bairros degradados da periferia de Lisboa. Começou na Praia do Tamariz há poucos anos, passou pelos comboios da Linha do Estoril, foi a vez de Carcavelos concretizar o que há muito já se temia.

Poderão os sociólogos de serviço lançarem sobre a opinião pública as teses da exclusão social e da pobreza, vitimizando quem é agressor; poderão as autoridades queixar-se da falta de policiamento, mas há algo que não pode ser calado: não pode haver compreensão nem tolerância para este tipo de actos de incivilidade. Se a pobreza, a exclusão social ou a falta de forças de segurança fossem razões atendíveis, Portugal era um imenso arrastão o que felizmente não acontece.

Mas há um outro facto que convém recordar: ao fim de 12 anos após o lançamento do Programa Especial de Realojamento (PER), há concelhos da Área Metropolitana de Lisboa que estão longe de concluir e de concretizar as suas promessas e compromissos. A Amadora é um deles, talvez o pior. Por isso não temos que nos chocar com Covas da Moura, Azinhagas e “arrastões” em Carcavelos ou na Costa da Caparica.

sábado, 11 de junho de 2005

Reapareceu o Pica- Pau Bico-de-Marfim!


Pica-pau bico de marfim
Para o Ferreira d´Almeida.
O pica-pau bico de marfim, observado pela última vez há 60 anos e que foi considerado extinto, foi filmado no Arkansas. A alegria é tanta que os cientistas andam perfeitamente loucos. A capa da última Science é do pica-pau. Mesmo que não tenha utilizado desodorizantes, não há dúvida que encheu de alegria muitas almas...

Instantâneo


"Esqueci-me de por o desodorizante?"

Foto de Jim Fenton

"O PPM morreu!" Morreu? Ainda há dois em São Bento!


Assembleia da República

Num artigo do Expresso podemos ler que "o PPM não passa de um pequeno grupelho politico, de exígua expressão eleitoral e com total falta de relevância na vida nacional". Representou nas últimas eleições cerca de 12.000 votos.
Nunca consegui compreender as razões por que é que o PSD incorporou nas suas listas dois PPM's castiços! Custa-me a acreditar que fosse para dar um certo toque aristocrático ou para ajudar a divertir os deputados em certos momentos tais como "Viva a Republica"!
A meu ver, e que me perdoem os monárquicos, estamos perante uma fantochada. Melhor seria que em vez do fadista e do simpático barbudo estivessem presentes social-democratas que representassem, efectivamente, os eleitores do PSD. Tenho muitas dúvidas se conseguiriam alguma vez serem eleitos para uma junta de freguesia quanto mais para a AR. Mas, não deixa de ser caricato “obrigarem” o PSD a fazer declarações de voto de obediência à República!
Quanto ao artigo de António de Sousa-Cardoso "O PPM morreu!”, afinal ainda se podem observar dois exemplares em São Bento. Agora não digam que o PSD não tem preocupações com as espécies em vias de extinção. E ainda por cima recrutou mais dois elementos do Partido da Terra. É só ecologia...

quinta-feira, 9 de junho de 2005

Luso-lenocínio

Hoje, duas notícias, ou melhor três, chamaram-me a atenção. As duas primeiras, veiculadas pelo jornal, descreviam o caso de uma idosa, com 80 anos, de andarilho, que dirigia uma rede de prostituição nos Estados Unidos, e, a opinião de um advogado português, defensor de uma ré que alegadamente angariava brasileiras para uma rede de prostituição, que o lenocínio não devia ser crime. Sustenta a sua opinião com o parecer de um conhecido penalista coimbrão. Mas, para reforçar o seu "desejo", compara o papel das alcoviteiras e proxenetas aos dos managers dos pintores. Não sei como não se lembrou, também, de os comparar aos gerentes artísticos e desportivos!
A terceira notícia passou na TV onde foi dado um particular destaque ao aumento da prostituição e redes de tráfego de mulheres, nas quais Portugal está, infelizmente, fortemente associado.
Semanalmente, o meu trajecto habitual entre Coimbra e Santa Comba Dão é feito pelo IP3. Hoje, deu-me na veneta para ir pela Mealhada e Luso, para recordar outros tempos e ver as alterações. O calor apertava. Antes de chegar à Mealhada comecei a ver aninhadas na berma da estrada, uma, duas, três prostitutas. O calor apertava. Entro na estrada em direcção ao Luso e vejo, não uma, mas mais três ou quatro. O calor apertava. A cabeça começa a analisar as leituras matinais e as alterações paisagísticas. Antes de chegar a Santa Comba, perto da ponte sobre o rio Criz, vejo uma jovem loura numa postura inconfundível. O quê! Aqui também?
Não há dúvida que este fenómeno está a grassar e, logo aquele iluminado vem a público defender a legalização do lenocínio! Ah! Claro que estava a esquecer de um pormenor importante. Segundo o causídico a legalização exigia que nunca houvesse violência. Não sei até onde vai o seu conceito de violência. Mas, desconfio que, nestes meios, não haja, sempre, ou quase sempre, uma forma qualquer de violência. Pelo menos violência contra a dignidade da mulher.
A notícia da noite revela a necessidade de cooperação internacional no combate ao tráfego das mulheres. O ministro sueco fez uma pequena resenha dos procedimentos em vigor no seu país. A Suécia tem uma das taxas mais baixas de prostituição. Neste país, as prostitutas são consideradas como vítimas e os "consumidores" como criminosos, arriscando-se a multas e mesmo prisão.
Sendo assim, pelo menos na Suécia, não há o risco de ocorrerem paradas de proxenetas. Em Portugal, se a tese do senhor advogado, baseada, segundo parece, no parecer do professor penalista, viesse a vingar, seria o bom e o bonito face aos cadernos reivindicativos dos chulos lusitanos. Ainda éramos capazes de os ver a descer a Avenida da Liberdade comandados por uma qualquer alcoviteira de andarilho!
Afinal o calor apertava, mas não era devido a avaria do ar condicionado. Era o calor de um cérebro que recusa certos factos e opiniões...

Más contas nacionais

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O INE acaba de divulgar os valores das contas nacionais relativos ao 1.º trimestre de 2005. O cenário sombrio que já havíamos esboçado aqui parece confirmar-se: desaceleração do crescimento económico, quebra na procura interna e estagnação da procura externa. Não me surpreendem os sinais de uma nova fase recessiva, agora agravada pelo aumento dos impostos e pela quebra de confiança dos consumidores. Não quero ser ave agoirenta, mas os dados são ineludíveis. Depois não venham dizer que foi por causa do "discurso da tanga": desta vez não há tanga e os efeitos poderão ser piores.

É melhor desconfiar dos chineses!


H5N1

A invasão do Iraque pela coligação ocidental, e chefiada por Bush, teve como justificação proceder à destruição de armas químicas que poderiam por em causa a segurança internacional. Os acontecimentos são conhecidos. Invasão, guerra, queda de um tirano e tentativa de uma nova ordem social. No entanto, as famosas armas químicas nunca apareceram.
Desde há muitos anos que temos a “certeza” de que, mais dia, menos dia, irá surgir uma pandemia de gripe altamente letal, à semelhança da que ocorreu em 1918, e que matou mais do que muitas guerras.
Há alguns anos, a Natureza começou a ensaiar no “laboratório natural” do Oriente a produção de um novo vírus. O H5N1 surgiu em força e atingiu as aves, obrigando ao abate de muitos milhões. A gripe das aves tem vindo a preocupar as autoridades de saúde, na medida em que pode transmitir-se aos seres humanos. Já ocorreram muitos casos letais. Falta apenas um pequeno passo que é a possibilidade da transmissão inter-humanos. Quando acontecer, será muito difícil travar a propagação à escala mundial, com todas as consequências. Mesmo com uma taxa de mortalidade, eventualmente, baixa, não deixará de causar muitas dezenas de milhões de mortos, devido ao elevado efectivo de doentes.
Foi notificado que, na China, começaram a ocorrer casos de gripe das aves em seres humanos, mais concretamente na província de Qinghai. As autoridades chinesas negam, veementemente, quaisquer casos. A O.M.S. é obrigada a acreditar. Mas podemos confiar nos chineses? A resposta é simples: Não! Se recordarmos o que aconteceu há alguns anos com a pneumonia atípica, é fácil de compreender que os dirigentes de olhos em bico não são pessoas de boa fé. Durante muito tempo não deram informações e nem tomaram as medidas adequadas pondo em causa a segurança biológica do planeta.
É bom relembrar que é muito mais fácil descobrir a presença de agentes deste jaez, à solta nos arrozais ou nos aviários, do que encontrar agentes químicos armazenados em alguma cave, ou bunker.
Invade-se um país à procura de agentes químicos, mas não se consegue penetrar (pacificamente) num outro, em que a possibilidade de estar a ocorrer algo de grave não é de descartar, pondo em causa a segurança de muitos milhões de pessoas.
Afinal o que andam a fazer os dirigentes mundiais? Invadem alguns países sob os mais diferentes pretextos, aplicam sanções a outros, estabelecem regras comerciais, acordam em inúmeras convenções e não conseguem mostrar autoridade quando se trata de algo que não respeita fronteiras nem ninguém?

quarta-feira, 8 de junho de 2005

A diminuição da calota ártica

A foto postada pelo Prof. Massano Cardoso sobre o progressivo desaparecimento dos glaciares fez-me ir a uma das ciber-gavetas onde guardo alguns suportes de apoio às aulas. De uma delas retirei este clip sobre as evidências e efeitos em cascata do aquecimento do ártico, em especial as implicações climáticas do fenómeno, realizado com base nos resultados de um estudo da NASA de monitorização por satélite dos limites da calota gelada, resultados que comprovam uma alteração anormal do melting ice no curto período de observação considerado.

Exploração


bébé

No lançamento da campanha de Manuel Maria Carrilho para a Câmara de Lisboa, foi exibido um vídeo em que a sua mulher, sentada no sofá, dizia para o filho qualquer coisa como “ queremos o papá Presidente, queremos o papá Presidente…”, ao que o miúdo respondia: “papá, papá, papá!...”.
Já começa a querer viver à custa da criança!...

“Junk food, junk policy”

A alimentação constitui um dos principais factores responsáveis pela saúde e pela doença. Dentro dos diferentes produtos, as gorduras desempenham um papel importante, mas podem ser responsáveis por situações graves e complicadas. A dita “junk food” é responsável pela crescente obesidade, sobretudo infantil, doenças cardiovasculares e certas formas de cancro. A utilização comercial e reiterada de gorduras vegetais solidificadas – forma de prolongar a duração dos alimentos – tem a ver com o facto de serem mais baratas, mas estão na origem das gorduras trans.
A ingestão das gorduras trans começa a ser responsabilizada por alterações a nível de vários órgãos, sobretudo o cérebro, interferindo com múltiplas funções. Esta toxicidade cerebral dificulta a aprendizagem, sendo os jovens os mais vulneráveis. Há como que uma “obstrução” mental. O cérebro pode sofrer lesões permanentes.
Por analogia podemos também falar de “junk policy”. Para garantir a sobrevivência de alguns políticos, utilizam-se as equivalentes “gorduras” de qualidade duvidosa, hidrogenando-as. São fáceis de obter e mais baratas. À semelhança dos efeitos das gorduras ditas trans, também provocam “lesões” nos nossos cérebros. Muitos deixam de aprender coisas novas e outros ficam mesmo embrutecidos.
Alguns produtores alimentares, McVities, Masterfood e a Nestlé, começaram a dar atenção à necessidade em substituir as gorduras perigosas, removendo-as dos seus produtos. Mesmo assim, em caso de suspeita, o melhor é evitá-los. Resta saber se o que comemos ao longo dos tempos não terá contribuído para uma “obstrução” dos nossos cérebros. Em termos de “junk policy” não tenho quaisquer dúvidas, mas ainda acredito na reversibilidade das lesões, através de uma “política saudável e mais natural”…

"Mensalão"

Nem queria acreditar quando li a notícia: "deputados brasileiros recebiam uma mesada ao redor de 9.900 euros, desde que votassem a favor das propostas governamentais".
A democracia também se vende…

Austeridade sim, fora do meu Ministério

Sou um defensor do princípio da convergência dos regimes de aposentação e subscrevo a intenção do Governo de o concretizar. O problema está em saber da real vontade de levar às últimas consequências esse mesmo princípio. O primeiro sinal em contrário aí está. O Ministro António Costa já exceptuou as forças de segurança. A seguir serão os juízes pela voz de Alberto Costa. É provável que a Ministra da Educação defenda os professores e educadores de infância e assim por diante. Todos terão razões de sobra para defender o seu quintal e como se costuma dizer "o socialismo não lhe chegará às couves". De boas intenções está o Governo cheio, tal como o Inferno...

O sindicato dos autarcas

As medidas anunciadas pelo Governo visando a introdução do Inglês e de complementos educativos de Matemática para além das 25 horas curriculares, debatem-se, à partida, com os problemas de ordenamento da rede do 1.ºciclo, em que escolas sobrelotadas nas regiões de maior pressão demográfica coexistem com um número considerável de escolas sem o número mínimo de alunos para que se possam chamar escolas. A vontade de qualificar nem sempre é facilitada pela necessidade de organizar. Depois surgem as dificuldades de onde menos se esperaria: das autarquias que tutelam a rede de escolas do 1.º ciclo. A ANMP que funciona como uma espécie de sindicatos dos autarcas, não dá um passo na qualificação deste nível de ensino sem o correspondente “envelope financeiro”. Assegurando o Ministério da Educação a grande fatia dos custos (a remuneração dos professores), torna-se ridículo o choradinho dos autarcas.

olhar e ver

A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível.

(Maria Montessori, pedagoga italiana)

terça-feira, 7 de junho de 2005

Glaciar


Glaciar
Um dia, ainda vamos ter saudades destas imagens...

Momento...

Foto de Hugo Amador
...em dia de muito calor.

Monumento a Luís Vaz de Camões transformado em urinol


Luís Vaz de Camões
Há coisas levadas da breca. A notícia de que os pais de uma criança de seis meses foram multados pelo facto do bebé ter urinado ao colo da mamã, num templo indiano, profanando-o, levou-me de imediato a associá-la com outras duas, cá da terra.
A primeira diz respeito ao mau trato que tem sofrido o monumento a Luís Vaz de Camões, ali nas traseiras da Faculdade de Ciências, ao cimo da Couraça de Lisboa. Utilizado como urinol, é um pivete sempre que se passa pelo local. Jovens prostáticos funcionais vertem, candidamente, as águas sobre o poeta da pátria lusa e não são multados…
A segunda diz respeito à proposta do candidato socialista à Câmara Municipal de Coimbra que propõe um monumento ao estudante na Praça da República. Não sei qual o projecto que o candidato tem na cabeça, mas, eu sugeria que construísse um urinol ultramoderno, sofisticado, com raios laser, por exemplo.
A necessidade em deslocar o Templo de Camões para um local mais aberto e condigno, de forma a evitar a sua profanação, é imperioso. Transfiram-no para a Praça da República. Resolveriam o problema dos atentados ao monumento e ficava resolvido o monumento ao estudante. Querem melhor símbolo de estudante do que Luís Vaz de Camões?

Condecorações


Posted by Hello
Anuncia-se mais uma leva de condecorações, algumas indubitavelmente justas.
Mas o que mais me impressiona nesta matéria é que raramente é condecorada uma personalidade que não seja conhecida da comunicação social.
O que significa que o recrutamento dos condecoráveis se faz sobretudo em função da contagem do número de aparições nos media.
Ora há muita gente que é um exemplo de vida, familiar, profissional, empresarial, e a quem o país efectivamente deve, que nunca tiveram oportunidade de aparecer, não querem aparecer ou não têm tempo para aparecer na comunicação social.
Há muitos empresários que arriscam, investem, inovam, produzem valor acrescentado, motivam os trabalhadores e são capazes de sentir os seus problemas, empresários que dão um contributo real ao país, que deveriam ser apresentados como exemplo, mas, não frequentando os media, não existem para a Presidência.
Não existindo, não podem, efectivamente ser condecorados…
Até parece que, para a Presidência, os bons empresários e, em geral, os cidadãos que, pelo seu trabalho, se destacam entre os demais, são os que pagam a assessores de imagem que os trazem diariamente na comunicação social.
A probabilidade de terem uma condecoração é enorme.
Como a que assiste aos amigos e a colegas de escritório.
A dos outros é ínfima, é excepção, servindo para justificar a dos primeiros.