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domingo, 19 de julho de 2020

Ainda o Projecto do Hidrogénio

Pensa o Governo que o Projecto do Hidrogénio, um mega projecto cujo objectivo principal é a descarbonização da economia, a transição energética e a neutralidade carbónica, pode também servir como “ o caminho para a criação de novos modelos de negócio, abrindo novas oportunidades de desenvolvimento económico e industrial para o país”.
No entanto, estes benefícios para o relançamento da economia não aparecem demonstrados, avultando os riscos que são enormes e certos.
E desde logo devido à sua dimensão faraónica, que poderá ir de 7 mil milhões a 15 mil milhões de euros, mesmo 20 mil milhões em fase ulterior, em investimento na produção de hidrogénio, na fábrica de eletrolisadores, laboratórios e infraestruturas de armazenamento e distribuição. É pois um projecto que consome grande parte dos recursos europeus e assim impedirá a selecção de outros melhor dimensionados capazes de promover a modernização e dinamização da estrutura produtiva do país e nela facilmente se integrem, repartindo os riscos envolvidos na sua concretização.
Depois, é um Projecto que se baseia numa tecnologia não dominada, logo exigindo tremendos custos de desenvolvimento. E não parece que Portugal seja o país mais indicado para os suportar. Acresce que a valia interna do projecto não é justificada, aparecendo como meramente instrumental em relação aos objectivos da descarbonização, acentuados obsessivamente em todo o documento. Ora as energias renováveis já representam uma quota elevada e cara da oferta, Portugal não é um país poluidor e também aqui os fins não justificam os meios.
O projecto também não é viável de per si, necessitando de incentivos, públicos via OGE, ou privados, em sobrepreços no consumo, em todas os seus segmentos: na produção do hidrogénio, no seu armazenamento, distribuição e uso nos transportes e indústria, na produção de electricidade e nas várias acções transversais ao projecto. E também não dispensa incentivos à exportação, o que significa apoios nacionais a consumos externos.
Refere o Governo que uma parte do Projecto terá financiamento privado. Não custa a acreditar, tal o nível de incentivos e apoios previstos. Mas são custos que nós, consumidores ou contribuintes, teremos que pagar.
Aliás, é o Ministro do Ambiente que o confirma quando, em recente entrevista, aludiu ao “compromisso que os portugueses têm com os seus impostos para potenciar este tipo de projetos”. Não creio que os portugueses conheçam esse compromisso e, muito menos, que o tenham subscrito.
(meu artigo publicado nas edições de 17 de Julho dos Diário de Viseu, Diário de Coimbra, Diário de Aveiro e Diário de Leiria)

4 comentários:

Luccas Neto disse...

Bole posts meus parabéns. ;)
Loterias

Luccas Neto disse...

Adorei ler seu artigo.
Resultados das loterias Abraços. ;)

Sérgio Alves disse...

Nunca percebi porque o nuclear não é boa escolha.
ok. é uma energia perigosa?
Qual a segura que não produza danos?

Pedro disse...

Nao e boa escolha sobretudo pelos custos totais isto e desde a implementacao ao desmantelamento. (Incluindo a gestao - quase eterna - dos residuos). Ao contrario de outras fontes em que os custos principais sao de exploracao. Ora claro que e muito mais facil cobrir custos na fase de exploracao, que e a rentavel, do que garantir esse financiamento para depois especialmente quando esse depois podem ser decadas ou seculos depois, dado que os residuos se mantem ativos durante um tempo incomensuravelmente longo. Quanto a seguranca como em tudo depende de como sao concebidas e geridas as instalacoes.