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domingo, 25 de junho de 2017

Incêndio sem eucaliptos

O ‘curioso’ do incêndio no Parque Doñana na Andaluzia- Espanha é que ali, naquele parque natural, não há eucaliptos!...
(tal como me enviaram...)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Portanto...tudo se resolve com mais uma leis. Urgentes.

Portanto, e ao que ouço, a culpa é do ordenamento do território, dos pinheiros e dos eucaliptos, dos proprietários das matas, dos madeireiros e fogueteiros e até do raio da trovoada seca. Podíamos ir mesmo até ao D. Dinis, que criminosamente mandou plantar o pinhal de Leiria, os até aos navegadores portugueses que, chegados a Malaca, facilitaram o caminho para a Austrália e, com ele,  a vinda dos pérfidos eucaliptos.
Portanto, e a ser assim, como nos dizem todos os responsáveis, Estado, Governo, Protecção Civil não podem ser responsabilizados pelos danos patrimoniais e pessoais causados pelos fogos, já que conceberam todo um aparato pronto a actuar em defesa de pessoas e bens, desde que em território naturalmente limpo de  pinheiros e eucaliptos e mesmo de vegetação rasteira, e sendo as planeadas matas remanescentes imunes a toda essa cáfila de gente que vive à custa da floresta e, como dela vive, se diverte a lançar-lhe fogo.
Pensar que a protecção civil devia ser pensada para cobrir a situação que existe é não compreender as cabeças brilhantes que a concebem para actuar nas situações que definiram como ideais de ordenamento territorial, precisamente aquelas para a quais a protecção civil nunca seria necessária.
Estão pois desresponsabilizados. Tudo foi feito. Nada mais há a fazer, a não ser mais umas leis que reforcem as irresponsabilidades de quem nos vem governando.
PS: Claro que são precisas medidas preventivas; mas a falta delas ou o seu não cumprimento não eliminam a responsabilidades por falta ou deficiência de acção das entidades públicas. Nada de confusões, como parece ser o que se pretende para alijar responsabilidades.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Imagem, imagem, tudo imagem

Concordo que a presença do Ministro da Administração Interna (sei bem que é uma senhora, mas os membros do governo são ministros, assim como uma senhora em funções de presidência é presidente) no posto de comando dos incêndios pode ser útil, para desbloquear burocracias e facilitar a resolução de impasses e problemas de toda a ordem que naturalmente surgem no teatro das operações. Esse seria o seu valor acrescentado.
Mas o que se viu foi um aviltamento completo da função de Ministro, ao exibir-se, por vontade própria, ou ser convidado a exibir-se apenas para dar estatísticas de mortes, apresentar o  número de operacionais ou de carros e de meios aéreos presentes ou informar do evoluir do processo de identificação dos corpos, repetindo aquilo que outros já haviam dito e já era conhecido à saciedade. 
Desconhecendo o que mais o Ministro fez, por ninguém o referir, e se todas as declarações se resumiram a estatísticas e estados de alma, como repetidamente se viu, a presença do Ministro foi um verdadeiro conjunto vazio. Imagem, só imagem, sem conteúdo.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ontem, entre as 14 e as 19 horas, em Pedrógão, o Estado português desapareceu...

Publico, tal como recebi, este grito de revolta:
Ontem, entre as 14 e as 19 horas, no coração de Portugal, em Pedrógão, Castanheira de Pêra e Figueiró, o Estado Português desapareceu!...
Desde que os primeiros avisos foram dados às 14 horas, por telemóvel, de que a situação estava gravíssima, até às 19 horas ninguém mobilizou recursos suficientes para combater está calamidade.
Neste tipo de situações, que eu conheço bem, a rapidez na mobilização de recursos é absolutamente essencial . E aqui os responsáveis estiveram todos completamente distraídos e ausentes e só a partir das 21h30m é que esses pseudo responsáveis se aperceberam pela primeira vez que a situação era grave. A essa hora já 19 pessoas tinham sido queimadas vivas na IC8 que é a maior via rápida de todo o Pinhal Interior. E depois foi um circo mediático com Marcelo, Costa e a Ministra a falarem à TV, enquanto a essa mesma hora esses nossos concidadãos mulheres, crianças eram queimadas vivas em estradas nacionais ( !!! ) sem que ninguém os socorresse !!! 
O que aconteceu numa zona que eu conheço muito bem foi um crime nacional, um crime nacional de incompetência e negligência de dimensões inconcebíveis 
Abraço revoltado e enlutado".

Seis notas à tragédia de Pedrógão

1.Primeiro que tudo, a minhas condolências, e as do Quarta República, pelas vítimas da tragédia de Pedrógão, engolidas pelas chamas de um inferno dantesco. 
2. Depois, a minha homenagem a quem, com poucos meios, mas suprema coragem e abnegação, com risco da própria vida, combateu os fogos, impedindo o alastramento e salvando pessoas e bens.
3. Também uma palavra de apreço para os partidos políticos, nomeadamente os da oposição, que se abstiveram de criticar e culpar o governo, ao contrário das barragens de críticas em que o PS, PC e Bloco são useiros e vezeiros em situações menos dramáticas, sempre que o PSD está no Governo. Lembro-me perfeitamente da vergonhosa gritaria nos grandes fogos de 2003 ou 2004.
4. Muitos membros dos órgãos de soberania acorreram a Pedrógão, passeando-se pelos écrans das televisões sem nada dizerem, repetindo-se uns aos outros e repetindo o que os jornalistas já haviam dito e reafirmavam depois, replicando o que mesmo antes acabara de ser referido. Também vimos uma ministra cujo objectivo da deslocação parece ter sido o de informar sobre os pontos de acolhimento e confirmar ou ir actualizando o número de vítimas, infelizmente já por demais conhecido.
5. Comentando a enorme tragédia, e como sempre acontece, as televisões descobriram um enorme corpo de iluminados que tudo sabem sobre fogos e a maneira de os evitar e combater. Em termos de power-points, presumo, face ao que pude ouvir. 
6. Por fim, há notícias de que o Comando da Protecção Civil terá demorado 5 horas a responder aos angustiantes apelos vindos de Pedrógão. Verdade ou mentira, é algo que deve ser investigado até à última gota. Até para que a responsabilidade não se fique pela trovoada seca que se abateu sobre um pinheiro, logo miraculosamente encontrado, ou mesmo seja atribuída aos eucaliptos.

domingo, 18 de junho de 2017

O eterno renascimento dos ídolos

Se um empresário, um gestor, um político, grande, médio ou pequeno, faz optimização fiscal dos seus rendimentos (e optimização fiscal não é fuga ao fisco, mas uma actuação legal dos contribuintes,  através da utilização das diferentes alternativas fiscais permitidas, de modo a não pagarem mais imposto do que aquele efetivamente é devido), aqui del-rei que é criminoso, foge ao fisco, utliza off-shores, cadeia com ele, nem julgamento é preciso. Os media fazem a propaganda do delito, julgam e condenam e a turba aplaude e exige castigo maior. 
Mas se é um desportista afamado, ídolo das multidões, a coisa muda de figura. Aí, nem há sequer suspeita de optimização, muito menos de ocultação de rendimentos, o ídolo está inocente, o criminoso é o fisco, e a acusação só pode ser um acto de xenofobia, racismo ou perseguição pessoal. 
Sempre foi assim, a humanidade é isto mesmo: vai criando ídolos, novos deuses, que venera e adora e a quem não reconhece sombra de pecado.
Nada de essencial mudou no homem: no fundo, no fundo, permanece como de há dez mil anos, três mil anos ou trezentos anos a esta parte. Os deuses mudam, o homem permanece o mesmo. Mesmo que revestido da mais actualizada tecnologia.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Um fisco indecente

Hoje um amigo mostrou-me uma notificação de penhora de vencimentos emanada das finanças, obrigando a reter e a entregar ao fisco um sexto do vencimento de uma empregada doméstica, sob pena de, não o fazendo, ver o seu próprio ordenado penhorado. 
Acontece que a citada empregada, uma boa senhora, já morreu vai para 3 anos. 
Eficiente este fisco, o que não cobra em vida quer cobrar depois dela acabada.

domingo, 11 de junho de 2017

Oh, La Gauche, mon Dieu!...

Aquela que ia resolver os problemas da Europa... A tal lufada de ar fresco de que falavam os socialistas portugueses, depois da vitória de Hollande...A tal que apostava no crescimento, como se o crescimento fosse um jogo de casino...
...Mas uma televisão já disse que o PS francês acabou por ficar aquém das piores expectativas. Já temos, pois, vencedor.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A nova Troyca geringôncica

Os hospitais foram obrigados a reduzir em 35% a contratação de médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, de acordo com um decreto-lei do Governo que já entrou em vigor. Com tal medida, diz a SIC, algumas unidade de saúde já terão começado a cancelar cirurgias, antecipando a falta de médicos.
Claro que a contratação de muitos desses profissionais se destinava a colmatar a diminuição dos horários de trabalho para as 35 horas semanais.
Pois é, diminui-se o tempo de trabalho e repõem-se vencimentos, a benefício dos profissionais, e aumenta-se o tempo de espera, a prejuízo dos doentes.
Não há dúvida que a nova troyca geringôncica vai muito além da antiga troyca. Só que os cortes de verbas da antiga eram um atentado contra o Serviço Nacional de Saúde, enquanto os ainda maiores cortes da nova são para o proteger...
Milagres do novo tempo...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Gato escondido...com rabo de fora

Dívida pública em 31 de Agosto de 2014:      216.697 milhões de euros
Dívida pública em 31 de Dezembro de 2015: 226.383 milhões de euros
Dívida pública em 30 de Abril de 2017:          244.020 milhões de euros
Em 16 meses, com défices ditos pequeninos, os menores de sempre, a geringonça aumentou a dívida em 17.637 mil milhões de euros. Nos últimos 16 meses do anterior governo, a dívida aumentou 9.686 milhões de euros, apenas cerca de metade.
Diminui o défice, cresce a dívida, venham lá os sábios da geringonça explicar o fenómeno.
Mas que aqui há gato, lá isso há: gato escondido com um grande rabo de fora. Precisamente aquele apêndice que somaria ao défice se as contas fossem autênticas. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Das técnicas de venda e publicidade

Aqui há uns meses o conceituado jornal A Bola citou um jornal inglês que noticiava que  determinado jogador do Benfica iria ser transferido para um clube de Inglaterra. 
Na sequência, um outro jornal português despropositadamente abelhudo questionou o periódico inglês sobre os fundamentos e a fonte da notícia, tendo obtido como resposta que a fonte tinha sido um jornalista de A Bola.
Agora, e coincidentemente com o retomar da notícia de uma eventual transferêncisa de Centeno para o Eurogrupo, há uma publicação que escreve que Schauble afirmou que Centeno é o Ronaldo da Ecofin. 
Acreditando que não há um resquício, mínimo que seja, de inverdade no facto de a afirmação ter sido feita, estou perfeitamente seguro de que uma busca à fonte da notícia nunca se traduziria em qualquer semelhança com a fonte de A Bola. Embora, e tratando-se em ambos os casos de transferências, haja que publicitar o produto. Enquanto é tempo.

Políticos sem futuro...

Jean-Claude Juncker, Presidente da União Europeia, não tem filhos.
Macron, o novo Presidente francês, não tem filhos.
Angela  Merkel, Chanceler da Alemanha, não tem filhos.
Theresa May, 1º Ministro do Reino Unido, não tem filhos.
Paolo Gentiloni, 1º Ministro da Itália, não tem filhos.
Os 1ºs Ministros da Holanda, Mark Rutte, da Suécia, Stefan Löfven, do Luxemburgo, Xavier Bettel, e da Escócia, Nicola Sturgeon, não têm filhos. 
Notava alguém "o desproporcionado número de responsáveis políticos que tomam decisões sobre o futuro da Europa, mas que não têm participação pessoal nesse futuro..."
De facto, dá que pensar...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mitos e Obstáculos

O país tem vivido de mitos, de tal modo assimilados que já são tomados como realidade. Eles servem a classe político--burocrática instalada que os sustenta e dinamiza, pois lhe trazem retorno eleitoral assegurado.
Mito é pensar-se que o Ministério das Finanças é o Ministério das Finanças do país quando geralmente tem sido apenas o Ministério das Finanças das administrações públicas, ou até só de algumas, ou unicamente do setor público estatal. Para melhor servir tal objetivo, o Ministério das Finanças tornou-se tentacular, comandando ou influenciando decisivamente cada vez mais áreas e organismos, acentuando a prevalência do Estado na esfera económica e tornando clara a subordinação da economia real à lógica das administrações públicas e do calendário eleitoral. Prova é a política fiscal, concebida ao exclusivo serviço do Estado e ao arrepio da economia, ou a política orçamental, ao serviço dos interesses das burocracias instaladas e dos partidos do poder. O Ministério das Finanças, salvo honrosas exceções ou mercê de imposição externa, tem-se constituído como o grande patrono dos interesses burocráticos e partidários, prodigalizando-lhes o dinheiro que retira à economia, ao investimento, à formação e reorganização empresariais, e, assim, à produtividade e inovação...
(se interessar, continuar a ler, meu artigo no jornal i)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Em prol da educação dos vindouros do século XXII

"É importante que na OCDE, no âmbito da educação 2030, projetada para pensar... como será a educação do próximo século...se identifique também que os estudantes têm de ser ouvidos... ", afirmou hoje, em Lisboa, o Ministro da Educação,Tiago Brandão Rodrigues, discursando em evento da OCDE
Pensar, aqui e agora, a educação do próximo século? Isto sim, é de Ministro que se leva muito a sério. Não sei é se, a brincar, a brincar com tanta seriedade nos quis tomar a todos por parvos. E sobretudo, os vindouros do século XXII.
PS: Creio que desta vez, para brilhar na OCDE, o insigne Ministro foi bastante além do que lhe dita o Mário Nogueira...

Direito e Justiça

A preparar pronúncia sobre ato judicial, lembrei-me de em tempos ter lido de Fukuyama (no seu fundamental The Origins of Political Order) uma reflexão marcante sobre o primado do Direito na perspetiva das suas origens na Europa. Revisitando-o, relembrei uma das mais simples mas ao mesmo tempo mais ricas definições de Direito que conheço: Direito é o conjunto de regras abstratas de Justiça que une uma sociedade. Regressado aos papéis que os órgãos da Justiça produzem, é incontornável constatar que o nível de abstração a que chegou o Direito o transforma tantas vezes na impossibilidade de chegar à Justiça...

sábado, 13 de maio de 2017

Uma ideia de jogo que ajudou o Benfica a ser campeão



A minha alma azul e branca, dorida, não me impede de dar os parabéns pela conquista do Campeonato ao Benfica e ao seu treinador. E aos seus simpatizantes. 
Isto sem prejuízo da larga comparticipação do treinador do meu clube, cuja ideia de jogo é bem o caos que o desenho mostra.
Uma ideia de jogo que levou à eliminação pelo Chaves da Taça de Portugal, e que não conseguiu mais que o empate com Feirense, Belenenses e derrota com Moreirense para a Taça da Liga, e a consequente eliminação, não merecia ganhar o Campeonato.
 Caos pior que tal ideia de jogo não me lembro de nenhum, nem o apresentado pelo Quinito, há tempos quase imemoriais. Mas esse durou pouco tempo no dragão. Este ainda lá está.  E insiste na ideia.

Um país em modo de avé maria!

Todo um país em avé maria, mesmo que só em modo de televisão. E, em Fátima, um povo em êxtase.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Uma indecência

Estive hoje com uma senhora idosa, 97 anos. Em 2016, e vi os comprovativos, teve um AUMENTO da sua pensão de reforma de 0,73 euros por mês e um AUMENTO da sua pensão de viuvez de 1,05 euros por mês. No total, um aumento de 1,78 euros por mês, isto é, pouco mais de 5 cêntimos por dia, no conjunto das duas pensões. 
Mas todos os dias ouvimos, da forma mais descarada, a geringonça vangloriar-se de que aumentou as pensões e pôs fim à austeridade.
Uma indecência.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A maior caça ao voto de sempre!...

Em desrespeito total pela regra do concurso na admissão de funcionários públicos, o governo vai integrar largas dezenas de milhar (fala-se em cerca de 100.000...) trabalhadores da função pública a recibo verde ou ao abrigo de contratação sem vínculo permanente com o estado. 
Um esquema de admissão que vai levar dezenas de milhar de trabalhadores a entrar na função pública sem concurso, ou com concurso feito à medida, privilegiando, em total desrespeito pela lei, um conjunto de cidadãos e sonegando o direito de concorrer a todos os outros que têm o direito de procurar trabalho no estado ao abrigo da legislação em vigor. 
Claro que um cidadão que entra no desempenho de funções públicas mediante concurso entra pelo seu próprio valor e não tem que dizer obrigado a ninguém. Mas um cidadão que arranja emprego permanente à custa de um procedimento singular e ao arrepio das normas em vigor, tende a ficar agradecido a quem lho concedeu. O governo sabe isso muito bem e o calendário das admissões não engana. Até às Autárquicas, alguns entrarão; até às Legislativas, entrará o resto. Não há admissões grátis. 
PS: E que dizer de os Sindicatos da Função Pública poderem entrar no processo de admissão? Nunca se foi tão longe na forma de recomendar prosélitos e impedir outros de entrar. A geringonça vai fazendo o seu caminho. Cuidando dos seus e de si, que os outros nada lhe interessam.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quem venha atrá...que feche a porta...

Por extrema caridade, ainda pensei que o famigerado Relatório da Dívida Pública das 15 versões diferentes fosse apenas uma forma tosca da arte de perder tempo. Mas não, aquilo é uma afirmação explícita da validade do aforismo quem venha atrás que feche a porta...
Como é sabido, um grupo de deputados do PS e do Bloco, e outro de catedráticos, doutorados, licenciados, superiormente coordenados por um membro do governo produziram um documento propondo medidas de reestruturação da dívida pública. Inútil, porque o governo já declarou que não o adopta, o próprio coordenador não se revê nele,  o representante do Bloco logo referiu que as propostas do Relatório não eram as do Bloco e o PS, apertado na geringonça, deu uma no cravo e outra na ferradura. O Presidente da República, na sua política de afectos, comentou que era um documento que merecia reflexão...
Seguindo o Presidente, reflecti e pergunto-me como é que tal conjunto dito de grandes economistas se prestou a deitar cá para fora um documento de tal teor. Para não falar noutras, as propostas de diminuição da maturidade da dívida e de privilégio das emissões de curto prazo ( e a crítica explícita ao IGPC), logo num momento de taxas baixas, constituem, só por si, demagogia de  bradar aos céus, por procurarem o desafogo no curto prazo, coincidente com as expectativas de governo da geringonça, mas colocando o país a correr riscos enormes de liquidez e de preço no futuro. Também a diminuição das provisões do BP se insere em em tal política de um miserável oportunismo. Para além das medidas erradas, de  uma assentada mais um golpe no BP e no IGCP e, assim, na credibilidade externa. 
Nem vale a pena continuar. Aquilo não é um Relatório, nem uma forma tosca da arte de perder tempo. É, sim, uma afirmação explícita de que quem venha atrás que feche a porta...

domingo, 30 de abril de 2017

Golpes de vista...

Pelo que venho lendo, e ainda hoje li, as faltas para penalty na área dos adversários do actual campeão são sempre apercebidas pelo juiz de campo, assinaladas e marcadas. O que é perfeitamente justo e correcto. Ali, há sempre uma visão larga dos lances.
Ao contrário, impecilhos de vária ordem impedem que idênticas faltas na área do maior adversário do campeão também se tornem apercebidas ao juiz de campo. Impecilhos que tornam a visão estreita ou deturpada e que os competentes media e comentadores atribuem à intromissão de um qualquer obstáculo na área da visão, ou à rapidez da jogada, e também justificam por pertinentes critérios pessoais de avaliação de intencionalidade da infracção ou da posição dos membros do infractor ou de quem chegou primeiro à bola. O que, para eles, também é justo e correcto, mesmo que óbvio seja o contrário. 
Também para esses ilustres de vistas largas, em média fica tudo equilibrado. Os penaltys que são oferecidos a uns são compensados pelos que são retirados aos adversários. O mesmo equilíbrio se aplica à visão dos juízes: alguma visão por vezes deficiente é compensada por momentos de golpes de vista verdadeiramente assinaláveis.
Golpes de vista concretizáveis em títulos...claro está!...

sábado, 29 de abril de 2017

Os contentinhos reestruturadores da dívida pública

Parece que o plano socialista-bloquista de reestruturação da dívida teve 15 versões. Um plano eclético, pois, em que cada reestruturador meteu a sua colherada e deixou a sua pitada. Ou, numa linguagem mais modernaça, onde cada reestruturador deixou a sua pegada. Mas qualquer processo eclético  apresenta  um terrível senão: é que, feito para agradar a todas as correntes, deixa de ser coerente. 
O que, no caso, não produz qualquer efeito nocivo, antes pelo contrário, já que simplesmente se destina à épater le bourgeois, que até gosta de balões bastante coloridos, mesmo que rebentem mal sejam lançados ao ar. Mas que, por um momento, o patego gosta de olhar.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

E as pernas dos alemães já tremem!...

Pagamento a 60 anos, juros a 1%, 28 mil milhões de dívida perpétua no Banco de Portugal, diminuição das provisões e aumento dos dividendos do banco central, reestruturação a envolver apenas as autoridades europeias...eis o insigne plano do Grupo PS/Bloco, coordenado por um ilustrado governante, e composto por uns quantos catedráticos, outros tantos doutorados economistas,  e uma pitada de deputados, para resolver o problema da dívida. Que, de uma rajada, cairia de 130,7% para 91,7%, veja-se a precisão, do PIB.  
Confesso que sòzinho, e sem precisar de apoio doutorado ou catedrático, faria um power-point tão válido e, certamente, muito mais aprimorado.
De qualquer forma, as pernas dos alemães já devem estar a tremer , que a ameaça de um dos autores tem que ser levada a sério!...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Um cavalheiro que partiu: Serafim Marques, também Cordeiro do Vale

Soube agora da morte de Serafim Marques, anteontem, creio que com a idade de 92 anos. Fundador e sócio nº 2 do CDUL, Clube Desportivo Universitário de Lisboa, um dos "pais" do râguebi nacional, divulgador incansável do atletismo, jornalista da RTP. Conheci-o em 1980, na minha passagem pela empresa, era ele um consagrado jornalista da área desportiva, famoso nomeadamente pelos conhecimentos e pelo ritmo com que ilustrava as transmissões de atletismo e as mais importantes do râguebi internacional. Educado, modesto, extremamente simpático, dotado de boas relações humanas, vi-o sempre como um perfeito cavalheiro, perdão a quem considera esta palavra desajustada e fora de tom nos tempos que correm.
Naquele ano, a RTP procurava recompor-se da sua persistente situação de bancarrota económica e financeira, tendo sido tomadas medidas de fundo com vista à inversão da situação, entre as quais o combate aos abundantes gastos surpérfluos, nomeadamente deslocações ao estrangeiro, que só eram autorizadas a título muito excepcional e pelo Conselho de Administração (abro aqui um parêntesis para referir que nesse ano a RTP teve os primeiros resultados positivos da sua história, na altura, de 23 anos!...).
Ora o  Serafim Marques veio ter comigo, pesaroso por lhe ter sido recusada a ida, creio que a Londres, para assegurar os comentários ao vivo dos jogos do Torneio das Cinco Nações, e pedindo uma autorização excepcional, dada a qualidade do evento. Como não podia excepcionar a deslocação, tentei convencer o Cordeiro do Vale, nome de guerra que adoptou como jornalista de desporto, de que, dado o seu profissionalismo e qualidade,  ninguém notaria se os comentários fossem feitos de Lisboa. Claro que não o convenci, mas ...vai ver que, mesmo em Lisboa, tudo correrá bem, disse-lhe, em despedida. 
Correu então o torneio, com o Cordeiro do Vale a comentar dos estúdios do Lumiar. Terminado, apresentou-se no meu gabinete, logo no dia seguinte de manhã, bem disposto e sorridente.
- Vê, como tudo correu bem? 
- Oh, Sr Dr., parece que sim, tenho recebido muitos parabéns e ainda há pouco encontrei um grupo de malta do râguebi que me disse: então o torneio terminou ontem à noite e já cá está? Como é que conseguiu?  
Um senhor profissional e cavalheiro, o Serafim Marques também Cordeiro do Vale. Que descanse em paz.

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril...25 de Novembro

Palavras, só palavras, em mais este 25 de Abril. Palavras, reacções, comentários às reacções e às palavras. E, pelo que hoje fui ouvindo, o 25 de Abril de todos não é o 25 de Abril de cada um. E o 25 de Abril de cada um  está longe de ser o 25 de Abril de todos. 
Ah, também houve a rua para um dos 25 de Abril. Também com muitas palavras. Diferente de outros 25, por certo. Por mim, viva o meu 25 de Abril, o que abriu as portas à democracia pluralista. E o 25 de Novembro, que não as deixou fechar. 

Luz e...sombra!...

O défice de 2%  das contas públicas em 2016 é afinal o quinto maior défice da Zona Euro, enquanto a dívida pública atinge o terceiro lugar do pódio. 
De facto, nem tudo o que luz é ouro...
PS: Por ironia, já que governada pelo Siryza que tanto desprezava os equilíbrios das contas públicas, o défice da Grécia transformou-se num superavit de 0,7% do PIB. Espantoso!...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Abandono

Tenho nove filhos e nenhum me acompanhou ao Hospital...
Lamento de uma idosa, hoje de manhã, no Hospital de Santa Maria

domingo, 23 de abril de 2017

Uma teimosa e fraca ideia, um enorme passivo

A ideia de jogo que faz com que um excelente conjunto de jogadores jogue sem qualquer ideia. Como em qualquer lado, uma ideia errada traduz-se sempre num passivo. Neste caso, o maior passivo do Dragão. Até porque é teimosamente mantida. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Demolidadores de protestos

Começaram e acabaram as demolições na ilha do Farol, sem quaisquer ajuntamentos, protestos e manifestações dos moradores e associados, ao contrário do que sempre aconteceu em eventos similares.
É um facto: com Bloco e PCP no governo, para além das casas, também os protestos são demolidos.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Fogo de artifício...fogo de lágrimas...

Finda a austeridade no início de 2016, geringonça dixit, a grande aposta era no crescimento. Afinal, aposta furada, o país cresceu menos (1,4%) do que em 2015 (1,5%). 
Para 2017, prevê o governo um crescimento de 1,8%. Um crescimento dito robusto, saudado com grande foguetório pelos partidos apoiantes e comentadores adeptos. Porventura esquecidos de que fogo de artifício também é chamado fogo de lágrimas. Mas essas virão depois. A festa continua.  

terça-feira, 18 de abril de 2017

Estabilidade do país e estabilidade da geringonça

Para Bruxelas ver, o Plano de Estabilidade aprovado pela geringonça é um power-point excelente: crescimento da economia, graças ao investimento e às exportações, diminuição do Estado, pelo decréscimo dos impostos, da dívida, do défice e da despesa pública. 
Para português ver, o Plano de Estabilidade é coisa bastante diferente, tendo por critério único abarcar tudo o que seja necessário para manter a vida da geringonça. Nos últimos dias, só aumento da despesa: integração de dezenas de milhares de precários, aumento de alunos por turma, aumento do número de professores,etc, etc.
Sendo optimistas, uma perfeita quadratura do círculo. Sendo realistas, mais um fenómeno como o de 2016: um aumento brutal da dívida pública não explicável pelo reduzido défice ou por investimentos que fiquem fora do mesmo. Aliás, um aumento brutal da dívida, cuja justificação não vejo sequer questionar, porventura para não colocar o governo em dificuldades de explicar. 
Longa é a distância entre a estabilidade do país e a da geringonça.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tudo se compra...tudo se vende...

Segundo dados já conhecidos da execução orçamental de 2016, a despesa pública diminuiu 3.000 milhões de euros, valor que mais que triplica os 900 milhões previstos no orçamento.Dado o aumento de remunerações da função pública, no valor de algumas centenas de milhões, tal significa que o "corte" na despesa, excepto pessoal, foi muito para além dos 3.000 milhões de euros, afectando negativamente o cumprimento de muitas funções do Estado, e do Estado Social. Uma política  perversa, de compra de funcionários e sindicatos a troco de melhor remuneração, os primeiros para gerirem as situações de desagrado dos utentes, os segundos para deixarem de proclamar a degradação dos serviços públicos, justificação no passado de greve continuadas.
E assim vai a geringonça defendendo, em acaloradas palavras, o Estado Social, mas aviltando-o nos actos e na prática. Tudo se compra,tudo se vende. 
PS: Claro que a diminuição da despesa pública é um bem em si, se for estável e representar reformas de fundo dos serviços. Porque, se assim não for, como não foi, é mero fogo de artifício, muito aclamado no momento, mas que de imediato se extingue

sábado, 15 de abril de 2017

Os aprendizes de feiticeiro

"...A reacção de Portugal também foi chocante, mas não vou exigir um pedido de desculpas..." , respondeu Dijsselbloem à invectiva do Secretário de Estado das Finanças, Mourinho Félix, mostrando o profundo choque por aquilo que o Presidente do Eurogrupo disse dos países que estiveram sob resgate, e convidando-o a pedir desculpa perante os ministros do Eurogrupo e a imprensa.  
 Começou Mourinho Félix impante e em grande estilo a exigir um desagravo público, bem acompanhado pelas câmaras de uma de uma estação de televisão ao seu serviço, e assim seguro de uma divulgação urbi et orbi. Mas, perante a réplica de Dijsselbloem, engoliu, calou e foi à sua vida. 
Se ao menos ainda fôssemos governados por feiticeiros, vá que não vá...mas com aprendizes totós deste teor...

sexta-feira, 7 de abril de 2017

As reformas antecipadas e o futuro do sistema de pensões

A propósito do anúncio do governo de alterar o regime da reforma antecipada. Não tenho dúvidas que é socialmente aceitável e desejável - melhor dizendo, é socialmente injusto não o fazer - criar um regime especial para os trabalhadores com carreiras contributivas longas e com idades que se encontram ainda longe da INR. Este regime, em particular, só peca por tardio. Na verdade, trata-se de um grupo de trabalhadores que iniciou a vida activa ainda em idades muito jovens.
Se, de um ponto de vista de justiça social, a medida tem os seus méritos, desconhecem-se, no entanto, a sua estrutura e os seus impactos, designadamente em termos de sustentabilidade financeira do sistema de pensões da Segurança Social.
Concretamente, como comparam os efeitos de sinal contrário sobre as receitas da Segurança social, por um lado, do aumento progressivo da INR e, por outro lado, da despenalização das carreiras contributivas longas?
A recorrente adopção de ajustamentos paramétricos no sistema de pensões tem causado problemas graves de injustiça social e de iniquidade intra e intergeracional e reduziu a adequação das pensões, sem, no entanto, ultrapassar o problema da sua insustentabilidade financeira.
Quaisquer alterações, ainda que paramétricas, como é o caso em presença, no sistema de pensões, devem ser bem explicadas e fundamentadas. Os estudos, impactos e resultados devem ser apresentados, assim como os dados e premissas que lhes deram origem, nas vertentes da sustentabilidade social e da sustentabilidade financeira.
É fundamental que não se prossiga no caminho de medidas avulsas sem dispormos de uma avaliação actuarial do sistema de pensões, realizada com total transparência, mediante competências adequadas e independentes e a participação alargada de todas as partes interessadas.
Relembro que em 2015 foi realizada uma avaliação actuarial do Sistema Previdencial da Segurança Social por iniciativa do governo anterior. Embora tenha sido publicada, a mesma não foi colocada à discussão pública para se obter o necessário contraditório. Nada aconteceu. Este teria sido o momento e o local adequados para que todas as partes interessadas, incluindo agentes políticos e sociais, manifestassem as suas dúvidas e suscitassem cálculos e simulações complementares. Desta avaliação actuarial nunca mais ninguém ouviu falar.
A iniciativa política do actual governo de fazer alterações no regime de acesso à pensão de velhice deveria ser aproveitada para discutirmos o que queremos do sistema de pensões, avaliando o que foi feito e os seus resultados, identificando problemas e soluções possíveis numa discussão séria, longe de preconceitos ideológicos e de compromissos políticos com o passado, mas antes centrada no essencial.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Reacção, conversa fiada e telejornais da treta...

O Presidente já reagiu...o PS está a reagir, vamos ligar à sede, no Largo do Rato...no decorrer do telejornal iremos escutar a reacção do governo...o PSD reagiu à reacção...Catarina Martins também já reagiu e criticou o PSD...Louçã reagiu ao silêncio do CDS...o PCP aproveitará a sessão desta noite no Barreiro para reagir através de Jerónimo de Sousa...soubemos agora que Assunção Cristas convocou os jornalistas para uma reunião para daqui a uma hora, a fim de reagir...
O pivot repete o que já se ouviu, seguem-se as reacções em falta, a seguir as contrareacções, e depois as reacções dos comentadores e analistas, não se dispensando a palavra autorizada dos directores em ordem a uma autêntica interpretação das diversas  reacções. E, para reagir em directo, e em cima do acontecimento, logo se anunciam o ministro A e o secretário B, os representantes dos partidos, e um  painel de comentadores.
A isto se resume a vida do país, no critério rigoroso e independente da nossa informação telejornalística.
No mundo real, a vida continua. Contra, e apesar de toda esta conversa da treta.

sexta-feira, 31 de março de 2017

A manha...

Se a política vive, também vive, de manha, Carlos César é um bom exemplo...
Direito ao assunto, Raúl Vaz, no Jornal de Negócios 

Oh, patego, olha o balão!

A desfaçatez do governo não tem limites. Depois de se vangloriar de ter acabado com a austeridade dos reformados, para muitos e muitos à razão de uns poucos cêntimos por mês, pretende agora fazer justiça a quem possui largos períodos contributivos, permitindo que pessoas com 48 anos de descontos possam reformar-se com 60 anos de idade sem penalização.
Claro que, para tal, seria necessário ter começado a trabalhar aos 12 anos. Mas a parca remuneração desse trabalho infantil, quando a havia, escapava geralmente aos descontos para as, na altura, Caixas de Previdência, por conveniência dos pais, para quem mais uns tostões eram uma bênção e, obviamente, das empresas. Deste modo, muito poucos estarão em condições de beneficiar da governamental magnanimidade.
Mas isso pouco interessa à geringonça. Não pensando sequer em qualquer reforma séria da segurança social, que proteja reformados, os contribuintes actuais e os futuros,vai-se contentando com manipulações e truques, publicitando que faz, sem fazer, a fórmula mais rasteira de embuste e de falta de respeito pelos cidadãos. Enfim, somos tratados como pategos.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Mas que aborrecimento, outra vez o envelhecimento da população...

À nossa frente temos uma trajectória de perda acentuada de população e de alteração significativa da pirâmide etária. Confirma-se, e não seria de esperar qualquer inversão, o agravamento do envelhecimento da população. Em 2031 ficaremos abaixo dos “míticos” 10 milhões de habitantes.
O INE apresentou hoje as projecções para a população residente para o período de 2015 a 2080, utilizando para o efeito quatro cenários – pessimista, central, optimista e sem migrações – que reflectem hipóteses diferenciadas para as varáveis projectadas (fecundidade, migrações, etc.).
Em qualquer deles, a população jovem irá diminuir e a população idosa irá aumentar, em proporções muito significativas. Em consequência a população em idade activa diminuirá e o índice de envelhecimento, no cenário central, mais do que duplicará, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens.
Estes números mostram que devemos mobilizar esforços para enfrentarmos a nova realidade que já hoje se faz sentir. Anular o envelhecimento da população não é possível. Talvez seja possível desagravá-lo, tal como mostram os cenários trabalhados pelo INE. Mas é preciso agir.
Medidas paliativas ou meras intervenções de circunstância para irmos fazendo face às dificuldades não constitui uma solução. Veja-se, por exemplo, como lidamos com as pensões e a despesa pública para lhes fazer face.
Precisamos de perceber se estamos a saber lidar com o envelhecimento demográfico, precisamos de nos questionar sobre a nossa forma de pensar. Não há receitas mágicas nem soluções formatadas, mas haverá certamente formas adequadas de enfrentar o curso dos acontecimentos. Estamos a fazê-lo? Já pensámos colectivamente sobre o assunto? Enquanto população estamos a envelhecer, mas como sociedade não tem que ser assim.

segunda-feira, 27 de março de 2017

A hora dos patetas

Celebraram alguns, ontem, a hora do planeta, uma hora sem electricidade, mais uma iniciativa de mais um qualquer movimento de defesa do ambiente.
Nasci, como tanta gente, numa terra sem electricidade. Estudei e li centenas de livros à luz de uma vela, de um gasómetro ou de um candeeiro a petróleo. Sem electricidade, não havia rádio, os transístores não tinham chegado, muito menos a utilização de frigoríficos. A chegada da televisão e a novidade levaram alguns moradores a adaptar motores de rega ao abastecimento de energia, mas era um processo caro, ao alcance de muito poucos.
O abastecimento de energia eléctrica exigia a construção de um ramal, mas o Estado e a companhia de electricidade exigiam uma comparticipação da população que minimizasse os custos a cargo do estado e do distribuidor. Para angariar a verba, a freguesia fez peditórios, organizou cortejos de oferendas, motivou os brasileiros e africanistas da terra, os emigrados em Lisboa e no Porto ou em qualquer sítio onde houvesse um natural da terra. Com muito esforço, chegou-se ao montante exigido. Depois, depois, foram anos para o Estado orçamentar a sua verba para o efeito e a eléctrica concretizar o projecto. Mal viram o início da construção do ramal, muitos moradores logo trataram de montar a instalação caseira, não fosse a luz chegar e continuarem a ficar às escuras. A azáfama era grande e as obras eram a conversa diária.
A chegada da energia eléctrica foi uma festa: as autoridades distritais e concelhias, as forças vivas, o carregar no botão, os discursos, a animação, os ranchos folclóricos, a música e o bailarico.  
Ontem, ouvi na televisão uns meninós, femininos e masculinos, a pedirem que se apagasse a luz por uma hora, incentivando corridas, aulas de yoga e jantares à luz de velas, e falando na necessidade de mudar hábitos de consumo responsáveis pelas alterações climáticas. Eles nem sabem, nem sonham do que falam. Condição essencial, aliás, para vasto tempo de antena nos media.  

sexta-feira, 24 de março de 2017

Os mitos que nos vão perdendo

Fantasiosos, educativos ou perniciosos, os mitos acompanham a humanidade. E bem nocivos são os mitos portugueses, propalados na palavra dos políticos, na pena dos comentadores e analistas, nas rádios, nos jornais e nas televisões. Repetem-se e reproduzem--se, tal como os deuses da antiga Grécia. E, em termos de deus maior, substituímos Zeus pelo Estado e ao Estado oferecemos hinos, louvores, produtos e sacrifícios.
Um primeiro mito é a liberdade de empreender e de investir. Diz-se que há, mas não há. Continuamos a viver num verdadeiro condicionamento industrial, reflexo de um Estado tentacular que se expressa através de um número infinito de autorizações que constrange vontades e impede o desenvolvimento. Condicionamento diferente, mas não menos danoso do que o da lei de 1952, que visava a regulação do investimento. A prática está tão consagrada que, quando o licenciamento é rápido, em vez de se louvar a diligência, logo surge a acusação de suspeita ou de corrupção a quem interveio na autorização. A liberdade de empreender e investir é um mito em Portugal.
Um segundo mito é a tragédia das falências...
Um terceiro mito é a ecologia radical...
Pode o leitor ver a continuação dos mitos no meu artigo completo no i, no âmbito da Série Por Uma Democracia de Qualidade

quinta-feira, 23 de março de 2017

Pior o ministerial comentário que a eurograçola

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Santos Silva, depois de ter considerado uma graçola o comentário de Dijsselbloem, juntou: “o que se passou com países como Portugal, Espanha ou Irlanda não foi termos gasto dinheiro a mais. Nós, como outros países vulneráveis, sofremos os efeitos negativos da maior crise mundial desde os tempos da Grande Depressão e as consequências de a Europa e a sua união económica e monetária não estar com os instrumentos que nos permitissem responder a todos os choques que enfrentamos...".
Bom, pior o comentário que a graçola. Porque, se esta alertava caricaturalmente para uma má utilização dos fundos europeus, uma óbvia evidência e responsabilidade nossa, o ministerial comentário deita todas as culpas para a Europa. Sugerindo assim que tudo continue igual. Uma completa boçalidade.  

quarta-feira, 22 de março de 2017

Nada de perturbar o politicamente correcto!...

"O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”
Jeroen Dijsselbloem, Ministro das Finanças da Holanda e Presidente do Eurogrupo, ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung
Pelos vistos, Portugal sentiu-se atingido, dado o repúdio unânime da classe política, do governo à oposição. E, na base de que Portugal cumpre, todos invectivam o ministro. 
Não estou a perceber bem: se Portugal realmente cumpre e não pede ajuda, porquê enfiar a carapuça? Ou, se não cumpre, também não consegue encaixar uma simples e politicamente incorrecta caricatura?  

terça-feira, 21 de março de 2017

Tempo novo!...

O presidente do PS da Guarda ameaça tirar "confiança política" ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, se não nomear dirigentes do partido para a gestão hospitalar do distrito.. 
E considera que a escolha de independentes “é o desacreditar do PS em termos distritais”.
Ora aí está o tempo novo!

segunda-feira, 20 de março de 2017

A conversão do Bloco e do PC à especulação financeira

É a partir do Luxemburgo, onde os títulos serão cotados, que arranca hoje a emissão de dívida perpétua altamente subordinada da Caixa Geral de Depósitos, no montante de 500 milhões de euros. Por mim, nenhuma objecção, quer quanto à operação, quer quanto à praça, porventura a melhor para o êxito da operação. 
Mas, quanto à sede da emissão, espanta-me o silêncio do Bloco e o PC, tão críticos quanto a deslocalizações de operações financeiras quando se trata de privados. Significa que já aceitam pacificamente as regras do mercado em que, segundo eles, assenta a grande especulação financeira internacional?   

domingo, 19 de março de 2017

Esta geringonça vai mesmo no bom caminho...

Pensando bem, faço mea culpa ao que tenho dito do governo e julgo que vamos muito bem.
De facto, o PIB cresceu 1,4% em 2016 (até prova em contrário, mas passei a acreditar na geringonça e julgo que não vai falhar…), menos do que os 1,6% de 2015, mas isso é uma minudência.
E tem que se louvar a geringonça que apostou tudo no consumo interno e o fez crescer 2,3% em 2016. Facto é que, em 2015, sem estímulos, cresceu 2,6%. Coisa sem importância, também.
Quanto ao investimento, caiu 0,3% em 2016, quando em 2015 tinha subido 4,5%, o que não apresenta qualquer relevância: para uma geringonça que se preze, menos investimento é menos patronato, logo um inimigo a menos do povo trabalhador.
Bom, e as exportações tiveram em 2016 um aumento espectacular de 4,4%; é certo que cresceram 6,1% em 2015, mas em 2015 não havia crise no mundo, ela só apareceu em 2016 dinamizada pelo  senhor Shauble aliado à grande especulação internacional.
Quanto à dívida pública, aumentou em 2016 um pouco mais de 8 mil milhões, mais ou menos o dobro do défice orçamental, o que também não merece qualquer preocupação especial, 4 mil milhões a mais ou a menos tanto importa. Aliás, até me parece completa perda de tempo exigir explicações sobre a aplicação de tão diminuto valor, que só apostados inimigos da geringonça identificam como pura desorçamentação. Tão sem importância que os juros da dívida a 10 anos tiveram o insignificante aumento de 2,3% para 4,3%, apenas mais 2 pontos percentuais, e o spread em relação à Alemanha passou de 1,845% para 3,849%, mas isso tem que se levar a débito da intratável senhora Merkel.
Por tudo isto, eu faço mea culpa: esta geringonça vai mesmo no bom caminho. 
(Texto inspirado no artigo de João Duque "é uma injustiça, pois é..." no Expresso)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Quem te avisa teu inimigo é!....

Afinal, tanto truque, tanto engano, tanta mentira,  tanta retórica perdida!...A Standard & Poor’s manteve esta sexta-feira a nota de Portugal ao mesmo nível (BB+) do antecedente. Pior, com perspectiva estável, o que indica que a agência conta manter nos próximos tempos a actual notação. 
E o Ministro das Finanças alemão lá vai avisando também...
Todavia, tempo perdido. Agência de rating e ministro já foram zurzidos pela geringonça. Sinais do tempo novo: quem te avisa, teu inimigo é.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Inaptocracia

"...Um sistema de governo onde os menos capazes de governar são eleitos pelos menos capazes de produzir  e onde os outros membros da sociedade são recompensados por bens e serviços pagos pelo confisco de riqueza e do trabalho de um número de produtores em diminuição contínua..."
A definição nasceu em França, et pour cause... E em Portugal?  

segunda-feira, 13 de março de 2017

O envelhecimento demográfico e as políticas públicas

Artigo que publiquei hoje no Público: Nas economias mais desenvolvidas, o fenómeno do envelhecimento demográfico é uma realidade inexorável que está a entrar, cada vez mais, pela casa adentro. Por cá, o assunto não tem merecido a atenção que exige, não apenas pela dificuldade que temos demonstrado de descolarmos do curto prazo, mas também pela falta de visão necessária para o desenho de políticas públicas com objectivos que no médio e longo prazos operem os efeitos desejáveis. (...)
A este propósito, um artigo recente publicado na Harvard Business Review chama a atenção para o papel chave da inovação para o crescimento da produtividade. É aqui que podemos encontrar respostas para fazer face à pressão que o envelhecimento demográfico está a colocar na despesa social e nas finanças públicas.
Entre os que dizem que será suficiente e os que duvidam ou não acreditam, o caminho passa por as populações dos países envelhecidos tomarem consciência da relação entre a solução dos problemas criados pelo envelhecimento e a existência de uma cultura pró-inovação.
Aqui, assumem grande importância as políticas públicas – como acontece na Alemanha e no Japão - que lidam com o assunto de uma forma sistémica, isto é, que têm estratégias nacionais integradas e transversais, intertemporalmente consistentes, fortemente apostadas no investimento na inovação, identificando caminhos para os quais deve ser canalizado o esforço.
É muito importante que as populações tomem consciência do envelhecimento. Não basta saberem que vivem mais anos: é fundamental que compreendam as políticas públicas do envelhecimento e participem nelas, se organizem enquanto sociedade civil, de modo a criar um clima favorável às transformações da economia e organização social. Temos toda a vantagem em sermos protagonistas da mudança.
Antecipar caminhos, dispor de uma estratégia para lidar com as boas e as más notícias é a única via. O pior que nos pode acontecer é o futuro bater à nossa porta e não estarmos preparados para o receber. Apesar de cada vez mais estudiosos investigarem e escreverem sobre o assunto – o que por si só já constitui um aspecto positivo – é necessário e urgente integrar na agenda do País o tema do envelhecimento demográfico.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Uma extraordinária ministra

"...As conclusões preliminares do inquérito (ao desaparecimento de mais de 50 armas da PSP) apontam para falhas de controlo e supervisão..." 
Ministra da Administração Interna, solene e doutoral, anteontem, no Parlamento.
Verdadeiramente extraordinárias, a conclusão e a ministra. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

O ministro porta-voz do reitor

A propósito do cancelamento da conferência na Faculdade de Ciências Humanas, o Ministro do Ensino Superior do governo da geringonça afirmou aos aos deputados que telefonou ao reitor da Universidade Nova e  recebeu a garantia de que não estava posto em causa o direito à liberdade de expressão.
A conferência não se realizou. Mas que é que isso tem a ver com liberdade de expressão, se reitor e ministro porta-voz assim falam tão claramente? 
Certamente, mais um erro de percepção mútuo. Já estamos habituados...

Para reflectir no Dia Internacional da Mulher

Unadjusted gender pay gap, 2015 (difference between average gross hourly earnings of male and female employees as % of male gross earnings)

Uma mulher em Portugal para ter o mesmo ordenado do que um homem tem de trabalhar mais 61 dias no ano, ou seja, mais dois meses. É como se a mulher deixasse de receber os vencimentos relativos aos meses de Novembro e Dezembro e o homem recebesse o ano por inteiro. A situação agrava-se nas profissões mais qualificadas. Um outro dado peculiar é que embora em Portugal as mulheres detenham mais qualificações (licenciatura, mestrado, doutoramento) e, consequentemente, a qualificação adequada para o exercício de cargos de chefia e de topo, continuam a ser os homens a ocupar predominantemente tais cargos. Esta opção “corresponde em muito à inadequada e teimosia persistência do estereótipo socialmente enraizado: mulher/cuidadora da família vs homem/provedor do agregado familiar”.
A situação descrita não é um exclusivo de Portugal, atravessa toda a União Europeia. Há muito trabalho a fazer para mudar mentalidades, especialmente para que as sociedades tomem consciência e desejem tirar partido dos benefícios da diversidade do género. 

Os velhos da Nova

Este episódio da Nova e de Jaime Nogueira Pinto tem os seus lados luminosos. Adverte-nos para a profundidade do que se diz quando se diz que a democracia é coisa frágil. E mostra-nos que fora da encenação do carnaval caem as máscaras e mostram-se as verdadeiras faces.

terça-feira, 7 de março de 2017

A extrema esquerda, dona disto tudo...

Com a chegada ao poder, via geringonça, a extrema-esquerda já se arroga a dona disto tudo. Omnipresente na comunicação social, porta-voz, por antecipação, das decisões governamentais, decide agora que eventos se podem ou não realizar. Como aconteceu com a conferência de Jaime Nogueira Pinto na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nova, liminarmente proibida, em nome, imagine-se, da "democraticidade e inclusividade". Para não entrar em conflito com o novo poder, a direcção da Faculdade cancelou o evento.  
Recomeçou a censura, e logo na Universidade. Logo, virão os saneamentos dos professores. Em nome da "democraticidade e inclusividade", claro está. 

Pensões: evolução da idade normal de reforma

A idade normal de reforma (INR) continua a subir, alinhada com o aumento da esperança média de vida aos 65 anos. Em 2018, a INR vai aumentar um mês, ou seja, será de 66 anos e quatro meses, contra 66 anos e três meses em 2017. 
A INR tem estado a crescer cerca de um mês por ano. Com este ritmo, é expectável que em 2026 atinja 67 anos. É importante ter esta evolução presente para o futuro. Não se trata apenas de uma questão financeira dos sistemas de pensões, é muito mais do que isso. As implicações são vastíssimas, no campo pessoal e familiar, no campo da organização económica e social, etc. 
Antecipar a INR é uma decisão extremamente penalizadora. À medida que a INR aumenta, aumenta o chamado factor de sustentabilidade. A antecipação da reforma está suspensa na Segurança Social, com excepção para determinadas situações de desemprego de longa duração. O mesmo não acontece com a Caixa Geral de Aposentações, os funcionários públicos abrangidos por este sistema público de pensões não têm restrições legais para o fazer. A restrição é financeira devido às fortes penalizações.
Em 2017, antecipar a INR tem um custo fixo de 13,88% ao qual à que somar um custo variável de 0,5% por cada mês de antecipação. A pensão vem reduzida da soma destas duas parcelas. À medida que a INR vai aumentando maior é a redução da pensão para quem não queira (ou não possa) esperar.
Esta evolução deve fazer-nos reflectir se é socialmente aceitável (se é socialmente injusto não o fazermos) criarmos um regime especial para os trabalhadores com carreiras longas – superiores a 40 anos – e com idade ainda longe da INR (por força de terem começado a trabalhar em idade muito jovem). O objectivo é permitir que antecipem a reforma face à INR sem sofrerem as mesmas regras de redução de pensões que estão estabelecidas. Trata-se de despenalizar as carreiras com aquelas características. 
Vejamos um exemplo. Um trabalhador que tem hoje 62 anos e que começou a trabalhar aos 18 anos. Tem uma carreira contributiva de 44 anos. Ou espera pela INR – terá que trabalhar pelo menos mais quatros anos e, portanto, quando se reformar acumulou mais de 48 anos de trabalho – ou, então, se quiser passar à reforma com 62 anos (já tem mais de 40 anos de carreira contributiva) fica sujeito a uma penalização total que ascende a 39,38%. Ou seja, por cada 100 euros perde 39,38 euros. É uma perda vitalícia. 
Coloca-se, também, a questão de saber quem deve financiar o custo de um tal regime especial, necessariamente transitório: se a sociedade em geral, através dos impostos, se a Segurança Social através das contribuições/pensões das actuais e futuras gerações de trabalhadores no activo. Não tem resposta fácil.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Contas externas em 2016: (bem) melhor que esperado...como interpretar?


1.   A divulgação pelo BdeP, na corrente semana, do resultado das contas externas para 2016, revelou uma surpreendente melhoria do saldo externo global (Balança Corrente + Balança de Capital): um superavit de € 3.154,4 milhões, superior em quase € 1.000 milhões ao registado em 2015 (€ 2.233,3 milhões).

2.   A melhoria do saldo global ficou a dever-se, inteiramente, ao forte aumento do saldo da Balança Corrente – que atingiu € 1.556,3 milhões contra € 123,9 milhões em 2015 – posto que se verificou uma diminuição do saldo da Balança de Capital, de € 2.109,4 milhões em 2015 para € 1.596,1 milhões em 2016.

3.    No tocante à Balança Corrente, registaram-se as seguintes variações:

(i)                 A rubrica Bens e Serviços apresentou um superavit de € € 4.065,2 milhões, superior em € 900 milhões ao de 2015;

(ii)               A rubrica Rendimentos (Primário + Secundário), exibiu um défice de € 2.518,9 milhões, inferior em € 522,5 milhões ao de 2015.

4.      Cumpre destacar, nos Bens e Serviços, o forte aumento do superavit dos Serviços, que passou de € 12.435,5 milhões em 2015 para € 13.140,8 milhões em 2016 (+ € 705,3 milhões), mais do que explicado pela melhoria na rubrica Turismo, que registou um excedente de € 8.830,6 milhões, superior em € 991,7 milhões ao de 2015.

5.     Quanto aos Bens, o défice (crónico, recorde-se), foi pouco inferior ao de 2015: € 9.075,6 milhões em 2016 face a € 9.270,1 milhões em 2015.
Neste caso, a acrescida “bonanza” dos preços do petróleo explicará a totalidade da diminuição.

6.    Comecei por dizer que este resultado, bem melhor que o esperado, surpreendeu pela positiva, destacando o que se passou com a diminuição do saldo negativo dos Rendimentos: em Julho este saldo negativo evidenciava ainda um agravamento de € 1.200 milhões em relação ao ano anterior e, no final do ano, como referido em 3., o saldo negativo registado caiu € 522,5 milhões! 

7.     Como interpretar estes números globais tão favoráveis? Uma explicação plausível consistirá no facto de a restituição de rendimentos às Famílias, via OE, não ter sido, em termos líquidos, tão expressiva como se pensará, em consequência da punção fiscal, nomeadamente em sede dos impostos indirectos.

8.     A Balança de Pagamentos constitui o termómetro mais fiável do carácter mais ou menos expansionista da política económica (a orçamental, no caso em apreço), não se engana...

9.    Basta notar que em 2015 o superavit da Balança foi inferior ao de 2014 em € 375 milhões, apesar da “bonanza” dos preços do petróleo e dos fortes ganhos no Turismo…o que reflectiu o expansionismo da política orçamental, após a saída da Troika…

10.  Veremos o que nos reserva o ano 2017...

      

 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Os "apagões" fiscais...

Num país em que a carga fiscal para o comum dos cidadãos é brutal, não pode haver dúvidas de que dez mil milhões de euros que foram transferidos para paraísos fiscais não foram tributados. Não foram tributados e foram “apagados” da estatística que divulga as transferências para paraísos fiscais, quanto a montantes e praças off shores escolhidas. A que se devem estes “apagões” desta dimensão? São dois problemas: omissão de divulgação estatística e ”fuga ao fisco”. A Autoridade Tributária anda distraída? Apurem-se responsabilidades, digo eu. O problema é que quando se trata de o fazer perdemos, na maioria das vezes, o rasto aos acontecimentos. Este é um caso em que se exigem explicações, se os dez mil milhões não foram tributados pois que sejam. Preferia que tudo isto não passasse de um equívoco noticioso e que, afinal, tudo tivesse sido feito como manda a lei.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Vai tudo bem, geringoncemos, pois!...

Vai tudo bem no reino da geringonça. O PIB terá crescido 1,4% em 2016, menos do que as previsões de 1,8% do Orçamento de Estado, e apenas quase metade do previsto no insigne documento Uma Década para Portugal de Mário Centeno e dos seus economistas do PS. E, pasme-se, menos do que os 1,6% de 2015, tempo em que vigorava a austeridade que agora acabou.
Bem, e nesta linha de crescimento, o consumo público cresceu 1%, quando era previsto diminuir 0,4%.  Com um impetuoso crescimento negativo de -1%, distinguiu-se o investimento, quando era estimado crescer positivamente 7,8%, repete-se, 7,8%. E as exportações ficaram-se por um aumento de 3,7% quando a previsão era de 5,9%. 
A geringonça não acertou numa, mas ainda bem. É que, assim, conseguiu o feito de diminuir o défice, situação que, nos seus cálculos, só aconteceria dentro dos pressupostos falhados. Pela lógica, se o investimento aumentasse, as exportações crescessem com redobrado vigor e o PIB disparasse, lá se agravaria o défice. 
O país da geringonça tem assim razões para fartamente geringonçar. 

Serviço Público

Com a devida vénia ao Rui Rocha, deixo aqui o gráfico que ele elaborou com o bondoso propósito de auxiliar quem, na geringonça, assume o ingrato papel de ter de justificar os êxitos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Comissão de Inquérito: mas que mais é que há a provar?

Depois dos partidos da geringonça terem vetado o acesso aos emails trocados entre Centeno e António Domingues, no âmbito da Comissão de Inquérito à Caixa, parece que o PSD e o CDS irão propor nova Comissão para tratar especificamente do tema. Estão no seu direito. 
Todavia, depois de Marcelo ter aceitado a confiança do 1º Ministro no Ministro das Finanças, Mário Centeno, apenas por estrito interesse nacional, ficou tudo dito e devidamente explicado. Aliás, se o processo fosse transparente e simulação não houvesse por parte de Centeno e do governo, o PS e os partidos agora amigalhaços seriam os primeiros interessados em publicitar a correspondência oficial de Centeno. Mas não estão, o que significa que a divulgação só ampliaria a mentira, a hipocrisia e a cobardia do governo neste processo. António Domingues confiou numa geringonça que, para salvar a face, o condenou como réu no processo.   
Assim, e feita já a prova por esta via, uma nova Comissão de Inquérito nada vem trazer de novo. Pois que mais é que há a provar?

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Mais uma mentira: 2016 não foi o mais baixo défice de sempre

É mentira que o défice orçamental de 2016 tenha sido o mais baixo de sempre. Aliás, apenas mais uma mentira da geringonça. 
O défice mais baixo ocorreu em 1989, era Cavaco 1º Ministro e Miguel Cadilhe, Ministro das Finanças, culminando uma curva de 4 anos de melhoria consecutiva dos indicadores das finanças públicas.
Não sou eu que o diz. Quem o explicita é o insuspeito Paulo Trigo Pereira, Deputado socialista e um dos economistas que elaboraram o Programa do PS, no trabalho Estratégia Orçamental para o Crescimento e Emprego. Lá está, no gráfico da página 3 desse trabalho. Pena não poder reproduzi-lo aqui, mas fica o link.
Se se falasse apenas de défice primário corrente a conclusão seria idêntica. De facto, o investimento público sofreu em 2016 a maior queda de sempre ( uma contradição para os partidos da geringonça que tanto o defendem...). O investimento público desceu tanto, que pode começar a pôr em causa o funcionamento mínimo de alguns serviços públicos ou a própria utilização sem risco de obras viárias (pontes, por mero exemplo) por falta de manutenção adequada.
Enfim,e afinal eram outros que iam para além da Troyca?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Vamos lá a ver se a percepção fica mais clara...

O Presidente da República aceitou, em nome do “interesse nacional”, a decisão do primeiro-ministro de manter Mário Centeno no cargo de ministro das Finanças. 
Ficou tudo dito. Incluindo que o interesse nacional é perfeitamente compatível com as dificuldades de percepção (que duraram meses...) que o Ministro agora reconheceu... 
Bom...quanto a mim...tenho é que cuidar da minha percepção!...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A ministerial inocência

Eu também acho que o Ministro das Finanças não assinou nada a respeito da nomeação do Dr. António Domingues para a Caixa Geral de Depósitos. Muito menos fez ou mandou fazer um Decreto-Lei, isentando-o, como certamente por lapso referiu, de apresentar Declaração de Rendimentos e de Património no Tribunal Constitucional. Nem mesmo convidou o Dr. António Domingues. Creio mesmo que o Ministro nem fez qualquer declaração sobre o facto, salvo o lapso de ter dito o que veio a dizer que não disse. E até é certo que após isso não disse mais uma palavra, deixando-a para o 1º Ministro e para o PR. E nem sei se o Decreto-Lei foi mesmo publicado. E nem houve qualquer troca de correspondência sobre as condições que o Dr. António Domingues colocou para exercer a função. 
Nada, nada se passou que envolvesse o Ministro. A verdade, afinal, é que o Dr. António Domingues, não vendo quem mandasse na Caixa após a saída do anterior Presidente, se apresentou no Banco público por sua alta recreação. E ainda queria ser dispensado de apresentar as Declarações? Só mesmo num reino da geringonça!...

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Grécia novamente no fio da navalha...


1.     A Grécia volta a ser notícia, e novamente por más razões : um conflito de posições entre a União Europeia e o FMI quanto às condições necessárias para que o Fundo participe no programa de resgate em curso põe em risco a continuação desse Programa e, por arrasto, a solvabilidade externa do País e a permanência no Euro.

2.    Comecemos por alguns dados curiosos da situação grega, esta semana divulgados pelo FMI:

(i)              50% dos particulares que são titulares de rendimentos (teoricamente) tributáveis, não pagam imposto;

(ii)             défice do sistema de pensões ascende a 10,5% do PIB, quádruplo do valor médio na Zona Euro;

(iii)            créditos em incumprimento (NPL’s) no sistema bancário representam 45% do total do crédito (em Portugal este rácio é de cerca de 12% e, como se sabe, os NPL’s são considerados um problema de enorme gravidade);

(iv)            dívida pública atinge cerca de 180% do PIB, de longe o valor mais elevado na Zona Euro;

(v)            taxa de desemprego em 23%, a mais alta da Zona Euro.

3.     Posto isto, convém recordar que a Grécia vai no 3º Programa de Ajustamento consecutivo, desde a crise financeira internacional, tendo este começado em Agosto de 2015, com o apoio do Mecanismo Europeu de Estabilidade, o qual se comprometeu a mutuar € 88 mil milhões, em condições excepcionalmente favoráveis, sendo € 63 mil milhões para apoio das finanças públicas e € 25 mil milhões para recapitalizar o sistema bancário.

4.     Em contrapartida do apoio recebido, a Grécia (governo) comprometeu-se a implementar um conjunto de reformas, nomeadamente na reestruturação do sistema fiscal e na promoção de privatizações, cujo cumprimento até à data tem sido “mixed”, para dizer o melhor.

5.     Aquando da negociação deste 3º Programa, ficou prevista a participação do FMI, tanto para assumir uma parte do apoio financeiro como para fiscalizar o cumprimento das reformas prometidas.

6.    Passaram 18 meses…e nada de o FMI se decidir a participar, o que deixa alguns países europeus bastante nervosos, em especial a Alemanha e a Holanda,  que consideram a participação do FMI essencial para garantir o efectivo cumprimento das reformas acordadas.

7.    O FMI tem condicionado a sua participação à aceitação prévia, pelos responsáveis da zona Euro, de uma reestruturação da dívida grega, pois considera que a Grécia não conseguirá gerar excedentes os orçamentais primários previstos no 3º Programa (3,5% do PIB) pelo que o serviço da dívida se tornará cada vez mais insustentável, até à implosão.

8.    Os responsáveis europeus, nomeadamente os do MEE, discordam do FMI, sustentando que a Grécia será capaz de cumprir aquele objectivo orçamental e que não é altura de falar em reestruturação da dívida grega…(na Alemanha e na Holanda este tema dá muita força aos movimentos populistas, anti-Euro, e as eleições estão à porta…).

9.    Este braço de ferro entre a Zona Euro e o FMI, caso se mantenha, pode levar a que a Grécia a entrar em “default” no próximo mês de Julho, quando se vencem mais de € 7 mil milhões de dívidas…

10.   Entretanto, as taxas de juro implícitas (yields) na cotação da dívida grega ao prazo de 2 anos – a taxa mais sensível aos riscos políticos – saltaram para 10% e poderão subir ainda mais caso o problema continue sem solução…

11. Cá por casa, alguns intelectuais do regime, revelando um apurado sentido de oportunidade, manifestaram mais uma vez a sua convicção quanto à necessidade de se enfrentar, de uma vez por todas, a temática da reestruturação da dívida pública portuguesa…

      

 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Os debates que estão por fazer...

O Relatório da OCDE sobre a análise da situação económica de Portugal, divulgado esta semana, chama a atenção para o facto de as reformas do sistema público de pensões terem sido feitas à custa das gerações mais novas e dos futuros pensionistas. Quer dizer, a redução da despesa pública com pensões tem sido feita à custa da redução das pensões futuras das gerações actualmente no activo, em particular dos jovens. A factura dos ajustamentos será pelas gerações mais novas.
As pessoas, em geral, não têm consciência desta realidade, não dispõem de informação que permita compreender coisas tão simples como por exemplo: a taxa de substituição (quociente entre a primeira pensão e o último salário) dos trabalhadores que se reformam em 2060 será ligeiramente superior a metade da taxa de substituição dos trabalhadores que se reformaram em 2013.
Não deveria esta simples, mas preocupante, constatação suscitar um debate nacional sobre se este caminho de “ajustamento” que estamos a seguir é, entre outros planos de análise, representativo dos interesses de todas as gerações em presença. Colocando a questão de outra maneira: este caminho salvaguarda a equidade intergeracional? Mas não suscita.
A evolução demográfica a que estamos a assistir, desde há muitas décadas, e os baixíssimos níveis de crescimento da nossa economia, que não vemos que se possam alterar proximamente, deveriam interpelar (e ter interpelado) o país para esse debate. A demografia e a economia influenciam o futuro das pensões, mas a forma como actuamos sobre um sistema de pensões tem, por sua vez, implicações sobre a economia e a demografia.
O ambiente para debater o assunto tem-se vindo a deteriorar, mas a necessidade de o fazer mantém-se.