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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A TSU não tem descanso...

Sou favorável a que a TSU seja utilizada, através de isenções e bonificações específicas, selectivas  e temporárias, para desenvolver políticas activas de emprego, por exemplo para promover o emprego jovem e o emprego de desempregados de longa duração. Temos recorrido bastante a estas políticas. Pouco sabemos, efectivamente, sobre a sua eficácia. Não temos a boa prática de avaliarmos – antes e depois – os resultados económicos destas (e de outras) políticas. Somos um país com fracos recursos financeiros e um mar de problemas económicos e, portanto, deveríamos avaliar criteriosamente as medidas que desenhamos, não apenas porque é necessário prestar contas, mas também porque há que aprender para eventualmente corrigir e fazer melhor. 
Já a redução da TSU para financiar o SMN (salário mínimo nacional), designadamente os seus aumentos, é diferente. Esta medida não se destina a proteger grupos de risco ou a criar novos empregos. Destina-se a subsidiar rendimento. Uma prática reiterada desta medida significa discriminar a TSU em relação aos salários mais baixos ou aos salários mais altos, depende de como queiramos ver a questão. O resultado, qualquer que seja o ângulo de vista, é o mesmo: a TSU deixa de ser uma taxa única, passa a ser diferenciada dependendo dos montantes dos salários. 
Há países que adoptaram estruturas diferenciadas de contribuições sociais, com maior ou menor progressividade. A opção por estas estruturas contributivas implica uma outra lógica e não se compadece com soluções avulsas e isoladas. Para que os salários mais baixos paguem menos TSU, os salários mais altos são mais penalizados, seja por via da TSU seja por via dos impostos. Tudo isto tem de ser efectivamente ponderado pelo seu impacto económico e social. 
Portanto, não está tanto aqui em questão a discussão se deve ser a Segurança Social, através das contribuições e das pensões, ou se deve ser o Orçamento do Estado, através dos impostos e de “políticas redistributivas” ou políticas económicas, a financiar o SMN. Os efeitos do financiamento não termina no ano em que a medida tenha lugar, ainda que a sua aplicação possa ser limitada no tempo. O que deveríamos estar a discutir são os efeitos a médio e longo prazo da evolução dos salários e da produtividade na competitividade da economia portuguesa. Aumentos salariais também significam responsabilidades futuras para o sistema público de pensões que alguém, agora e no futuro, vai ter de pagar. Se estes aumentos são artificiais e não acompanham a produtividade da economia tanto pior. Ou seja, mais uma vez devemos reflectir sobre a sustentabilidade deste tipo de medidas pelos efeitos que geram. 
Toda a discussão mediática e política a que estamos a assistir desfocou-se da questão central. Uma coisa é muito clara: o SMN é baixo. Precisamos de nos preocupar, sem dúvida, com as condições de vida dos trabalhadores e das famílias que auferem baixos rendimentos. Temos que fazer por isso. Mas o caminho, já sabemos, passa necessariamente por mais e melhor economia, precisamos de melhores qualificações, precisamos de melhores empresas, gestores e investidores, precisamos de mais cooperação política, económica e social. Por isto mesmo, há que ser muito exigente quanto aos fundamentos e efeitos a prazo das medidas que se tomam.

República unitária e corporativa

Reúnem-se as corporações com o governo para acertar a negociação do produto. Obtendo o preço desejado, com benefício imediato, mas cedendo no valor da taxa social, que os mesmos sofrerão a prazo,  o governo contentou as corporações e decretou o cumprimento do acordado. 
Esqueceu que o Parlamento tem a decisiva palavra e não concorda com o tratado. Entra a comunicação social comandada em acção, em defesa do poder corporativo e combatendo o poder eleito. Com uma notabilíssima distinção: os deputados do Bloco e do PC, que sustentam a geringonça mas votam contra, estão certos; o PSD, que é oposição, e naturalmente contra vota, prejudica a concertação para todo o sempre. É este o estado (corporativo) a que chegámos...
PS: Outros, um subido ministro da geringonça, chamou-lhe feira de gado.Talvez para evitar que o preço subisse à Assembleia da República...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Da série ´Grandes Equivocos das nossas Iluminadas Elites´

Muita coisa não bate certa na apreciação das condutas dos partidos e dos seus dirigentes. Vai por aí uma onda de indignação contra Passos Coelho por causa da sua posição sobre a descida da TSU negociada entre o Governo e os parceiros sociais (embora me tivesse parecido que o que existiu foi um simulacro de negociação, já que o Governo se esteve borrifando para a opinião do patronato sobre a inoportunidade da subida do salário mínimo desacompanhada de um aumento da produtividade, interessando-lhe somente saber do que é que tinha de abrir mão na augustiana "feira do gado"). Para esta onda contribuem comentadores, analistas, antigos políticos, políticos no ativo, jornalistas tidos como isentos e os outros que não fazem esforço em disfarçar o seu partidarismo, o PS, o BE, o PCP, certamente esse expoente de coerência que é o PAN. E algumas personalidades do PSD, que, por o serem, veem a sua posição sublinhadíssima. Mas vamos lá ver: então não é suposto que um governo minoritário negoceie previamente os apoios políticos a medidas que necessitem de uma maioria política? Não tendo o PS ensaiado qualquer acordo prévio com o PSD sobre as condições para o eventual aumento do salário mínimo, é de exigir ao PSD - que a nada se vinculou - que apoie agora uma medida para a qual o maior partido da oposição não foi ouvido nem achado? Bem sei que o Governo atual só se sustenta se existir alguma bonomia na apreciação dos seus atos e omissões. Mas a democracia pluripartidária, que é adversarial por natureza, tem regras e convenções. Uma delas, óbvia, é a de que o governo conta com a maioria que o apoia, não conta com a oposição. Salvo se, tratando-se de questão que careça de uma maioria de apoio diferente da maioria de suporte, obtiver, através de negociação prévia, um mais amplo consenso parlamentar. Onde fica o valor da concertação social? Precisamente onde deve ficar. Não é, como bem o PS sabe, o de se substituir à democracia representativa e aos seus mecanismos. É o de lhe acrescentar participação social. No more, no less.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Diz que governa Portugal!...

O PS tem contas penhoradas por falta de pagamento de rendas, dizem a SIC e o Expresso.
E governa as finanças públicas do país. Pior, diz que governa Portugal.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Monte dei Paschi: mais pedagogia?


1.    Em último Post, destaquei o potencial efeito pedagógico da solução (3/4 "bail out" + 1/4 "bail in") que visa recuperar o banco Monte dei Paschi di Siena (MPS): que este episódio servisse de reflexão aos insaciáveis reguladores europeus quanto ao enorme dano que poderão estar a causar ao sistema financeiro, com excessos regulatórios injustificados,  paradoxalmente colocando em risco o objectivo da estabilidade financeira e minando mesmo a confiança no Euro.

2.     Entretanto, o episódio MPS conhece agora novos desenvolvimentos, com a proposta para a divulgação pública dos créditos em incumprimento (NPL’s) mais significativos, que contribuíram para a perda de valor do banco e colocaram mesmo em risco a sua sobrevivência.

3.    Muitos desses créditos terão tido origem mais do que duvidosa, tendo a sua concessão resultado de influências políticas para apoiar empresas ou projectos sem viabilidade ou, pelo menos, de viabilidade não demonstrada…

4.     As opiniões em Itália dividem-se quanto a essa divulgação, mas a corrente majoritária parece favorecer tal divulgação, até como mecanismo preventivo da repetição de tais práticas, tanto no MPS – que doravante fica sob controlo público - como noutros bancos ainda sujeitos a influência política.

5.    Essa divulgação, sendo questionável no plano estricto da protecção do sigilo bancário – embora, lá como cá, seja lugar comum a sua violação sem quaisquer responsabilização para os seus autores – poderá ser justificável em nome do interesse público, nomeadamente para isolar a gestão dos bancos de influências políticas totalmente indesejáveis…

6.    Será que, mais uma vez, o episódio MPS vai fazer pedagogia no universo financeiro europeu?
 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As injustiças sociais escondidas no labirinto legislativo...

As leis são tão labirínticas que não é difícil cometerem-se injustiças sociais. A inovação que tem sido, e bem, introduzida na gestão dos serviços públicos de modo a facilitar a vida dos cidadãos é, evidentemente, bem vinda. Mas nem sempre é capaz de ultrapassar as burocracias instaladas. 
O caso trazido a público nesta notícia "Idosos que se mudem para casa dos filhos perdem isenção de IMI" põe a nu, justamente, as falhas de um tal sistema que de tão complexo dificulta o seu controlo e os resultados por vezes de certas decisões políticas. 
É essencial prevenir este tipo de injustiças sociais, já nos bastam as outras, e cuidar de as reparar sem demoras ainda que para isso seja necessário de novo legislar, ainda que contribuindo, porventura, para alimentar o labirinto legislativo em que nos habituámos a viver.

Uma geringonça cada vez mais cara e desacreditada

O sucesso ou fracasso da geringonça vai-se medindo pelo preço da dívida pública. Ontem, fez uma emissão a 10 anos, e a taxa que conseguiu foi de 4,22%. Há precisamente 1 ano, a taxa para emissão similar foi de 2,97%. O preço de Janeiro de 2017 foi 42% superior ao de Janeiro de 2016!...
Também em Janeiro de 2016, a geringonça foi ao mercado, numa emissão a 30 anos, a uma taxa de 4,13%, inferior à actual a 10 anos. 
Dizem os responsáveis governamentais que o aumento das taxas é generalizado e não se circunscreve a Portugal, escamoteando demagogicamente que o spread que mede o risco Portugal se multiplicou várias vezes em relação ao risco Espanha e Itália. E que este aumento do spread, que coloca Portugal na liderança isoladíssima da subida dos juros na Zona Euro, é a prova provada de que, malgrado o discurso bacoco, a geringonça está cada vez mais cara e mais desacreditada. 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Monte dei Paschi di Siena: um mini "bail-in" pedagógico ?


  1. Escrevi  há poucas semanas que uma eventual operação de resgate/resolução do MPS poderia ter consequências políticas de largo espectro em Itália, pelo impacto que as perdas impostas a pequenos obrigacionistas teriam na opinião pública, reforçando o crescente sentimento antieuropeísta (ou anti Euro).
  2. Parece que as autoridades europeias e italianas terão sido sensíveis a essas potenciais consequências, tendo encontrado, não sem bastante atrito, uma solução de mini “bail-in”, sob a capa de uma recapitalização cautelar, com apoio do Estado, que afasta, para já, os receios de impacto político.

3.   Na solução encontrada, os pequenos obrigacionistas nada irão perder; mais do que isso, os pequenos detentores de obrigações subordinadas emitidas pelo MPS irão mesmo receber, em troca desses arriscados créditos, obrigações seniores que os afastarão da zona de créditos de maior risco.

4.    Ao mesmo tempo, o Estado Italiano irá investir cerca de € 6,5 mil milhões (através de um Fundo de Resgate), verba que, somada ao sacrifício imposto a accionistas e   obrigacionistas institucionais, permitirá atingir € 8,8 milhões, montante  de reforço dos capitais próprios que o BCE/MUS considera indispensável para o MPS cumprir satisfatoriamente os rácios de fundos próprios.

5.     Quer isto dizer que o sacrifício imposto a accionistas e credores (obrigacionistas) institucionais, se deverá limitar a € 2,3 mil milhões, quando a regra da resolução pura e dura teria imposto perdas de mais de € 13 mil milhões a accionistas e credores como condição para que a ajuda do Estado fosse viável.

6.    Já ouvi dizer que na zona Euro e em particular nesse monstro regulatório em que está transformada a União Bancária, existem regras que só são aplicáveis, com rigor, em alguns países (Portugal, por exemplo)…

7.       …e que para para os países com maior peso específico essas mesmas regras são aplicadas “a feitio”, de modo a não colocar em causa delicados equilíbrios políticos.

8.     Até poderei concordar com essas observações mas, com franqueza, considero que episódios como este poderão ter a grande virtude de chamar à razão toda uma teia de reguladores europeus a quem parece estar a faltar, em grau preocupante, o sentido do equilíbrio e do bom senso…

9.     Será que existirá clarividência para corrigir os excessos cometidos? Esperemos que sim…pois, se assim não for, a regulação arrisca-se a constituir, paradoxalmente, o principal factor de instabilidade financeira, o que ninguém poderá aceitar.

Mário Soares

Morreu Mário Soares, um vulto da nossa política. Critiquei aqui no 4R muitas das suas palavras e dos seus actos,o financiamento público da sua Fundação privada, o tom dos ataques destemperados a Cavaco Silva na última campanha eleitoral para a Presidência em que também foi candidato.
Mas lembro-me da sua luta pela democracia, da Fonte Luminosa, dos debates com Álvaro Cunhal. E, em situação de crise política e social, dos acordos de governo feitos entre o PS e o CDS e, depois, entre o PS e o PSD, para salvar o país. 
Creio bem que, com Mário Soares, um governo da geringonça nunca teria lugar neste país. 
Que descanse em paz. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Sem conserto

Uma Concertação Social que um destacado ministro compara a "uma feira de gado" não é concertação, é uma coisa sem conserto. Tão sem conserto que nem as confederações sindicais se concertaram para desconsertar o insigne autor.  
Mas como as esquerdas também não desconsertaram o ministro, aquilo é capaz de ter sido mesmo uma feira. Sem qualquer conserto.

Declaração

Aqui ao lado, n´O Insurgente, Mário Amorim Lopes desvincula-se da saudação presidencial ao povo cubano pelo aniversário da revolução. Estou com ele. Só para que conste, também eu me excluo deste voto e dos que celebrem atos de imposição de ditaduras, de esquerda ou de direita.
E já agora, como a saudação é feita ao povo cubano, sempre acrescentarei que é esse o povo que há muito merece viver num clima de liberdade, neste clima que consente que, sem sanção, se possam louvar ditaduras e os opressores.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Hipocrisia e cobardia

António Domingues confirmou ontem no Parlamento, preto no branco, que a dispensa da apresentação da Declaração de Património e Rendimentos tinha sido condição sine qua non aceite pelo Governo com vista à nomeação da Administração da Caixa Geral de Depósitos, da qual foi designado Presidente.  Nada, aliás, que não se soubesse já.
Ficou assim confirmada a atitude hipócrita e sem ponta do coragem dos responsáveis governamentais que nunca assumiram a garantia dada, refugiando-se em meias palavras e eufemismos reveladores de uma cobardia sem limites.  
Se mais não houvesse, o Ministério das Finanças revelou tudo, menos ser uma entidade confiável. Interna e externamente. Ainda hoje, os yields da dívida a 10 anos subiram acima dos 4%.  

domingo, 1 de janeiro de 2017


1.     O desempenho das contas externas até Outubro revela uma margem de segurança ainda bastante confortável.

2.     Com efeito, o saldo global das Balanças Corrente e de Capital apresenta um excedente de € 2.281,8 milhões, inferior em 16% ao do mesmo período de 2015, que atingia € 2.707,4 milhões.

3.     Curiosamente, a diferença entre os saldos globais em 2015 e em 2016 advém, exclusivamente, da Balança de Capital, posto que os excedentes da Balança Corrente são quase exactamente iguais: € 1.031,1 milhões em 2015 e € 1.031,7 milhões em 2016.

4.     O comportamento da Balança Corrente em 2016 é resultado (i) de uma melhoria de € 941,7 milhões no excedente da Balança de Bens e Serviços, em boa parte imputável aos Serviços, com destaque para o Turismo, e (ii) de um agravamento, de montante quase idêntico, no défice da Balança de Rendimentos (€ 941 milhões).

5.     Já no tocante à Balança de Capital, o excedente em 2016, de € 1.250,1 milhões, é inferior em 25% ao registado em 2015 (€ 1.676,3 milhões), provavelmente como consequência do menor investimento, tanto público como privado.

6.       Que conclusões se poderão extrair deste comportamento das contas externas?

7.    Em primeiro lugar e como logo de início referi, a situação mostra-se confortável, talvez para surpresa dos que poderiam esperar bem pior de uma política que parecia apostar forte no fomento da procura interna (como aconteceu, por mais que uma vez, nas últimas décadas).

8.    Em segundo lugar, que a dinâmica de recuperação das contas externas verificada nos últimos 4 anos adquiriu uma inércia considerável, que uma política de moderada expansão da procura interna, como a de 2016, não é susceptível de por em causa, nomeadamente enquanto persistirem o boom” turístico e os preços ainda baixos do petróleo.

9.    Finalmente, e este será o aspecto menos favorável, que a fraca dinâmica do investimento, que se reflecte directamente na Balança de Capital, terá ajudado também a Balança de Bens.

10. Em resumo e conclusão, não existem sinais de alarme por ora, vejamos o que 2017 nos reserva.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Não é nova, mas é uma boa ideia...

Em Abril de 2007, e em outras ocasiões a propósito do desenvolvimento do sector do turismo, escrevi: Privilegiar o investimento no património histórico, estou convencida que constituiria um motor de desenvolvimento económico e social, pela actividade económica que induz, pela atracção de investimento privado e pela criação de postos de trabalho e novos pólos de atracção e animação turística, a par de um motor de desenvolvimento sustentável em que se combinam de forma coerente e planeada objectivos económicos e sociais, urbanos e ambientais, culturais e patrimoniais. 
Registo, portanto, com agrado, a decisão do governo de levar por diante um programa de recuperação e valorização de património cultural e histórico através do turismo. É à partida uma boa ideia. A abertura de património histórico ao turismo não é, aliás, uma novidade. As Pousadas de Portugal, que estão hoje sob a gestão do grupo Pestana, são o primeiro exemplo do género em Portugal. 
Trata-se de património que o abandono e o tempo se encarregaram de degradar. São trinta edifícios outrora com funções muito distintas espalhados pelo país. Alguns deles, na minha apreciação, magníficos pela sua beleza e localização. 
O investimento na reabilitação para fins turísticos permitirá a sua recuperação para fruição pública ligada a actividades turísticas. Com esta intervenção os monumentos abrangidos terão uma nova vida. É a única forma de serem úteis ao País. É, afinal, uma parte da reconciliação que temos de ir fazendo com a nossa história. 
Espera-se que a reabilitação respeite a identidade e memória dos monumentos. E espera-se que as concessões a privados - que incluem o investimento e a exploração - sejam transparentes, defendam o interesse público e contribuam efectivamente para a diversificação e sustentabilidade da actividade económica que é o turismo.

Bom Ano Novo

(...)
Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis | Crisálida

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Os reis do gado

Imaginem, por exemplo, Rui Machete, MNE, descontraído num encontro entre companheiros de partido referindo-se desprimorosamente a um grupo de pessoas com as quais o governo tinha de lidar. Imaginem que essa conversa tinha sido captada pela indiscrição criminosa de uma câmara de TV. Aposta-se que ninguém condenaria a TV por captar conversas privadas à socapa, sem autorização. O que também se adivinha é que, no momento seguinte à divulgação das imagens e do som, toneladas da autoridade moral da esquerda se abateriam sobre o senhor, exigindo, no mínimo, o abandono do governo, se não mesmo a cabeça do PM. Por certo a intervenção do PR para repor a normalidade das instituições democráticas. Durante dias, os media ampliariam protestos e indignações, não restaria pedra sobre pedra, nem no Carmo nem na Trindade. E os visados haveriam de rasgar as vestes, uma e outra vez, achando as desculpas insuficientes e o ministro a mais, recusando sentar-se à mesma mesa enquanto não fosse reparado o desaforo.
Não é preciso imaginar uma cena destas com o atual MNE porque aconteceu. Entre a hipótese e a realidade, uma só coincidência: ninguém, mesmo ninguém condena a TV que captou uma conversa privada e a divulgou sem autorização. Mas a conversa revelada, põe a nú a mais absoluta grosseria. E no entanto, vestes intactas, esgar tímido dos visados - talvez porque habituados a obediências e transumâncias -, esquerda sorridente com o episódio pois à esquerda os valores mudam de tonalidade.
Depois disto, valha-nos a certeza de que o povo nunca mais vai olhar para uma reunião da concertação social com os mesmos olhos...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Mistério e milagre nas contas públicas

O défice publicitado do Estado e das restantes Administrações Públicas atingiu o valor 4,3 mil milhões de euros, com referência aos primeiros 11 meses de 2016. 
No entanto, a dívida directa do Estado aumentou 11,1 mil milhões de euros no mesmo período. 
Como a geringonça não consegue explicar, e parafraseando Camões, que venham lá os sábios da escritura a explicar que segredos são estes da natura... E que mistério e milagre envolvem as contas públicas...

A hora dos oráculos


Por tudo quanto é comunicação social inicia-se hoje a longa série de balanços do ano quase findo e de perspectivas para 2017. Depõem as mais reputadas pitonisas, prevenindo-nos contra catástrofes mas prognosticando que nem tudo o que vem lá é mau. Nos domínios da política, é aos analistas que Deus encarrega de nos avisar (Deus, alguns amigos no Governo, no Banco de Portugal, no Ministério Público ou na polícia, um ou outro magistrado mais dado à conversa com aqueles que pertencem a uma classe prestigiada pelas audiências). Ouvindo alguns deles vem-me à memória Cícero numa das suas razões: "É de admirar que um adivinho não ria ao ver outro adivinho".

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Boas Festas

Para os amigos do Quarta República, autores, comentadores, concordantes ou críticos, leitores, e também para os adversários, se é que os temos, os melhores e sinceros votos de Boas Festas de Natal. PS:Os amantes do politicamente correcto não gostarão do presépio, mas a figura de de Jesus, cujo nascimento se comemora, integra indelevelmente a nossa história, cultura e civilização. Excluir o presépio das representações do Natal, pretendendo substituí-lo por figuras anódinas sem conteúdo ou significado é, para além de tudo, um verdadeiro atentado anticivilizacional.  

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Uma TSU ad-hoc

Há um ano, o governo baixou em 1% a TSU dos empresários referente aos trabalhadores abrangidos pelo salário mínimo nacional, medida que constituiu o mais poderoso incentivo para uma prática de salários baixos, que nunca ultrapassem o salário mínimo. Com o acordo de hoje, a TSU baixa ainda mais, 1,25%. 
Mais uma absoluta contradição, agora  entre o propalado palavreado de lutar contra uma política de salários baixos e uma prática brutal de penalização a quem paga salários acima do salário mínimo. 
No fim, os reformados cá estão  para pagar os efeitos de uma TSU ad-hoc, ao sabor das habilidades do momento. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Lesados do BES e da solução

O 1º Ministro anunciou a solução para os lesados do BES e todos rejubilaram. Só não foi dito de onde é que vinha o dinheiro, mas isso pouca importância tem...
PS: António Costa diz que não vem dos contribuintes, Carlos Costa diz que não vem do Banco de Portugal (e, se viesse, vinha dos contribuintes, por corte nos dividendos a pagar ao Estado...), a Associação de Bancos diz que não vem do Fundo de Resolução, o Novo Banco diz que não vem de lá, o que resta do BES não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego...
 

domingo, 18 de dezembro de 2016

O festejo da compaixão

Nestes dias, tenho-me perguntado se os políticos que têm passado pelo Hospital da Cruz Vermelha o fazem por solidariedade, verdadeira compaixão e conforto à família de Mário Soares, ou se procuram o mero objectivo de aparecerem nas televisões. 
A solidariedade é virtude discreta. Cultivam-na as centenas de voluntários que prestam o seu apoio a doentes e famílias nos hospitais, de norte a sul, diariamente e de forma desinteressada. Não têm tempo de antena, não se mostram, mas estão lá. Quanto aos políticos, parece bem que muitos só lá vão para se exibirem.  Tal não fosse, recusariam festejar a visita perante as câmaras. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Antes de mim, o dilúvio...

Faz quarenta anos que se realizaram as primeiras eleições autárquicas, após o 25 de Abril.  Não havia escolas, não havia nada, dizem velhos autarcas no DN.
No 25 de Abril, também não havia escolas, não havia nada...
E no 28 de Maio, nada havia...
No 5 de Outubro, havia a monarquia e nada mais se via...
Antes de mim o dilúvio, continuam muitos a pensar. Demagogia fácil e rasteira. Desde sempre, e hoje mesmo, aqui e agora.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Viva o Metro, que até já tem bilhetes!...

Mais uma extraordinária realização da geringonça. Em 3 meses, tempo recorde, e depois de um ciclópico esforço, conseguiu que as máquinas de vender bilhetes do metro tivessem os ditos cujos, o que não acontecia desde setembro!...
Perante tão fabuloso sucesso, nem vale a pena questionar por que é que os bilhetes se tinham esgotado. Para mim, não tem dúvida: foi o açambarcamento feito pelos sabotadores da economia que se opõem à geringonça. Tudo explicado.
Por feito tão glorioso, Viva o Metro público! E Glória à privativa Geringonça!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Monte dei Paschi di Siena: BCE "playing with fire" ?


1.    Na edição do Financial Times deste fim-de-semana (1º página) pode ler-se o seguinte: “The ECB has rejected a request from Rome to delay a private sector-led rescue for Monte dei Paschi di Siena (MPS), leaving Italy little option but to trigger a government bailout and impose losses on creditors”.

2.    Confesso que me surpreende a decisão do BCE ao rejeitar um pedido de extensão, por mais 5 semanas (justificado pelas dificuldades decorrentes da crise política em que a Itália se encontra mergulhada, após o referendo de 4 do corrente), do prazo para procurar uma solução, aliás em curso, através de capitais privados, para suprir as insuficiências de capital do MPS.

3.   E surpreende-me pelo seguinte: tal como o FT refere, esta rejeição torna quase inevitável uma intervenção de capitais públicos acompanhada da imposição de perdas aos accionistas (na totalidade, o que implica sobretudo perdas para o Tesouro italiano, enquanto maior accionista) e aos detentores de obrigações emitidas pelo Banco.

4.    A questão das perdas a impor aos obrigacionistas – a menos que consigam aplicar tratamento diferente a obrigacionistas que se encontram em posições creditícias exactamente equivalentes, para favorecer os pequenos/médios, o que seria altamente questionável – é politicamente escaldante em Itália, depois de alguns casos semelhantes (mas em muito menor escala) verificados em 2015.

5.      E, sendo politicamente escaldante, não deixará de ser aproveitada por movimentos ditos “populistas”, contrários à permanência da Itália no Euro, que procurarão demonstrar - com provável sucesso - que esta imposição do BCE constitui  mais uma prova de que as instituições europeias não querem saber dos interesses italianos.

6.       Como as sondagens apontam a possibilidade de os movimentos ditos “populistas” virem a obter um forte resultado nas próximas eleições legislativas a realizar nos primeiros meses de 2017, quiçá mesmo a ganhá-las, este episódio do MPS pode dar-lhes o alento decisivo para converterem as boas sondagens em vantagem nas urnas.

7.      E depois lá virão as instituições europeias e seus dirigentes lamentar o surto dos movimentos populistas na Europa e proclamar a necessidade de defender o projecto europeu.

8.      Confesso que não consigo entender isto, mas pode ser que seja defeito meu, pouco clarividente e incapaz de interpretar as superiores razões do BCE…

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Lições da história: o teorema de Pitágoras e o sistema político português



Se não alterarem princípios, práticas e lideranças, os actuais partidos políticos acabarão por desaparecer ou ver reduzida a sua influência. 
Ver mais em artigo no i

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Frase do ano

Pediram-me que escolhesse a frase do ano. Não hesitei. É de Renzi, PM de Itália, em reação aos resultados do referendo do passado fim de semana e em justificação do seu pedido de exoneração: "Quando se perde, não se finge que não aconteceu nada".
Uma frase que não deve ter soado nada bem a alguns dos amigos de Renzi (ou ex-amigos...).

domingo, 4 de dezembro de 2016

Conivência com as ditaduras

Paradoxo é que uma imprensa como a nossa, e particularmente as televisões, tão ciosas, e bem, da sua liberdade de expressão, tenham passado os últimos dias em evocações, longas e laudatórias,  a um sanguinário ditador que, durante décadas, nunca permitiu qualquer liberdade à comunicação social do seu país, censurando tudo e todos e sancionando quaisquer desvios, por mais pequenos e inócuos que fossem. Um tirano que martirizou o seu povo foi erigido pela comunicação social, pelos seus comentadores escolhidos a dedo, e pelo teor das reportagens santificadoras do tirano, a líder carismático, patriota, estadista, farol da humanidade. 
Mas  não é de estranhar tal paradoxo. É que a nossa comunicação social, com as excepções da praxe que só confirmam a regra, é mesmo isso, uma comunicação social a soldo de ideologias que não podiam deixar de aproveitar a oportunidade da morte de Fidel Castro para mostrar o seu pendor e retrato.
E, nesta onda de permissividade das ditaduras de esquerda, também não é de estranhar o voto da Assembleia da República, de pesar pela morte e de louvor pela figura. Mas é de todo inadmissível e intolerável que um partido como o PSD tenha obrigado os seus deputados a absterem-se na votação. Lavar as mãos neste caso é uma conivência com uma tirania feroz que levava à letra o lema: na dúvida, mata-se...

sábado, 3 de dezembro de 2016

O fogo do dragão












Dragão sofre!...
Igual às ideias da geringonça, só a confusão das ideias do Nuno Espírito Santo!...

Primeiro aprova-se, depois logo se verá...

Esta é mais uma daquelas que não se percebe. Que sentido faz num país que se quer abrir ao turismo discriminar a entrada gratuita nos museus entre portugueses e turistas estrangeiros? E contas não se fazem? Não, aprovam-se medidas sem se saber quanto custam. Parece que a medida não é legal porque é discriminatória. Mas a Assembleia da República aprovou a medida. E pronto, depois logo se verá.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Uma geringonça voraz

Agora, o Rio Douro vai ter portagens
A voracidade da geringonça não tem limites e nada lhe escapa. Diz agora que o rio é uma auto-estrada.   
Não tarda e teremos portagens no Tejo, Vouga, Mondego e Guadiana, nas pontes e viadutos e à entrada das localidades. Há que bater recordes, e aumentar ainda mais a carga fiscal, já a maior da União Europeia.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Da série ´espuma dos dias´


Não entendo a indignação que vai por aí por causa do pesar pela morte de Fidel Castro votado na AR. A meus olhos, em especial o PCP mostrou uma enorme congruência com o seu ideário político. Tal como para mim demonstram absoluta coerência os dirigentes comunistas quando abertamente elogiam o regime e o líder da Coreia do Norte. Nada de extraordinário ocorreu, portanto. Mas por outro lado, os que na AR acompanharam o PCP no pesar, seja na forma em que o PCP propôs o voto ou noutras formulações mais na ferradura, não criam convicção capaz de apagar o juízo que a História fará do personagem. No tribunal da História, um torcionário não deixa de o ser porque alguns se manifestam penalizados pelo seu desaparecimento. Continuará a sê-lo porque existem provas concludentes de atentados por si perpetrados contra os mais elementares direitos da humanidade. Proclamações como as que foram feitas no parlamento podem ter efeito branqueador, mas felizmente momentâneo e intrinsecamente insignificante.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

OE de 2017- Uma aposta no decrescimento

A RTP, um dos seus jornalistas, acabou agora de dizer que, passado mais de um mês desde o seu início, chegou ao fim a EPOPEIA do Orçamento!...
Tragédia, digo eu. Um orçamento que não investe nem incentiva ao investimento e à exportação, que se limita a distribuir o pouco que existe, que discrimina entre funcionários e restantes trabalhadores, um orçamento eleitoralista que aumenta vencimentos na véspera das eleições autárquicas, um orçamento apenas virado para a sustentação da geringonça.
E, como corolário e prova, um crescimento da economia inferior ao de 2015. Uma geringonça que continua a apostar no decrescimento. Aposta ganha, sem sombra de dúvida.
PS: Quanto à RTP, bem faria que desse aos seus jornalistas noções básicas dos géneros literários e das suas diversas modalidades. Para não linguarejarem de forma tão ridícula.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Aumento da esperança média de vida, o preço a pagar...

A quem interessar. A esperança média de vida aos 65 anos de idade continua a aumentar. Isto mesmo foi hoje confirmado pelo Instituto Nacional de Estatística. Os portugueses com 65 anos podem esperar viver, em média, mais 19,31 anos (uma subida de 0,12 anos em relação à última estimativa realizada).
Viver mais é uma excelente notícia. Vamos agora às consequências para quem pensa na reforma.
1ª Aumento da idade normal de reforma
Aumenta a esperança média de vida aos 65 anos de idade, aumenta a idade normal de reforma:
Em 2016 – 66 anos e 2 meses
Em 2017 – 66 anos e 3 meses
Em 2018 – 66 anos e 4 meses
Com este ritmo de crescimento, podemos antecipar que a idade normal de reforma aos 67 anos chegará por volta de 2025
2ª Penalização das reformas antecipadas
Aumenta a idade normal de reforma, aumenta o factor de sustentabilidade.
Em 2017 vigorará um factor de sustentabilidade de 13,88%, contra 13,34% em 2016.
O factor de sustentabilidade aplica-se, em regra, às reformas antecipadas, isto é, concedidas antes da idade normal de reforma.
Em 2017 quem se reformar com menos de 66 anos de idade e 3 meses terá uma redução de 13,88% no montante da pensão de reforma calculado.
Mas atenção que por cada mês de antecipação acresce uma redução adicional de 0,5%. 
As reformas antecipadas na Segurança Social estão suspensas, com excepção para quem tenha 60 anos de idade e 40 anos de contribuições e desempregados de longa duração. Não estão suspensas as reformas antecipadas na Administração Pública para os trabalhadores abrangidos pela Caixa Geral de Aposentações.

Da série ´ORÁCULOS´


Quem escutou a análise dominical do senhor Dr. Marques Mendes já sabe que ele vaticinou - com aquela segurança no vaticínio que o torna indispensável, agora que nos falta o Prof. Marcelo no exercício da função oracular -, que será Pedro Nuno Santos a suceder a António Costa depois do atual PM acabar os mandatos como chefe do governo, levando o PS a pugnar pela reeleição do Professor Marcelo em retribuição do apoio à geringonça agora, e a um governo PS de maioria absoluta, depois. O ilustre comentador, porém, pecou por esquecimento, pecado menor. Esqueceu-se do personagem da foto, João Galamba, que se equipara ou mesmo supera em méritos necessários à liderança partidária, o seu camarada Pedro Nuno Santos. Estou quase certo que, na próxima leitura, os astros chamarão a atenção ao Dr. Marques Mendes para o facto de as qualidades de liderança que despontam em Pedro Nuno Santos há muito vêm sendo notadas em Galamba. E o comentador, rigoroso no cálculo do devir, corrigirá.

domingo, 27 de novembro de 2016

Uma atitude digna

Sacaneado por um Governo que não teve a ombridade e a ética de confirmar publicamente a dispensa de entrega da declaração de património, subjacente à sua contrataçao, António Domingues demitiu-se de Presidente da Caixa Geral de Depósitos. Uma decisão do Governo que começou por ser incompetente, esquecendo legislação existente, e acabou como intolerável cobardia.
Perante isto, uma atitude digna de António Domingues, a apresentação da demissão. 
 

sábado, 26 de novembro de 2016

Um ditador

Fidel Castro tiranizou, durante décadas, o povo cubano, em nome de não se sabe bem de quê, que a ideologia não explica tudo. Assassinou ou mandou assassinar milhares de concidadãos, prendeu, torturou, deixou um país pobre, privado de liberdade, presos políticos, uma imprensa controlada e ao exclusivo serviço do partido único.  Um ditador de esquerda, que sucedeu a outro ditador de direita.
Hoje, e ao que fui vendo nas televisões ao longo da manhã, fiquei a saber que, afinal, quem morreu foi o "comandante", o histórico líder cubano, a figura incontornável da história contemporânea, o  libertador da América Latina...
De facto, a esquerda, política e mediática, lava mesmo mais branco...
Era um ser humano, paz à sua alma, aquela mesma paz de que privou os seus concidadãos. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Os precários

A maioria que apoia o governo anunciou que vai incorporar os precários nos quadros dos serviços da Administração Pública. A direita parlamentar, ou pelo menos o presidente do PSD, já anunciou ser oposição também a esta medida. Não se sabe o que a maioria entende por precário. Mas se a medida legislativa tem em vista o conjunto de trabalhadores espalhados pelos diferentes níveis de Administração Pública que satisfazem há largo tempo necessidades permanentes de serviço, sem um vínculo a tempo certo ou incerto; ou visa criar estabilidade - mas sobretudo honestidade - na relação de emprego, creio ser um ato da mais elementar justiça. Como tal, deveria merecer o apoio do todas as formações com voto na matéria. É que não existe - nunca existiu - qualquer moralidade que justificasse que o Estado nas vestes de legislador venha imponho agravados ónus às empresas que apostam por sistema na precarização dos vínculos de emprego, e o mesmo Estado recorra, sem rebuço, à instabilidade da relação de trabalho para suprir necessidades objetivas e duradouras de serviço.
Naturalmente que não se conhecendo os critérios de determinação do universo dos abrangidos e do significado da expressão "integração nos quadros", ficamo-nos pelo aplauso ao princípio. Aplauso que não exclui a razão daqueles que reclamam pela informação sobre quanto vai custar ao País e qual o impacto real na consolidação sustentável das contas públicas. Aí sim,  acompanho a oposição, que deve procurar que a governação se faça sem cedências ao conjuntural, á conveniência e à demagogia fácil, que nos passado recente se revelaram caras para a generalidade de quem sustenta o Estado.

P.S. - Pretensioso me confesso ao imaginar que alguns dos que leem este post pensem que o que nele exprimo é fruto de ingenuidade, pois que, como diz Passos Coelho, as eleições estão próximas e a coisa nada mais é do que eleitoralismo. Pois que seja, mas não há nada de ingénuo na opinião expressa. Este que escreve, pertence aos que não se sentem nada incomodados quando a proximidade das eleições estimula o dever de bem decidir.

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Parvos são eles


Em 30 de junho deste ano, o senhor da foto renunciou ao cargo de administrador do BPI para ser investido presidente do CA da CGD em 31 de agosto. Não são rumores, nem o disse-que-disse habitual na politica, é hoje um facto inquestionável que o Dr. Domingues reuniu, era ainda administrador do BPI, com o supervisor europeu (em 24 de março) e em 7 de abril com a DGCOMP (entidade que apreciou as condições para a recapitalização da Caixa) uma vez, e outra com o mesmo organismo em 5 de julho. Só este último encontro ocorreu depois da renúncia, de qualquer modo antes da investidura na presidencia do banco público. O Governo nega que, mesmo participando nestas reuniões, o senhor tivesse ficado na posse de informação privilegiada. Toma-nos por parvos. Pois porque assim é, importa que se faça perceber que há quem entenda que parvo é quem no governo insulta a inteligência dos portugueses.
Sobre o Dr. António Domingues, começa a parecer insensatez a mais de alguém a quem se pôs nas mãos parte dos destinos de algo muito sério. Só mais uma coisinha: sou sensível à competência que dizem que o senhor tem, muita e comprovada. Porém, como não concebo um competente insensato e imponderado...