Trapalhadas com o PIB...e seus protagonistas
Mas há coisas neste episódio da revisão súbita da previsão de crescimento que são muito curiosas.
Ontem, por exemplo, um dos diários “on line” mais devotados à nobre causa oficial, apresentava este delicioso tratamento do tema:
- Com destaque: “Economia portuguesa converge coma Zona Euro ao crescer 0,9% no 1º trimestre” (confundindo, deliberadamente, crescimento em termos homólogos e em cadeia)
- Mais abaixo, em letra envergonhada: “Lituânia e Portugal tiveram o pior desempenho da União Europeia, com um crescimento negativo de -0,2%”
Sem mais comentários...
É extremamente provável que esta tenha sido a primeira revisão do crescimento do PIB para 2008 e que nova revisão ocorra a seguir às férias de Verão, mais concretamente em Setembro, quando forem divulgados dados do 2º trimestre.
E é bastante provável, atentando no andamento da carruagem económica, que a variação anual do PIB não chegue a 1%.
Acresce que não está excluída a possibilidade de uma recessão, agora em termos técnicos e não apenas na tese mais ousada, há dias sustentada pelo Dr. Miguel Cadilhe e que levou as vestais do regime a unirem-se num comovente coro de desagravo.
Se de facto viermos a cair em recessão técnica - o que acontecerá se o crescimento do 2º trimestre, em cadeia, voltar a ser negativo como o do 1º trimestre - Miguel Cadilhe terá motivos para sorrir e as nobres vestais, envergonhadas, procurarão refugio seguro para exercício de sua dolorosa ascese...
Particularmente curiosa a recentíssima profecia do Gov-BP, em plena Comissão de Economia e Finanças da AR, segundo a qual a economia portuguesa iria crescer este ano PROVAVELMENTE acima da média da Zona Euro e SEGURAMENTE o mesmo que a média da Zona - assim se entrando na sonhada convergência...
Os dados do 1º trimestre apontam exactamente o contrário: enquanto na média da Zona Euro o crescimento foi +0,7%, o “nosso” foi -0,2%.
Para que se cumpra essa generosa profecia, seria necessário que a economia portuguesa acelerasse bastante nos próximos trimestres e que a economia dos outros 14 países desacelerasse fortemente – cenário inverosímil.
É caso para dizer que o Gov-BP anda com pouca sorte (será só?): em Novembro do ano passado garantia que a subida dos preços no consumidor era um fenómeno muito passageiro e que estava excluída uma subida dos juros em 2008...foi o que se viu...
Agora, com o crescimento, é o que se vê...
A propósito, onde para a oposição?













