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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Das técnicas de venda e publicidade

Aqui há uns meses o conceituado jornal A Bola citou um jornal inglês que noticiava que  determinado jogador do Benfica iria ser transferido para um clube de Inglaterra. 
Na sequência, um outro jornal português despropositadamente abelhudo questionou o periódico inglês sobre os fundamentos e a fonte da notícia, tendo obtido como resposta que a fonte tinha sido um jornalista de A Bola.
Agora, e coincidentemente com o retomar da notícia de uma eventual transferêncisa de Centeno para o Eurogrupo, há uma publicação que escreve que Schauble afirmou que Centeno é o Ronaldo da Ecofin. 
Acreditando que não há um resquício, mínimo que seja, de inverdade no facto de a afirmação ter sido feita, estou perfeitamente seguro de que uma busca à fonte da notícia nunca se traduziria em qualquer semelhança com a fonte de A Bola. Embora, e tratando-se em ambos os casos de transferências, haja que publicitar o produto. Enquanto é tempo.

Políticos sem futuro...

Jean-Claude Juncker, Presidente da União Europeia, não tem filhos.
Macron, o novo Presidente francês, não tem filhos.
Angela  Merkel, Chanceler da Alemanha, não tem filhos.
Theresa May, 1º Ministro do Reino Unido, não tem filhos.
Paolo Gentiloni, 1º Ministro da Itália, não tem filhos.
Os 1ºs Ministros da Holanda, Mark Rutte, da Suécia, Stefan Löfven, do Luxemburgo, Xavier Bettel, e da Escócia, Nicola Sturgeon, não têm filhos. 
Notava alguém "o desproporcionado número de responsáveis políticos que tomam decisões sobre o futuro da Europa, mas que não têm participação pessoal nesse futuro..."
De facto, dá que pensar...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mitos e Obstáculos

O país tem vivido de mitos, de tal modo assimilados que já são tomados como realidade. Eles servem a classe político--burocrática instalada que os sustenta e dinamiza, pois lhe trazem retorno eleitoral assegurado.
Mito é pensar-se que o Ministério das Finanças é o Ministério das Finanças do país quando geralmente tem sido apenas o Ministério das Finanças das administrações públicas, ou até só de algumas, ou unicamente do setor público estatal. Para melhor servir tal objetivo, o Ministério das Finanças tornou-se tentacular, comandando ou influenciando decisivamente cada vez mais áreas e organismos, acentuando a prevalência do Estado na esfera económica e tornando clara a subordinação da economia real à lógica das administrações públicas e do calendário eleitoral. Prova é a política fiscal, concebida ao exclusivo serviço do Estado e ao arrepio da economia, ou a política orçamental, ao serviço dos interesses das burocracias instaladas e dos partidos do poder. O Ministério das Finanças, salvo honrosas exceções ou mercê de imposição externa, tem-se constituído como o grande patrono dos interesses burocráticos e partidários, prodigalizando-lhes o dinheiro que retira à economia, ao investimento, à formação e reorganização empresariais, e, assim, à produtividade e inovação...
(se interessar, continuar a ler, meu artigo no jornal i)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Em prol da educação dos vindouros do século XXII

"É importante que na OCDE, no âmbito da educação 2030, projetada para pensar... como será a educação do próximo século...se identifique também que os estudantes têm de ser ouvidos... ", afirmou hoje, em Lisboa, o Ministro da Educação,Tiago Brandão Rodrigues, discursando em evento da OCDE
Pensar, aqui e agora, a educação do próximo século? Isto sim, é de Ministro que se leva muito a sério. Não sei é se, a brincar, a brincar com tanta seriedade nos quis tomar a todos por parvos. E sobretudo, os vindouros do século XXII.
PS: Creio que desta vez, para brilhar na OCDE, o insigne Ministro foi bastante além do que lhe dita o Mário Nogueira...

Direito e Justiça

A preparar pronúncia sobre ato judicial, lembrei-me de em tempos ter lido de Fukuyama (no seu fundamental The Origins of Political Order) uma reflexão marcante sobre o primado do Direito na perspetiva das suas origens na Europa. Revisitando-o, relembrei uma das mais simples mas ao mesmo tempo mais ricas definições de Direito que conheço: Direito é o conjunto de regras abstratas de Justiça que une uma sociedade. Regressado aos papéis que os órgãos da Justiça produzem, é incontornável constatar que o nível de abstração a que chegou o Direito o transforma tantas vezes na impossibilidade de chegar à Justiça...

sábado, 13 de maio de 2017

Uma ideia de jogo que ajudou o Benfica a ser campeão



A minha alma azul e branca, dorida, não me impede de dar os parabéns pela conquista do Campeonato ao Benfica e ao seu treinador. E aos seus simpatizantes. 
Isto sem prejuízo da larga comparticipação do treinador do meu clube, cuja ideia de jogo é bem o caos que o desenho mostra.
Uma ideia de jogo que levou à eliminação pelo Chaves da Taça de Portugal, e que não conseguiu mais que o empate com Feirense, Belenenses e derrota com Moreirense para a Taça da Liga, e a consequente eliminação, não merecia ganhar o Campeonato.
 Caos pior que tal ideia de jogo não me lembro de nenhum, nem o apresentado pelo Quinito, há tempos quase imemoriais. Mas esse durou pouco tempo no dragão. Este ainda lá está.  E insiste na ideia.

Um país em modo de avé maria!

Todo um país em avé maria, mesmo que só em modo de televisão. E, em Fátima, um povo em êxtase.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Uma indecência

Estive hoje com uma senhora idosa, 97 anos. Em 2016, e vi os comprovativos, teve um AUMENTO da sua pensão de reforma de 0,73 euros por mês e um AUMENTO da sua pensão de viuvez de 1,05 euros por mês. No total, um aumento de 1,78 euros por mês, isto é, pouco mais de 5 cêntimos por dia, no conjunto das duas pensões. 
Mas todos os dias ouvimos, da forma mais descarada, a geringonça vangloriar-se de que aumentou as pensões e pôs fim à austeridade.
Uma indecência.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A maior caça ao voto de sempre!...

Em desrespeito total pela regra do concurso na admissão de funcionários públicos, o governo vai integrar largas dezenas de milhar (fala-se em cerca de 100.000...) trabalhadores da função pública a recibo verde ou ao abrigo de contratação sem vínculo permanente com o estado. 
Um esquema de admissão que vai levar dezenas de milhar de trabalhadores a entrar na função pública sem concurso, ou com concurso feito à medida, privilegiando, em total desrespeito pela lei, um conjunto de cidadãos e sonegando o direito de concorrer a todos os outros que têm o direito de procurar trabalho no estado ao abrigo da legislação em vigor. 
Claro que um cidadão que entra no desempenho de funções públicas mediante concurso entra pelo seu próprio valor e não tem que dizer obrigado a ninguém. Mas um cidadão que arranja emprego permanente à custa de um procedimento singular e ao arrepio das normas em vigor, tende a ficar agradecido a quem lho concedeu. O governo sabe isso muito bem e o calendário das admissões não engana. Até às Autárquicas, alguns entrarão; até às Legislativas, entrará o resto. Não há admissões grátis. 
PS: E que dizer de os Sindicatos da Função Pública poderem entrar no processo de admissão? Nunca se foi tão longe na forma de recomendar prosélitos e impedir outros de entrar. A geringonça vai fazendo o seu caminho. Cuidando dos seus e de si, que os outros nada lhe interessam.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quem venha atrá...que feche a porta...

Por extrema caridade, ainda pensei que o famigerado Relatório da Dívida Pública das 15 versões diferentes fosse apenas uma forma tosca da arte de perder tempo. Mas não, aquilo é uma afirmação explícita da validade do aforismo quem venha atrás que feche a porta...
Como é sabido, um grupo de deputados do PS e do Bloco, e outro de catedráticos, doutorados, licenciados, superiormente coordenados por um membro do governo produziram um documento propondo medidas de reestruturação da dívida pública. Inútil, porque o governo já declarou que não o adopta, o próprio coordenador não se revê nele,  o representante do Bloco logo referiu que as propostas do Relatório não eram as do Bloco e o PS, apertado na geringonça, deu uma no cravo e outra na ferradura. O Presidente da República, na sua política de afectos, comentou que era um documento que merecia reflexão...
Seguindo o Presidente, reflecti e pergunto-me como é que tal conjunto dito de grandes economistas se prestou a deitar cá para fora um documento de tal teor. Para não falar noutras, as propostas de diminuição da maturidade da dívida e de privilégio das emissões de curto prazo ( e a crítica explícita ao IGPC), logo num momento de taxas baixas, constituem, só por si, demagogia de  bradar aos céus, por procurarem o desafogo no curto prazo, coincidente com as expectativas de governo da geringonça, mas colocando o país a correr riscos enormes de liquidez e de preço no futuro. Também a diminuição das provisões do BP se insere em em tal política de um miserável oportunismo. Para além das medidas erradas, de  uma assentada mais um golpe no BP e no IGCP e, assim, na credibilidade externa. 
Nem vale a pena continuar. Aquilo não é um Relatório, nem uma forma tosca da arte de perder tempo. É, sim, uma afirmação explícita de que quem venha atrás que feche a porta...

domingo, 30 de abril de 2017

Golpes de vista...

Pelo que venho lendo, e ainda hoje li, as faltas para penalty na área dos adversários do actual campeão são sempre apercebidas pelo juiz de campo, assinaladas e marcadas. O que é perfeitamente justo e correcto. Ali, há sempre uma visão larga dos lances.
Ao contrário, impecilhos de vária ordem impedem que idênticas faltas na área do maior adversário do campeão também se tornem apercebidas ao juiz de campo. Impecilhos que tornam a visão estreita ou deturpada e que os competentes media e comentadores atribuem à intromissão de um qualquer obstáculo na área da visão, ou à rapidez da jogada, e também justificam por pertinentes critérios pessoais de avaliação de intencionalidade da infracção ou da posição dos membros do infractor ou de quem chegou primeiro à bola. O que, para eles, também é justo e correcto, mesmo que óbvio seja o contrário. 
Também para esses ilustres de vistas largas, em média fica tudo equilibrado. Os penaltys que são oferecidos a uns são compensados pelos que são retirados aos adversários. O mesmo equilíbrio se aplica à visão dos juízes: alguma visão por vezes deficiente é compensada por momentos de golpes de vista verdadeiramente assinaláveis.
Golpes de vista concretizáveis em títulos...claro está!...

sábado, 29 de abril de 2017

Os contentinhos reestruturadores da dívida pública

Parece que o plano socialista-bloquista de reestruturação da dívida teve 15 versões. Um plano eclético, pois, em que cada reestruturador meteu a sua colherada e deixou a sua pitada. Ou, numa linguagem mais modernaça, onde cada reestruturador deixou a sua pegada. Mas qualquer processo eclético  apresenta  um terrível senão: é que, feito para agradar a todas as correntes, deixa de ser coerente. 
O que, no caso, não produz qualquer efeito nocivo, antes pelo contrário, já que simplesmente se destina à épater le bourgeois, que até gosta de balões bastante coloridos, mesmo que rebentem mal sejam lançados ao ar. Mas que, por um momento, o patego gosta de olhar.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

E as pernas dos alemães já tremem!...

Pagamento a 60 anos, juros a 1%, 28 mil milhões de dívida perpétua no Banco de Portugal, diminuição das provisões e aumento dos dividendos do banco central, reestruturação a envolver apenas as autoridades europeias...eis o insigne plano do Grupo PS/Bloco, coordenado por um ilustrado governante, e composto por uns quantos catedráticos, outros tantos doutorados economistas,  e uma pitada de deputados, para resolver o problema da dívida. Que, de uma rajada, cairia de 130,7% para 91,7%, veja-se a precisão, do PIB.  
Confesso que sòzinho, e sem precisar de apoio doutorado ou catedrático, faria um power-point tão válido e, certamente, muito mais aprimorado.
De qualquer forma, as pernas dos alemães já devem estar a tremer , que a ameaça de um dos autores tem que ser levada a sério!...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Um cavalheiro que partiu: Serafim Marques, também Cordeiro do Vale

Soube agora da morte de Serafim Marques, anteontem, creio que com a idade de 92 anos. Fundador e sócio nº 2 do CDUL, Clube Desportivo Universitário de Lisboa, um dos "pais" do râguebi nacional, divulgador incansável do atletismo, jornalista da RTP. Conheci-o em 1980, na minha passagem pela empresa, era ele um consagrado jornalista da área desportiva, famoso nomeadamente pelos conhecimentos e pelo ritmo com que ilustrava as transmissões de atletismo e as mais importantes do râguebi internacional. Educado, modesto, extremamente simpático, dotado de boas relações humanas, vi-o sempre como um perfeito cavalheiro, perdão a quem considera esta palavra desajustada e fora de tom nos tempos que correm.
Naquele ano, a RTP procurava recompor-se da sua persistente situação de bancarrota económica e financeira, tendo sido tomadas medidas de fundo com vista à inversão da situação, entre as quais o combate aos abundantes gastos surpérfluos, nomeadamente deslocações ao estrangeiro, que só eram autorizadas a título muito excepcional e pelo Conselho de Administração (abro aqui um parêntesis para referir que nesse ano a RTP teve os primeiros resultados positivos da sua história, na altura, de 23 anos!...).
Ora o  Serafim Marques veio ter comigo, pesaroso por lhe ter sido recusada a ida, creio que a Londres, para assegurar os comentários ao vivo dos jogos do Torneio das Cinco Nações, e pedindo uma autorização excepcional, dada a qualidade do evento. Como não podia excepcionar a deslocação, tentei convencer o Cordeiro do Vale, nome de guerra que adoptou como jornalista de desporto, de que, dado o seu profissionalismo e qualidade,  ninguém notaria se os comentários fossem feitos de Lisboa. Claro que não o convenci, mas ...vai ver que, mesmo em Lisboa, tudo correrá bem, disse-lhe, em despedida. 
Correu então o torneio, com o Cordeiro do Vale a comentar dos estúdios do Lumiar. Terminado, apresentou-se no meu gabinete, logo no dia seguinte de manhã, bem disposto e sorridente.
- Vê, como tudo correu bem? 
- Oh, Sr Dr., parece que sim, tenho recebido muitos parabéns e ainda há pouco encontrei um grupo de malta do râguebi que me disse: então o torneio terminou ontem à noite e já cá está? Como é que conseguiu?  
Um senhor profissional e cavalheiro, o Serafim Marques também Cordeiro do Vale. Que descanse em paz.

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril...25 de Novembro

Palavras, só palavras, em mais este 25 de Abril. Palavras, reacções, comentários às reacções e às palavras. E, pelo que hoje fui ouvindo, o 25 de Abril de todos não é o 25 de Abril de cada um. E o 25 de Abril de cada um  está longe de ser o 25 de Abril de todos. 
Ah, também houve a rua para um dos 25 de Abril. Também com muitas palavras. Diferente de outros 25, por certo. Por mim, viva o meu 25 de Abril, o que abriu as portas à democracia pluralista. E o 25 de Novembro, que não as deixou fechar. 

Luz e...sombra!...

O défice de 2%  das contas públicas em 2016 é afinal o quinto maior défice da Zona Euro, enquanto a dívida pública atinge o terceiro lugar do pódio. 
De facto, nem tudo o que luz é ouro...
PS: Por ironia, já que governada pelo Siryza que tanto desprezava os equilíbrios das contas públicas, o défice da Grécia transformou-se num superavit de 0,7% do PIB. Espantoso!...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Abandono

Tenho nove filhos e nenhum me acompanhou ao Hospital...
Lamento de uma idosa, hoje de manhã, no Hospital de Santa Maria

domingo, 23 de abril de 2017

Uma teimosa e fraca ideia, um enorme passivo

A ideia de jogo que faz com que um excelente conjunto de jogadores jogue sem qualquer ideia. Como em qualquer lado, uma ideia errada traduz-se sempre num passivo. Neste caso, o maior passivo do Dragão. Até porque é teimosamente mantida. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Demolidadores de protestos

Começaram e acabaram as demolições na ilha do Farol, sem quaisquer ajuntamentos, protestos e manifestações dos moradores e associados, ao contrário do que sempre aconteceu em eventos similares.
É um facto: com Bloco e PCP no governo, para além das casas, também os protestos são demolidos.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Fogo de artifício...fogo de lágrimas...

Finda a austeridade no início de 2016, geringonça dixit, a grande aposta era no crescimento. Afinal, aposta furada, o país cresceu menos (1,4%) do que em 2015 (1,5%). 
Para 2017, prevê o governo um crescimento de 1,8%. Um crescimento dito robusto, saudado com grande foguetório pelos partidos apoiantes e comentadores adeptos. Porventura esquecidos de que fogo de artifício também é chamado fogo de lágrimas. Mas essas virão depois. A festa continua.  

terça-feira, 18 de abril de 2017

Estabilidade do país e estabilidade da geringonça

Para Bruxelas ver, o Plano de Estabilidade aprovado pela geringonça é um power-point excelente: crescimento da economia, graças ao investimento e às exportações, diminuição do Estado, pelo decréscimo dos impostos, da dívida, do défice e da despesa pública. 
Para português ver, o Plano de Estabilidade é coisa bastante diferente, tendo por critério único abarcar tudo o que seja necessário para manter a vida da geringonça. Nos últimos dias, só aumento da despesa: integração de dezenas de milhares de precários, aumento de alunos por turma, aumento do número de professores,etc, etc.
Sendo optimistas, uma perfeita quadratura do círculo. Sendo realistas, mais um fenómeno como o de 2016: um aumento brutal da dívida pública não explicável pelo reduzido défice ou por investimentos que fiquem fora do mesmo. Aliás, um aumento brutal da dívida, cuja justificação não vejo sequer questionar, porventura para não colocar o governo em dificuldades de explicar. 
Longa é a distância entre a estabilidade do país e a da geringonça.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tudo se compra...tudo se vende...

Segundo dados já conhecidos da execução orçamental de 2016, a despesa pública diminuiu 3.000 milhões de euros, valor que mais que triplica os 900 milhões previstos no orçamento.Dado o aumento de remunerações da função pública, no valor de algumas centenas de milhões, tal significa que o "corte" na despesa, excepto pessoal, foi muito para além dos 3.000 milhões de euros, afectando negativamente o cumprimento de muitas funções do Estado, e do Estado Social. Uma política  perversa, de compra de funcionários e sindicatos a troco de melhor remuneração, os primeiros para gerirem as situações de desagrado dos utentes, os segundos para deixarem de proclamar a degradação dos serviços públicos, justificação no passado de greve continuadas.
E assim vai a geringonça defendendo, em acaloradas palavras, o Estado Social, mas aviltando-o nos actos e na prática. Tudo se compra,tudo se vende. 
PS: Claro que a diminuição da despesa pública é um bem em si, se for estável e representar reformas de fundo dos serviços. Porque, se assim não for, como não foi, é mero fogo de artifício, muito aclamado no momento, mas que de imediato se extingue

sábado, 15 de abril de 2017

Os aprendizes de feiticeiro

"...A reacção de Portugal também foi chocante, mas não vou exigir um pedido de desculpas..." , respondeu Dijsselbloem à invectiva do Secretário de Estado das Finanças, Mourinho Félix, mostrando o profundo choque por aquilo que o Presidente do Eurogrupo disse dos países que estiveram sob resgate, e convidando-o a pedir desculpa perante os ministros do Eurogrupo e a imprensa.  
 Começou Mourinho Félix impante e em grande estilo a exigir um desagravo público, bem acompanhado pelas câmaras de uma de uma estação de televisão ao seu serviço, e assim seguro de uma divulgação urbi et orbi. Mas, perante a réplica de Dijsselbloem, engoliu, calou e foi à sua vida. 
Se ao menos ainda fôssemos governados por feiticeiros, vá que não vá...mas com aprendizes totós deste teor...

sexta-feira, 7 de abril de 2017

As reformas antecipadas e o futuro do sistema de pensões

A propósito do anúncio do governo de alterar o regime da reforma antecipada. Não tenho dúvidas que é socialmente aceitável e desejável - melhor dizendo, é socialmente injusto não o fazer - criar um regime especial para os trabalhadores com carreiras contributivas longas e com idades que se encontram ainda longe da INR. Este regime, em particular, só peca por tardio. Na verdade, trata-se de um grupo de trabalhadores que iniciou a vida activa ainda em idades muito jovens.
Se, de um ponto de vista de justiça social, a medida tem os seus méritos, desconhecem-se, no entanto, a sua estrutura e os seus impactos, designadamente em termos de sustentabilidade financeira do sistema de pensões da Segurança Social.
Concretamente, como comparam os efeitos de sinal contrário sobre as receitas da Segurança social, por um lado, do aumento progressivo da INR e, por outro lado, da despenalização das carreiras contributivas longas?
A recorrente adopção de ajustamentos paramétricos no sistema de pensões tem causado problemas graves de injustiça social e de iniquidade intra e intergeracional e reduziu a adequação das pensões, sem, no entanto, ultrapassar o problema da sua insustentabilidade financeira.
Quaisquer alterações, ainda que paramétricas, como é o caso em presença, no sistema de pensões, devem ser bem explicadas e fundamentadas. Os estudos, impactos e resultados devem ser apresentados, assim como os dados e premissas que lhes deram origem, nas vertentes da sustentabilidade social e da sustentabilidade financeira.
É fundamental que não se prossiga no caminho de medidas avulsas sem dispormos de uma avaliação actuarial do sistema de pensões, realizada com total transparência, mediante competências adequadas e independentes e a participação alargada de todas as partes interessadas.
Relembro que em 2015 foi realizada uma avaliação actuarial do Sistema Previdencial da Segurança Social por iniciativa do governo anterior. Embora tenha sido publicada, a mesma não foi colocada à discussão pública para se obter o necessário contraditório. Nada aconteceu. Este teria sido o momento e o local adequados para que todas as partes interessadas, incluindo agentes políticos e sociais, manifestassem as suas dúvidas e suscitassem cálculos e simulações complementares. Desta avaliação actuarial nunca mais ninguém ouviu falar.
A iniciativa política do actual governo de fazer alterações no regime de acesso à pensão de velhice deveria ser aproveitada para discutirmos o que queremos do sistema de pensões, avaliando o que foi feito e os seus resultados, identificando problemas e soluções possíveis numa discussão séria, longe de preconceitos ideológicos e de compromissos políticos com o passado, mas antes centrada no essencial.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Reacção, conversa fiada e telejornais da treta...

O Presidente já reagiu...o PS está a reagir, vamos ligar à sede, no Largo do Rato...no decorrer do telejornal iremos escutar a reacção do governo...o PSD reagiu à reacção...Catarina Martins também já reagiu e criticou o PSD...Louçã reagiu ao silêncio do CDS...o PCP aproveitará a sessão desta noite no Barreiro para reagir através de Jerónimo de Sousa...soubemos agora que Assunção Cristas convocou os jornalistas para uma reunião para daqui a uma hora, a fim de reagir...
O pivot repete o que já se ouviu, seguem-se as reacções em falta, a seguir as contrareacções, e depois as reacções dos comentadores e analistas, não se dispensando a palavra autorizada dos directores em ordem a uma autêntica interpretação das diversas  reacções. E, para reagir em directo, e em cima do acontecimento, logo se anunciam o ministro A e o secretário B, os representantes dos partidos, e um  painel de comentadores.
A isto se resume a vida do país, no critério rigoroso e independente da nossa informação telejornalística.
No mundo real, a vida continua. Contra, e apesar de toda esta conversa da treta.

sexta-feira, 31 de março de 2017

A manha...

Se a política vive, também vive, de manha, Carlos César é um bom exemplo...
Direito ao assunto, Raúl Vaz, no Jornal de Negócios 

Oh, patego, olha o balão!

A desfaçatez do governo não tem limites. Depois de se vangloriar de ter acabado com a austeridade dos reformados, para muitos e muitos à razão de uns poucos cêntimos por mês, pretende agora fazer justiça a quem possui largos períodos contributivos, permitindo que pessoas com 48 anos de descontos possam reformar-se com 60 anos de idade sem penalização.
Claro que, para tal, seria necessário ter começado a trabalhar aos 12 anos. Mas a parca remuneração desse trabalho infantil, quando a havia, escapava geralmente aos descontos para as, na altura, Caixas de Previdência, por conveniência dos pais, para quem mais uns tostões eram uma bênção e, obviamente, das empresas. Deste modo, muito poucos estarão em condições de beneficiar da governamental magnanimidade.
Mas isso pouco interessa à geringonça. Não pensando sequer em qualquer reforma séria da segurança social, que proteja reformados, os contribuintes actuais e os futuros,vai-se contentando com manipulações e truques, publicitando que faz, sem fazer, a fórmula mais rasteira de embuste e de falta de respeito pelos cidadãos. Enfim, somos tratados como pategos.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Mas que aborrecimento, outra vez o envelhecimento da população...

À nossa frente temos uma trajectória de perda acentuada de população e de alteração significativa da pirâmide etária. Confirma-se, e não seria de esperar qualquer inversão, o agravamento do envelhecimento da população. Em 2031 ficaremos abaixo dos “míticos” 10 milhões de habitantes.
O INE apresentou hoje as projecções para a população residente para o período de 2015 a 2080, utilizando para o efeito quatro cenários – pessimista, central, optimista e sem migrações – que reflectem hipóteses diferenciadas para as varáveis projectadas (fecundidade, migrações, etc.).
Em qualquer deles, a população jovem irá diminuir e a população idosa irá aumentar, em proporções muito significativas. Em consequência a população em idade activa diminuirá e o índice de envelhecimento, no cenário central, mais do que duplicará, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens.
Estes números mostram que devemos mobilizar esforços para enfrentarmos a nova realidade que já hoje se faz sentir. Anular o envelhecimento da população não é possível. Talvez seja possível desagravá-lo, tal como mostram os cenários trabalhados pelo INE. Mas é preciso agir.
Medidas paliativas ou meras intervenções de circunstância para irmos fazendo face às dificuldades não constitui uma solução. Veja-se, por exemplo, como lidamos com as pensões e a despesa pública para lhes fazer face.
Precisamos de perceber se estamos a saber lidar com o envelhecimento demográfico, precisamos de nos questionar sobre a nossa forma de pensar. Não há receitas mágicas nem soluções formatadas, mas haverá certamente formas adequadas de enfrentar o curso dos acontecimentos. Estamos a fazê-lo? Já pensámos colectivamente sobre o assunto? Enquanto população estamos a envelhecer, mas como sociedade não tem que ser assim.

segunda-feira, 27 de março de 2017

A hora dos patetas

Celebraram alguns, ontem, a hora do planeta, uma hora sem electricidade, mais uma iniciativa de mais um qualquer movimento de defesa do ambiente.
Nasci, como tanta gente, numa terra sem electricidade. Estudei e li centenas de livros à luz de uma vela, de um gasómetro ou de um candeeiro a petróleo. Sem electricidade, não havia rádio, os transístores não tinham chegado, muito menos a utilização de frigoríficos. A chegada da televisão e a novidade levaram alguns moradores a adaptar motores de rega ao abastecimento de energia, mas era um processo caro, ao alcance de muito poucos.
O abastecimento de energia eléctrica exigia a construção de um ramal, mas o Estado e a companhia de electricidade exigiam uma comparticipação da população que minimizasse os custos a cargo do estado e do distribuidor. Para angariar a verba, a freguesia fez peditórios, organizou cortejos de oferendas, motivou os brasileiros e africanistas da terra, os emigrados em Lisboa e no Porto ou em qualquer sítio onde houvesse um natural da terra. Com muito esforço, chegou-se ao montante exigido. Depois, depois, foram anos para o Estado orçamentar a sua verba para o efeito e a eléctrica concretizar o projecto. Mal viram o início da construção do ramal, muitos moradores logo trataram de montar a instalação caseira, não fosse a luz chegar e continuarem a ficar às escuras. A azáfama era grande e as obras eram a conversa diária.
A chegada da energia eléctrica foi uma festa: as autoridades distritais e concelhias, as forças vivas, o carregar no botão, os discursos, a animação, os ranchos folclóricos, a música e o bailarico.  
Ontem, ouvi na televisão uns meninós, femininos e masculinos, a pedirem que se apagasse a luz por uma hora, incentivando corridas, aulas de yoga e jantares à luz de velas, e falando na necessidade de mudar hábitos de consumo responsáveis pelas alterações climáticas. Eles nem sabem, nem sonham do que falam. Condição essencial, aliás, para vasto tempo de antena nos media.  

sexta-feira, 24 de março de 2017

Os mitos que nos vão perdendo

Fantasiosos, educativos ou perniciosos, os mitos acompanham a humanidade. E bem nocivos são os mitos portugueses, propalados na palavra dos políticos, na pena dos comentadores e analistas, nas rádios, nos jornais e nas televisões. Repetem-se e reproduzem--se, tal como os deuses da antiga Grécia. E, em termos de deus maior, substituímos Zeus pelo Estado e ao Estado oferecemos hinos, louvores, produtos e sacrifícios.
Um primeiro mito é a liberdade de empreender e de investir. Diz-se que há, mas não há. Continuamos a viver num verdadeiro condicionamento industrial, reflexo de um Estado tentacular que se expressa através de um número infinito de autorizações que constrange vontades e impede o desenvolvimento. Condicionamento diferente, mas não menos danoso do que o da lei de 1952, que visava a regulação do investimento. A prática está tão consagrada que, quando o licenciamento é rápido, em vez de se louvar a diligência, logo surge a acusação de suspeita ou de corrupção a quem interveio na autorização. A liberdade de empreender e investir é um mito em Portugal.
Um segundo mito é a tragédia das falências...
Um terceiro mito é a ecologia radical...
Pode o leitor ver a continuação dos mitos no meu artigo completo no i, no âmbito da Série Por Uma Democracia de Qualidade

quinta-feira, 23 de março de 2017

Pior o ministerial comentário que a eurograçola

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Santos Silva, depois de ter considerado uma graçola o comentário de Dijsselbloem, juntou: “o que se passou com países como Portugal, Espanha ou Irlanda não foi termos gasto dinheiro a mais. Nós, como outros países vulneráveis, sofremos os efeitos negativos da maior crise mundial desde os tempos da Grande Depressão e as consequências de a Europa e a sua união económica e monetária não estar com os instrumentos que nos permitissem responder a todos os choques que enfrentamos...".
Bom, pior o comentário que a graçola. Porque, se esta alertava caricaturalmente para uma má utilização dos fundos europeus, uma óbvia evidência e responsabilidade nossa, o ministerial comentário deita todas as culpas para a Europa. Sugerindo assim que tudo continue igual. Uma completa boçalidade.  

quarta-feira, 22 de março de 2017

Nada de perturbar o politicamente correcto!...

"O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”
Jeroen Dijsselbloem, Ministro das Finanças da Holanda e Presidente do Eurogrupo, ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung
Pelos vistos, Portugal sentiu-se atingido, dado o repúdio unânime da classe política, do governo à oposição. E, na base de que Portugal cumpre, todos invectivam o ministro. 
Não estou a perceber bem: se Portugal realmente cumpre e não pede ajuda, porquê enfiar a carapuça? Ou, se não cumpre, também não consegue encaixar uma simples e politicamente incorrecta caricatura?  

terça-feira, 21 de março de 2017

Tempo novo!...

O presidente do PS da Guarda ameaça tirar "confiança política" ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, se não nomear dirigentes do partido para a gestão hospitalar do distrito.. 
E considera que a escolha de independentes “é o desacreditar do PS em termos distritais”.
Ora aí está o tempo novo!

segunda-feira, 20 de março de 2017

A conversão do Bloco e do PC à especulação financeira

É a partir do Luxemburgo, onde os títulos serão cotados, que arranca hoje a emissão de dívida perpétua altamente subordinada da Caixa Geral de Depósitos, no montante de 500 milhões de euros. Por mim, nenhuma objecção, quer quanto à operação, quer quanto à praça, porventura a melhor para o êxito da operação. 
Mas, quanto à sede da emissão, espanta-me o silêncio do Bloco e o PC, tão críticos quanto a deslocalizações de operações financeiras quando se trata de privados. Significa que já aceitam pacificamente as regras do mercado em que, segundo eles, assenta a grande especulação financeira internacional?   

domingo, 19 de março de 2017

Esta geringonça vai mesmo no bom caminho...

Pensando bem, faço mea culpa ao que tenho dito do governo e julgo que vamos muito bem.
De facto, o PIB cresceu 1,4% em 2016 (até prova em contrário, mas passei a acreditar na geringonça e julgo que não vai falhar…), menos do que os 1,6% de 2015, mas isso é uma minudência.
E tem que se louvar a geringonça que apostou tudo no consumo interno e o fez crescer 2,3% em 2016. Facto é que, em 2015, sem estímulos, cresceu 2,6%. Coisa sem importância, também.
Quanto ao investimento, caiu 0,3% em 2016, quando em 2015 tinha subido 4,5%, o que não apresenta qualquer relevância: para uma geringonça que se preze, menos investimento é menos patronato, logo um inimigo a menos do povo trabalhador.
Bom, e as exportações tiveram em 2016 um aumento espectacular de 4,4%; é certo que cresceram 6,1% em 2015, mas em 2015 não havia crise no mundo, ela só apareceu em 2016 dinamizada pelo  senhor Shauble aliado à grande especulação internacional.
Quanto à dívida pública, aumentou em 2016 um pouco mais de 8 mil milhões, mais ou menos o dobro do défice orçamental, o que também não merece qualquer preocupação especial, 4 mil milhões a mais ou a menos tanto importa. Aliás, até me parece completa perda de tempo exigir explicações sobre a aplicação de tão diminuto valor, que só apostados inimigos da geringonça identificam como pura desorçamentação. Tão sem importância que os juros da dívida a 10 anos tiveram o insignificante aumento de 2,3% para 4,3%, apenas mais 2 pontos percentuais, e o spread em relação à Alemanha passou de 1,845% para 3,849%, mas isso tem que se levar a débito da intratável senhora Merkel.
Por tudo isto, eu faço mea culpa: esta geringonça vai mesmo no bom caminho. 
(Texto inspirado no artigo de João Duque "é uma injustiça, pois é..." no Expresso)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Quem te avisa teu inimigo é!....

Afinal, tanto truque, tanto engano, tanta mentira,  tanta retórica perdida!...A Standard & Poor’s manteve esta sexta-feira a nota de Portugal ao mesmo nível (BB+) do antecedente. Pior, com perspectiva estável, o que indica que a agência conta manter nos próximos tempos a actual notação. 
E o Ministro das Finanças alemão lá vai avisando também...
Todavia, tempo perdido. Agência de rating e ministro já foram zurzidos pela geringonça. Sinais do tempo novo: quem te avisa, teu inimigo é.