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quarta-feira, 31 de março de 2010

O país não está perdido!...

Sócrates disse que o Governo saiu reforçado das últimas eleições. Não importa: já poucos acreditam na matemática de Sócrates.
O Governo diz que a economia portuguesa foi a que mais cedo recuperou. Não importa: já poucos acreditam nos delírios do Governo.
O Parlamento diz que tem duas Comissões a apurar se Sócrates falou verdade ou mentiu. Não importa: já poucos acreditam que haja conclusões fidedignas.
O Banco de Portugal diz que o PIB vai crescer menos do que o Governo prevê. Não importa: já poucos acreditam nos oráculos do Governo ou do Banco de Portugal.
Pinto da Costa, na RTP1, Luís Filipe Vieira, na SIC e Ricardo Costa, na SIC Notícias foram ontem entrevistados no horário mais nobre das televisões. Isso é o que importa.
O país não está perdido, pois ainda acredita em alguma coisa. E uma bola aos saltos, nos tempos que correm, é a coisa mais altamente credível!...

terça-feira, 30 de março de 2010

Grécia "falha" emissão de dívida a 12 anos: quid juris?

1. É notícia fresca: a Grécia adjudicou hoje apenas € 360 milhões dos € 1.000 milhões anunciados de uma emissão de obrigações de dívida pública ao prazo de 12 anos, ficando esta decisão a dever-se obviamente ao elevado preço (taxa de juro) exigido pelos investidores para tomar a parte da emissão que ficou por colocar.
2. Esta notícia segue-se à da colocação ontem de € 5 mil milhões de dívida ao prazo de 7 anos, a qual, apesar de colocada na totalidade, teve uma recepção “fria” dos mercados.
3. A partir daqui, o Governo grego terá fundamentalmente duas opções:
- Ou fixa-se em maturidades mais curtas, até aos 7 anos por hipótese, para as quais tem encontrado procura ainda que pagando um preço bastante elevado – um “spread” bastante superior a 300 pontos sobre a dívida alemã do mesmo prazo;
- Ou dirige-se aos seus pares da zona Euro, invocando o “Acordo” da última 6.ª Feira, solicitando apoio financeiro, uma vez que pode demonstrar (se é que isso constitui demonstração aceitável) não ter resposta dos mercados para cobrir as suas necessidades de financiamento...
4. Se escolher a primeira via, a Grécia deverá, por enquanto (resta saber até quando), obter o financiamento de que necessita, sendo certo que terá de continuar a pagar um preço bastante elevado que muito frustrará as suas expectativas quanto aos efeitos práticos do famoso “Acordo”...
5. Se escolher a segunda via, parece-me que vai ser “o bom e o bonito”, com toda a gente a interrogar-se como pode um assunto destes ser tratado sem existir regulamentação aplicável e sem que o FMI tenha ainda mexido uma palha...
6.Tema a seguir com o maior interesse, os próximos episódios prometem muita emoção...

Alegres frases assassinas II

"A possibilidade de ser eleito (Presidente) preocupa-me..."
Manuel Alegre, Expresso de 27.03.10

Se nem ele tem confiança em si próprio...

Diversidade

Aqui estamos nos agora em Springfield, Massachussets, onde o empregado da recepcao do hotel nos declarou logo que a mae dele e portuguesa, nascida numa aldeia proxima das Caldas da Rainha e lhe contava historias de quando era pequena e tinha que percorrer a pe e descalca o caminho de terra ate chegar a escola. Ele nao fala portugues mas ligou logo a mae para que, mesmo ao telefone com desconhecidos, ela pudesse matar saudades da sua linga materna!
Conseguimos o milagre de nos servirem uns hamburguers apesar de serem quase 10 h e foi uma simpatica somali que nos atendeu.
Visitamos o campus da universidade de M. em Amherst, com uma reuniao na escola Superior de Educacao, onde uma das docentes do curso de ensino bilingue se chamava N. Matos, nascida na America do Sul mas descendente de portugueses.
Seguiu-se um almoco na cantina onde tivemos a agradavel surpresa de terem convidado para conversar connosco um estudante brasileiro e dois professores, um brasileiro e um mocambicano, o que deu uma conversa muito animada em varios tons desta maravilhosa lingua que e o portugues. E e realmente uma sensacao muito curiosa, talvez seja orgulho?estarmos aqui no outro lado do globo, numa cidadezinha americana, e encontrarmos pessoas tao diferentes a falar a nossa lingua.
A tarde fomos visitar uma escola rural, nos arredores de Northampton, a cerca de 1 h de "bus" da nossa base, onde ouvimos a perspectiva das escolas pobres, situadas em comunidades completamente diferentes das que pudemos ouvir ate agora, e falaram nos do que inventam para corresponder ao que se lhes pede, as dificuldades para combater o abandono escolar ou para mobilizar a comunidade.
Acabamos o dia a passear em Northampton, uma cidadezinha de provincia mas muito curiosa porque parece que ficou parada no tempo, ai nos anos sessenta, com um estilo hyppie um pouco decadente, as lojas sao estranhas porque as roupas parecem modelos de ha trinta anos, as mobilias e as decoracoes sao old fashion e ate o edificio da City Hall parece tirado de um filme a preto e branco! Mas e um encanto, depois de passada a primeira surpresa e termos percebido que o centro era aquilo mesmo e nao havia parte moderna da cidade. Mas acabamos encantados com o belissimo campus da Smith University, exclusivamente feminina, um espaco que lembra Inglaterra, com amplos parques muito verdes e silenciosos, lagos e edificios em tijolo escuro no estilo vitoriano. Duas simpaticas alunas coreanas deram nos algumas explicacoes sobre os cursos e o modo de vida naquele espaco paradisiaco.
E acabamos todos a jantar num pequeno restaurante tibetano...
This is America!

segunda-feira, 29 de março de 2010

O jogo do pingue-pongue...

Desconhecia, nem me ocorreria pensar, que os aeródromos nacionais não dispõem de mecanismos de controlo de segurança de pessoas e bens.
Uma omissão perigosa porque põe em risco pessoas e bens e porque é terreno fértil para actividades de contrabando e outras práticas ilícitas, designadamente transporte de armas e droga.
Quando ocorreu, julgo que em Fevereiro passado, o acidente no Aeródromo de Tires com uma aeronave proveniente de Évora que se despenhou em plena pista, questionei-me, contudo, como era possível que um passageiro tivesse embarcado levando consigo uma arma de fogo. A notícia que hoje li explica o inexplicável. Em pleno século XXI, não se faz controlo nos nossos aeródromos de passageiros e bagagens que viajam nas aeronaves .
Parece que a culpa é da lei ou da diferente interpretação que as duas entidades oficiais envolvidas – Ministério da Administração Interna e Instituto Nacional de Avaliação Civil - fazem da legislação sobre a quem compete a responsabilidade do controlo. E enquanto não se entendem e empurram as responsabilidades uma para a outra, a segurança de pessoas está em risco e os contrabandistas estão à vontade.
Mas não haverá uma terceira entidade que clarifique o que estabelece a lei? No limite, porque não voltar a legislar, para precisar afinal quem tem competências e responsabilidades, quem é que faz o quê? Será assim tão difícil?
Mas o que também é grave, é que, pelos vistos, ninguém fiscaliza o cumprimento da lei ou se o faz não actua com a necessária diligência e não são retiradas as devidas consequências.
Esta é mais uma história muito portuguesa. É o jogo do pingue-pongue! É a complexa teia de legislação e é também complexo o funcionamento da administração pública. É o arrastamento dos problemas e a ausência de pragmatismo e vontade para os resolver.
E quando os desastres acontecem, a culpa morre, não raras vezes, solteira. Anunciam-se, em cima do calor dos acontecimentos, inquéritos, averiguações e investigações, mas os resultados nem vê-los.
Mas então para quê tanta produção legislação? Para quê a existência de tantos organismos oficiais a tutelarem as mesmas actividades, não raras vezes, com duplas e triplas tutelas, para se concluir que depois estão ausentes em aspectos que são essenciais?

Alegres frases assassinas I

"...Uma nação não é só números..."

Manuel Alegre, em entrevista ao Expresso (edição de 27.03.09)

Não é, de facto. E os PECs também não. Mas traduzem o estado a que a nação chegou e o sofrimento de muitos cidadãos, por não se olhar para os números.
Um excelente sucedâneo do "há vida para além do défice" de Jorge Sampaio. Grandes frases socialistas, precursoras de grandes desgraças.

Grécia: que apoios da zona Euro?

1. Os Estados Membros do Euro parece terem chegado a um acordo quanto a um apoio à Grécia, depois de intensa discussão e, segundo a análise atenta de Brandão de Brito,na sequência de uma astuta negociação por parte do Presidente da Comissão Europeia face à imensa resistência da Alemanha em aceitar qualquer ideia semelhante ao decantado “bail-out” da Grécia.
2. A fórmula encontrada para conseguir um acordo entre Estados/ Governos que tinham posições tão diferentes na matéria como a Alemanha, de um lado, a França e a Espanha, por outro, levanta todavia sérias questões interpretativas que só o tempo ajudará a esclarecer sem prejuízo de lhes darmos alguns minutos de atenção.
3. Por exemplo quando é dito que os Estados-Membros poderão ajudar outro Estado-Membro em dificuldades mas só depois de esgotadas as soluções de mercado, o que significará verdadeiramente tal fórmula?
4. Significará que esse Estado-Membro terá que obter nos mercados os recursos de que carece até que estes digam – não há mais?
5. Ou significará que esse mesmo Estado terá de se financiar no mercado até que as condições que este exige sejam consideradas inaceitáveis – por excederem, por exemplo, o triplo do juro que a Alemanha paga para prazo idêntico?
6. Nada disto está definido pelo que, sem mais esclarecimentos, aquela fórmula parece inculcar a ideia do primeiro entendimento do nº anterior – o Estado-Membro em dificuldades terá de pagar o juro que os mercados exigem, até onde for possível, até que os mercados “declarem” não estar dispostos a emprestar mais...
7. E só nessa altura o Estado necessitado poderia recorrer à ajuda dos seus Pares, o que poderia significar, em última análise, que o apoio destes seria destinado sobretudo para as despesas com o “funeral”...
8. É claro que o facto de se dizer que os Estados-Membros estão disponíveis para providenciar uma “safety-net” - ainda que apenas num caso extremo de recusa dos mercados em continuar a financiar - tem efeito na posição que estes tomam...os mercados ficam a saber que em última análise o conjunto dos Estados-Membros virá sempre suportar o “ente querido” no seu leito de sofrimento financeiro...e assim sendo nunca recusarem financiar...
9. Parece-me, todavia, que vai ser necessário definir bem as condições em que o apoio dos Estados-Membros pode ser dispensado, sob pena de qualquer dia a fórmula encontrada perder credibilidade e voltarmos à turbulência.
10. Outra questão prende-se com o papel reservado ao FMI:
– Em que medida pode o FMI intervir, sendo certo que as suas receitas tradicionais nos domínios monetário e cambial não têm qualquer aplicação neste caso?
- Irá o FMI fazer unicamente o papel de polícia do cumprimento dos objectivos orçamentais assumidos pelo Estado-Membro?
- Mas nesse caso que papel restará à Comissão Europeia a quem cabe actualmente essa incumbência?
11 São pois questões em aberto, de resposta nada fácil, talvez por isso a reacção dos mercados até este momento tenha sido tão cautelosa

Uma livre escolha

Pela segunda vez, embora de forma mais tímida do que no tempo em que defrontou Manuela Ferreira Leite, todavia de maneira razoavelmente assumida, um político ousou apresentar um programa de cariz liberal aos portugueses. Teve esse mérito Pedro Passos Coelho. Os dois principais opositores, Paulo Rangel e Aguiar Branco apresentaram uma via de pendor mais social-democrata, com algumas opções liberais.
Gostaria de acreditar que foi esse programa que o levou à liderança do PSD. Porque isso significava que se começava a entender, pelo menos entre os militantes do PSD, que a crescente intervenção do Estado e o custo dessa intervenção têm depauperado a economia e empobrecido os cidadãos.
A liberdade de escolha e a distinção entre assegurar um serviço público e a sua prestação concreta têm que começar a ser discutidas, sem constrangimentos de qualquer espécie, nomeadamente ideológicos. O que está em causa é a qualidade e a eficácia dos serviços.
Há muito que tenho a ideia de que Portugal precisa de integrar na classe política dirigente representantes da sociedade civil, das profissões liberais, pessoas que não dependam do Estado para fazerem a sua vida, pessoas independentes dos jogos políticos de ocasião ou de bastidores, ou dos aparelhos partidários.
Aguiar Branco e Paulo Rangel, representantes da sociedade civil, prestigiados na sua área profissional, levariam alguma vantagem neste perfil em relação a Passos Coelho. Embora reconheça neste que fez, e muito bem, uma longa quarentena de “político profissional”, apresentando-se às eleições já muito mais como um “civil” do que como um candidato que emergiu directamente da sociedade política.
Para cumprir o seu Programa, Pedro Passos Coelho terá que assumir plena independência face a muito do aparelho que “cheirou” a sua vitória e, só por isso, o apoiou. Mas que, tantas vezes dependente do Estado, está longe, muito longe, de reflectir as ideias do candidato vencedor.
Oxalá leve em frente algumas propostas do seu Programa liberal. A começar pela livre escolha na saúde e na educação. E centrando o Estado nas suas funções essenciais. Todos ganharíamos e ganharia Portugal.

domingo, 28 de março de 2010

Nos 200 anos do nascimento de Alexandre Herculano


“…A lua passava então pelas alturas do céu. O ar, posto que frio, estava manso e diáfano. Era uma formosa noite de inverno; mais formosa que as sossegadas noites de estio. As árvores, na maior parte desfolhadas, deixavam o luar, por entre os ramos despidos e tortuosos, desenhar no chão figuras estranhas que vacilavam indecisas: os robles nodosos e calvos, misturados com os rochedos piramidais, que se alevantavam irregulares e fantásticos nas arestas das encostas íngremes, nas lombadas penhascosas das serras, pareciam fileiras de demónios, caminhando de roldão a despenharem-se nos vales ou dançando nas alturas. Os cavaleiros, correndo à rédea solta, sentiam coar-lhes nas veias involuntário terror, aumentado pelo estrupido soturno da cavalaria sarracena, que soava e se ia morrer a grande distância num quase imperceptível sussuro…”
Alexandre Herculano, no livro Eurico, o Presbítero

Quando já é considerado escritor quem escreve um livro de 300 páginas, utilizando 150 palavras, é bom recordar, no dia de hoje, os 200 anos do nascimento de Alexandre Herculano, historiador, poeta e romancista, um dos nossos maiores mestre da língua portuguesa, agora lamentavelmente esquecido nos programas escolares.

Hospitalidade americana

Estamos agora a despedir-nos da Carolina do Norte, com um belo sabado dedicado aos templos de consumo e um concerto no Raleigh Center of Performing Arts de dedicado a temas de filmes que ganharam oscares ao longo de varias decadas. Mas o que queria contra-vos foi o jantar que ontem tivemos na modalidade de “home hospitality”, em que o grupo foi dividido por varias familias que se dispoem a receber nas suas casas os visitantes convidados pelo Visitors Exchange Program.
Calhou-me um casal fantastico, ambos por volta dos 60 anos, a Rebecca e o Scott, que vivem numa daquelas casinhas que lembram a casa dos anoezinhos da branca de neve, escondida no bosque. Um bairro muito tranquilo, cheio de jardindizinhos e cerejeiras floridas – estamos em plena epoca do “cherry blossom” e das magnolias em flor, um deslumbramento – ele formado em Harvard e com uma pequena empresa mas dedicado ao design, a fotografia, as viagens, um excelente observador, interessado nas conversas mas muito discreto. Ela, uma forca da natureza, a falar sem parar, optima cozinheira, coleccionadora de tudo o que possa representar os inumeros lugares onde ja esteve, sobretudo em Africa, mas tambem em Portugal, onde diz que “perdeu 10 cm de altura” com o peso que trouxe de “pottery”, bordados e objectos de toda a ordem. A Rebecca e voluntaria numa serie de iniciativas, por exemplo e guia nos museus porque foi professora de historia, fundou uma associacao de mulheres profissionais porque acha que faz falta trocar experiencia e fazer “net work” e fala sem parar em mil coisas que esta sempre a por em pratica. Alem disso tem uma actividade professional intensa porque se dedica a fazer uma coisa curiosissima: fabrica botoes de punho a partir de selos de correio!e ja os vende para varios paises. Nem imaginam o efeito, gavetas e gavetas de selos de todo o mundo e de todos os temas transformados em originais enfeites de camisas. Trabalha em casa e para a ajudar contrata estudantes a quem pode tambem fornecer alojamento, e diz com muito orgulho que alguns ja sao hoje medicos e que outro esta agora a terminar a licenciatura.
No jantar estava tambem um casal amigo que convidaram para animar o serao, ela e directora da Peace University, que tem a particularidade de ser uma universidade so para mulheres. Falamos tanto e de tanta coisa que era meia noite e ainda estavamos todos sentados a mesa o que e uma absoluta raridade aqui. Os outros grupos chegaram aos hotel pouco depois das 9h e ja estavam preocupados com o que nos teria acontecido de tal modo era improvavel que o serao fosse tao prolongado.
Despedimos-nos com pena, trouxemos como consolacao uma linda fotografia do grupo, tirade na altura pelo Scott, umas conchas da coleccao dela, da prais da Caroina do Norte e, claro, um lindo par de botoes de punho feitos com selos, esou ansiosa por fazer sucesso com eles!
Saudades a todos, ate para a semana!

sábado, 27 de março de 2010

Vitória de Durão Barroso… a 1ª do segundo mandato

Na passada semana, o presidente da Comissão Europeia obteve a sua primeira vitória desde da sua renomeação, ao “forçar” Angela Merkel a acordar com os demais estados membros da área do euro, uma solução concreta para a crise financeira que está a dilacerar a Grécia. Tal solução ficou plasmada no comunicado que emanou do Conselho Europeu de 25-26 últimos e que pode ser resumida nos seguintes pontos: (i) qualquer operação de assistência financeira a um estado membro deverá contar com a intervenção do FMI; (ii) a participação financeira de cada estado membro da UEM deverá ser proporcional à respectiva quota no BCE – na prática tornando a Alemanha o principal contribuidor das operações de resgate que venham a surgir; (iii) a efectivação do financiamento ficará sujeita a condições estritas impostas sobre o país recebedor, a definir casuisticamente – implicando a ingerência da UEM/FMI em matéria até agora sob a alçada da soberania orçamental dos estados membros.
Para se apreender o significado da vitória de Durão Barroso é necessário recuar até ao Conselho Europeu de Fevereiro, o qual foi presidido pela primeira vez por Herman Van Rompuy. Dessa cimeira resultou o princípio de que os países da UEM deixariam os mercados financeiros exercerem máxima pressão sobre os países mais endividados, de forma a obrigá-los a acções correctivas determinadas; mas que uma vez implementada essa acção correctiva, não seriam tolerados ataques especulativos que pusessem em causa estabilidade do euro. Implícito estava um mecanismo de auxílio eventual à Grécia, caso o tesouro grego não conseguisse suprir as suas necessidades de financiamento nos mercados internacionais.
Esta foi a forma como o conselho Europeu ultrapassou a tensão entre a necessidade imperiosa de levar as autoridades gregas a implementar um programa credível de redução do défice orçamental, por um lado, e a necessidade de garantir a solvência do estado grego e, logo, a integridade da área do euro, por outro. De acordo com os relatos da imprensa internacional, o desfecho do conselho de Fevereiro só foi possível graças à engenharia diplomática do presidente do Conselho, razão pela qual o princípio atrás enunciado ficou conhecido como a “doutrina Van Rompuy”. No modelo bicéfalo de organização da União Europeia que resultou do Tratado de Lisboa, Van Rompuy destacou-se ao assumir a liderança do processo de resolução da crise das finanças públicas da área do euro, deixando Durão Barroso arredado de qualquer protagonismo.
A “doutrina Van Rompuy”, apesar de difusa, teve o mérito de conseguir conciliar as sensibilidades dos diversos países e acalmar os mercados financeiros; mas isso foi numa altura em que as necessidades de financiamento da Grécia ainda não eram muito prementes. Contudo, com a aproximação dos meses de Abril e Maio – altura em que cerca de metade do total da dívida pública da Grécia que tem que ser refinanciada em 2010 se vence – a perspectiva de comprometimento de fundos para a Grécia gerou grande desconforto, em especial na Alemanha, onde, segundo uma sondagem recente, ¾ da população considera que a Grécia deve ser expulsa do euro caso não consiga financiar a sua dívida pelos seus próprios meios. Confrontada com eleições regionais em Maio – que afectarão a composição da Câmara Alta alemã (Bundesrat) – a chanceler Merkel começou a sofrer enormes pressões internas que se traduziram numa posição de grande relutância da Alemanha quanto à eventual participação directa numa eventual operação de resgate à Grécia. Foi neste contexto, que, numa manobra de grande astúcia política, Durão Barroso afirmou que a ausência de um mecanismo de assistência financeira no seio da UEM poderia ter consequências irreparáveis para o processo de integração europeia, colocando o ónus de uma eventual desintegração do euro na Alemanha.A Srª Merkel cedeu e com isso foi reposta uma maior paridade entre a presidência do Conselho e a presidência da Comissão neste aspecto decisivo da vida da União Europeia.

Perpetuar a memória dos ainda vivos.

Podemos ir a certos lugares com pretexto ou sem pretexto. Mas sem pretexto começa a ser um pouco mais complicado, devido à falta de tempo misturada com uma certa dose de preguiça.
Mafra sempre me atraiu, por mil e um motivos. O mais velho de todos foi uma construção da cartolina que, em miúdo, vi na casa de um vizinho que se entretinha a construir monumentos. Recordo de um outro, porque era o que gostava mais, a Torre de Belém. Depois fui adicionando uns atrás de outros, graças à história, às estórias dos militares que iam para aquelas bandas fazer a recruta e, mais recentemente, à literatura.
Mal sabia eu que um dia iria a Mafra graças a um partido político. Antes, já tinha equacionado, por mais de uma vez, tirar uma tarde lisboeta que costumo desfrutar quando vou em serviço académico ao permanecer um dia para outro. Não foi preciso. Colocaram-me à cabeça de uma lista de delegados e marchei, na data aprazada, para o local.
Cheguei numa manhã de sol, embora muito fria. Passei em frente do convento, o qual, à primeira vista, me encheu as medidas, embora esperasse que fosse um pouco mais largo. Recordei o velho convento de cartolina.
O congresso realizava-se num avantajado e moderno parque desportivo. À entrada, letras gigantes descreviam o lugar e um nome, Parque Desportivo Municipal Eng. Ministro dos Santos. Quem terá sido este senhor? Pensei. Algum benemérito, alguma figura que a terra decidiu “perpetuar” por feitos, com toda a certeza. Só assim se compreende, atribuir o nome de alguém para que os vindouros não se esqueçam do passado, do valor e obras de personalidades que merecem ser conhecidas para além do seu tempo. Aceito estas práticas com naturalidade. Mas, afinal, o homem ainda estava vivo e falou no decurso do congresso. Era o presidente da Câmara! Caramba. É preciso descaramento atribuir ou deixar que atribuíssem o seu nome em circunstâncias desta natureza. Não é caso único. É uma prática, pelos vistos, muito comum, sobretudo em autarcas que, assim, se vão “libertando da lei da morte”. Tiques de auto estima e de vaidade sem limites que não lhes fica nada bem.
Quando vou por esse país fora tropeço em situações que me chamam a atenção, quando me deparo com nomes que desconheço. De quem é aquele busto? E aquela estátua? Dizem-me que são pessoas da terra que já morreram e que foram excelentes pessoas. A seguir debitam um reportório de virtudes, sobretudo se tiveram algum relacionamento pessoal ou lhes foram transmitidas pelos pais e avós. Outros, entreolham-se, levantam os ombros, fazem descair os cantos dos lábios e ficam por ai.
A morte, quando se lembra de apoucar a vida, faz nascer, quase de imediato, um estranho filtro que só deixa passar as virtudes, travando os defeitos. Os vivos olham para essa estranha parede, tentando ver o que está do outro lado. E não é que começam a ver que afinal se tratava mesmo de uma boa pessoa? Ainda tentam deslumbrar alguns dos seus defeitos. São poucos os que conseguem ver algumas dessas sombras, talvez por representarem acontecimentos muito duros e que os marcaram a ferro e fogo. Mas esses, com o tempo, transformam-se em míopes.
O desejo dos homens, que querem perpetuar-se através dos tempos, é pura ilusão. Voltando aos autarcas, que se comportam como fracas réplicas dos imperadores romanos, as suas lembranças caem no caixote do esquecimento à medida que o tempo passa, e como passa depressa, em breve, os seus nomes servirão apenas para designar uma qualquer rua para que os pobres e ingratos cidadãos possam receber avisos de cobrança, recibos para pagamento da água ou da luz, uma notificação do tribunal, uma multa de estacionamento, sim, porque já não recebem cartas de amor. Se lhes perguntarmos quem foi o senhor, ou a senhora, cujo nome está gravado na placa ao início da rua, ou de quem é o busto que ornamenta um recanto de um qualquer jardim, dizem que não sabem e nem mostram qualquer interesse em saber. Para quê? A perpetuação dos nomes é uma mera ilusão à procura do natural e desejável silêncio que, mais tarde ou mais cedo, irá ocupar o lugar de onde nunca deveria ter saído, o estranho mas natural esquecimento.
Agora querem propor e aprovar uma lei para que não sejam atribuídos nomes às ruas, a equipamentos sociais e culturais, ou que se façam estátuas, bustos ou quaisquer outras homenagens com dinheiros públicos a pessoas vivas. Quando se olha para um desses “monumentos”, os homenageados vivos são vistos de forma nua e crua sem a ajuda de um filtro, o tal que só deixa passar e visualizar aquilo que a morte deixa e impõe. Impõe, porque através do filtro seletivo nunca se sabe que tormentos ou malfeitorias os poderes ocultos dos mortos são capazes e o melhor é não vê-los ou fingir que não se veem, o que vai dar ao mesmo. Também será uma forma de evitar que alguns vejam os seus nomes retirados de certos locais por estarem apenas vivos. O melhor é deixar para “depois” a resolução destes assuntos que mexem com a perpetuidade efémera da glória humana.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Saída pela janela

Hermínio Loureiro demitiu-se de Presidente da Liga de Futebol logo que soube o teor da sentença do Conselho de Justiça que diminuía drasticamente a pena aplicada pela Comissão Disciplinar da Liga aos jogadores Hulk e Sapunaru.
Pensei que essa decisão se devia ao facto de se sentir também, ainda que indirectamente, responsável pelo castigo sem nome arbitrariamente aplicado por responsáveis que ele próprio escolhera, quando, há quatro anos, se candidatou ao cargo.
Seria uma atitude digna, ao ver que um órgão da entidade a que presidia fora capaz de uma sentença tão vil, tão mais vil quanto, na mesma se reconhecia a desproporcionalidade da pena.
Mas, lendo e ouvindo as notícias, verifiquei que Hermínio Loureiro se demitiu, não por essa razão, mas para exprimir solidariedade pela sentença da Comissão Disciplinar e revolta pela sua revogação.
A ser assim, Hermínio Loureiro negou-se como dirigente desportivo.
Como dirigente desportivo, sabia que havia uma hierarquia dos órgãos disciplinares, e tinha o dever, antes de mais, e como primeiro responsável, de acatar a decisão. Não o tendo feito, mostrou que não tinha o perfil de dirigente .
Ao desprezar assim as normas que regem a disciplina da instituição a que presidia, Hermínio Loureiro deixa a grave suspeita de que considerou terminado o seu papel quando verificou que não podia continuar a apoiar, sem ficar totalmente descredibizado, quem vinha torturando as leis e regulamentos de forma a interpretá-los apenas como meio de satisfazer os seus objectivos pessoais ou aqueles a que se obrigou.
Por isso, não sai de forma alguma inocente no atentado à concorrência, verdadeiro "crime económico" de que uma empresa SAD foi vítima, privando-a ilegitimamente de recursos humanos importantes à consecução da sua actividade económica e desportiva.
Para além do mais, e noutro plano, também se esperaria dele que tivesse uma atitude consentânea com o lema de que “na dúvida, a favor do réu”, e nunca a de desejar e querer que, na dúvida, a pena fosse a mais injusta e desproporcionada.
Hermínio Loureiro, pese as loas que está a receber, não sai pela porta principal e, sobretudo, sai indignificado da função. Sai pela janela ou pela porta escusa dos fundos.

Hello everybody!

Aqui do outro lado do Atlantico vou sabendo algumas noticias da terra Patria e vou conseguindo tirar algum proveito destas fantasticas tecnologias que nos globalizam mesmo quando a habilidade nao abunda. Este periplo por alguns Estados americanos tem como objectivo dar a conhecer os arduos caminhos da reforma educativa nos EUA e, passada quase uma semana desde que aqui cheguei o que posso dizer e que tem sido muito interessante e muito intenso, ao ponto de ainda nao ter sido possivel fazer compras!
Em Washington consegui jantar duas vezes com os meus velhos amigos de ha vinte e tal anos, fui a casa deles e tive o prazer de confirmar que conseguiram realizar o “American dream of life” – numa versao da vida real, sem os exageros dos filmes, mas com um nivel de conforto e tranquilidade muito evidentes. Foi um excelente marco nesta viagem.
Estamos agora a visitar a Carolina do Norte, reconhecida pela qualidade do seu sistema educativo, da investigacao nesta area e da Universidade. O programa, muito bem organizado, mostra os varios niveis de decisao e de organizacao em material educativa, pelo que tivemos reunioes com os Departamentos ao nivel federal, Estadual e Local, apresentacoes sobre a organizacao e processos de decisao, contactos com muitos dos que influenciam as decisoes e outros que tem que as executar.
Os problemas e dificuldades sao, em geral, os mesmos que ai nos consomem, embora a uma escala proporcional e a crise afectou seriamente todos os projectos, perspectivas e formas de actuar. E muito interessante sentir que cada uma das pessoas com quem falamos e que estao, de uma forma ou de outra, envolvidas na area da educacao, estao profundamente conscientes das dificuldades e procuram readaptar se as novas circunstancias mantendo os mesmos objectivos. Discute-se agora aqui seriamente as mudancas no modelo de financiamento e de avaliacao que estava em vigor – um plano de accao chamado No Children Left Behind, aprovado em 202 com larga maioria e que fixou metas e standards para medir o progresso educativo. Basicamente, ha menos dinheiro mas e preciso ser mais exigente, tem que se fazer mais, mais depressa, com menos meios.A discussao resulta sobretudo do facto de o Governo Federal ter que aumentar o financiamento para as escolas porque a crise levou a que o financiamento local sofresse fortes quebras nas zonas mais afectadas pelas falencias e pelo desemprego exigindo, em contrapartida, uma maior capacidade de intervencao na definicao de politicas ao nivel de todo o pais. Ora, uma maior intervencao do poder central e muito mal aceite e as discussoes sobre as vantagens e inconvenientes multiplicam-se.
Em qualquer caso, e consensual que os americanos tem o direito de saber como evoluem as suas escolas, se o que ai se ensina corresponde ou nao as expectativas de uma vida melhor, como e que se gasta o dinheiro dos impostos, quem sao os bons e os maus professores. Daqui para a frente ja os consensos se esbatem mas em termos gerais creio poder afirmar que, se ninguem afirma ter a solucao milagrosa para resolver tudo de uma penada, todos estao muito envolvidos em contribuir para um bom resultado. Pelo menos ate agora, se e evidente alguma relutancia, nao detectei nem a crispacao nem a arrogancia de muitas das intervencoes a que assisti em Portugal a proposito do mesmo debate. Uma coisa parece evidente, e essa e que ninguem aceita que se fique parado a pensar.
Ate para a semana! (desculpem a ortografia globalizada)

Felicidades, Manuela!

1. Manuela Ferreira Leite (MFL) termina hoje o seu mandato como Presidente do PSD depois de ontem ter contribuído decisivamente para a viabilização política da resolução da AR sobre o PEC 2010 – 2013, conseguindo fazer prevalecer o seu entendimento num Partido ao que consta extremamente indeciso sobre como votar.
2. Poderei não concordar com a última grande decisão política de MFL, tendo como mais provável que a aprovação do PEC no essencial vai assegurar o prosseguimento de uma política que há vários anos equivocada, enfraquecendo inelutavelmente a economia na medida em que crescentemente transfere recursos dos sectores produtivos mais dinâmicos e expostos à concorrência para os afectar a um Estado (em sentido amplo) gordo, anafado, gastador e terrivelmente ineficiente...
3. A não aprovação do PEC poderia ter riscos elevados, não nego, mas poderia também ter a virtude de obrigar o País a pensar numa alternativa de política económica.
4. A adopção do PEC traduz na minha perspectiva a prevalência de um estado de resignação com a mediocridade: estamos muito mal, é certo, não temos qualquer esperança no futuro, a grande maioria assim pensa concordam...mas não será melhor assim do que correr o risco de ficar pior?
5.Tenho a noção de que uma sociedade que pensa assim, que faz escolhas com base em critérios tão conservadores e na resignação, não vai muito longe...por opção própria é certo.
6. Mas tenho de admitir opinião diferente e nomeadamente que honestamente haja quem pense que a não aprovação deste “pobre” PEC, apesar de todos os aspectos negativos que envolve poderia acarretar custos demasiadamente elevados...terá sido esse o caso, seguramente, de MFL.
7. Estou no entanto a desviar-me já do objectivo essencial deste Post que é, apesar das diferenças que nos separam em relação à decisão ontem tomada, deixar aqui uma nota de excepcional apreço por MFL, pelas suas notáveis, imensas qualidades humanas e políticas.
8. Direi que o episódio de ontem deixou bem claras as razões pelas quais ela perdeu as eleições de Outubro último. MFL é uma pessoa que diz o que pensa e pensa em função dos interesses do País...não vai atrás de modas nem é capaz de promessas incumpríveis...
9. MFL é uma pessoa que não consegue mentir e é hoje absolutamente óbvio que o seu discurso na última campanha eleitoral – que por exemplo tantos empresários denegriram, mais em privado do que em público é certo(...) – era um discurso de verdade e que o discurso que ela combateu, mas que acabou por vencer, era um discurso de mentira...
10. Não me posso esquecer, neste dia, os momentos amargos que MFL viveu depois do discurso do Presidente Sampaio, na AR em 25 Abril 2003 – o célebre discurso do “há mais vida para além do Orçamento” - que lhe impôs as maiores dificuldades na condução de uma política orçamental que hoje se conclui ser exactamente a política exigível para aquela altura...
11. Estou certo de que MFL não acabou a sua carreira política – a carreira política não se esgota na direcção partidária... – mas o que já fez garante que ficará para a história como uma das pessoas mais decentes da política portuguesa do pós-25/IV, uma pessoa de convicções, de frontalidade, de subordinação do seu discurso e da sua acção sempre aos interesses fundamentais do País.
12. Felicidades, MANUELA!

A Resolução do PEC

Admito que tenha sido difícil para o PSD, em plena campanha eleitoral para líder do Partido, viabilizar a Resolução da Assembleia da República que aprova o PEC.
Não por ser um documento do Governo, mas porque é um plano que visa sanear uma situação em que, àparte a crise de 2009, o Governo teve a maior das responsabilidades. E também porque não favorece o crescimento, inclui o aumento de impostos e não considera medidas imprescindíveis para diminuir radicalmente a despesa pública.
Mas votar contra a Resolução do PEC, quando em Bruxelas, mais uma vez, se discutia o PEC da Grécia e o apoio a este país e a Fitch diminuía o rating da República Portuguesa, seria lançar gasolina sobre fogo.
Antes do Partido, está o País, como dizia Sá Carneiro, e ontem Ferreira Leite invocou.
E a nova liderança do PSD, se os cidadãos lhe vierem a dar a confiança para governar num futuro que se espera próximo, poderá alterar a medidas que achar incorrectas no sentido de propiciar a desejada estabilidade e crescimento.
Esteve bem PSD. E mostrou mais uma vez que, nos momentos graves, é o Partido mais confiável.

A cultura de subsídio dependência...

Caíram-me bem algumas das ideias que a Ministra da Cultura manifestou numa entrevista recente, muito embora continue a não conseguir entender muitas perplexidades da política que tem sido prosseguida na área da cultura. Desde logo a própria definição de cultura, assim como não compreendo porque não investimos a sério na reabilitação do magnífico património histórico por esse País fora povoado ou porque é que há falhas básicas de pessoal no normal funcionamento dos museus.
Nunca entendi verdadeiramente a política de atribuição de subsídios a iniciativas e projectos artísticos. Tenho a ideia de que também neste sector têm sido fornecidos incentivos perniciosos que promovem uma cultura de subsídio dependência. Esta é uma via que acaba por atrair, é certo, um cada vez maior número de entidades candidatas , mas nem sempre pelas melhores razões, sem cuidar de assegurar o mérito das produções artísticas. É também uma via que, exercendo uma maior pressão do lado procura, tem também contribuído para o crescimento dos orçamentos de subsídios.
Revela a Ministra da Cultura que “…o MC tem que ter a coragem de aplicar melhor as suas verbas. Tem havido alguma preocupação em satisfazer clientelas. (…) O MC tem que ter a coragem de subir a fasquia, diminuir o número de apoios e apostar na qualidade. (…) Acho que é preferível apoiar mais e melhor menos intervenientes do que espalhar pouco por muitos, o que leva não a um crescimento sustentado mas apenas a ter mais intervenientes no sistema.”
São ideias que denotam uma alteração de mentalidade política e por isso são bem vindas. Resta saber se a Ministra da Cultura tem vontade de enfrentar com êxito as ditas “clientelas”.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Enorme satisfação V

Acabaram de me explicar a verdadeira diferença entre a situação de Portugal e a da Grécia:
"O Governo Grego aldrabou os gregos, os mercados e a Comissão Europeia.
O Governo Português ainda só aldrabou os portugueses!"

O sabor de uma pausa...

Chopin Nocturne Op. 9 No 2 - Yundi Li -

Às vezes sabe mesmo bem uma pausa….
Ainda mais merecida quando este ano se comemora o bicentenário do nascimento de Frédéric Chopin. Por todo o mundo, em particular na Polónia, sua terra Natal, Chopin será recordado pelo seu extraordinário talento para a música através das melodias que escreveu.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Clarinho, clarinho p`ra oficial entender!...II

Dívida Pública em 2004: 90,7 mil milhões de euros, 62,9% do PIB
Dívida Pública em 2005: 101,8 mil milhões de euros, 68,3% do PIB
Dívida Pública em 2006: 108,6 mil milhões de euros, 69,9% do PIB
Dívida Pública em 2007: 112,8 mil milhões de euros, 69,1% do PIB
Dívida Pública em 2008: 118,5 mil milhões de euros, 71,3% do PIB
Dívida Pública em 2009: 132,8 mil milhões de euros, 80,6% do PIB
Dívida Pública em 2010: 146,8 mil milhões de euros, 87,7% do PIB

Para nos endividar, bastou o Governo.
Para acalmar as Agências de Rating e os Credores, invoca-se a Oposição!...

Enorme satisfação IV

... cresce o meu contentamento com o estado do País.
Agora, o PSD vai permitir a aprovação do PEC.
Para quê ?
Acreditam que este dito "programa de estabilidade" vai estabilizar alguma coisa ?
Acham que este "programa de crescimento" vai permitir algum crescimento ?
Não acham. Estão fartos de o dizer!!
Não acreditam, mas vão fazer o frete de permitir a aprovação de uma monstruosidade em nome do "interesse nacional" ?
Tal como sucedeu com o Orçamento do Estado para 2010, vão viabilizar algo com que não concordam, em que não se revêem e que acham que não vai ser realizado.
Só faltará que este PEC seja rejeitado pela Comissão Europeia e pelas agências de rating...
... é óbvio que os portugueses não o aceitam.
E o CDS já percebeu o filme.

Oposição e "interesse nacional": preciosa matéria-prima!

1. Um altíssimo responsável das Finanças terá dito hoje algo de parecido com o seguinte “...está nas mãos da Oposição evitar que o rating (da República Portuguesa, supõe-se) se reduza ainda mais”...
2. Magnífico! As finanças públicas são geridas há não poucos anos de forma altruísta e muito aprumada, “exemplae gratia”:
- Gastam-se rios de dinheiro que não se deviam gastar – alguém sabe, porventura, quanto se gastou com a aventura do Aeroporto na Ota, quanto custa o desvario persistente na gestão de empresas públicas...?
- Tributam-se os rendimentos de particulares e empresas a torto e a direito, haja ou não rendimentos tributáveis (onde para a tributação pelo lucro real que a Constituição consagra?), afastando inexoravelmente o investimento...;
- Cometem-se erros de palmatória como é o caso da política para os Certificados de Aforro, que por teimosia incompreensível comete a proeza de, numa assentada, (i) desincentivar fortemente o tão necessário aforro de residentes e (ii) agravar o custo da dívida pública, colocando-a a juro muito mais elevado junto de não-residentes...
3. Mas não haja preocupações, quando a infindável acumulação de erros atinge o ponto em que os mercados e as malévolas agências de rating nos impõem sacrifícios e mais sacrifícios...lá vem o argumento salvífico: a Oposição não pode deixar de ser responsável, deve "fechar os olhos" pois o “interesse nacional” não pode deixar de estar acima das divergências políticas.
4. Não importa como é que se chegou a este ponto, não importa esclarecer o que seria absolutamente indispensável e prioritário – quando é que se percebe que a apropriação crescente de recursos por parte do Estado nos conduz a um inexorável empobrecimento, impedindo a necessária recuperação da economia? Isto é tudo secundário à luz do tal “interesse nacional”...
5. Não me espantaria que, pelo andar da carruagem, viéssemos dentro de algumas semanas a concluir ser necessário um Orçamento Rectificativo em 2010...o que seria extraordinário atento o facto de o Orçamento ter acabado de sair do forno, ainda está quente...
6. Mas estejamos tranquilos se tal acontecer: uma vez mais o decantado “interesse nacional” será desenterrado para que a Oposição viabilize o dito Rectificativo...se não quiser que os mercados e as malévolas agências percam de vez a paciência connosco...
7. Que preciosa matéria-prima o “interesse nacional” e a Oposição constituem para a indústria do discurso oficial...preciosa e quase inesgotável, segundo parece...

Orgasmo interrompido!...

Vinha no carro e ouvi que tinham sido confirmados os castigos de 4 e 6 meses aos jogadores Hulk e Sapunaru. Estranhei, até porque o órgão decisor, o Conselho de Jurisdição, é constituído por juristas competentes e profissionalmente experimentados, Desembargadores e Conselheiros jubilados, que não precisaram e, muito menos, agora precisam do futebol para fazer carreira.
Passada meia-hora, veio o desmentido. É que muitos jornalistas, logo com enorme festança, interpretaram “decisão convolada” com o seu desejo de decisão confirmada.
Para além do erro clamoroso, mais penosas foram as explicações. Desde decisão congelada a erro de redacção tudo serviu para explicar o erro fatal.
Justifica-se. Orgasmo interrompido não permite raciocinio certo!...

A grande bomba da primavera!...

Não é intenção do Governo privatizar a RTP.
Jorge Lacão, Antena 1.
Cruzes, canhoto!...

terça-feira, 23 de março de 2010

Clarinho, clarinho, p`ra oficial entender!...I

Despesa Corrente do Estado em 2004: 59.368 milhões de euros
E surgiu o forte ímpeto socrático:
Despesa Corrente do Estado em 2005: 64.567 milhões de euros
Despesa Corrente do Estado em 2006: 66.646 milhões de euros
Despesa Corrente do Estado em 2007: 69.007 milhões de euros
Despesa Corrente do Estado em 2008: 71.938 milhões de euros
Despesa Corrente do Estado em 2009: 73.968 milhões de euros
Despesa Corrente do Estado em 2010: 75.610 milhões de euros
"Se a Assembleia da República recusar dar esse sinal (de consenso político sobre o PEC) teremos graves problemas no financiamento [da República] com consequências graves na actividade económica"-Teixeira dos Santos, hoje, na Assembleia da República.

Para gastar, bastou o Governo
Para remediar, o Governo invoca a Oposição!...

Revelações da nova biblia: Abel era gémeo de Caim


Também eu li o que o Pinho Cardão deixou anotado no post anterior. Apareceu pela comissão de orçamento e finanças da AR um personagem, Teixeira dos Santos de seu nome, que disse que "há um risco sério de enfrentarmos dificuldades significativas no financiamento da economia portuguesa, se não formos capazes de dar sinais claros de controlo do deficite e da dívida pública". O mesmo Teixeira dos Santos foi ao ponto de defender um programa alargado de privatizações e a considerar - que o socialismo lhe perdoe a heresia! - a possibilidade de a prazo a RTP (sim, a RTP!) ser privatizada!

Olhando para o personagem, as parecenças físicas com o ministro das finanças são espantosas. Como espantosa é a coincidência do nome. Tal como o ministro também este se chama Teixeira dos Santos. Um caso de gémeos desencontrados desde o útero.

Mas tudo os distingue para lá do nome e da figura. Ao contrário do que defendeu o Teixeira dos Santos que há pouco depôs no Parlamento, o Teixeira dos Santos ministro garantia ainda há alguns meses atrás, à beira de eleições e mesmo depois delas, que a economia portuguesa não corria qualquer risco significativo de financiamento e que até dava sinais de recuperação de fazer inveja a outros. Que o deficite estava controlado e que o endividamento público não lhe dava dor de cabeça alguma porque outros o tinham maior.

Este outro Teixeira dos Santos que fez de advogado do PEC junto dos deputados, é notoriamente mais bota de elástico.
Quem o ouve a defender a necessidade do PEC para vencer a voracidade financeira do Estado, para diminuir a hemorragia da dívida e para credibilizar o País junto do mercado e das instituições internacionais, não pode deixar de admitir que, nesta nova versão bíblia socialista, Abel e Caim são irmãos gémeos.

Mas, no final, será Abel a matar Caim, ou o contrário?

Não esperemos para ver...

Partilhar o erro...

«Há um risco sério de enfrentarmos dificuldades significativas no financiamento da economia portuguesa, se não formos capazes de dar sinais claros do controlo do défice e da dívida pública.»
Teixeira dos Santos, esta manhã, na Comissão de Orçamento e Finanças, tentando convencer os Deputados do PSD e do CDS a aprovar o PEC.
É assim como aquele sujeito que matou o pai e a mãe e pede clemência ao Tribunal por ser órfão...

Oportunidade de negócio


Diz-se que as crises são tempos de oportunidades. Mas a verdade é que por estes tempos não abundam as oportunidades. Por isso é digno de destaque o surgimento de um novo e sólido negócio. O governo, fazendo jus à promessa de criar umas centenas de milhar de empregos, abriu a alguns jovens licenciados - de cursos a que ninguém vaticinava grande futuro aqui há uns anos atrás -, um verdadeiro campus para o desenvolvimento de negócio lucrativo. Fê-lo, aliás, sem grande esforço e com capital alheio, o dos contribuintes. Bastou-lhe estabelecer como filosofia oficial a obrigação de benchmarking entre os diferentes serviços da administração pública, filosofia que constituiu o princípio e o fim da reforma da administração pública do anterior governo.

Não há dia algum que não receba convite para "participar" (pagando) em acções de formação, conferências, seminários, debates, exposições e até roadshows sobre a avaliação de desempenho dos serviços públicos e dos seus funcionários. Fui a uma. Mas fiquei com a sensação que a minha intervenção não foi lá muito apreciada. É que depois de ouvir a exposição do sábio de serviço, perguntei se depois da burocracia da eleição, discussão e aprovação de objectivos, e da avaliação dos funcionários e serviços com base nos objectivos seleccionados ainda sobraria algum tempo ao dirigente ou ao funcionário para desempenhar as suas funções.

Da experiência e da já consolidada ideia de que para garantir o permanente benchmarking se torna fundamental que toda a administração pública viva em formação permanente, o negócio da consultadoria externa nestas matérias revela-se um dos poucos garantidamente sustentáveis nos tempos que correm.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Motivo de satisfação...

O Senado dos EUA aprovou ontem a reforma do sistema de saúde. A Health Care Bill irá permitir que 32 milhões de pessoas tenham direito à prestação de serviços de saúde, até agora excluídas por virtude de não disporem de rendimento para pagar um seguro de saúde.
Segundo o Budget Office, as novas despesas serão compensadas por poupanças na Medicare e por novas taxas e impostos, incluindo uma taxa sobre os planos de saúde com maiores benefícios suportados por empregadores e o agravamento de impostos sobre remunerações dos investimentos dos americanos com rendimentos elevados.
O Presidente Obama logrou aquilo que o Presidente Bill Clinton não conseguiu, no sentido de reformular o sistema de saúde americano. O Presidente George W. Bush, do mesmo modo, falhou a aprovação de uma mudança histórica, durante o seu segundo mandato, para criar contas privadas no sistema de segurança social.
Obama lutou com a paixão própria da sua campanha eleitoral. Ganhou esta batalha política em nome da justiça social, com clivagens partidárias e políticas sérias e certamente que secundarizando muitas outras prioridades. Basta referir que 39 Democratas se juntaram à oposição unânime dos Republicanos no voto contra a reforma.
Congratulo-me com a decisão da inclusão de 32 milhões de pessoas (cerca de 10% da população) - excluídas pela condição de pobreza ou desemprego ou ainda por inadequação dos capitais seguros à doença declarada - no acesso a cuidados de saúde (prevê-se que sejam progressivamente abrangidas até 2019). Se tudo correr bem, no final não haverá pessoas abandonadas à sua própria sorte. Um assunto a seguir com atenção...

O PEC-"fetiche"? Lamento, mas não assumo...

1. Tenho-me dado conta de que está em curso uma operação mediática intensíssima que parece ter como objectivo transformar o PEC numa espécie de “fetiche”, com a virtude de sinalizar, misteriosamente – a médio prazo, claro - melhores dias para a economia nacional e para os portugueses...
2. Ainda não se lembraram de dizer que Barack Obama está de alma e coração com o PEC, que até se comoveu imenso quando o leu, mas esse decisivo argumento ainda pode ocorrer um dia destes...
3. Esta tentativa de criação de um estado de alma colectivo, em torno de um PEC-“fetiche”, serve, entre outras coisas, para estabelecer uma distinção entre bons e maus cidadãos:
- Os bons são os que estão com o PEC (ou pelo menos não estão contra ele), são responsáveis e não querem que a imagem do País no exterior se degrade ainda mais...
- Os maus, que estão contra o PEC, desprezam o interesse nacional, não se apoquentam com o mau juízo que os credores possam fazer de nós...
4. Entretanto, usando uma figura de retórica própria dos criativos das agências de comunicação, o PM terá declarado, no fim-de-semana, algo de semelhante a “espero que o PEC venha a ser assumido pelos portugueses...”.
5. Dei comigo a pensar sobre o significado desta sábia expressão, bem como no convite, nela claramente ínsito, dirigido a cada um dos contribuintes lusos para que assumam a fé no PEC-“fetiche”...
6. Assumir uma aposta no PEC-“fetiche” implica um acto de vontade consciente e livre, que terá como melhor pressuposto - para além do óbvio desconhecimento do seu conteúdo - uma forte crença nas qualidades do documento/plano em questão para relançar a economia e definir um rumo de consolidação para as finanças públicas...
7. Para azar meu certamente, nada neste argumentário consegue convencer-me: não creio, por razões já aqui expostas mais de uma vez, que o PEC seja o instrumento adequado para dar um novo alento à economia ou tampouco para corrigir as insuficiências crónicas das finanças públicas.
8. E também não me considero em condições físicas e anímicas para acreditar de olhos fechados num PEC-“fetiche”...
9. Quando muito, como contribuinte cumpridor que tenho sido, lamentando não estar disposto a assumir o PEC-“fetiche”...terei de aceitar resignadamente o PEC-"só" - e já não é pouco, parece-me!

Bons exemplos de empresas

Felizmente que há empresas que não se demitem da sua função social. Recentemente, foi a caso da Jerónimo Martins, ao constituir uma Fundação cuja actividade já se nota em termos de serviço público prestado.
Também a Deloitte, na comemoração dos seus 40 anos em Portugal, resolveu promover dois significativos eventos. Uma das iniciativas, denominada Budget Watch, em colaboração com o Expresso e o ISEG, consiste na avaliação sistemática do Orçamento de Estado, através da ponderação de cerca de 50 quesitos por parte de personalidades da área empresarial e académica. Daí resultam dois índices: o Índice Orçamental ISEG, que analisa o rigor do Orçamento, transparência, capacidade de cumprir os objectivos previstos, e a qualidade da informação e o Índice Deloitte Pro Business, que procura qualificar o Orçamento de acordo com a sua capacidade para provocar um ambiente favorável aos negócios. São quesitos que normalmente passam ao lado do debate parlamentar, mas essenciais para avaliar um Orçamento ao serviço dos cidadãos e da economia e a que Governos responsáveis passarão a dar atenção.
Os Resultados, no que respeita ao OE de 2010, vieram já publicados na última edição do Expresso e a nota é francamente negativa: mesmo os académicos não passam dos 37 pontos em 100 (os empresários andam pelos 36 pontos em 100).
A outra iniciativa materializou-se no Projecto Farol, um think thank que tem vindo a reflectir sobre as mudanças estruturais de que o país necessita nesta época de globalização, de modo a desempenhar um papel activo e não ser submergido por ela.
As conclusões estão para breve e espera-se que sejam uma pedrada no charco em que nos vamos enterrando.
Enfim, duas excelentes iniciativas da Deloitte, exemplo para uma sociedade civil que se pretende activa e participativa.

Racionalidades

Ontem uma equipa de futebol fez entrar três vezes a bola na baliza do adversário, sem resposta. Ganhou uma taça.
A equipa vitoriosa pertence a uma SAD cujos títulos estão cotados no mercado de capitais.
Dizem-me que hoje o mercado nacional abriu e fechou a cair generalizadamente assaltado por receios vários de agravamento da crise. Mas os títulos daquela SAD observaram uma forte valorização.
.
Eis um exemplo da racionalidade das bolsas. Pelo que se vê, o valor dos títulos pouco ou nada têm que ver com o valor das empresas a que respeitam ou com a previsibilidade do rendimento da acção. Depende de uma bola entrar numa baliza. E até podem perder valor se apesar da bola entrar, entrar na baliza errada.
Isto passa-se com as SAD dos futebóis.
Será somente com as SAD e com os futebóis?

domingo, 21 de março de 2010

A Primavera parece que chegou...

Não sei se repararam, mas começou hoje a Primavera. Ainda pensei que seria mais um dia tristonho, pintado de cinzento, sem sol, com chuva, vento e frio. Em Lisboa o dia foi de Primavera, diferente dos dias de mau tempo que a natureza tem ditado invariavelmente desde há muitos meses. Um dia bonito, a respirar a alegria do bom tempo!

Audiências precisam-se...

Os desacatos começaram cedo entre apoiantes do F. C. do Porto e do Benfica que disputam hoje no Algarve a Taça da Liga.
Desde o final da manhã, e durante todo o dia, que o assunto de abertura dos noticiários das rádios e das televisões foi invariavelmente o confronto entre os adeptos de ambos os clubes e a carga policial que acabou por acontecer para impor a ordem.
Quando hoje liguei a rádio por volta das 12h recebi a notícia de grandes problemas algures a caminho do Algarve num tom de alarme que logo suspeitei que poderia ser desproporcionado. Um caso que foi imediatamente transformado numa grande reportagem, com muitos directos, primeiro à hora para rapidamente passar ao minuto, com testemunhos dos adeptos de ambos os clubes a atribuírem culpas uns aos outros e de testemunhas relatando as cenas. Os meios noticiosos colocados no terreno para fazer a cobertura dos desacatos terão estado à altura das audiências que seria expectável contabilizarem.
A Taça da Liga, que é sempre um acontecimento nacional importante, que os portugueses muito acarinham, foi brindada com mais um episódio de violência que é evidentemente condenável, mas que não deixou de servir de pretexto para uma onda mediática rendibilizada até à exaustão, como se o País e o mundo tivessem parado, como se nada mais estivesse a acontecer.
É Portugal no seu "melhor"...

Não saber a quantas andam...

Na 5ª feira passada, eu e mais quatro convidados visitámos uma empresa, onde reunimos com a Administração, visitámos a fábrica e almoçámos. No fim, fomos presenteados com uma caneta cuja marca não consigo vislumbrar, um porta-chaves normal e um porta-chaves com lâmpada embutida, tudo metido dentro de um saco de pano com o nome da empresa gravado. Por mero acaso, e como muitas vezes acontece em visitas como essa, não estava entre os presentes nenhum político, por exemplo, Ministro, Presidente da Câmara ou Vereador, nem funcionário público, por exemplo, do Instituto de Emprego.
Porque, caso estivessem presentes e aceitassem, a oferta equivaleria a suborno e, de imediato, significaria crime. Apanhados em flagrante delito por qualquer denúncia anónima, seriam logo convidados a ver o sol aos quadradinhos...
Feliz sou eu por não ser político nem funcionário. E posso perceber o desnorte dos Deputados do Partido Socialista: impedidos de receber relógios, agendas e calendários, não têm noção do tempo e do lugar, nem sabem a quantas andam...

sábado, 20 de março de 2010

Faz mal, senhor Primeiro-Ministro...

...faz muito mal em recusar-se a comparecer perante a comissão parlamentar de inquérito destinada a apurar se existiu ou não envolvimento do governo e do seu primeiro responsável, na tentativa de compra da TVI pela PT.
Pode até, com inteira legitimidade, o PM entender que aquela comissão o visa pessoalmente, como veio defender. Não pode, porém, justificar a falta de comparência (se for verdade a notícia de que não comparecerá) com o prestígio que é necessário garantir ao chefe do governo. É que é exactamente o oposto. É o PM que com esta conduta desrespeita o Parlamento perante o qual responde politicamente. E esse desrespeito não o eleva como político nem o prestigia como Primeiro-Ministro de um Estado democrático.
É verdade que o País precisa de um chefe de governo prestigiado. Mas não creio que esta recusa em responder perante o Parlamento, sejam quais forem as motivações do grupos parlamentares e dos deputados, seja um bom contributo. Bem pelo contrário.
Pode ser que entretanto algum assessor ou conselheiro mais esclarecidos ou mais atentos ao que se passa nas democracias, sobretudo nas velhas e consolidadas democracias, chame a atenção ao senhor Engº José Sócrates que ao seu homólogo britânico não passou ceertamente pela cabeça recusar-se a comparecer perante os Comuns quando ali foi chamado a dar explicações sobre o seu envolvimento e do governo trabalhista na guerra do Iraque. E se o tema era incómodo...

Não gostei

No nosso Parlamento discutiu-se se o que os deputados estão a escrever ou a ler no computador é público ou privado e parece que se chegou à conclusão de que os écrans estão todos em directo, nunca pensei que o big brother viesse a ter honras de reconhecimento oficial!
No mesmo dia houve outro episódio constrangedor com um membro do Governo que, sendo estreante naquelas lides, não usou com precisão a fórmula regimental de início de intervenção, tendo sido asperamente admoestado, uma e outra e outra vez, cada vez com mais rispidez. Quando vejo uma pessoa a ser humilhada fico sempre constrangida, ocorre-me que podia ser comigo ou com alguém que eu preze e torço sempre pelo infeliz que se vê em maus lençóis por um azar qualquer que podia acontecer a qualquer um.
Ir ao Parlamento enfrentar o hemiciclo que interroga e argumenta é uma dura experiência, exige grande presença de espírito, boa preparação mas apesar disso é sempre uma carga de nervos e enquanto não se ganha experiência é impossível não se estar um tanto vulnerável. E o que na televisão parece muito fácil, quase um jogo do gato e do rato, ali sofre-se um bocado, a diferença entre fazer boa figura ou dizer uma frasezinha qualquer que é logo título no dia seguinte é mesmo uma linha muito fininha. Em regra, há alguém que tem a incumbência de acompanhar estes primeiros passos, de ensinar as fórmulas regulamentares, de fazer sinal para que o tempo está a esgotar-se, de fazer sentir que a intervenção está no ritmo e tom certo ou que é melhor ficar por ali. Naquele caso de ontem pareceu-me que não houve esse apoio e também não houve complacência nenhuma quando, a meu ver, não teria ficado nada mal um acolhimento mais amável. È que estas atitudes também não ajudam nada a que se tenha respeito e consideração quer pelos governantes que assim são repreendidos em público como se fossem crianças mal educadas quer pelo Parlamento, onde se deve dar o exemplo de urbanidade e consideração por quem lá se apresenta, mesmo que não saiba ainda de cor a cartilha.

Não esquecer outras "prendas"...

O PS pretende equiparar a subornos prendas para políticos e “criminalizar a oferta de prendas a trabalhadores do Estado desde o mais modesto funcionário de uma repartição fiscal até ao Presidente da República”. Será que estas propostas abrangem os bónus aos administradores das empresas públicas? Às tantas não!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Enorme satisfação III

O nosso Governo determinou que em 2010 não haveria lugar à actualização anual das rendas dos diversos tipos de arrendamentos.
Então porque é que o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para 2010 teve um aumento de 3,75% ?
É certamente mais um daqueles anunciados incentivos ao arrendamento urbano...

No Dia do Pai


...Do berço, segue-me os passos
Onde eu vou, seus olhos vão…
E quando o aperto nos braços
Abraço o meu coração.
...
Dorme, dorme, meu menino,
Foi-se o sol. Nasceu a lua.
Qual será o teu destino?
Que sorte será a tua?…

Riquezas tenhas tão grandes,
E tal bondade também,
Que ao redor donde tu andes
Não fique pobre ninguém.
Que a todos chegue a ventura:
Toda a boca tenha pão,
Toda a nudez cobertura,
Toda a dor, consolação…

Dorme, dorme, meu menino,
Foi-se o sol. Nasceu a lua.
Qual será o teu destino?
Que sorte será a tua?…

Bate as asas, mas ao voares
Não me apagues esta estrela.
Se alguém de aqui precisares,
Aqui me tens, em vez dela.
...
Augusto Gil, excerto do poema Dorme, Dorme, meu Menino, do livro Luar de Janeiro

quinta-feira, 18 de março de 2010

A cor do dinheiro... da PT e da Ongoing

Nuno Vasconcellos, Presidente da Ongoing disse na Assembleia da República que nem a PT, nem o Fundo de Pensões da PT, nem qualquer outra empresa do universo PT investiram, directa ou indirectamente, no Grupo Ongoing.
Nuno Vasconcellos especificou depois que o investimento da PT foi feito na Ongoing International Partners, uma empresa gestora de investimentos com sede no Luxemburgo, a qual "não pertence ao grupo Ongoing", mas apenas à sua família, da qual constitui o braço financeiro.
Portanto, sendo a compra da TVI feita directamente pelo Grupo Ongoing, fica provado que o dinheiro da PT nunca poderia ter sido aplicado na compra da TVI.
Claro!...O dinheiro da PT serviu apenas para financiar o braço financeiro da família, para o braço financeiro da família financiar o Grupo Ongoing, para o Grupo Ongoing, entre outros investimentos possíveis, comprar a TVI.
Claro que a cor do dinheiro aplicado na compra da TVI pelo Grupo Ongoing era completamente diferente da cor daquele que a PT investiu no braço financeiro da família, a Ongoing International Partners!...
E ainda dizem que o dinheiro não tem cor?

A iluminação dos nomes das ruas


Veio hoje a público a iniciativa de um grupo de deputados para que seja aprovada uma lei que proíba a atribuição de nomes de pessoas vivas a ruas ou a bens públicos, um gesto que invoca a ética republicana como pretexto de oportunidade.
Já aqui temos comentado diversas vezes este frenesim legislativo, tem-se uma ideia faz-se uma lei, está-se contrariado propõe-se uma lei, embirra-se com o vizinho ou o menino porta-se mal na escola e lá se faz outra lei. Como se as leis dispensassem a educação, a consciência, a ética ou a seriedade e a boa fé nas atitudes.
O caso dos nomes das ruas, em breve minuciosamente regulado – e fiscalizado por entidades competentes que farão pareceres a justificar excepções – decreta a desconfiança no juízo de mérito dos vivos, supondo que tal embuste já não servirá de nada aos mortos. E é tanto mais absurdo quanto cabe às autoridades públicas decidir os nomes das coisas públicas e não deixa de ser chocante que deputados venham reconhecer que só proibindo se evita a escandaleira de prestar homenagem a quem não atingiu o estatuto que a justifica. Em linguagem modernista diria que a autoridade não se auto regula… Enfim, também se tornou banal haver leis que criam altos cargos e logo dispõem que só podem ser nomeadas para os ocupar pessoas com a competência adequada. Eficácia garantida!
A degradação dos símbolos resulta da sistemática apropriação abusiva da consideração pública que os mesmos significam ou seja, do facto de haver muito boa gente que não tem vergonha de querer parecer tão ilustre como os ilustres que deram sentido aos símbolos. É como se um plebeu usasse uma coroa de rei, ou um cobarde uma medalha de guerra, para que as vestes lhe emprestem a majestade ou as medalhas exibam a coragem que não existiu.
Esta usurpação é tanto mais frequente e tolerada quanto se perdem ou degradam os valores que sustentavam a sua consagração, sobrando apenas a vaidade, a cobiça ou a futilidade de pretender o louvor sem ter o mérito. Reclama-se o tributo ou exibe-se o título para obter o ganho ou a aparência, enganando toda a gente. Isto acontece com os títulos académicos, com os altos cargos, com os prémios que deviam ser de mérito, com a baralhada de designações para as instituições, que são promovidas no baptismo e rebaptismo sem que as funções deixem de ser o que eram quando perderam a consideração pública.
Se os deputados querem fazer uma lei que impeça de dar às ruas nomes que não lhes dão nome nenhum, que não se fiquem pelas ruas, já agora aproveitem a ideia e poupem nas normas. Sugiro um artigo único, inspirado numa frase que fixei há muito tempo: “A luz alheia não te fará claro se luz própria não tiveres…”

Da série "Títulos Esperançosos"

"Cavaco ajuda a limpar Portugal este sábado" - título da edição on line do Diário Económico.

As Novas Oportunidades do género...

As questões do “género” estão na moda, e teses e mais teses são diariamente elaboradas para decifrar os segredos da diferenciação em tão recôndita, misteriosa e secreta matéria. Felizmente que ainda sou capaz de distinguir e apreciar, só por mim, a natureza do produto, sem recorrer ao auxílio de sociólogos e psicólogos. Autonomia que, seguramente, em breve deixarei de ter, por politicamente incorrecta.
Bom, mas a partir de ontem, a coisa começou a fiar mais fino. É que Norrie May-Walby nasceu rapaz, mas nunca se tendo sentido bem com o que tinha, decidiu mudar de sexo.
Todavia, eternamente insatisfeito ou insatisfeita, logo percebeu que também não se sentia bem como mulher. É que, segundo o próprio, ou a própria, os conceitos de homem ou mulher não se encaixavam na sua pessoa.
Na circunstância, resolveu procurar outro conceito dentro da categoria dos animais racionais e tomou a decisão extrema de se tornar do género neutro.
Abertas às novas correntes, as autoridades reconheceram Norrie como uma pessoa sem um género específico: nem homem, nem mulher.
Quanto a mim, que sou liberal, e porque haver nomes só masculinos e femininos é atitude passadista e reaccionária, há que proceder rapidamente e em força à criação de nomes que reflictam a nova situação. Entre Pancrácio e Pancrácia ou entre Segismundo e Segismunda tem que haver outra denominação ajustada aos tempos modernos. Aí estão Novas Oportunidades para Linguístas, Sociólogos e Psicólogos, equipas mistas, pluridisciplinares e multifuncionais, que o assunto é urgente, momentoso e grave.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Enorme satisfação II

O Eng. José Sócrates acabou de demonstrar com o seu exemplo que também irá ficar sem os benefícios fiscais relacionados com as suas despesas de saúde.
Esta declaração lembrou-me a história do condutor de uma viatura desgovernada que bateu em muitas outras e as danificou.
Esse condutor veio agora dizer que só paga os danos na sua viatura.
Será que o Sr. Eng. José Sócrates não se quer oferecer para ficar com as minhas despesas de saúde?

Certificados de Aforro (CA) e dívida pública: gestão difícil

1. Já é oficial, no mês de Fevereiro o saldo dos CA diminuiu € 61 milhões: de € 16.824 em Janeiro para € 16.763 em Fevereiro.
2. Adicionando à redução de € 47 milhões registada em Janeiro, temos que em 2010 a redução líquida soma já € 108 milhões, o equivalente a 3,3 (+230%) vezes a redução verificada em igual período de 2009.
3. Os CA que em Janeiro de 2008 chegaram a representar 15,7% da dívida directa total do Estado representam actualmente 12,4%.
3. Note-se ainda que a prosseguir este ritmo mensal o stock de CA poderá baixar este ano mais de € 600 milhões, duplicando a perda registada em 2009...e caso se mantenham as condições de remuneração em vigor para os CA da série C isso não deverá constituir qualquer surpresa.
4. Relativamente à divida directa do Estado cabe mencionar de passagem que em final de Fevereiro ascendia a € 135.131 milhões, ou seja 82,7% do PIB (de 2009), tendo aumentado € 2.395 milhões nos dois primeiros meses de 2010, o dobro do valor registado em igual período de 2009...
5. A manter-se este ritmo mensal de crescimento, a dívida pública directa aumentaria mais de € 14 mil milhões em 2010, ou seja montante igual ao registado em 2009...compreende-se a esta luz a urgência das privatizações anunciadas.
6. Permito-me recordar os comentários aqui produzidos sobre este mesmo tema em texto editado em 26 de Fevereiro último (“Certificados de Aforro: alteração de política impõe-se”), no qual se procurou salientar a incongruência da política de remuneração dos CA.
7. Com efeito, a diminuição do saldo dos CA tem de ser compensada por emissão de outra dívida, em princípio de obrigações do Tesouro, consideravelmente mais onerosa para o Estado e colocada sobretudo em não residentes.
8. Parece assim que a revisão da política de remuneração dos CA se vai tornando cada vez mais urgente...já devia ter sido ontem...

De PE em PEC

Infelizmente, e dado o ponto a que as coisas chegaram, o PE agora apresentado pelo Governo será apenas o Prelúdio de um outro PE(C) a apresentar em 2013. O apertar do cinto não vai terminar, vai continuar após 2013.
Com efeito, foi uma dívida pública explícita e directa de 133 mil milhões de euros em 2009, cerca de 81% do PIB (outra há, indirecta, mas significativa, superior a 50 mil milhões de euros) e um défice enorme, superior a 15 mil milhões de euros que levaram à necessidade do PEC.
Pelas contas do Governo, até 2013, e já descontado o valor de 6 mil milhões de euros das privatizações, o aumento da dívida será de cerca de 34 mil milhões de euros, situando-se esta em 167 mil milhões de euros.
Também segundo as contas do Governo, este valor deverá equivaler a cerca de 89% do PIB, valor bem acima do referente a 2009, que está a causar os problemas conhecidos de acesso a novos financiamentos.
Isto é, em 2013, os problemas do refinanciamento da dívida que tantas dores de cabeça estão a dar, não irão atenuar-se, antes pelo contrário.
Provavelmente, dependendo contudo do crescimento da economia, uma parte importante dos juros terá que continuar a ser refinanciada, o que significa que não se adivinha um decrescimento significativo do peso da dívida pública nos anos seguintes.
Nessas circunstâncias, um novo PEC será necessário em 2013, mas um PEC em que a despesa pública leve um corte radical, já que o nível de impostos e da carga fiscal, de tão agravado que está, não consente qualquer aumento, sob pena de gerar receita cada vez menor, por efeito e fuga fiscal e de contracção da actividade económica.
Um PEC que diminua a despesa pública e, consequentemente, os impostos, de forma a que estes deixem de ser um entrave ao crescimento.
Até lá, no mínimo até 2016, é sofrer as agruras da pesada herança socialista, da despesa pública cheia de virtudes e do confisco fiscal para a financiar.
O efeito nocivo das decisões impensadas e erradas vai durar anos, muitos para lá de 2013. Vamos pagá-las durante muito tempo. E sou eu, optimista, que o digo.

Uma ideia original











Há ideias fantásticas. Uma jovem alemã que vive na Holanda, amiga de uma das minhas filhas, é artista plástica, fotógrafa e mais não sei quantas coisas no campo das artes. O Metro de Amsterdam abriu um concurso para decoração do interior das carruagens e ela concorreu com um projecto muito original que propunha cobrir as paredes dos comboios com fotografias de famílias, pessoas e imagens da vida diária ao longo dos tempos. Ganhou o concurso e pediu a várias pessoas que lhe fizessem chegar fotos de família a preto e branco e logo foram daqui de casa umas preciosidades, os meus pais ainda noivos, o casamento, bebés cheios de folhos e rendas que são hoje cinquentões, meninas a andar de bicicleta em Luanda…A jovem artista trabalhou o material e obteve um efeito surpreendente, uma espécie de azulejos incertos em tons azul e sépia, e lá apresentou o seu trabalho.
Recebi há dias o relato entusiástico da minha filha quando teve a sorte de entrar numa das carruagens assim decorada e viajou junto ao retrato dos avós, das tias e de várias imagens que tão bem conhece dos baús das recordações. O comentário foi emocionado, que tinha um sentido mágico ir ali, tão longe, ao lado de cada um de nós, como se um bocadinho da nossa casa tivesse entrado com ela na carruagem, para a acompanhar em segredo no fim de um dia de trabalho, como uma visita inesperada que agora entra no seu quotidiano.
E riu divertida, ao ver os desconhecidos que olhavam as fotografias, tentando decifrar as vidas que se escondiam em cada uma delas, sentindo a malícia de quem está a guardar um segredo à vista de todos.

Enorme satisfação

O nosso Governo anunciou a criação mais 120.000 postos de trabalho nos próximos 10 anos no sector energético.
Estou radiante...!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

A insustentável moção do PSD

Não é tolerável, é mesmo condenável, o teor da proposta aprovada no Congresso do PSD que proíbe a crítica ao Presidente do Partido, mesmo que dois meses antes das Campanhas Eleitorais.
O PSD foi um Partido de homens e mulheres livres, das profissões liberais, que fazem da qualidade de trabalho o factor de sucesso, de agricultores e empresários, em que o risco da actividade está sempre presente, de gestores e de empregados por conta de outrem, entidades privadas ou o Estado, mas que reconhecem o valor da livre iniciativa e do mérito. Um Partido que concitou o entusiasmo de jovens de todas as idades que, através dele, procurou, antes de tudo, servir o país.
Gente de têmpera que fez o Partido, criticou dirigentes, foi coerente com as críticas, por elas abandonou o Partido. De gente que, por razão das causas que defendia, criou rupturas, por duas vezes constituiu Grupos Parlamentares independentes, e que regressou quando as condições se modificaram.
Nada disso enfraqueceu o Partido, antes o depurou e revigorou, e tornou-o capaz de, unido, ganhar eleições, legislativas, europeias e autárquicas, com maioria relativa ou absoluta, e prestar serviços assinaláveis ao país.
As lideranças fortes surgem, crescem e impõem-se, com as críticas e apesar delas.
E se as críticas subvertem a liderança é porque a liderança se desgastou ou tornou débil.
Com a aprovação de tal moção, os Delegados ao Congresso mostraram que estão longe da raça dos militantes que criaram e fizeram do PSD o maior Partido português. O PSD não foi, não é, e não terá longa vida se se tornar um Partido de funcionários atentos e veneradores do Chefe.
Ainda bem que há candidatos a líderes que se demarcaram de tal moção.
Eu, do PSD me confesso.

P or E ste C aminho...não vamos lá.

1. Há quem considere o PEC um programa “credível, ambicioso e exequível” merecedor de um “consenso político alargado”...
2. Até se compreendem estas opiniões, sobretudo num momento em que importa que a Europa e a zona Euro em especial não tenham por ora mais problemas do que aqueles que a Grécia lhes impõe e que por si SÓS ocupam demasiado espaço na agenda de trabalho...se houver mais problemas, daqui por um ou dois anos se verá, por agora uma trégua é indispensável.
2. Quanto ao PEC e à sua primeira emanação, o OE para 2010, convém salientar que não conseguiram escapar, apesar das promessas em contrário – que até dou de barato terem sido inicialmente formuladas com toda a boa vontade – ao “inevitável” agravamento da carga fiscal, vulgo “aumento de impostos”...
3. Esta componente marca indelevelmente este PEC na minha opinião...e marcam-no de forma profundamente negativa, condenando ao insucesso a política que lhe subjaz, da mesma forma que marcou e condenou a política financeira dos últimos anos.
4. Num ponto em que a superação das debilidades estruturais da economia portuguesa reclamavam (para começar) uma política fiscal audaz, capaz de romper com um passado de insucessos, a repetição da formula “mais recursos para o Estado à custa das Famílias e das Empresas” torna impossível qualquer mudança, aprisionando a economia a um modelo de definhamento absoluto e relativo, sem quaisquer perspectivas de recuperação...
5. Não é com mais recursos afectos ao Estado e retirados aos sectores produtivos, que se poderá pensar na mudança estrutural da economia: não se entenderá que o Estado já consome recursos em excesso e que se lhe forem atribuídos ainda mais recursos os crónicos problemas da economia de que todos falam – produtividade, competitividade – continuarão a agravar-se, sem solução?
6. Nem é preciso lembrar que o Estado é um típico “drogado”, um viciado em despesa, quanta mais lha derem, mais gasta/consome e mais precisa...
7. E as previstas privatizações para um período de 4 anos, anunciadas como uma componente essencial do PEC, com o argumento de reduzir a dívida ao exterior (a final sempre importa?!) potencialmente geradoras de receitas da ordem de € 6 mil milhões, o melhor que se pode dizer - passando por cima da controvérsia política que não deixarão de suscitar - é que “não cabem na cova de um dente das necessidades”...
8. Basta recordar que o aumento anual do endividamento da nossa economia ao exterior se cifra em cerca de € 16 mil milhões...o que quer dizer que em 4 anos teremos mais de € 60 mil milhões em dívida ADICIONAL ao exterior.
9. Estas privatizações – se forem concretizadas, o que não é líquido por diversas razões, políticas e outras – reduziriam assim em 10% o aumento de endividamento ao exterior...que já não seria de € 60 mil milhões, mas de € 54 mil milhões – será que isto faz alguma diferença?
10. P or E ste C aminho...não vamos lá.

De que se ri o secretário-geral do PS?


Se ela o diz...

"A vereadora da habitação da Câmara de Lisboa, Helena Roseta, avisa que a cidade está em perigo de derrocada" - Notícia da TSF.

domingo, 14 de março de 2010

Viagem na distância do tempo

"Porque quase tudo se concentra num resumo sem grande importância, depois de ter parecido que justificava canseiras demoradas, debates prolongados, vigílias de angústia, pontos finais. Nisso se gasta a maior parte daquilo que chamam o nosso tempo, e que é simplesmente a nossa vida, porque é em unidades de vida que o tempo se mede. Entretanto, descura-se o essencial nos nadas a que não sabemos quem nos obriga".
Adriano Moreira , "A Espuma do Tempo Memórias do Tempo de Vésperas"
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Tenho andado a pensar nisto, como é que se conta uma vida? A questão surgiu-me porque irei em breve reencontrar uns amigos que conheci há mais de vinte anos e com quem convivi de perto durante um ano, quando vivi fora do País. Mas a distância e a vida de cada um de nós não permitiu que voltássemos a ver-nos, embora nunca se tivesse quebrado o hábito de um telefonema de quando em quando, o postal no Natal, os parabéns nos anos e sempre, mas sempre, os votos de um reencontro. Na altura as nossas filhas eram pequenas, as deles tinham a mesma idade, vivíamos no mesmo prédio e enfrentámos juntos as atribulações da adaptação à vida na América, nós vindos deste cantinho perdido na Europa, eles vindos de um País que era maravilhoso antes de ser destruído por uma terrível e interminável guerra, o Líbano.
Apesar de sermos tão distantes no Globo tínhamos uma vida parecida, uma mesma maneira de olhar os problemas, de educar os filhos e muitas e muitas vezes resolvemos juntos as dúvidas e as angústias que nos assolavam. Eu e ela, sobretudo, partilhámos de perto a integração das crianças na mesma escola, aprendemos os segredos da vida no bairro, ocupávamos as horas livres a conversar ou a desvendar a cidade que nos acolhia, a mim transitoriamente, a ela num novo rumo de vida que sempre pensou que seria para sempre. Ainda me lembro bem do dia em que íamos tranquilamente na rua e se ouviu um estrondo enorme, por um incidente qualquer, e ela ficou lívida, paralisada de horror, chamava-a e não respondia, de repente transportada para Beirute, as bombas, o impulso entre abrigar-se ou fugir. Foi a primeira vez que percebi o que era o medo a sério.
Mandaram-me há meses uma fotografia da neta e reparei então que já decorreu quase uma vida inteira desde que nos separámos, vamos sentar-nos numa casa que eu não conheço embora ainda os imagine na sala de dantes, com as coisas que tinham ganho o seu lugar à medida que iam abrindo os caixotes chegados de longe. Ela explicava-me que a carpete ali parecia pequena, que o espelho estava por cima de outro móvel, que a mesa ficava acanhada, tudo era pensado por referência a um mundo que deixara para trás, as coisas também ganham uma vida própria e depois teimam em não aceitar os novos espaços que lhes destinamos.
Penso como será possível escolher o mais importante de todos estes anos, passo em revista todos os factos e percebo que o mais importante é difícil de contar, não é o que aconteceu mas o que foi acontecendo, como se viveu e não o que se viveu. Lembro-me de um jogo que as minhas filhas faziam nos escuteiros que era descreverem-se sem recorrer a nenhum facto concreto que as situasse numa família, numa terra, numa escola, num meio social. Tinham que aprender a “traduzir-se” pelo seu sentir, pelo que preferiam, pelo que recusavam, de modo a que os outros pudessem então interpretar, decifrar as suas influências e concluir assim que tipo de pessoa é que afinal eram.
Um exercício difícil mas de uma sinceridade exigente, longe de atavios ou de rótulos que abreviam juízos e servem de muleta, ocultando tantas vezes a verdadeira essência da pessoa. Ao fim de vinte anos, uma conversa entre pessoas que mantiveram preso o laço da amizade merece o esforço de que se fale sobretudo do essencial, do que ficou de cada um de nós depois de vividos os anos centrais da nossa vida de adultos.
E, a pensar nisso, é como se já tivesse começado a minha viagem até casa deles.

Este Congresso do PSD valeu a pena ?

Ouvimos os três candidatos (e não refiro propositadamente quatro).
Tivémos mais uma cena de Alberto João Jardim (é bom saber que o PSD está na sua 47ª prioridade... podia ser pior).
Assistimos aos discursos dos ex-líderes...
... e ao de Fernando Costa!!
Santana Lopes continua a ajustar contas com o passado e com as moedas de Cavaco Silva (o Sr. Presidente da República vai ter que arranjar uma resposta).
Marcelo Rebelo de Sousa está em grande forma (tenho uma grande curiosidade em saber o que vai agora fazer de agora em diante).
Vamos ter uma nova lei da rolha (um belo disparate).
Fracassou a revisão estatutária (ainda bem, para não ficarmos com um bacalhau com asas e que não conseguiria voar).
Para mim confirmou-se a consistência de Pedro Passos Coelho.
O PSD voltou a ter um Congresso à moda antiga!
Mas se o Congresso do PSD tivesse sido só isto, não teria qualquer utilidade prática.
Contudo, ocorreu um facto que alterou uma questão essencial.
Ao contrário do que tenho ouvido a muitos comentadores e jornalistas, entendo que o principal acontecimento do Congresso do PSD foi a clarificação da posição face ao PEC.
Não foi necessário haver uma votação.
Bastaram os discursos de Marcelo Rebelo de Sousa e de Pedro Passos Coelho para que ficasse claro que o PSD cometerá um erro monumental se aceitar o PEC tal como está desenhado pelo Governo.
De uma forma muito clara, a direcção do PSD ficou desautorizada e perdeu qualquer legitimidade para apoiar este Plano de Estabilidade e Crescimento que é uma anedota face ao estado a que chegaram as finanças públicas e a economia de Portugal.
E escusam o Governo, os analistas e até um qualquer "Papa" de invocarem o interesse nacional, os credores externos e as agências de rating para fazerem chantagem.
Portugal precisa de um PEC como qualquer um de nós precisa de ar para respirar.
Infelizmente, chegámos a este triste estado.
Mas este PEC é um produto tóxico que nos irá asfixiar e não resolverá coisa alguma.
Onde estão as medidas para acabar com a pouca vergonha das consultadorias externas e dos outsourcings que polulam por toda a administração pública e que servem para pagar estudos, livros brancos, relatórios e outros disparates sem qualquer utilidade?
Onde estão as medidas para cortar a eito nos milhões que são gastos em propaganda para "encher o olho da malta"?
Onde estão as medidas para acabar com a gestão vergonhosa e escandalosa de institutos e empresas públicas (nomeadamente as de transportes) que estão falidas e continuam a esbanjar dinheiro em acções que não se coadunam nem com o negócio que desenvolvem, nem com a sua situação financeira.
Onde estão as medidas para cortar seriamente na despesa pública?
Deve ficar claro que o PSD não pode aceitar um PEC que mais uma vez coloca a classe média a pagar a crise.
O PSD tem a obrigação de travar este combate.
Se não o fizer, outros o farão!!

E esta?


Estava a pôr umas leituras em dia e deparei-me com esta novidade. Ocorreram-me as seguintes perguntas: quem seriam os médicos encarregados de tão soberana tarefa e qual seria a definição legal de “a pessoa precisa de estar na plena posse dos seus meios”.

sábado, 13 de março de 2010

Globalização


A polémica instalou-se na África do Sul a propósito do custo dos estádios construídos de raíz para a fase final do campeonato mundial de futebol. O NYT reporta na edição de hoje a contestação a propósito do estádio de Nelpruit que vai custar US$ 137 milhões:"The people who live nearby, proud as they are to host soccer’s greatest event, also wonder: How could there be money for a 46,000-seat stadium while many of them still fetch water from dirty puddles and live without electricity or toilets?".
Lá como cá.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Autoridade precisa-se...

Há muito que chegámos a níveis intoleráveis de violência na escola. Os casos do Menino de Mirandela e do Professor de Rio de Mouro que foi hoje notícia trouxeram de novo para a opinião pública os problemas do mau funcionamento da escola. Esperemos que tenham também trazido o assunto para a agenda politica, mas com peso que baste para que a autoridade da escola seja seriamente repensada.
Dizem alguns que a violência na escola não é mais do que o retrato social do país. E, então? Não será que para este retrato tem contribuído, ao longo de anos, a indisciplina na escola?
E a indisciplina na escola de onde vem? Vem, a meu ver, da falta de autoridade da escola e de uma ideia deturpada do papel do aluno.
É que cada estrutura social deve cumprir o seu papel. Ou estamos à espera que nenhuma cumpra para se declarar o caos e depois então fazermos alguma coisa?
É claro que a violência na escola não tem apenas uma causa, há vários factores a puxarem para o mesmo lado. Mas esta realidade só vem demonstrar que é preciso actuar em relação à escola, não só enquanto estrutura de educação, mas também enquanto comunidade social.
Ouvi alguém dizer, um responsável de uma associação de pais, que é preciso ter serenidade para resolver o assunto. Serenidade sim, porque decisões incendiadas já todos sabemos que não dão bom resultado. Mas que não se confunda serenidade com lentidão de actuação ou mesmo omissão.
Hoje li várias notícias sobre iniciativas legislativas que o Governo está a estudar e que a oposição está também a ponderar, tendo em vista acabar com a violência na escola. Não conhecendo em profundidade essas iniciativas e enquanto cidadã atenta ao que se tem vindo a passar no meio escolar - não querendo obviamente fazer generalizações porque são sempre perigosas - espero que as mesmas não se limitem a decretar administrativamente o fim da violência.
Creio que é fundamental devolver autoridade à escola, fornecendo-lhe instrumentos preventivos e correctivos que incentivem a disciplina e o esforço e que estes valores sejam apreendidos como benéficos pelos alunos e pelos pais. Mas esta autoridade implica que a escola disponha de um estatuto de autonomia, que também perdeu, capaz de lhe conferir a necessária responsabilidade na condução da gestão da escola e a consequente responsabilização.
Não creio que possa ficar tudo na mesma. É preferível que a mudança seja para melhor…