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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
Mal comportados, disse ele...
A frase é do ainda líder do PSD, que pretende que os orgãos jurisdicionais do partido avaliem os comportamentos de alguns militantes. Mas não diz quais são os comportamentos, nem identifica os militantes.
Será que se refere ao Prof. Cavaco Silva?
Será que pretende atingir os militantes que se recusaram a integrar as listas de deputados?
Será que se queixa dos milhares de militantes do PSD desalentados com esta liderança e que não participaram na campanha eleitoral?
Ou estará a referir-se aos 542.035 eleitores do continente e ilhas, que abandonaram o PSD nestas eleições?
Quaisquer que sejam os destinatários da dita "avaliação", estamos perante uma situação escandalosa, irresponsável, inaceitável, chocante, indigna, insultuosa e desonesta.
Desonesta, porque ao contrário do que se afirma, não se confirmam os tais comportamentos ditos negativos.
Insultuosa, porque se pretende deturpar as atitudes dos militantes que não quiseram dar a cara por esta liderança, transformando-as em actos passíveis de mero procedimento disciplinar.
Indigna, porque quem profere estas afirmações tem um passado em que fez uma permanente guerrilha a várias lideranças do PSD, a ponto de ter ameaçado criar um novo partido político.
Chocante, porque sob a capa da insinuação de comportamentos ditos negativos, produz-se uma acusação, mas falta coragem para identificar os acusados.
Inaceitável, porque o PSD é um partido democrático, feito de homens e mulheres livres, que jamais pactuará com práticas que visem cercear a liberdade de expressão e pensamento dos seus militantes.
Irresponsável, porque estamos perante uma atitude de quem diz que assume todas as responsabilidades e depois inventa episódios e incidentes para se desresponsabilizar.
Escandalosa, porque, mais uma vez, mostra que continua a fingir não perceber a dimensão estrondosa e trágica desta derrota eleitoral.
Reconhecimento
O candidato do Expresso
Para o Expresso parecem ser “favas contadas”. Dá a sensação que nem é necessário fazer Congresso. A escolha é tão óbvia …
Esquecem-se que o “povo laranja” não gosta muito destes truques e por alguma razão andam muitos em busca da “terceira via”, nomeadamente para evitar outros truques idênticos ao que vem na última página: “Oeiras. Zambujo faz auditoria a Isaltino”. É um mau prenúncio do que pode ser o “mendismo”.
domingo, 27 de fevereiro de 2005
A raposa e o busto
A moral e a ironia crítica das fábulas são sempre actuais. Deixo aqui recordada a da raposa e o busto, traduzida por Moura Cabral, suspeitando que alguns dos que por aqui passam não resistirão à tentação de identificar o busto, o burro e a raposa...
Era um busto famoso, um todo teatral...
Por entre a multidão o burro, esse animal
Que não sabe julgar senão as aparências
Gabava da escultura as raras excelências.
A raposa, porém, um tanto mais sabida,
Aproxima-se e diz:
«Não vi, por minha vida,
Cabeça tão perfeita!... É mágoa verdadeira
A falta que lhe faz lá dentro a mioleira!»
Aos centos, pelo mundo, os homens conto
Que são bustos perfeitos nesse ponto.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
O tempo mudou
Um grupo de cientistas usou um avião da Força Aérea para provocar chuva.
Tratou-se de lançar na atmosfera um composto químico - iodeto de prata e cloreto de cálcio - que age como inseminador nas núvens provocando a precipitação.
Quando vi esta notícia estranhei dois factos.
A operação foi realizada 3 dias depois das eleições e os habituais "ecologistas de serviço" não se puseram aos gritos.
E lembrei-me daquela situação vivida nos finais dos anos 90 quando, um outro grupo de cientistas, pretendeu realizar no mar, ao largo do Porto, umas experiências com explosões, destinadas a avaliar o comportamento sísmico. Recordo-me que as experiências foram várias vezes adiadas e a gritaria foi tal que durante várias semanas não se falou de outra coisa.
Depois, como já é habitual nestas situações, as atenções viraram-se para outro lado, as experiências realizaram-se e nunca mais se falou do assunto.
Lançar iodeto de prata e cloreto de cálcio na atmosfera não é propriamente um acto inofensivo. Trata-se de produtos químicos que provocam uma reacção - daí a chuva.
Mas desta vez a reacção química, não provocou reacções políticas. Não houve gritaria, nem pedidos de adiamentos. Tudo pareceu natural... e choveu.
Não é difícil imaginar o que se teria dito e feito se esta experiência se tivesse realizado antes das eleições.
O tempo mudou. Já chove!
Os tempos mudaram. Já não se grita por tudo e por nada...
Energias renováveis
Numa altura em que se percebe que não foi meramente episódica ou conjuntural a brutal subida do preço do barril de petróleo ocorrida no final do ano passado, é importante estar atento ao que se passa neste domínio. O desenvolvimento sustentável que enche a boca dos lideres mundiais ou dos políticos domésticos, para que possa ser desenvolvimento e não insustentável estagnação, não pode ignorar a procura crescente de energia.
Na Alemanha, a adopção de novas tecnologias na produção de energia eólica já permitiu situar em cerca de US$ 0,3 o custo do Kilowatt/hora. Valor competitivo com a energia produzida por recurso às fontes tradicionais, designadamente por queima de combustíveis fósseis.
A importância deste dado não se fica por aqui. Estima-se que em 2050, 50% da energia consumida pela Alemanha provenha das energias renováveis. Na actualidade essa cifra ronda os 3% e aquele país é um dos maiores consumidores mundiais de energia. Por isso o desenvolvimento tecnológico ali ensaiado pode bem vir a ser um importante exemplo e alavanca para a restante Europa.
Entre nós, é de fazer votospara que o novo governo compreenda esta realidade e veja nela uma oportunidade de atenuar uma das debilidades da nossa economia que é a da quase absoluta dependência externa neste domínio. A aposta neste sector poderá ser também a aposta num negócio de futuro em que o país se pode especializar, designadamente na produção de componentes para as centrais.
O prometido ´choque tecnológico´ bem poderia começar por aqui.

Tempos difíceis
Serão as lideranças um passivo?
Os Autores reflectiam sobre a contribuição dos administradores para o sucesso ou insucesso das empresas, traduzido nos respectivos balanços.
Não me parece abusivo estender a pergunta à administração pública ou a outros órgãos colectivos ou individuais.
E também às lideranças partidárias.
Não é possível uma boa liderança, se o leader não souber o que está a liderar.
Não se lidera da mesma maneira, por exemplo, uma empresa de confecções e uma empresa de televisão, desde logo porque as pessoas são diferentes: um jornalista e um artista criam e enraízam culturas próprias, que pouco têm a ver com a maneira de ser e viver do economista, do engenheiro ou do operário.
Como tal, exigem abordagens diversas.
Vem isto a propósito da liderança do PSD.
A grande confusão da liderança de PSL começou logo com o nome.
O verdadeiro nome do partido, que define a sua natureza, é PSD/PPD e não PPD/PSD, o que faz toda a diferença.
O Partido nasceu como PPD, porque o nome PSD ficou prejudicado pelo registo, em 1974, do PSDC (Partido Cristão Social Democrata).
Logo que este desapareceu, o PPD alterou a designação para PSD, juntando-lhe a anterior designação PPD, a qual iria caindo à medida que o Partido se tornasse mais identificado com a nova sigla.
PSL pretendeu liderar o PPD/PSD, um conjunto vazio, um Partido que não existe, a não ser na cabeça do leader e de alguns dos seus seguidores.
O leader criou uma realidade virtual, afeiçoada à sua maneira de ser, e tomou-a como verdadeira.
O PSD ou PSD/PPD não esteve nas últimas eleições.
Por isso, a sua liderança foi um verdadeiro passivo.
Ou estarei enganado?
A vida como ela é
Boas práticas
O Partido Socialista e o Eng.º José Sócrates começaram a ganhar as eleições e a legitimidade para governar nesse mesmo processo de escolha.
O Partido Social Democrata e os seus militantes deveriam pensar muito seriamente sobre aquela experiência. Os Congressos podem dar excelentes espectáculos mediáticos, mas dizem pouco sobre a democraticidade na escolha dos dirigentes e muito menos sobre as verdadeiras opções estratégicas que pretendem apresentar ao país.
Quando existem boas práticas não há que ter vergonha de copiá-las.
Começou a correria
Já há duas candidaturas à liderança do PSD.
O Congresso será no próximo dia 15 de Abril.
Os apoios sucedem-se e contabilizam-se.
O frenesim da contagem de espingardas é visível.
A preocupação em tomar posição e não deixar espaço para os adversários locais é evidente.
Mas aonde é que isto nos leva?
Que reflexão é possível fazer nestas circunstâncias?
Como podem os militantes escolher os seus delegados ao Congresso num espaço de menos de 30 dias?
Como podem os candidatos organizar, divulgar e debater com os militantes os seus programas, em tão pouco tempo?
A resposta é simples: não podem!!
Este processo, conduzido desta forma, corre o sério risco de se transformar numa operação que serve para ocupar umas cadeiras vazias.
Dentro de um ano estarão a dizer que as escolhas eram transitórias.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Afinal, foi-se embora
Embora já se tenha percebido que saíu para se resguardar a mais uma humilhação.
Mas fica à espreita.
À espera de uma oportunidade para voltar.
E essa oportunidade são as presidenciais.
Ontem, ficou claro, que ainda não percebeu porque teve uma derrota tão estrondosa.
Desculpa-se com a herança de Durão Barroso. Com os dois anos de medidas impopulares que o antecessor lhe deixou.
É a única forma que tem para branquear as suas responsabilidades.
Nunca alguém fez tanta asneira em tão pouco tempo.
É natural que pense, que no pouco tempo que resta até às presidenciais, as pessoas se esqueçam de tantos dislates.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
A irresistível atracção por velhos hábitos
TSF, hoje: "António Vitorino vai integrar novo Governo".
O regresso, afinal, dos bons velhos hábitos...
De que precisa o PSD - 2
De que precisa o PSD
Bom senso e sentido de responsabilidade. O PSD terá de perceber que o seu ciclo interno não pode ser feito à revelia do ciclo político do país. O ciclo político do país só se completa depois das presidenciais, daqui a um ano, com as autárquicas pelo meio. Se imperasse o bom senso e o sentido de responsabilidade, o melhor caminho seria:
1. Saída de Santana Lopes. É o principal factor de divisão interna e a sua saída, por iniciativa própria e a bem, facilitaria soluções mais ponderadas e não precipitadas.
2. Um Congresso a muito curto prazo com vista a eleger uma Direcção, reunindo as várias sensibilidades e liderada pelo Presidente do Congresso (Manuel Dias Loureiro), com a tarefa de rever os estatutos, organizar as eleições autárquicas e enunciar, sem tibiezas, o apoio ao candidato natural do PSD: Cavaco Silva.
3. Marcação de um novo Congresso para o 2.º trimestre de 2006, precedida de um debate sobre as opções estratégicas do partido e da eleição directa do novo líder nacional, bem como dos órgãos distritais.
Receio que, a não ser assim, o PSD arrisca-se a implodir e ao eleger precipitadamente um novo presidente, sem debate interno generalizado e definição de opções claras perante o futuro do país, teremos mais um líder a prazo e a consolidação das “fracturas expostas” que ninguém deseja.
O facto de se posicionarem, desde já, alguns candidatos à liderança é positivo e facilita o início de um debate sobre o balanço crítico da governação e o enunciar de alternativas para o futuro. Porém, para que esse debate dê frutos é necessário tempo.
Há uma pessoa-chave neste processo que deveria sair do silêncio a que se remeteu nos últimos tempos: Manuel Dias Loureiro.
Possivelmente ainda estou a sonhar.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
Sem sombra de dúvida
Presidente da República – muito contestado, primeiro à esquerda, depois à direita, Jorge Sampaio respira e sorri de alívio perante os resultados eleitorais. Quer gostemos ou não, soube interpretar, em cada momento, a conjuntura, as alternativas e o sentimentos dos portugueses que representa. Quem o atacou pelas decisões que tomou saiu diminuído (Ferro Rodrigues e Santana Lopes, principalmente).
Eleitorado – contrariou a tendência crescente da abstenção, fazendo-a reduzir em 2,5 pontos percentuais. Não é muito, mas o suficiente para dar um sinal. Uma parte do eleitorado tradicionalmente abstencionista, em situações de alguma crispação, larga as “pantufas” e reforça o “contingente da mudança”. Foi assim em 1995, repete-se o movimento dez anos depois.
PS – pediu a maioria absoluta e o eleitorado concedeu-lha com margem mais do que suficiente para não existir qualquer “mas…”. É um voto de confiança forte, mas também exigente para o futuro. O Eng.º José Sócrates fica para a história como o primeiro líder socialista a obter uma maioria absoluta em 30 anos de democracia. Não tem que “receber lições” de ninguém, nomeadamente à esquerda, quer de soaristas e alegristas, quer dos eternos “genuínos”, PCP e BE. A primeira prova de fogo vai ser a constituição do Governo: daí virão os primeiros sinais.
PSD – Obteve o pior resultado eleitoral de sempre: 72 deputados. Na melhor das hipóteses igualará o resultado de 1976 (73 deputados). Mas mais grave do que isso, fê-lo delapidando aspectos fundamentais do seu próprio património político, dividindo em vez de unir, ignorando em vez ouvir, submetendo-se às vontades de um líder o que deveria ser assumido como desafio colectivo. Não contente com o acontecido, Pedro Santana Lopes vai agravar a já débil situação do partido: quer ir a Congresso para comprometer o PSD na sua candidatura presidencial. Este homem só pensa nele e tentará arrastar o maior número na sua queda.
PCP – Recuperou a 3.ª posição, com escassa vantagem, através de uma coisa simples: a surpreendente imagem de humildade e simpatia do seu líder. Confesso que não era esta a imagem que tinha de Jerónimo de Sousa.
CDS-PP – Portas quase conseguia o milagre: controlar os danos de pertencer ao último governo. Teve uma atitude digna na hora do reconhecimento da derrota. Um exemplo que deveria ser seguido por outros e não foi.
BE – Rompeu o limiar característico das forças de extrema-esquerda. Mais que duplicou os votos e quase triplicou o número de deputados. Reflecte o radicalismo de uma pequena mas importante parte da classe média urbana, intelectualizada, jovem e com perspectivas frustradas de aceder ao “bem estar social”. Vai ser uma dor de cabeça para o Governo de Sócrates em sectores muito delicados (professores, ensino superior, cultura, comunicação social).
A ver vamos!
A culpa é... da Lei de Murphy
Na altura, percebemos porque necessitou de referir esta percentagem.
Pois bem, teve 28,7% e... não se foi embora.
Falou-nos sobre um novo ciclo político que aí vem.
Pensámos que nos anunciaria a demissão.
Pois bem, convocou o congresso e... não se vai embora.
Viu Paulo Portas demitir-se da liderança do CDS-PP.
Tudo aconselharia que tomasse o mesmo caminho.
Pois bem, desculpou-se por só cá estar há 6 meses, e obviamente... recandidata-se à liderança do PSD.
Assistiu à maior derrota eleitoral de sempre na história do PSD.
Percebemos que é o único responsável pelo descalabro.
Pois bem, culpou os que não ajudaram na campanha, e... não se demite.
Conseguiu fracturar o maior partido português.
Conseguiu desbaratar em poucos meses todo o capital político de vários anos de trabalho do PSD.
Conseguiu fazer uma campanha eleitoral com total ausência de propostas e objectivos para o país.
Conseguiu introduzir nas campanhas eleitorais do PSD uma prática lamentável do Bloco de Esquerda - fazer cartazes com as fotografias dos adversários.
O desatino é tal que só pode ser explicado com uma nova versão da Lei de Murphy: se alguma coisa pode correr mal com esta liderança do PSD, assim sucederá, e correrá mal da pior maneira, no pior momento e de forma a causar o maior dano possível.
Vêm aí as eleições autárquicas, seguem-se-lhes as presidenciais, e...
Será que a Lei de Murphy sobrevive a esta liderança?
domingo, 20 de fevereiro de 2005
Conheci um homem bom

Era o Manel. O Manuel Alves de Oliveira, Deputado, Vereador na Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Um militante do PSD.
Perdemo-lo esta madrugada. Perdi um excelente colega e um bom amigo.
Com ele partilhei muitos momentos na 4ª Comissão e no Plenário da Assembleia da República.
As discussões sobre a co-incineração, o Polis, a incineradora da ERSUC, a criação de municípios - o problema de Fátima e de Canas de Senhorim. As questões das pedreiras e das minas abandonadas, o problema do passivo ambiental de Estarreja, da Barrinha de Esmoriz, a poluição do Rio Liz e da Ribeira dos Milagres provocada pelas suiniculturas de Leiria. Os vários orçamentos de Estado. Os apoios aos municípios. As áreas protegidas.
Enfim, tantos momentos.
O Manel sentia o que fazia. Lutava por aquilo em que acreditava. Dava tudo pelo Distrito de Aveiro e pela sua terra. E sofria quando as coisas corriam mal.
Adeus meu bom amigo!
